Espiritualidade e Sociedade



Fátima Regina Machado, Wellington Zangari

>     ESP (percepção extra-sensorial) : Uma breve revisão das pesquisas e algumas reflexões

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Fátima Regina Machado, Wellington Zangari
>  ESP (percepção extra-sensorial) : Uma breve revisão das pesquisas e algumas reflexões



Fátima Regina Machado
Diretora-Executiva do Centro de Estudos Peirceanos,
Membro do Inter Psi
Grupo de Estudos de Semiótica, Interconectividade e Consciência,
do CEPE, COS, PUC-SP.

** Wellington Zangari
Diretor
Inter Psi
Grupo de Semiótica, Interconectividade e Consciência,
Centro de Estudos Peirceanos,
Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica,
PUC-SP

1 - Apresentação

Este artigo tem a intenção de apresentar, para os colegas brasileiros, uma breve revisão de algumas das principais pesquisas realizadas sobre a percepção extra-sensorial (ESP), tanto de casos espontâneos quanto experimentais.

Nosso objetivo último ao escrevê-lo foi o de oferecer informações que pudessem atualizá-los de maneira rápida e no nosso idioma. Temos visto que existe um grande interesse dos pesquisadores brasileiros em conhecer o que tem sido feito em Parapsicologia pelos colegas estrangeiros. Mas, alguns dificuldades se interpõem contra tal atualização.

A primeira grande barreira, a idiomática, tem sido a principal. A língua oficial em ciência é a inglesa. Aqueles(as) que não podem ler nesta língua têm dificuldades em manterem-se atualizados, o que só se faz, efetivamente, por meio de contato com pessoas que lêem inglês ou que são estrangeiras. Esta forma de receber conhecimentos não é prática posto que sempre existe a dependência de um outro. Isto não permite que o(a) pesquisador(a) possam estudar o que precisam ou querem, no momento em que precisam ou querem. Além disso, sempre há o perigo da "tradução como traição". Temos visto equívocos surpreendentes de tradução, tanto de textos quanto de conferências que acabaram por gerar idéias que em nada correspondem ao texto ou ao pensamento do conferencista estrangeiro. O segundo problema que nos parece que dificulta a atualização é mais grave: o ideológico. Há pesquisadores que simplesmente se negam a se manterem atualizados pois consideram que tudo já está esclarecido, que não precisamos de mais pesquisas, bastam novas teorias. Tais idéias, como poderia se esperar, não são proferidas apenas àqueles(as) que fazem da Parapsicologia um instrumento de conversão e sustentação de crenças religiosas. Ouvimos esta idéia de parapsicólogos de certo prestígio nacional, alguns que, curiosamente, até lêem e podem se comunicar em inglês. Alguns deles afirmam que precisamos de uma Parapsicologia eminentemente nacional, como se ela fosse americana, inglesa, francesa ou holandesa. Esta xenofobia guarda uma posição pseudo-nacionalista e esconde certa arrogância e auto-suficiência patológica. A ciência é um bem social e universal. Um cientista deveria vibrar ao conhecer uma nova pesquisa. Deveria lutar para obter novos trabalhos. Não porque seja obrigado a fazer isso, mas porque, idealmente, ele(a) é um apaixonado pela sua área e tudo que diga respeito a ela estará em constante busca. Ciência não é sinônimo de estagnação. Os textos produzidos pelos colegas brasileiros, quando não presos a tais ideias xenófobas e auto-suficientes, exalam criatividade e boa fundamentação científica. Mas, muitas vezes, carecem de atualização. As citações restringem-se aos textos dos Rhine, de Richet, de Amadou, entre outros parapsicólogos que, apesar da relevância científica, não são os únicos e, em muitas áreas, certamente já não são os melhores.

Não há culpados. Não é lícito pensar que existam responsáveis dessa situação. Todos nós, brasileiros, fizemos nossas primeiras leituras com o material que dispúnhamos em português. Cada um de nós "elegeu" seus "preferidos" e de suas idéias criamos novas. Muitos de nós publicamos artigos e livros inspirados por tais autores. Nossos grupos foram constituídos tendo tais idéias como fundamento teórico. Se levarmos em conta que há pouquíssimo material sobre Parapsicologia em português e se tivermos uma compreensão ampla de quê material é este, poderemos compreender como chegamos ao final dos anos 90 com idéias da década de 60 e quase sem conhecimento algum do que se passou em Parapsicologia nos últimos 30 anos. Em português temos os livros do Pe.Quevedo, os livros dos Rhine e os livros dos pesquisadores psíquicos. Além disso, muito pouca coisa foi publicada. Fomos privados de quase toda a Parapsicologia pós-rhineana, ou seja de todo o desenvolvimento da Parapsicologia atual. Os livros do Pe. Quevedo trazem informações de pesquisas realizadas até a década de 60. Seus livros mais recentes reproduzem e discutem tais pesquisas. Em que pese a forte inspiração ideológica impressa no material publicado pelo CLAP, é importante notar que a Revista de Parapsicologia se constitui no único meio de contato com o que ocorria no mundo parapsicológico na década de 70. Ainda que para criticar ou elogiar a posição dos pesquisadores estrangeiros em função das idéias do Pe. Quevedo, a revista trouxe, indiretamente, a opinião e as posições dos(as) parapsicólogos(as) desta década. Com fim da revista, nenhum material em português permitiu a atualização. Os livros dos pesquisadores psíquicos, em sua grande maioria, foram, e são, traduzidos e publicados por editoras espíritas. As traduções foram tendenciosas e a escolha dos títulos se deu em função das posições dos autores em relação ao tema da sobrevivência após a morte e da possibilidade de comunicação com os mortos. Apesar de serem livros importantes a nível histórico, não representam, em sua totalidade, material estritamente científico posto que a metodologia científica utilizada à época era falha em muitos aspectos. Os livros dos Rhine, apesar de se constituírem no melhor material de cunho eminentemente científico, parecem ter "criado escola". Muitos de nós, lemos os livros de J.B.Rhine e de L.E.Rhine e nos tornamos rhineanos. Ao nos tornarmos rhineanos deixamos de ser parapsicólogos(as). Os Rhine foram importantes porque eram cientistas, não porque eram rhineanos. Ao nos tornarmos rhineanos: popularizamos as cartas ESP, há muito não usadas em pesquisas parapsicológicas; sustentamos que psi é de natureza não-física (ou espiritual), ideia que está longe de ser adotada pelos parapsicólogos modernos; mantivemos a noção de que a pesquisa experimental é o único meio de obter informações precisas sobre o fenômeno parapsicológico, o que tem sido criticado não apenas por parapsicólogos(as), mas por cientistas de muitas outras áreas...

Para que sejamos parapsicólogos(as) temos que, em primeiro lugar, retomarmos o rumo da história parapsicológica. Isto significa que temos que tirar o tempo perdido. Temos visto um grande esforço, em vários grupos, em função da retomada histórica. Congressos, contatos com parapsicólogos(as) estrangeiros(as), traduções de textos e, mais recentemente um curso on-line, oferecido pela Asociación Iberoamericana de Parapsicología, sobre metodologias em Parapsicologia. Por que metodologias? Porque, para sermos parapsicólogos(as), não basta estarmos a par da história, temos que ajudar a construi-la. Ao lado das atividades profissionais que já realizamos em nosso país, como as ligadas à educação, à produção de material editorial e ao aconselhamento, temos que nos empenhar por consolidar a área de pesquisa, nossa maior necessidade no momento.

Nesse sentido, outro dos nossos objetivos ao escrever este artigo foi o de inspirar nossos(as) colegas a realizarem suas próprias pesquisas. Há inúmeras pesquisas descritas abaixo e muitas referencias bibliográficas. A Parapsicologia precisa de nossa criatividade e de nosso empenho. Temos certeza de que os brasileiros, em pouco tempo, farão a diferença no cenário parapsicológico internacional.

De forma alguma tivemos a pretensão de esgotar o tema. Temos consciência de que este artigo apenas arranhou o verniz. Aqueles(as) que tiverem interesse de se aprofundar nas pesquisas de ESP, deverão buscar revisões mais detalhadas que esta, sobretudo aquelas publicadas na série Advances in Parapsychological Research. Por outro lado, para uma aproximação rápida e abrangente, este artigo nos parece suficientemente completo.

Ao final da revisão, procuramos levantar algumas reflexões teóricas e práticas que julgamos interessantes no sentido de estimularem futuras pesquisas empíricas. Tais reflexões não estavam previstas quando do início da construção deste texto, mas achamos por bem mantê-las, já que ofereceriam aos leitores(as) uma oportunidade de acompanharem algo que transcende os dados que a revisão deveria trazer. Muitas dessas reflexões carecem de base empírica já que foram produzidas ao longo da construção do texto e não houve tempo de "testá-las", enquanto outras foram suficientemente bem apoiadas por pesquisas apresentadas ao longo da revisão. Que elas sirvam de incentivo para que se abra uma discussão em torno do assunto e que outros pesquisadores possam dividir conosco suas próprias reflexões sobre ESP e psi de um modo geral. Aqueles(as) que tiverem interesse apenas na revisão, poderão desprezá-las sem qualquer perda do conteúdo do texto.


