Graça Maciel

>   O que diz o Espiritismo sobre Almas Gêmeas

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Graça Maciel
>   O que diz o Espiritismo sobre Almas Gêmeas



Este assunto já foi bastante debatido no meio espírita e agora é tema de novela global, sendo assim as pessoas voltam a questionar e infelizmente ainda existem alguns espíritas que afirmam categoricamente que um dia encontrarão sua alma gêmea.

Esta idéia da alma gêmea se infiltrou no meio espírita por informações de livros subseqüentes as obras básicas, que não tiramos o seu valor, mas não fazem parte da codificação espírita e entra frontalmente em contradição com as informações dos Espíritos Superiores.

Para conhecermos a doutrina devemos primeiro iniciar da base, que são as obras codificadas por Allan Kardec para sabermos discernir e separar o joio do trigo.

Abaixo alguns trechos que entram em contradição com a codificação Espírita ou deixam margem à má interpretação.

Muitas almas criadas aos pares são destinadas a evoluírem juntas, unidas para sempre na alegria como na dor. Deram-lhes os nomes de almas irmãs; o seu número é mais considerável do que geralmente se crê; realizam a forma mais completa, mais perfeita da vida e do sentimento e dão às outras almas o exemplo de um amor fiel, inalterável, profundo; podem ser reconhecidas por esses caracteres. (O problema do ser, do destino e da dor – Leon Denis).

Ah! Meus amigos, por enquanto, não tenho essa felicidade em caráter definitivo. Minha esposa e eu temos o divino compromisso da união eterna... (Os mensageiros - Francisco Cândido Xavier pelo Espírito André Luiz)

No sagrado mistério da vida, cada coração possui no Infinito a alma gêmea da sua, companheira divina para a viagem à gloriosa imortalidade.

Criadas umas para as outras, as almas gêmeas se buscam, sempre que separadas. A união perene é-lhes a aspiração suprema e indefinível. Milhares de seres, se transviados no crime ou na inconsciência, experimentam a separação das almas que os sustentam, como a provação mais ríspida e dolorosa, e, no drama das existências mais obscuras, vemos sempre a atração eterna das almas que se amam mais intimamente, evolvendo umas para as outras, num turbilhão de ansiedades angustiosas, atração que é superior a todas as expressões convencionais da vida terrestre. Quando se encontram, no acervo dos trabalhos humanos, sentem-se de posse da felicidade real para os seus corações — a da ventura de sua união, pela qual não trocariam todos os impérios do mundo, e a única amargura que lhes empana a alegria é a perspectiva de uma nova separação pela morte perspectiva essa que a luz da Nova Revelação veio dissipar, descerrando para todos os espíritos, amantes do bem e da verdade, os horizontes eternos da vida. (O consolador - questão 323 - Francisco Cândido Xavier – Emmanuel)

A ligação das almas gêmeas repousa, para o nosso conhecimento relativo, nos desígnios divinos, insondáveis na sua sagrada origem, constituindo a fonte vital do interesse das criaturas para as edificações da vida.

Separadas ou unidas, nas experiências do mundo, as almas irmãs caminham, ansiosas, pela união e pela harmonia supremas, até que se integrem, no plano espiritual, onde se reúnem para sempre na mais sublime expressão de amor divino, finalidades profundas de todas as cogitações do ser, no Dédalo do destino. (O consolador - questão 325 - Francisco Cândido Xavier – Emmanuel)

O que diz a codificação Espírita sobre este assunto:

Livro dos Espíritos - Metades Eternas – L.E. (Questões 298 a 303).

298. As almas que devam unir-se estão, desde suas origens, predestinadas a essa união e cada um de nós tem, nalguma parte do Universo, sua metade, a que fatalmente um dia reunirá?

Não; não há união particular e fatal, de duas almas. A união que há é a de todos os Espíritos, mas em graus diversos, segundo a categoria que ocupam, isto é, segundo a perfeição que tenham adquirido. Quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. Da discórdia nascem todos os males dos humanos; da concórdia resulta a completa felicidade.”

299. Em que sentido se deve entender a palavra metade, de que alguns Espíritos se servem para designar os Espíritos simpáticos?

“A expressão é inexata. Se um Espírito fosse a metade do outro, separados os dois, estariam ambos incompletos.”

