Giselle Fachetti Machado

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Giselle Fachetti Machado
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Escrevo esse texto para que ecoe em meu próprio universo interior.


Tenho me surpreendido executando ações que já critiquei ferozmente em indivíduos ligados a grupos que defendem idéias diferentes daquelas nas quais acredito.

A minha História como Espírita é longa. Já sofri discriminação, censura e preconceito. Em todas essas oportunidades senti asco em relação á atitude e compaixão em relação ao ofensor. Procurei entender que a ignorância leva a essas manifestações e sempre acreditei que a educação sanaria esse mal e difundiria a democracia do livre pensamento.

Os Espíritas tem em comum o firme e obstinado propósito de evolução e por isso tendem a estudar bastante e acumular conhecimentos técnicos e filosóficos.

Tenho notado que, algumas vezes, durante esse processo de crescimento intelectual ocorre a construção de um sistema de pensamento inflexível que pretendendo ser acertado torna-se cruelmente intolerante. Defendemos tanto o aperfeiçoamento através do estudo dedicado que aqueles que não são capazes ou não querem seguir nosso "modus vivendi" passam a ser considerados como ignorantes, despreparados ou limitados.

..... ecoe em meu próprio universo interior.


Na realidade o exercício do amor prescinde de preparo intelectual. Nós somos ainda incapazes desse exercício de forma natural e por isso necessitamos de argumentos e justificativas para nos mobilizarmos neste sentido.

Mesmo em relação ás inúmeras religiões espiritualistas reencarnacionistas, os Espíritas se colocam em um nível muito pouco modesto. A nossa crítica é severa e dirige-se àqueles que exercitam sua fé fora dos padrões que foram estabelecidos pelo Codificador Allan Kardec.


..... ecoe....


Não julgue você que discordo ou questiono o rigor científico e normatizador de Kardec. Pelo contrário, o seu código nos deixa seguros e confiantes para uma certa e plena libertação espiritual futura. Seu exemplo foi exuberante em dedicação e estudo. Foi exuberante, também, em respeito e tolerância às religiões dominantes na época em que viveu como Leon Rivail Denizard.

Os Espíritas não devem ser proselitistas, como nos orientou o Codificador.

Por que?

Por que a iluminação espiritual não é propriedade de nenhuma organização religiosa e a Verdade não pertence a nenhum grupo ou ser Humano. Ou seja, não existe necessidade de estarmos ligados a qualquer estrutura religiosa para que tenhamos sucesso no caminhar rumo aos planos celestiais da existência.

..... ecoe....

Se, cremos que todos podemos chegar a Deus através das inúmeras Igrejas voltadas para o bem, ou mesmo independente delas, devemos ser tolerantes, respeitosos e admiradores de todos que professem o amor como meio de vida.

A intolerância religiosa não pode ser encontrada em um ambiente, como o nosso, que pretende ser mais avançado e democrático. Devemos respeitar e louvar a liberdade de exercício da fé de todo e qualquer grupo religioso voltado para o bem.

Sendo assim não devemos formar guerrilhas da fé pois estas não só se defendem mas ... atacam, e de forma sorrateira. Devemos sim defender a Doutrina Espírita, de forma equilibrada, moderada, doce e caridosa.


..... ecoe....

Existem pessoas que precisam da forma e do ritual. Outros precisam do rigor de leis severas para não caírem novamente no erro. A liberdade que temos em exercer nosso livre arbítrio gera conseqüências e responsabilidades que nem todos os seres querem ou são capazes de suportar.

Como cada um deve fazer o que pode de melhor, nós devemos respeitar os limites de entendimento e as necessidades de nossos semelhantes já que certamente estivemos em situação igual ou pior em passado recente.


..... ecoe....

Assim, creio eu , que devemos nos policiar e seguir os passos do Mestre Jesus, ele nos revelou há 2000 anos atrás apenas o que éramos capazes de suportar naquela época. Deixou para nos mandar o Consolador mais de 1500 anos depois. Foi paciente com nossa incapacidade. Sejamos, portanto, pacientes com a diversidade.

Defender a Doutrina Espírita é lícito em caso de ataque. Nesta situação devemos responder com respeito, tolerância, clareza didática e argumentos fortes.

O ataque não nos é lícito. Não devemos invadir o ambiente de outros grupos e criticá-los. Não devemos nos sentir pessoalmente ofendidos quando taxados de hereges ou de predicados ainda piores.


..... ecoe....

Devemos estudar sim e também devemos preparar-nos para responder às críticas mais freqüentes. Diante de críticas inéditas devemos rebatê-las após um estudo sereno e quando isto for útil para uma divulgação salutar da Doutrina.

Em algumas oportunidades seremos mais sábios e prudentes se reconhecermos as falhas apontadas por nossos opositores. A análise rigorosa, profunda e honesta do nosso ponto fraco será construtiva e como não somos perfeitos certamente temos muitos progressos a realizar.


..... ecoe....

Assim devemos deixar a arrogância de lado e humildemente abraçarmos nossos irmãos de caminhada, estejam eles em um Terreiro de Candomblé ou em uma Igreja Carismática ou em um Templo Protestante.

O exemplo de tolerância deve partir de nós. Quando combatemos nossos oponentes sem respeito, de forma jocosa, irônica ou depreciativa estamos trabalhando contra a Doutrina Espírita e nos associando, por sintonia, ás entidades que militam nas trevas.

..... ecoe....


Essas brechas não devem ser abertas. Devemos sintonizar apenas com a Luz Cristã. Exercer diuturnamente o "Orai e Vigiai".

Nossos inimigos não são os adeptos de outras religiões mas sim nossas próprias fraquezas, especialmente a vaidade e o orgulho que são poderosos, dissimulados e destrutivos.

Esses defeitos só podem ser vencidos com o Amor e a caridade. No caso, a caridade da tolerância se dirige aos nossos opositores. E esperemos que os ofendidos por nós nos dirijam a caridade da compaixão.

Fonte: http://www.apologiaespirita.org




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