2. Introdução

Em todas as culturas, ao longo dos séculos, encontramos relatos de experiências ou fenômenos que desconcertaram o ser humano por, aparentemente, não resultarem de mecanismos até então conhecidos por ele. Ansiando por explicações que diminuíssem a angústia que o desconhecido lhe causava, o ser humano "inventou" respostas, criou deuses, gnomos, fadas, sacis, demônios, enfim, atribuiu responsabilidade ao sobrenatural. Um exemplo é o eclipse do Sol ou da Lua. Antes de se descobrir os motivos de sua ocorrência, muito se especulou em torno disso. Seriam os deuses que estariam irados e por isso ter-nos-iam deixado em trevas momentaneamente? Rituais, danças e hinos... E, de repente, como se os deuses se acalmassem, o Sol ou a Lua voltavam a brilhar. (Machado, 1995, p. 76) À medida que dominava a natureza e aperfeiçoava a tecnologia, porém, o ser humano percebia que muitos dos eventos antes considerados sobrenaturais eram fruto do curso normal de fenômenos absolutamente naturais. É importante lembrar, porém, que o fato desses eventos atribuídos ao sobrenatural serem explicados cientificamente - como o eclipse - não elimina a possibilidade da real existência de seres fantásticos ou divinos. Sabemos, porém, que eles não estão envolvidos na relação de causa e efeito à qual antes eram teoricamente submetidos.

Dentre essas experiências desconcertantes, há registros de ocorrências que envolvem a aquisição de informações ou a interferência no meio ambiente por meios extra-sensório motores. Alvo de interpretações sobrenaturalistas e religiosas, essas vivências levaram muitas pessoas à fogueira durante a Santa Inquisição, valeram internações em hospícios, justificaram canonizações e desencadearam movimentos religiosos, como o Espiritismo no século XIX.

Devido ao frisson provocado pelo fenômeno das mesas girantes (Wantuil, 1958), das sessões mediúnicas e pelo mesmerismo, celebridades do meio acadêmico - muitas da quais já se ocupavam do estudo desses fenômenos - decidiram fundar uma sociedade para investigar a veracidade dos fatos ditos espíritas, o mesmerismo e os relatos de aparentes intervenções sobrenaturais na vida quotidiana, como a movimentação de objetos sem a utilização dos músculos ou de qualquer instrumento. Assim, em 1882, nasceu, em Londres, a Society for Psychical Research (SPR), composta por figuras internacionais ilustres, dentre elas: três prêmios Nobel, dez fellows da Royal Society, um primeiro ministro, os grandes cientistas britânicos Sir William Crookes, Sir Oliver Lodge e Sir J.J. Thomson e acadêmicos da Universidade de Harvard, incluindo William James, William McDougall e Gardner Murphy.

A proposta da Pesquisa Psíquica era primordialmente a pesquisa de campo, havendo também investigações experimentais. Muitos médiuns foram exaustivamente estudados e levantamento de dados foram realizados, sendo o mais importante deles o Censo da Aparições, que resultou no clássico "Phantasms of the Living" (1886/1970), escrito por Gurney, Myers e Podmore.

A fundação da SPR impulsionou a fundação de outras sociedades e institutos de pesquisa, como a American Society for Psychical Research (ASPR), em 1885 em Nova York, a SPR de Boston e a SPR da Holanda. Em 1919 foi fundado o Institute Metapsychic Internacional (IMI) em Paris, por Charles Richet, professor de Fisiologia na Escola Médica da Universidade de Paris e futuro ganhador do Prêmio Nobel de Fisiologia. Outras associações e institutos surgiram, muitos não tendo vida longa e nem sempre sendo fiéis aos propósitos científicos. Universidades européias e americanas começaram a ceder bolsas de pesquisa para que se investigasse os então chamados fenômenos parapsíquicos, como a Universidade de Harvard, nos EUA, e a Universidade de Gröeningen, na Holanda.

O final da década de 1920 e as três próximas décadas que se seguiram foram extremamente importantes para o estudo dessa área. Joseph Banks Rhine e sua esposa Louisa Ella Rhine, ambos doutores em Fisiologia Vegetal, se interessaram pela Pesquisa Psíquica e passaram a se dedicar a esse campo de estudo. Juntamente com o Dr. William McDougall, fundaram o Laboratório de Parapsicologia na Universidade de Duke, em Durham, Carolina do Norte, EUA. Lá, os Rhine e uma equipe de pesquisadores começaram a testar experimentalmente interações humanas extra-sensoriais e extra-motoras, ou seja, que aparentemente ocorriam sem a mediação de qualquer mecanismo ou agente físico conhecido. Essas interações ou, como se diz comumente, fenômenos são chamados parapsicológicos ou psi. Psi é 23ª letra do alfabeto grego e, neste caso, se compara ao x na matemática. Em Parapsicologia, psi é usada para designar os fenômenos, uma vez que sua natureza permanece, ainda, uma incógnita.

Atualmente, os pesquisadores acadêmicos em geral se referem aos fenômenos psi por meio da classificação adotada por Joseph Banks Rhine. De acordo com essa classificação, os fenômenos psi se dividiriam didaticamente em dois grupos: o dos fenômenos psicocinéticos - popularmente conhecidos como "ação da mente sobre a matéria"- e o dos fenômenos extra-sensoriais - dos quais trataremos neste trabalho - de acordo com a função psi, ou seja, a faculdade atribuída à mente capaz de produzir fenômenos psi. (Rhine, 1934, 1937, 1947, 1953)

Os termos psicocinesia (PK, do inglês, psychokinesis) e percepção extra-sensorial (ESP, do inglês extrasensory perception) e não foram cunhados por J.B.Rhine. O termo psicocinesia foi usado por Holt em 1914 para designar o poder necessário para a realização da comunicação mediúnica, e Boirac utilizou o termo psicocinesia vital em 1908 com um sentido semelhante à psicocinesia de Rhine. O termo percepção extra-sensorial foi usado anteriormente por Pagenstecher (1924), Fisher (1926) e Sainville (1927) com o mesmo sentido empregado por Rhine. (Zingrone & Alvarado, 1987, p. 51)

Não ocupar-nos-emos, neste trabalho, das pesquisas a respeito da psicocinesia, pois pretendemos fazê-lo em outra oportunidade.

A percepção extra-sensorial se refere a uma capacidade humana ligada à aquisição de conhecimento. Através dela as pessoas teriam a possibilidade de adquirir ou receber informações de modo diferente dos meios convencionais, isto é, sem que ninguém lhes diga nada, sem que qualquer pista de linguagem corporal contribua para que as informações sejam conhecidas ou sem que alguma mensagem escrita ou gravada seja recebida. De alguma forma, ultrapassando os limites dos sentidos humanos conhecidos, há a possibilidade de transmissão ou captação de informações. Dizemos "transmissão ou captação" porque, apesar de todas as pesquisas já realizadas sobre a ESP já terem apontado muitas pistas acerca de seu funcionamento, ainda não está claro se a mensagem envolvida nesse fenômeno é transmitida, captada ou ambos ao mesmo tempo. Já surgiram diversas teorias para tentar explicar não apenas esse mecanismo, mas também a natureza da ESP, porém nenhuma ainda foi considerada definitiva. Os testes demonstram - apesar da objeção dos céticos - que realmente algo acontece em certas circunstâncias que parece envolver algum tipo de capacidade humana que se adequa à hipótese de utilização da ESP. Porém essa falta de uma teoria adotada em consenso entre os próprios pesquisadores do campo constitui um obstáculo para o convencimento da existência de ESP daqueles que ainda colocam em xeque essa capacidade humana. (Machado, 1997)

É importante dizer que, apesar de ser o mais utilizado, o termo percepção extra-sensorial também é questionado. Como Braude afirma:

"Muitos parapsicólogos agora concordam que o termo ‘percepção extra-sensorial’ é uma expressão infeliz, uma vez que sugere que os referidos fenômenos são de natureza perceptiva, ou quase perceptiva. Mas, a menos que nossa visão sobre a percepção comum esteja seriamente equivocada (uma possibilidade que deve ser deixada em aberto), as várias formas de ESP aparentemente envolvem processos aparentemente bem diferentes das modalidades de sentido que nos são familiares. Não estou sugerindo que abandonemos o termo ‘ESP’; no momento ele está muito bem entrincheirado para ser amputado. Mas devemos estar alertas para não ficarmos seduzidos a pensar que a ESP seja algo parecido com a percepção comum."
(Braude, 1979, p.3)

Um dos maiores desafios para os estudiosos da ESP é a questão da violação das leis de tempo e espaço propostas pela Física clássica. A percepção extra-sensorial divide-se, didaticamente, em telepatia e clarividência. A telepatia ocorre quando há transmissão ou captação de informação entre duas pessoas. Quando a informação é obtida do meio ambiente, sem o envolvimento de uma outra mente, diz-se que ocorreu um fenômeno de clarividência. As pesquisas evidenciam que não há limites de distância entre a pessoa que "recebe" a informação e a pessoa ou local de onde ela possivelmente teria partido. Portanto, desafia os limites impostos pelo conceito de espaço em Física.

Quanto ao tempo, tanto a telepatia quanto a clarividência podem ser: (a) precognitivas (quando a informação se refere a um fato que ocorrerá no futuro); (b) simulcognitivas (quando o fato está ocorrendo no mesmo momento em que a informação é transmitida ou captada); (c) retrocognitivas (quando diz respeito a um evento ocorrido no passado sobre o qual a pessoa que "recebe" a informação não tinha conhecimento prévio).