303. Podem tornar-se de futuro simpáticos, Espíritos que presentemente não o são?

“Todos o serão. Um Espírito, que hoje está numa esfera inferior, ascenderá, aperfeiçoando-se, à em que se acha tal outro Espírito”.

E ainda mais depressa se dará o encontro dos dois, se o mais elevado, por suportar mal as provas a que esteja submetido, permanecer estacionário.”

a) - Podem deixar de ser simpáticos um ao outro dois Espíritos que já o sejam?

“Certamente, se um deles for preguiçoso.”

A teoria das metades eternas encerra uma simples figura, representativa da união de dois Espíritos simpáticos. Trata-se de uma expressão usada até na linguagem vulgar e que se não deve tomar ao pé da letra. Não pertencem decerto a uma ordem elevadas os Espíritos que a empregaram. Necessariamente, limitado sendo o campo de suas idéias, exprimiram seus pensamentos com os termos de que se teriam utilizado na vida corporal. Não se deve, pois, aceitar a idéia de que, criados um para o outro, dois Espíritos tenham, fatalmente, que se reunir um dia na eternidade, depois de haverem estado separados por tempo mais ou menos longo.

As Metades Eternas -

Revista Espírita – maio, 1858

Extraímos a passagem seguinte de uma carta de um dos nossos assinantes.

".... Perdi, há alguns anos, uma esposa boa e virtuosa, e, apesar dos seis filhos que me deixou, encontrava-me em um isolamento completo, quando ouvi falar das manifestações espíritas. Logo me encontrei no meio de um pequeno círculo de bons amigos ocupando-se, cada noite, desse objeto. Aprendi, então, nas comunicações que obtivemos, que a verdadeira vida não é sobre a Terra, mas no mundo dos Espíritos; que minha Clémence ali se encontrava feliz, e que, como os outros, ela trabalhava pela felicidade daqueles que havia conhecido neste mundo. Ora, eis o ponto sobre o qual desejo ardentemente ser esclarecido por vós.

“Disse uma noite à minha Clémence: Minha cara amiga, por que, apesar de todo o nosso amor, nos ocorria de nem sempre ver a mesma coisa nas diferentes circunstâncias da nossa vida em comum, e por que estávamos sempre forçados a nos fazer concessões mútuas para vivermos em boa harmonia?”.

"Ela me respondeu isto: Meu amigo, éramos bravas e honestas pessoas; vivemos em conjunto, o que se pode dizer o melhor possível sobre essa Terra de provas, mas não éramos nossas metades eternas. Essas uniões são raras sobre a Terra; são encontradas, entretanto, mas são um grande favor de Deus; os que têm essa felicidade, sentem gozos que te são desconhecidos.

“Podes me dizer - repliquei -, se tu vês a tua metade eterna? - Sim, disse ela, é um pobre diabo que vive na Ásia; não poderá estar reunida a mim, senão em 175 anos (segundo a vossa maneira de contar). - Estareis reunidos na Terra ou em um outro mundo? - Na Terra”.

Mas escuta: não posso te descrever bem a felicidade dos seres assim reunidos; vou pedir a Héloise e Abailard consentirem te informar. - Então, senhor, esses dois seres felizes vieram nos falar de sua felicidade inefável. "Por nossa vontade, disseram, dois não fazem senão um; viajamos nos espaços; gozamos de tudo; nos amamos com um amor sem fim, acima do qual não pode haver senão o amor de Deus e dos seres perfeitos. Vossas maiores alegrias não valem um único dos nossos olhares, um único dos nossos apertos de mão."

“O pensamento das metades eternas me deleita. Parece-me que Deus, criando a Humanidade, a fez dupla, e que disse, em separando as duas metades de uma mesma alma: Ide para os mundos e procurai as encarnações. Se bem o fizerdes, a viagem será curta, e permitirei vos reunirdes; se for de outro modo, os séculos se passarão antes que gozeis dessa felicidade. Tal é, me parece, a causa primeira do movimento instintivo que leva a Humanidade a procurar a felicidade; felicidade que não se compreende e que não se dá o tempo de compreender”.

"Desejo ardentemente, senhor, ser esclarecido sobre essa teoria das metades eternas, e ficaria feliz em encontrar uma explicação a esse respeito em um dos vossos próximos números..."