Como foi dito, essa divisão é meramente didática e serve mais para estabelecer parâmetros de objetivos nos experimentos feitos em laboratórios. No caso dos fenômenos psi que ocorrem no cotidiano, muitas vezes é impossível distinguir e denominar didaticamente o que ocorreu. Por isso, Rhine introduziu a denominação percepção extra-sensorial em geral para englobar tanto os fenômenos de telepatia quanto os de clarividência. A sigla utilizada para a percepção extra-sensorial em geral é GESP, do inglês general extrasensory perception. (Beloff, 1993, p. 135)

A questão da nomenclatura em Parapsicologia sempre suscitou discussões. Vários congressos e conferências foram realizados em tentativas de padronização: Copenhague (1921), Varsóvia (1923), Paris (1927), Atenas (1930), Sienna (1949), Utrech (1953). Além disso, mais recentemente algumas conferências sobre o tema são proferidas e artigos a respeito são publicados. (Beloff, 1979; Lucadou, 1984; Neppe, 1984, Thalbourne, 1985; Zingrone e Alvarado, 1987; Zangari, 1993; Machado, 1998). Vários glossários foram propostos, porém, o que alcança maior consenso quanto a sua utilidade é o de Thalbourne (1982). (Zingrone & Alvarado, 1987, pp. 65 e 66)

Importa lembrar que, independentemente da nomenclatura utilizada para classificar as experiências e/ou fenômenos parapsicológicos, e ainda que popularmente sejam dadas interpretações religiosas e sobrenaturalistas para as vivências extra-sensoriais, em Parapsicologia lidamos com a hipótese de que o ser humano é o agente principal dessas experiências, não elementos sobrenaturais de qualquer espécie. Isto é, o ser humano vivo teria a capacidade de adquirir informações por vias diferentes das sensoriais conhecidas. Por isso, tanto os sujeitos envolvidos nas pesquisas laboratoriais quanto os que passam por experiências espontâneas de ESP são denominados agentes psi.

Recentemente, prefere-se utilizar o termo experiência parapsicológica ao invés de fenômeno parapsicológico, pois o fato de uma pessoa passar por uma vivência que julga ter algum traço parapsicológico não implica que realmente um componente parapsicológico estivesse aí envolvido. Essa impressão de atuação de psi pode ser fruto de má interpretação da realidade, por exemplo. Assim, principalmente quando nos referirmos a casos espontâneos, daremos preferência ao termos experiência psi ou parapsicológica.



3 - A "revolução" Rhine

A chamada "Revolução Rhine" teve três objetivos principais: (a) tentar introduzir um programa progressivo de pesquisa experimental no estudo de fenômenos psi de acordo com uma metodologia que propiciasse uma esfera de conhecimento sempre em expansão; (b) tentar conseguir o status acadêmico e o reconhecimento científico para o campo; (c) demonstrar que a habilidade parapsicológica estivesse talvez presente em todos, não apenas em alguns dotados (Beloff, 1993, p.127). A proposta do Dr. Rhine era de empregar um caráter experimental à pesquisa da ESP, mais rigorosa do que era feita pela Pesquisa Psíquica ou pela Metapsíquica - variação francesa do termo - que se ocupavam mais de estudos de caso. Por isso adotou e tornou popular o termo "parapsicologia" para designar seu estudo. Mais tarde, esse termo deixou de designar apenas estudos experimentais para englobar também a pesquisa de casos espontâneos.

Rhine e sua equipe elaboraram diversas técnicas experimentais com um baralho especial que chamou baralho ESP, composto de vinte e cinco cartas, sendo cinco grupos de cartas com cinco símbolos diferentes: círculo, cruz, ondas, quadrado e estrela. Em linhas gerais, seguindo diversos procedimentos dependendo da finalidade da pesquisa, o sujeito deveria saber, ou seja, tentar adivinhar a seqüência de cartas embaralhadas aleatoriamente, a princípio de forma manual e, posteriormente, de forma mecânica para evitar pistas sensoriais (Beloff, 1993, pp. 134 e 135).

O principal objetivos dos experimentos realizados no Laboratório de Parapsicologia era demonstrar estatisticamente, ou seja, de acordo com os padrões científicos da época, que ESP era uma realidade. Por isso, esses experimentos são ditos orientados à prova. Milhares de séries experimentais foram realizadas. Rhine conseguiu sujeitos fantásticos, cuja performance causava espanto. Contou também com sujeitos comuns, pois apostava que a ESP seria uma potencialidade inerente a todos os seres humanos. Os resultados foram estatisticamente significativos.

Violentas críticas acadêmicas foram feitas ao trabalho experimental de Rhine devido ao fato de outros pesquisadores não conseguirem replicar seus experimentos e atingir os mesmos resultados significativos. Dizia-se que seus resultados eram viciados e que era duvidosa a conduta das pessoas envolvidas no processo de experimentação e verificação de resultados. Além disso, questionava-se a facilidade com que o Dr. Rhine conseguia bons sujeitos para a pesquisa (Machado, 1996, p. 46). Isto, porém, ao invés de destruir o que fora até então realizado, contribuiu para que se aperfeiçoasse o trabalho laboratorial. O Dr. Rhine conseguiu fundos de grandes empresas para continuar realizando as pesquisas. Através do empenho dos Rhine, a Parapsicologia começou a ganhar formas de disciplina científica.

Correlações foram feitas entre a personalidade e o desempenho nos experimentos de ESP. Gertrude Schmeidler, Ph.D em Psicologia pela Harvard em 1935, em 1942 começou a se interessar pela Parapsicologia e desenvolveu uma pesquisa em torno da crença ou não da possibilidade da ocorrência de ESP. Schmeidler descobriu que as pessoas que não acreditavam na ESP tinham um desempenho abaixo do esperado pelo acaso, ao passo que as pessoas que acreditavam atuavam acima do esperado. Chamou de cabras pessoas que não acreditavam na possibilidade da ESP e de ovelhas as pessoas que acreditavam. Ainda que pesquisas posteriores considerando o chamado efeito cabra-ovelha não tenham traduzido resultados tão significativos quanto os da pesquisa original, essa descoberta representou uma inovação na pesquisa experimental, mais uma vez apontando para características individuais dos sujeitos que participavam das pesquisas, além de trazer pistas sobre a ocorrência de casos espontâneos ocorridos no cotidiano, que por sua vez, também contribuem para a elaboração de hipóteses experimentais. Afinal, os experimentos de ESP surgiram para verificar em laboratório experiências que ocorrem na vida cotidiana, uma vez que elas, por si só, não constituem - demonstração científica segundo o paradigma vigente.



4. As faces da ESP

Desde sua fundação, em Durham, Carolina do Norte, o Laboratório de Parapsicologia da Universidade de Duke recebeu centenas cartas de pessoas que relatavam experiências no mínimo intrigantes, que aparentemente envolviam a percepção extra-sensorial.

É verdade que o laboratório estava empenhado em realizar pesquisas experimentais sobre a possibilidade da ocorrência de ESP, porém não se poderia deixar de dar importância a dados empíricos não experimentais. Assim, a Dra. Louisa Ella Rhine se encarregou de colecionar e classificar esses casos. Ainda que a Dra. Rhine não tivesse condições de investigar as ocorrências cujos relatos lhe chegavam às mãos, poderia estudá-los fenomenologicamente, compilando dados que serviriam como subsídios para o incremento das pesquisas laboratoriais.

Dentre os milhares de casos que chegaram à Dra. Rhine, alguns demonstravam claramente ou muito provavelmente nada ter a ver com casos de ESP, sendo produto talvez de delírios ou de desinformação quanto ao trabalho do laboratório. Desta forma, foi feita uma seleção prévia dos casos enviados, que encontram-se arquivados no Rhine Research Center, em Durham, Carolina do Norte.

Em fins da década de 1940 e início da década de 1950, a Dra. Rhine selecionou e classificou 996 casos que pareciam envolver o acesso a algum tipo de informação que não foi transmitida ou captada através de meios convencionais (conversas, leituras, mídia etc.). Os critérios para a seleção consistiam em (a) clareza na narração da experiência, (b) descrição das circunstâncias que acompanharam a experiência pessoal do narrador e (c) correspondência da "mensagem" recebida com a realidade, ainda que a princípio não parecesse ter qualquer conexão com o real. A informação adquirida poderia ser completa ou fragmentada. A intenção do levantamento e mapeamento desses casos não era de provar que ocorriam experiências cotidianas envolvendo ESP, mas sim verificar como elas ocorriam. A questão da prova experimental ficava por conta das pesquisas laboratoriais já mencionadas. Por isso, observando-se os quesitos explicitados acima, poderia-se ter idéia dos aspectos envolvidos no processo das ocorrências. Obviamente, a Dra. Rhine teve que levar em conta a falibilidade do testemunho humano. Porém, mesmo com esse obstáculo, ela pode verificar características semelhantes nas experiências de pessoas de diferentes locais, sem nenhuma ligação. Essas semelhanças poderiam ser consideradas "indício visível da realidade", como coloca a própria Dra. Rhine.

A Dra. Rhine partiu do seguinte princípio:

"...se ESP ocorre na natureza, deve fazê-lo mais de uma vez. Se for aptidão humana, mesmo rara, observando-se cuidadosamente as ocasiões em que entrou em ação com certa probabilidade, acumular-se-iam os seus aspectos verdadeiros, enquanto se cancelariam os erros devidos à memória individual, observação etc. (...)" "...perto da metade das cartas que citavam experiências pessoais recebidas pelo Laboratório de Parapsicologia relatavam uma ou mais ocorrências que preenchiam as condições. (...)" "Revelam-se muitas semelhanças entre essas experiências... Ainda mais, por meio dos tipos de semelhanças, é possível vislumbrar no fundo certa base lógica que resultaria dificilmente tão só de uma série de enganos de testemunhas, interpretações exageradas, imaginação, coincidência e outras circunstâncias. (...)

"(...) Uma única experiência de certa espécie provavelmente não chegará a convencer. Uma centena ou um milhar de experiências semelhantes, contudo, não se afasta com a mesma facilidade." (Rhine, 1966, pp. 20 e 21)

Pensando assim, a Dra. Rhine estudou os casos selecionados, classificando-os quanto ao tipo e à forma como ocorriam, observando sua incidência e teorizando quanto aos processos envolvidos nas experiências.