Abailard e Héloise, que interrogamos sobre esse ponto, nos deram as respostas seguintes:

P. As almas foram criadas duplas?
- R. Se tivessem sido criadas duplas, as simples seriam imperfeitas.

P. É possível que duas almas possam se reunir na eternidade e formarem um todo?
- R. Não.

P. Tu e tua Héloise formais, desde a origem, duas almas bem distintas?
- R. Sim.

P. Formais ainda, neste momento, duas almas distintas?
- R. Sim, mas sempre unidas.

P. Todos os homens se encontram nas mesmas condições?
- R. Segundo sejam mais ou menos perfeitos.

P. Todas as almas estão destinadas a se unirem, um dia, com uma outra alma?
- R. Cada Espírito tem uma tendência a procurar um outro Espírito que lhe seja conforme; chamas isso de simpatia.

P. Há, nessa união, uma condição de sexo?
- R. As almas não têm sexo.

Tanto para satisfazer o desejo do nosso assinante quanto para a nossa própria instrução, dirigimos as questões seguintes ao Espírito de São Luís.

1. As almas que devem se unir estão predestinadas a essa união desde a sua origem, e cada um de nós tem, em alguma parte do Universo, sua metade eterna à qual estará, um dia, fatalmente reunido?
- R. Não existe união particular e fatal entre duas almas. A união existe entre todos os Espíritos, mas em graus diferentes, segundo a categoria que ocupam, quer dizer, segundo a perfeição que adquiriram: quanto mais são perfeitos, mais são unidos. Da discórdia nascem todos os males dos humanos; da concórdia resulta a felicidade completa.

2. Em qual sentido se deve entender a palavra metade, da qual certos Espíritos, freqüentemente, se servem para designarem os Espíritos simpáticos?
- R. A expressão é inexata; se um Espírito fosse a metade de outro, separado deste, seria incompleto.

3. Dois Espíritos perfeitamente simpáticos, uma vez reunidos, o são por toda a eternidade, ou podem se separar e se unir a outros Espíritos?
- R. Todos os Espíritos estão unidos entre si; falo daqueles que atingiram a perfeição. Nas esferas inferiores, quando um Espírito se eleva, não é mais simpático àqueles que deixou.

4. Dois Espíritos simpáticos são o complemento um do outro, ou essa simpatia resulta de uma identidade perfeita?
- R. A simpatia que atrai um Espírito para um outro, é o resultado da perfeita concordância de seus pendores, de seus instintos; se um devesse completar o outro, perderia sua individualidade.

5. A identidade necessária para a simpatia perfeita, não consiste senão na semelhança de pensamentos e de sentimentos, ou bem ainda na uniformidade de conhecimentos adquiridos?
- R. Na igualdade dos graus de elevação.

6. Os Espíritos que não são simpáticos hoje, podem vir a sê-lo mais tarde?
- R. Sim, todos o serão. Assim, o Espírito que está hoje em tal esfera inferior, em se aperfeiçoando, alcançará a esfera onde reside tal outro. Seu reencontro ocorrerá mais prontamente se o Espírito mais elevado, suportando mal as provas às quais se submeteu, se demorou no mesmo estado.

7. Dois Espíritos simpáticos podem cessar de o serem?
- R. Certamente, se um for preguiçoso.

> Essas respostas resolvem perfeitamente a questão. A teoria das metades eternas é uma figura que pinta a união de dois seres simpáticos; é uma expressão usada mesmo na linguagem vulgar, em falando de dois esposos, e que não é preciso prender à letra; os Espíritos que dela se serviram não pertencem, seguramente, à mais elevada ordem; a esfera das suas idéias é, necessariamente, limitada, e puderam tomar seu pensamento pelos termos dos quais se serviam durante sua vida corpórea. É preciso, pois, rejeitar essa idéia de que dois Espíritos, criados um para o outro, devem um dia, fatalmente, se reunir na eternidade, depois de estarem separados por um lapso de tempo mais ou menos longo.

Bibliografia:

Leon Denis – O problema do ser, do destino e da dor

Francisco Cândido Xavier - Espírito André Luiz – Os mensageiros

Francisco Cândido Xavier - Espírito Emmanuel – O consolador

Allan Kardec – Livro dos Espíritos

Revista Espírita – maio, 1858


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