Os casos selecionados em três grupos, de acordo com a aparente fonte de informação: (a) aquisição de conhecimento realizada entre duas mentes; (b) aquisição de conhecimento advindos de objetos sem mente e (c) aquisição de conhecimento sobre evento futuro/passado. Como já foi dito anteriormente, esses três tipos de ESP se classificam, em Parapsicologia, respectivamente como telepatia, clarividência e precognição/retrocognição, lembrando porém, que essa divisão de tipos não passa de um artifício didático, pois a linha que separa a telepatia da clarividência não é nítida. Como a própria Dra. Rhine diz,

"...a natureza não é tão rigorosa quanto aos seus limites como procuram ser as classificações feitas pelo homem". (...) "...a própria realidade... não é tão divisível como pensamos...ou como desejaríamos que fosse." (Rhine, 1966, p. 42)

Para a análise dos casos coletados, Louisa Rhine utilizou como base a teoria de Tyrrell (1947): a ESP consistiria num processo inconsciente, cuja informação adquirida seria mediada para a consciência de formas variadas. Tomemos como exemplo um suposto contato telepático entre dois sujeitos A e B. O processo extra-sensorial se daria em dois estágios. No primeiro estágio, correspondente à transmissão/recepção da informação, haveria uma passagem de informação do inconsciente do sujeito A ao inconsciente do sujeito B. No segundo estágio, correspondente ao processo de mediação da informação, ocorreria a passagem da informação do inconsciente do sujeito B para seu consciente. (Figura 2) De um ponto de vista semiótico, podemos considerar ainda um terceiro estágio: como o sujeito B perceberia a informação, ou seja, como decodificaria e interpretaria a mensagem. Essa questão já tem sido mais recentemente discutida por pesquisadores que levam em conta a significação pessoal da experiência (Braud, 1982).

Voltando ainda à coleção de casos da qual tratávamos, a Dra. Rhine encontrou dentre os 996 casos analisados, quatro formas diferentes de ESP, de acordo com a forma como a informação "veio à tona": (a) forma realística (44%); (b) forma não-realística (21%); (c) forma alucinatória (9%) e (d) forma intuitiva (26%).

As experiências realísticas são aquelas em que a informação chega à mente do receptor da mensagem à semelhança da descrição fotográfica ou da filmagem cinematográfica. Isto significa que o sujeito da experiência vê com riqueza de detalhes o acontecimento sobre o qual está recebendo a informação. Sabe exatamente o que acontece e com quem acontece. É uma vivência impressionante, visto que depois confirma-se a ocorrência do evento conhecido extra-sensorialmente, tendo este acontecido anteriormente ao vislumbre do fato, concomitante a ele ou mesmo em situação futura. A maior parte dessas experiências acontecem durante os sonhos, havendo também experiências alucinatórias, portanto, durante a vigília ou em estados hipnagógicos ou hipnopômpicos, que poderiam ser consideradas realísticas, tamanha a riqueza de detalhes que apresentam. Dos casos de experiências realísticas analisados, 91% envolveram mensagens consideradas completas.

As experiências não-realísticas são aquelas em que a informação chega revestida de características metafóricas, disfarçada em linguagem simbólica ou ficcional. Sonha-se, por exemplo, com um aquário e com um peixinho pedindo socorro. Tenta-se salvar o peixinho, mas por motivos diversos não se consegue. O peixinho morre. Acorda-se sobressaltado. Têm-se a sensação de que esse sonho é diferente dos "outros". A angústia da impotência diante do afogamento do peixinho acompanha todas as atividades realizadas naquele dia. À noite, recebe-se a notícia de que um parente, que por sinal nadava muito bem - como um peixe! - morrera afogado quando em pescaria em alto-mar na noite anterior. A dramatização da informação mascarou o conteúdo da mensagem, "entretanto, o sonho, em seu significado mais profundo, era perfeitamente verdadeiro". Dos casos de experiências não-realísticas analisados, 72% envolviam mensagens consideradas completas.

As experiências alucinatórias são as que mais se aproximam das experiências sensoriais. Quem passa por esse tipo de vivência jura que viu, ouviu ou sentiu odores que não foram vistos, ouvidos ou cheirados por mais ninguém. Às vezes ocorre uma alucinação coletiva, mas ainda assim os que passam pela experiência constatam logo após esse evento que nada havia onde pensavam ter, por exemplo, visto algo. Constatam que ocorreu uma percepção sem objeto.

As alucinações comuns, ou seja, sem conteúdo captado extra-sensorialmente, ocorrem geralmente com pessoas doentes, dopadas ou delirantes (evidentemente, há exceções). As alucinações psi são diferentes porque têm a ver com a realidade, ainda que essa realidade se passe ainda apenas na mente de outra pessoa. Como diz Louisa Rhine:

"(...) É real no significado lato do termo, e embora os sentidos não possam alcançá-lo, a percepção extra-sensorial pode. Assim sendo, em contraste com todas as outras alucinações, esta espécie - a alucinação psi - é de certo modo verdadeira, e não simples experiência sem base concreta. (...)

As alucinações psi são diferentes de outras alucinações porque em geral as experimentam pessoas inteiramente normais, que não estão em estado mental anormal provocados por drogas ou moléstia."
(Rhine, 1966, pp. 56 e 57)

Dos casos de experiências alucinatórias analisados, 32% apresentaram mensagens consideradas completas.

O fato de ocorrer esse tipo de experiência envolvendo pessoas já falecidas ou que morreram proximamente à ocorrência da visão, por exemplo, alimentam idéias espiritualistas que supõem o contato com os desencarnados. Mas, como há experiências alucinatórias em que a figura que "aparece" é de alguém vivo, que estava em plena atividade na ocasião do evento psi, as supostas "evidências" sobrenaturalistas ficam em xeque. Isto não significa que se possa afirmar com certeza que espíritos não existam e que ninguém possa se comunicar com os mortos. Isto significa que as experiências psi não constituem prova definitiva, por exemplo, para a hipótese da sobrevivência da alma.

As experiências intuitivas são diferentes dos sonhos e das alucinações. Têm por base uma sensação, um sentimento ou uma emoção, que faz com que a pessoa que vivencia essa experiência saiba que algo irá ocorrer, sem saber exatamente o que, apesar de poder por vezes saber com quem. Essa informação aparece como que do nada, "sem que haja qualquer motivo óbvio para que se saiba, ou sem qualquer ligação racional com os pensamentos que se tenha interrompido" (Rhine, 1966, p. 63). Dos casos de experiências realísticas analisados, 55% envolveram mensagens consideradas completas.

As experiências intuitivas podem acontecer de quatro formas diferentes:

(a) através de uma idéia que surge à mente, um pensamento inesperado;
(b) através de uma emoção inesperada, que nada tem a ver com o estado de espírito de quem a vivencia no contexto do momento em que ocorre;
(c) através de um impulso repentino que leva a uma ação impensada, como se fosse um reflexo involuntário;
(d) através de uma "reação" psicossomática, isto é, da sensação de uma dor ou sensação corporal, que indique algum tipo de mal-estar, por exemplo.

Em resumo, as diferentes formas de ESP parecem oferecer níveis diferentes de informação sobre os acontecimentos. Algumas permitem à pessoa que passa por uma experiência desse tipo saber o quê e com quem essa informação se relaciona. Outras dão apenas condições de se saber o quê mas não com quem ela se relaciona, ou vice-versa. No estudo da Dra. Louisa Rhine, em 79% dos casos a pessoa alvo era identificada e em 65% dos casos o tipo de ocorrência era conhecido(Rhine, 1953; Schouten, 1982). Em 91% dos sonhos realistas, 72% dos sonhos simbólicos, 55% das impressões intuitivas e 32% das experiências alucinatórias, houve a possibilidade de se ter ambas informações: pessoa e ocorrência.

É difícil reconhecer se uma experiência cognitiva cotidiana realmente envolve ESP ou não. O diferencial de uma experiência que envolve ESP é o modo como uma informação é obtida e a forte carga de significação que ela carrega. Coleções de casos como a de Louisa Rhine e levantamento de dados sobre casos espontâneos feitos em diversos países fornecem dados sobre as condições e incidência das experiências psi na vida diária. A aplicação desse conhecimento em pesquisas laboratoriais já contribuíram e continuam contribuindo para promover um bom avanço na compreensão do funcionamento de psi. Servem também para aproximar o máximo possível os experimentos a condições de ocorrências extra-sensoriais no cotidiano. É claro, porém, que nunca se conseguiu reproduzir em laboratório as condições exatas para que um fenômeno extra-sensorial ocorresse. Afinal, "um gráfico sobre variações do brilho da estrela não é a estrela; é uma representação baseada em pontos empíricos. O domínio das possibilidades não é perfeito."

De qualquer forma, inferimos as seguintes peculiaridades dos casos de ESP:

(a) a ligação emocional entre as pessoas facilita a ocorrência de psi;
(b) o repouso ou atividades motoras repetitivas e monótonas são as situações mais propícias para a ESP;
(c) situações de crise, em especial de morte, são as que mais encontram lugar entre os casos re
latados;
(d) a personalidade influi na abertura a experiências desse tipo.

Esses dados têm confirmação laboratorial, mas, como a natureza não tem obrigação de ser simples, lembramos que há situações que contrariam as expectativas. Seja como for, as informações obtidas a partir da ESP são importantes para as pessoas que as vivenciaram. Estão relacionadas com ocorrências geralmente trágicas, como morte da pessoa amada, crises ou eventos de importância pessoal. Esses casos somam 80% das ocorrências. Estes dados fazem supor que a ESP está relacionada a fatores motivacionais da personalidade da pessoa que a vivencia.

Quanto à incidência das experiências de ESP, aparentemente não há distinção entre homens e mulheres, nem em relação à faixa etária. A diferença ocorre, no entanto, no que diz respeito ao relato das experiências. Para cada dez mulheres que relatam suas experiências psi a parentes ou amigos, apenas um homem o faz. Por isso, talvez haja a impressão de que as mulheres sejam mais propensas a vivências psi. Isto depende, também, da cultura em que se está inserido. No Brasil, por exemplo, a narração de experiências de tipo ESP é tema comum em roda de amigos. O mesmo já não acontece nos Estados Unidos com tanta freqüência. As experiências extra-sensoriais são narradas, em média, por cerca de 50% da amostras estudadas. Este é o resultado das pesquisas de levantamento de dados realizadas nos Estados Unidos (Palmer, 1979), na Austrália, (Irwin, 1985), em Israel (Glickson, 1990), Inglaterra (Haraldsson, 1985) e no Brasil (Zangari e Machado, 1994).

Além das características apontadas acima, é importante mencionar outras, retiradas não apenas da pesquisa realizada pela Dra. Rhine, mas também por pesquisas levadas a cabo por outros(as) pesquisadores(as). Estas incluem o impacto da ESP sobre os indivíduos, a quantidade de pessoas que, ao passarem por uma experiência extra-sensorial, relataram-na para outra pessoa, as circunstâncias em que se encontrava a pessoa no momento de sua experiência, outras características relacionadas à freqüência e à especificidade da ocorrência de ESP em suas variantes (telepatia, clarividência, precognição e retrocognição) e as características quanto à demografia e à personalidade dos sujeitos que passam por tais experiências.

Apesar de alguns autores incluírem em seus estudos tal característica, muito pouco se sabe sobre o impacto da ESP sobre os indivíduos. Nas pesquisas de Stevenson (1970) e Irwin (1989), a ansiedade parece ter sido o maior efeito registrado. No levantamento feito por Stevenson sobre impressões telepáticas de tipo intuitivo, 61% da amostra relatou ansiedade, o mesmo ocorrendo em 25% da amostra de Irwin.

A pessoa que passa pela experiência de ESP a revela para alguém? Cerca de um terço da amostra de Irwin (1989) revelou-a para outra pessoa, enquanto 53% não o fizeram por não estarem inclinadas a fazê-lo e 17% alegaram não tê-lo feito por falta de oportunidade. Este aspecto pode estar relacionado ao impacto que a ESP provoca. Talvez a pessoa não tenha tido a convicção necessária para acreditá-la importante, ou pense que ninguém entenderia sua experiência e que poderiam fazer mal juízo de quem a vivenciou.

Cerca de dois terços das pessoas pesquisadas por Irwin (1989) encontravam-se sozinhas durante suas experiências. Além disso, estavam absorvidas em atividades que lhes ocupavam pouca função muscular. Geralmente estavam dormindo, tocando um instrumento ou passando roupa, por exemplo. Irwin considera esses dados correspondentes à idéia de que a ESP é facilitada por atividades que mantêm o indivíduo relaxado ou que provoquem atos motores repetitivos. (Irwin, 1994b)

Em relação às experiências telepáticas e clarividentes, algumas pesquisas mostram uma maior incidência da primeira, numa proporção duas vezes maior (Haraldsson, 1985; Haraldsson & Houtkooper, 1991). Há evidências de que não existe diferença no processo envolvido na telepatia e na clarividência. O que parece existir é meramente uma diferença de alvo ou fonte (Rhine, 1956). Isto quer dizer que o papel mais significativo é o da pessoa que passa pela experiência, já que estaria rastreando ou "lendo" o meio ambiente por ESP e, quando se deparasse com uma circunstância em que alguém próximo dela necessitasse, a informação poderia chegar à consciência.

As experiências de ESP relacionadas a eventos futuros, chamadas experiências precognitivas, além emergirem à consciência por meio sonhos em 75% dos casos (Rhine, 1954), parecem estar relacionadas a ocorrências que se passam em um intervalo de dois dias após a experiência (Green, 1960; Orme, 1974). As pessoas tenderiam a se esquecer das experiências para além desse intervalo (Schouten, 1982). O fato de as experiências precognitivas estarem relacionadas a eventos altamente significativos para a pessoa que por ela passa (Rhine, 1954), parece confirmado pela investigação de Saltmarsh (1934). Apesar de os casos de precognição serem mais ricos em detalhes do que os casos de simulcognição (Schouten, 1982), eles são acompanhados por baixo grau de convicção (Rhine, 1954). A análise dos bancos de dados de casos de precognição dá conta de que há uma quantidade considerável de casos em que o evento trágico não apenas pôde ser evitado, mas que se o experienciador não interviesse, o evento teria ocorrido.

As pesquisas de casos espontâneos praticamente não cobrem o tipo de experiências de ESP relacionadas a eventos provenientes do passado. Obviamente, esses casos são muito difíceis de ser estudados, sobretudo por conta do fato de abrangerem experiências de rápida duração. Tão logo aparecem, desaparecem. Além disso, o sujeito nunca tem garantia de que o evento se tratou de ESP ou de memória.

As pesquisas de levantamento de dados, permitem obter informações sobre as características das pessoas que passam pelas experiências de ESP. Haight (1979) encontrou tendências para o neuroticismo e pouca atividade cognitiva. Sandford (1979) também encontrou evidências relacionadas ao neuroticismo, além do baixo índice de sociabilidade. Greiner (1964) não encontrou traços de neuroticismo em sua amostra. Foram encontradas algumas características cognitivas relacionadas às pessoas que passaram por experiências de ESP, associadas à necessidade delas se tornarem completamente absorvidas por uma atividade. Irwin (1979) demonstrou que a forma de manifestação da ESP pode estar relacionada com os estilos cognitivos dos experienciadores. Assim, os mais "visuais" tendem a fazer a ESP emergir via imagens mentais. Palmer (1979) encontrou diferenças nas atitudes entre as pessoas que passaram por uma experiência de ESP e as que não passaram, em relação às suas crenças e experiências subjetivas. Em sua amostra, mais pessoas que relatam ter tido experiências extrasensoriais afirmam acreditar na Astrologia e na reencarnação, e dizem analisar seus sonhos, além de consultar profissionais que dizem ter capacidades parapsicológicas, tais como videntes e cartomantes.

As características demográficas não apontam para diferenças significativas entre sexo, idade, denominação religiosa e convicção política na população americana. Palmer encontrou uma porcentagem significativa de mulheres separadas ou divorciadas que passaram por essas experiências (Palmer, 1979). Haraldsson e Houtkooper (1991) relataram significação entre o status marital e a ESP, além da maior incidência entre mulheres e pessoas com melhor educação formal.



Comentários sobre os dados da pesquisa de casos espontâneos

Freqüentemente os cientistas exigem dos parapsicólogos dados que possam ser replicados em situações controladas. A exigência da replicação está baseada na concepção clássica de ciência. O que as pesquisas de casos espontâneos nos demonstra é que experiências parapsicológicas estão se repetindo em cerca de metade da população mundial. A repetição dessas experiências, o impacto sobre a vida das pessoas, as características semelhantes entre os diferentes tipos de percepção extra-sensorial e, sobretudo, a quantidade de pessoas que passam pelas experiências em questão, são suficientemente significativas para importarem aos cientistas. Ainda que em tais experiências não esteja implicado nenhum processo extra-sensorial, o simples fato de que cerca da metade da população mundial relata experiências desse tipo merece, ao menos, uma análise psicológica e sociológica.

Se processos de conhecimento ainda não reconhecidos cientificamente estão implicados nas experiências de ESP, não sabemos exatamente. Mas, sabemos que há evidências de sua existência. Os parapsicólogos estudam essas evidências, independentemente de elas implicarem ou não em processos não tradicionais. As características das experiências de ESP que têm emergido a partir das pesquisas dos parapsicólogos, parecem corresponder aos resultados das pesquisas experimentais. Isto significa que há uma outra fonte de evidência da existência de processos não convencionais: a comparação entre dados obtidos por diferentes abordagens.



5. A "revolução" das respostas livres

Na década de 1960, o behaviorismo começou a entrar em baixa e novas abordagens psicológicas foram adotadas. A contra-cultura trouxe consigo formas alternativas de encarar o mundo e a busca de novos meios de expressão. Nesse contexto, os testes elaborados por Rhine e seus colaboradores já não despertavam tanto interesse e se mostravam cansativos e desestimulantes, em nada comparáveis ao espetacular impacto que os casos espontâneos causam. Era preciso que novas técnicas de pesquisa orientadas não mais à prova, mas ao processo psi, fossem desenvolvidas. Assim, nasceram os testes de respostas livres. Nesses testes, ao contrário dos testes de respostas forçadas feitos com as cartas ESP, o alvo pode ser uma figura, um vídeo-clip, ou uma cena da vida real. O sujeito, sob condições controladas, tenta "adivinhar" o alvo descrevendo suas imagens mentais ou sensações durante o experimento. Considera-se um acerto quando um juiz cego consegue, a partir da descrição feita pelo sujeito, identificar dentre várias opções, o alvo correto que estava sendo utilizado no teste (Beloff, 1993, p. 161). Podemos dizer que, a partir da utilização dos testes de respostas livres iniciou-se uma nova revolução em Parapsicologia. Os experimentos se aproximaram muito mais da ocorrência dos fenômenos na vida cotidiana e os resultados obtidos foram, de forma geral, melhores se comparados aos testes feitos pelo Dr. Rhine e sua equipe. (Gráfico 1)

Os principais testes de respostas livres em Parapsicologia são: testes com sonhos, ganzfeld e experimentos de remote viewing.

Pesquisas de levantamento de dados já haviam demonstrado que cerca de 65% das experiências de ESP acontecem durante o sono e se relaciona com os sonhos (Rhine, 1953). Já havia evidências de que a hipnose favorecia os resultados experimentais positivos de ESP (Dingwall, 1967; Honorton e Krippner, 1969; Schechter, 1984, Van de Castle, 1969). Os parapsicólogos se perguntavam se seria possível pesquisar os estados alterados de consciência de forma objetiva.

Levando em consideração esses dados, descobriu-se nos sonhos um caminho interessante para o estudo da ESP. Isto, aliado às descobertas feitas na década de 1950 sobre o sono, propiciou a elaboração de testes de ESP a serem realizados enquanto o sujeito dormia. Descobriu-se que o movimento rápido dos olhos (MRO) que se dá enquanto alguém dorme corresponde ao período em que essa pessoa está sonhando. Acordando-a logo em seguida a esse período, a lembrança do sonho ainda está nítida.

A pesquisa sistemática com sonhos teve início em 1964, no Laboratório de Sonhos fundado por Montague Ullman no Maimonides Medical Center, Brooklyn, Nova Iorque. A equipe de pesquisadores incluía, além de Ullman, Stanley Krippner, diretor do laboratório, e Charles Honorton, que se juntou a eles em 1967. Basicamente, o experimento consistia em colocar um sujeito dormindo em uma sala isolada acusticamente, com aparelhos monitorando seu sono. No momento dos MRO, uma outra pessoa, o agente, em outra sala, era avisado que deveria tentar transmitir telepaticamente ao sujeito um alvo escolhido aleatoriamente. Dez minutos após terem sido detectados os primeiros MRO, o sujeito era acordado e narrava seu sonho. Depois, comparava-se o sonho ao alvo. Os resultados foram estatisticamente significativos (Ullman e Krippner, 1970; Krippner e Vaughan, 1973). Entre 1964 e 1972, cerca de quinze estudos formais foram realizados e tiveram seus resultados publicados. (Beloff, 1993, p. 164).

Charles Honorton se tornou o diretor de pesquisa do projeto quando Stanley Krippner deixou o grupo em 1974. Honorton tornou-se um expoente da pesquisa de respostas livres importando da psicologia da gestalt um procedimento chamado ganzfeld, (do alemão, campo completo) e criando uma situação experimental que alcançou (e ainda alcança) resultados surpreendentes tanto em termos qualitativos quanto quantitativos.

Percebendo que os estados alterados de consciência parecem facilitar a ocorrência de ESP, Honorton colocou um sujeito em ganzfeld, ou seja, instalado confortavelmente em uma poltrona reclinável, com duas metades de bolinhas de pingue-pongue sobre os olhos e uma luz vermelha iluminando o ambiente. Com os olhos abertos, o sujeito só enxergava uma amplidão avermelhada que fazia com ele perdesse a noção de profundidade. Além disso, fones de ouvido com ruído branco propiciavam um estado de homogeneização sensorial que facilitava a formação de imagens mentais. Enquanto o sujeito se encontrava nessa posição, um agente estava em outra sala e tentava transmitir a ele um alvo escolhido aleatoriamente. Durante o experimento, o sujeito falava tudo o que lhe vem à mente, e o seu relato era gravado em fita cassete e, ao final do experimento, comparado com outras quatro figuras uma, dentre as quais, era o verdadeiro alvo. O sujeito escolheria a que mais se aproximasse das imagens mentais ou das sensações que tivera. Essa técnica tem sido aperfeiçoada e variada desde 1974, quando começou a ser colocada em prática (Honorton, 1974, 1985). A metanálise dos experimentos ganzfeld realizados traz resultados surpreendentemente bons em termos qualitativos e acima do esperado pela acaso em termos estatísticos.

Na década de 1980, foram publicadas mais de quarenta séries de pesquisas ganzfeld, seguindo os padrões estabelecidos por Hyman e Honorton (1986), que previam a análise automática dos dados, a escolha aleatória dos alvos e análises estatísticas aplicadas a um tipo específico de acertos (acertos diretos).

Tais pesquisas apresentaram resultado estatisticamente significativo a favor da hipótese de ESP em 33% das séries, contra os 25% esperados pelo acaso. A diferença entre as porcentagens é altamente significativa a nível estatístico, sobretudo porque demonstra consistência durante as séries experimentais (Bem e Honorton, 1994).

Honorton (1977) teorizou a respeito das razões pelas quais o procedimento ganzfeld teria bons resultados. Seu objetivo era verificar o papel dos estados de atenção interna na detecção e no reconhecimento das interações psi. Honorton definiu os estados de atenção interna como o "afastamento da consciência dos padrões de informações exteroceptivas e proprioceptivas" e sustentou que havia dois tipos deles: os gerados espontaneamente (fantasia hipnagógica) e os induzidos (meditação, hipnose, relaxamento e ganzfeld) (Honorton, 1977, p. 435).

Honorton, então, se perguntou: os estados de atenção interna podem aumentar a detecção das interações psi? O que há de comum entre os diferentes tipos de estados de atenção interna (induzidos ou gerados espontaneamente)? E afirmou que as respostas seriam interessantes por dois motivos: (a) por razões teóricas, ou seja, pela possibilidade de produção de uma framework, e (b) por razões práticas, através do desenvolvimento de técnicas de ‘incremento’ de psi. (Honorton, 1977, p. 436) Honorton concluiu que os estados de atenção interna são "necessários para a detecção do fenômeno e não para a ocorrência do fenômeno" e fez a seguinte generalização empírica: "O funcionamento de psi é melhorado (isto é, é mais facilmente detectado e reconhecido) quando o receptor está em um estado de relaxamento sensorial e é influenciado minimamente pelas percepções e propriocepções normais" (Honorton, 1977, p. 466).

Charles Honorton e Ephraim I. Schechter (1986) publicaram um artigo cujo

"...principal objetivo foi identificar as diferenças individuais associadas com o sucesso inicial da utilização da técnica ganzfeld. Apesar de os estudos que utilizaram participantes que já haviam tomado parte em testes parapsicológicos terem tido melhores resultados do que os estudos que utilizaram sujeitos novatos, outros pesquisadores estão planejando realizar estudos replicatórios e, de modo geral, não terão acesso a sujeitos que já passaram por testes anteriormente. Assim, a especificação das características do participante associada com o sucesso inicial é particularmente importante".
(Honorton & Schechter, 1986, p. 36)

A pesquisa revelou quatro características dos sujeitos que representariam um modelo de sujeitos que obteriam bons resultados em testes ganzfeld (Honorton & Schechter, 1986, p. 39):

1ª característica: diferença entre sujeitos novatos - ou seja, que participam pela primeira vez em experimentos parapsicológicos - e sujeitos experientes. Sujeitos experientes apresentaram índice significativo (55%; p binomial exata = .005, unicaudal) e significativamente superior aos novatos (x2 = 5.42, 1 df, p = .02, bicaudal).  

2ª característica
: diferença entre sujeitos envolvidos em disciplinas mentais, como meditação, por exemplo, e sujeitos que não praticantes de tais disciplinas. Os praticantes de tais disciplinas obtiveram resultado significativo (n = 71, 35% de sucesso, p exata = .036) enquanto que os demais obtiveram resultados de acordo com o que se esperava pelo acaso.

3ª característica
: diferença entre sujeitos que já haviam passado por pelo menos uma experiência psi espontânea e aqueles que relataram não ter passado por nenhuma experiência desse tipo. Os sujeitos que haviam passado por experiências psi (novatos ou experientes em testes parapsicológicos) obtiveram melhores resultados do que os demais.

4ª característica
: tipos psicológicos dos sujeitos determinados pelo teste Myers-Briggs Type Indicator. Sujeitos de tipo psicológico sentimental e perceptivo (SP) obtiveram resultados significativos (n = 33, 55% de acertos, p exata = .00027) e significativamente melhores do que os de tipos diferentes (p exata de Fisher = .0011, bicaudal). As características associadas à dimensão SP incluem análises da atividade subjetiva, sensibilidade interpessoal, flexibilidade, adaptabilidade e motivação para novas situações. Tais resultados sugerem um modelo para a compreensão do sucesso inicial de ganzfeld: "Participação em teste anterior + prática de disciplina mental + experiência psi espontânea + tipo psicológico SP". Este modelo demonstrou ser válido porque os sujeitos que se enquadravam nas quatro características alcançaram acerto de 100% (z = 3.5). Aqueles que se enquadraram em três das características alcançaram 64% de acertos (z = 4.2) Aqueles que se enquadraram em dois critérios ou menos, conseguiram apenas 16% de acertos (z = -1.32)

Não demorou para que críticos explicassem os bons resultados por erros cometidos pelos parapsicólogos. Ray Hyman, um respeitado psicólogo americano, é o mais importante representante dos críticos dos experimentos ganzfeld em Parapsicologia. Honorton, por sua vez, tratou de argumentar em favor da qualidade da pesquisa realizada por ele e por seus colegas. As críticas feitas por Hyman se detiveram ao aspecto da taxa de repetição do experimento, acima da esperada pelo acaso. Isto significa que os experimentos ganzfeld apresentaram resultados consistentes acima da média esperada pelas leis estatística. Entre outras críticas, Hyman afirmou que os resultados positivos foram obtidos porque os parapsicólogos publicavam apenas os experimentos que apresentavam bons resultados. Entretanto, um levantamento realizado por Susan Blackmore (Blakmore, 1980) dá conta de que os experimentos ganzfeld não publicados apresentavam resultados semelhantes aos experimentos publicados. Além disso, chegou-se à conclusão matemática de que, para invalidar o conjunto de trabalhos que apresentavam bons resultados experimentais, seria necessária uma quantidade tal de pesquisas que não apresentassem índices acima do esperado pelo acaso, que superava a possibilidade de tempo possível de realização das mesmas. Hyman ainda sustentou que os bons resultados poderiam ter sido obtidos pela existência de pistas sensoriais e por problemas no processo de aleatorização dos alvos (Hyman, 1985). Essa crítica foi levada em conta pelos parapsicólogos. Honorton e alguns colegas desenvolveram um novo procedimento experimental, chamado ganzfeld automático ou auto-ganzfeld, com a finalidade de impedir a possibilidade de pistas sensoriais e de erros no processo de escolha dos alvos (Honorton et al., 1990). Se Hyman estivesse certo, os índices obtidos com a nova técnica cairiam aos níveis esperados pela chance matemática. Entretanto, a metanálise dos resultados das pesquisas que empregaram o auto-ganzfeld, mostrou significação estatística, evidenciando uma vez mais a possibilidade da existência de processos de comunicação psi (Honorton et al., 1990). Além disso, este demonstrou que uma outra variável parecia influenciar os resultados nos testes ganzfeld: o tipo do alvo. Os alvos, figuras ou clipes que são vistos pelo emissor, quando dinâmicos, ou seja, móveis, como um trecho de filme, por exemplo, são melhor "recebidos" pelos receptores. Possivelmente os alvos dinâmicos facilitam o acerto por serem mais atrativos que os alvos estáticos, fazendo com que o emissor estabeleça um relacionamento psicológico mais intenso com ele.

Os exemplos de pesquisa ganzfeld expostos acima são importantes no sentido de demonstrar diferentes aspectos, sobretudo de ordem fisiológica e psicológica, que interferem na manifestação de informações extra-sensoriais. Outros exemplos de circunstâncias propiciadoras de estados alterados de consciência, como a meditação, a hipnose, os sonhos e o relaxamento neuro-muscular, poderiam ser também detalhados. Mas, para o objetivo deste trabalho, os exemplos mencionados parecem ser suficientes para demonstrar a importância dos estados alterados de consciência para a ocorrência da ESP.

Ao contrário dos experimentos descritos acima, no experimento de remote viewing o sujeito não precisa estar em um estado alterado de consciência para tentar acertar o alvo. Este experimento consiste basicamente em que uma pessoa se dirija a um determinado local selecionado aleatoriamente e observe todos os seus detalhes, demorando-se por determinado tempo nesse lugar. Enquanto isso, o sujeito tenta saber onde e/ou como é o local em que essa outra pessoa está, e vai descrevendo imagens que lhe vêm à mente por meio de narrativa ou de desenhos. Esses experimentos foram primordialmente desenvolvidos pelos físicos Russell Targ e Harald Puthoff na década de 1970, no Stanford Research Institute, em Merlo Park, próximo a São Francisco (Targ & Puthoff, 1978). Os resultados foram estatisticamente significativos. Replicações e variações do experimento foram realizadas por vários laboratórios, em especial no Princeton Engeenering Anomalies Research Laboratory (PEAR), na Universidade de Princeton, Nova Jersey.

Talvez as pesquisas de remote viewing mais conhecidas atualmente sejam as que se iniciaram na década de 1970 nos Estados Unidos, quando o governo americano, visando descobrir uma nova fonte de informação que pudesse servir a fins militares, iniciou um programa, fundado pelo físico Harold Puthoff, para experimentos desse tipo no Stanford Research Institute (SRI), afiliado à Universidade de Stanford. Outros dois físicos americanos, Russell Targ e Edwin May juntaram-se a Puthoff. May ficou em seu lugar quando Puthoff assumiu outro cargo em 1985. Em 1990, todo o programa se mudou para a Science Applications International Corporation (SAIC). O SAIC continua existindo e realizando pesquisas avançadas na área, mas o programa terminou em 1994, depois de vinte e quatro anos de pesquisas subsidiadas (cerca de US$ 20 milhões em gastos) por agências governamentais americanas, como a CIA, a Defense Intelligence Agency, o Exército, a Marinha e a NASA.

As notícias do assim chamado projeto Star Gate vieram a público porque o congresso americano estava discutindo o destino das verbas para o ano fiscal de 1995. O congresso orientou a CIA - Central Inteligence Action, para revisar os resultados dos vinte e quatro anos de pesquisa do Star Gate com a finalidade de reconhecer o real valor e pertinência dessas pesquisas. A CIA se uniu ao American Institute for Research (AIR) para realizar tal análise. Foram convidados especialistas de reconhecida competência em suas especialidades para compor um painel de discussões. O Prof. Ray Hyman foi convidado, além da estatística e parapsicóloga, Profa. Jessica Utts, da Universidade da Califórnia, Davis, dos doutores Michel Munford e Andrew Rose do American Institute Research. O Dr. David Goslin, presidente do AIR, coordenou o painel.

A investigação do AIR, subvencionada pela CIA, concluiu que "efeitos laboratoriais estatisticamente significativos foram demonstrados, mas serão necessárias mais replicações". Hyman e Utts escreveram revisões separadas que foram incluídas no relatório do AIR.

Pediu-se ao Dr. Hyman que utilizasse o mesmo material usado pela Dra. Utts em sua análise. Entretanto, ele apenas fez um comentário sobre a análise que a Dra. Utts fez a respeito desse material. O Dr. Hyman concluiu que "o efeito de tamanho relatado nos experimentos do SAIC eram muito grandes e consistentes para serem desprezados como sendo um resultado acidental" (Hyman, 1996).

Hyman, entretanto, afirmou que tal efeito matemático não seria suficiente para justificar a conclusão de demonstração da existência de processos anômalos de conhecimento. Sustentou, ainda, que ele não tinha segurança de que problemas metodológicos haviam sido eliminados e que os resultados obtidos pelo SAIC correspondiam aos resultados obtidos por outros centros parapsicológicos (Hyman, 1996).

A conclusão da Profa. Utts foi assim resumida:

"Usando os padrões empregados em qualquer outra ciência, concluiu-se que o funcionamento parapsicológico foi bem demonstrado. Os resultados estatísticos dos estudos examinados apresentam resultados distantes dos esperados pelo acaso. Os argumentos de que os resultados poderiam ser obtidos por erros metodológicos nos experimentos foram fortemente refutados. Efeitos de semelhante magnitude àqueles encontrados nos programas do SRI e do SAIC, subsidiados pelo governo, têm sido encontrados em muitos laboratórios pelo mundo. Tal consistência não pode ser prontamente explicada por alegações de erros ou fraude". (Utts, 1996)

Os debates entre parapsicólogos e críticos exemplificados acima refletem parte da luta travada pelos parapsicólogos para a aceitação da Parapsicologia como ciência. Entretanto, como foi visto, os argumentos dos críticos sempre levantam a possibilidade de que algum ato de incompetência dos parapsicólogos poderia ser responsável pelos resultados positivos das pesquisas parapsicológicas. A alegação de que erros metodológicos poderiam ser responsabilizados levou os parapsicólogos a revisar suas situações experimentais e a incluir, muitas vezes, a presença de observadores críticos. Mas não há como responder a críticas do tipo "sempre pode haver uma fraude". Argumentos como este demonstram que a verdadeira posição do crítico é: "não pode haver um fenômeno como esse". Alguns críticos até chegam a fazer tal afirmação (Alcock, 1981). Muitas vezes, o esforço do crítico em tornar sua crítica objetiva pode ser compreendido como uma forma de defesa contra a percepção de um elemento absolutamente irracional presente em sua análise. Ao invés de reconhecer a irracionalidade de seu argumento, acusa de irracionalidade os dados das pesquisas.

Os resultados das pesquisas que utilizam a técnica de visão remota parecem confirmar a tendência geral das pesquisas ganzfeld, na medida em que a diminuição de distrações, a espontaneidade e a simples transmissão dos pensamentos, sem apelar para a racionalização ou para a censura, parecem ser elementos comuns a ambas as técnicas.

Há ainda as pesquisas de ESP de respostas fisiológicas. Alguns autores sustentam que a informação proveniente da ESP estaria no inconsciente, mas, nem sempre chegaria à consciência (Rhine, 1966). Uma das maneiras de se testar se, efetivamente, tal informação estaria mesmo presente na mente de um sujeito, ainda que inconscientemente, seria verificar sua existência indiretamente, por meio de respostas discretas do sistema nervoso, a partir de processos fisiológicos involuntários. Tais processos, responsáveis pelas reações ao perigo e ao estresse, poderiam ser medidos em situações em que os alvos em uma prova experimental parapsicológica estivessem relacionados a situações de perigo ou mesmo a informações que poderiam estimular (por exemplo pelo impacto desagradável da informação) o sujeito. Enquanto o sujeito permanece sentado ou deitado em uma sala blindada contra sons e forças eletromagnéticas, um emissor vê uma série de cartões cujo conteúdo varia entre estímulos de forte carga emocional para o sujeito e estímulos neutros. Os períodos de "emissão" são controlados e a escolha dos alvos é feita de maneira aleatória. Para a análise estatística dos resultados, compara-se os períodos de "emissão" de alvos estimulantes e neutros, com as variações do estado fisiológico do sujeito experimental. Dean e Nash (1967) utilizaram nomes significativos e neutros para o paciente. Tart (1963) utilizou agentes que sofriam choques elétricos mínimos como alvos. Momentos em que o sujeito é ou não observado por uma pessoa situada em outra sala também têm sido usados como períodos de avaliação de diferenças fisiológicas (May, Targ e Puthoff, 1979; Braud e Schlitz, 1983; Braud, Shafler e Andrews, 1993; Schlitz e LaBerge, 1994; Wiseman e Schlitz, 1996). A garantia de que os efeitos são provocados "por" ESP ou "por" PK, permanece em discussão. Por esta razão, não vamos expor exaustivamente os trabalhos em que a hipótese de PK ou bio-PK eram as preferenciais pelos(as) pesquisadores(as). Uma das pesquisas mais recentes neste contexto, é aquela realizada por Dean Radin (1996). O pesquisador procurou verificar se imagens "extremas" (violentas e eróticas), que seriam apresentadas aleatoriamente aos sujeitos experimentais poderiam provocar respostas fisiológicas diferentes da apresentação de imagens de conteúdo rotulado como "calmo", antes de sua apresentação. Foram apresentadas 1060 imagens-alvo a 31 participantes em 4 experimentos. A hipótese foi confirmada, posto que as respostas fisiológicas seguiram a tendência apresentada pelas imagens um segundo antes das mesmas serem apresentadas (z = 4.9, p=9.6 x 10 -7).

Nas últimas décadas, tem-se investigado as relações entre psi e algumas variáveis ambientais, sobretudo a influências dos campos geomagnéticos sobre a performance dos sujeitos submetidos a experimentos ESP. Entretanto, uma tendência crescente nos últimos 5 anos tem sido a de verificar como tais variáveis poderiam influenciar a performance psi das pessoas em situações cotidianas, mas nem por isso pouco controladas. Uma das pesquisas com este encaminhamento também foi realizada pelo Dr. Dean Radin e por Jannine Rebman, chamada Procurando Psi no Cassino (Radin e Rebman, 1996). Os pesquisadores foram inspirados pela idéia de que os cassinos representam uma situação experimental ideal, onde milhares de pessoas estariam motivadas, participando de uma situação controlada contra a fraude. Se psi existe, talvez a situação de jogo seja o momento em que ela possa estar atuando de forma mais intensa. Seguindo esta hipótese, os pesquisadores se perguntaram se haveria ciclos de pagamentos feitos pelos cassinos e, se estes existissem, se haveria fatores relacionados a eles. A questão aqui é de se encontrar períodos em que os cassinos perdem mais dinheiro, ou seja, períodos em que os apostadores ganhariam mais dinheiro. Se estes períodos fossem estáveis em relação a algum fator poderia se descobrir alguma variável de interferência constante em psi. O resultado da pesquisa demonstrou que havia um ciclo regular de maiores índices de ganhos por parte dos apostadores, que correspondiam exatamente ao ciclo lunar. Assim, com a proximidade da lua cheia, os apostadores tendiam a ter seus palpites para jogos mais corretos que nos demais períodos. A interpretação dos resultados foi feita em função da presença de um campo geomagnético mais ‘estável’ durante tais fases da lua. Outras pesquisas já haviam demonstrado a influência de tais campos na performance ESP nesta direção tanto em casos espontâneos quanto em pesquisas experimentais (Persinger, 1985; Lewicki, Schaut e Persinger, 1987, Spottiswoode, 1990; Gissurarson, 1992; Radin, 1992, 1993) e, inversamente, em PK, que ocorreria com maior freqüência em momentos em que o campo geomagnético estaria mais ‘ativo’ (Gearhart e Persinger, 1986). Alguns pesquisadores têm voltado sua atenção a experimentos realizados em décadas em que não se tinha a intenção de verificar a correspondência entre performance psi e os campos geomagnéticos. Fazendo as correlações entre tais índices descobriram que houve correspondência entre eles em pesquisas realizadas por Rhine e associados, nas pesquisas de sonhos telepáticos realizadas no Maimonides Medical Center e ganzfeld, entre outras.

As pesquisas citadas acima oferecem ao interessado uma razoável visão panorâmica do que tem sido feito em Parapsicologia de forma empírica nos últimos anos. De forma alguma as informações estão completas ao ponto de se prescindir outras fontes não mencionadas aqui.




6. Onde se quer chegar?

A experimentação realizada em Parapsicologia tem um objetivo bem definido: encontrar uma teoria suficientemente ampla, que possa ser adotada para a compreensão tanto dos resultados das pesquisas de casos espontâneos quanto para as experimentais. Ou seja, uma teoria geral para psi. A abrangência da teoria deve estar aliada à sua testabilidade, e portanto, oferecer postulados claramente formulados de modo a inspirar e possibilitar novos estudos que a comprovem, a modifiquem ou a refutem (Zangari, 1995, p. 26).

Na verdade, até o momento o modelo mais bem aceito por sua abrangência e por ser experimentalmente testável é o Modelo de Resposta Instrumental Mediada por Psi, ou PMIR (do inglês, psi mediated instrumental response model). Esse modelo, formulado por Rex Stanford (1990), postula que o ser humano rastrea o meio ambiente à procura de informações que possam ser úteis para a satisfação de suas necessidades psicológicas e biológicas. Essas informações levariam-no a respostas instrumentais, ou seja, a tomadas de atitude, como mudança de caminhos habituais para evitar acidentes, por exemplo. Stanford sustenta que psi é uma função psicofisiológica insconsciente a serviço da adaptação. Assim, estaríamos utilizando psi sempre que necessário, sem nos darmos conta disso. Os estudos realizados para testar o modelo envolvem situações em que o sujeito tem que utilizar - e efetivamente utiliza - a ESP sem saber, ou seja, não intencionalmente por uma questão de adaptação ou, em última instância, sobrevivência. Um exemplo documentado é o caso de precognições ou simulcognições a respeito do afundamento do navio Titanic em abril de 1912, que levou à morte cerca de mil e seiscentas pessoas. Ian Stevenson (1960, 1965) coletou dezessete casos desse tipo, sendo que sete ocorreram na noite do desastre; quatro, dez dias antes e seis, de um a dez meses antes da tragédia. Um engenheiro naval recusou um alto posto no Titanic por ter previsto extra-sensorialmente o naufrágio, salvando, assim, sua vida, como o fizeram outros passageiros que decidiram não embarcar para aquela viagem pelo mesmo motivo.

Existem outros modelos que priorizam os processos cognitivos relacionados a psi. Um dos mais importantes é Modelo de Processamento de Informações, de Harvey Irwin (1979). Irwin propõe que traços de memória correspondentes a informações enviadas pelo agente seriam evocadas no processamento das informações oriundas da ESP. Esse processamento se daria em três estágios, todos a nível inconsciente: (a) padrão de reconhecimento; (b) codificação semântica e (c) análise semântica. Um aspecto importante nesse modelo é a noção de capacidade de processamento. Supõe-se que essa capacidade seja limitada. Assim, se o psiquismo estiver ocupado com algum processamento importante, as demais informações deverão esperar, correndo o risco de serem perdidas.

Apesar de promissores, modelos como estes carecem de comprovação empírica, apesar de o modelo PMIR ser o mais bem aceito, o mais discutido nos últimos vinte anos e o que tem apresentado mais dados empíricos.

O modelo de redução de ruído desenvolvido por Honorton (1974) e Braud (1975) é o que tem alcançados os melhores resultados experimentais a nível estatístico e qualitativo. A idéia básica é que "ESP é facilitada pela redução de outras fontes de estímulos internas ou externas competidoras ou ‘ruídos’, e pela atenção aos processos internos de pensamento" (Edge et al., 1986, p. 193). As pesquisas que envolvem estados alterados de consciência, como as que fizeram uso do relaxamento progressivo (Braud & Braud, 1974), da técnica ganzfeld (Honorton, 1985) e dos sonhos (Ullman, Krippner & Vaughan, 1973) são clássicas e têm por base o modelo de redução de ruído.

Além dos aspectos relacionados à forma de processamento de informação a nível psicológico e às funções do mesmo no organismo, uma outra faceta de psi também tem sido investigada: questões físicas relacionadas ao modo como a informação psi chega até o sujeito ou sai dele. Várias teorias físicas têm sido postuladas: teorias de campo (Berger, 1940; Roll, 1966); conceitos multidimensionais (Broad, 1967; Dunne, 1927/1958; Hart, 1965; Smythies, 1967); teorias de ressonância (Marshall, 1960); teorias eletromagnéticas (Chari,1977; Vasiliev, 1976; Kogan, 1967; Persinger, 1979), teorias observacionais (Walker, 1975; Schmidt, 1975).

Como já mencionamos, pesquisas recentes indicam a influência do campo geomagnético na performance de sujeitos que participam de experimentos extra-sensoriais, como ganzfeld, por exemplo. Melhores resultados nesses tipos de experimentos são obtidos quando o campo geomagnético está calmo, isto é, sem grandes perturbações (Radin, 1997; Dalton & Stevens, 1996; Radin, McAlpine & Cunnigham, 1994; Becker, 1992). Pesquisas também exploram a influência dos campos geomagnéticos na atividade da glândula pineal, uma vez que há evidências de que essa glândula possivelmente estaria relacionada com um estado psi-conducivo consciente (Roney-Dougal & Vogl, 1993). Apesar das evidências quanto à influência direta do campo geomagnético na perfomance psi, há consenso na área de que ainda carecemos de pesquisas sobre o assunto para melhor averiguar essa questão.

As teorias observacionais são as mais bem aceitas e as que contam com maior número de dados empíricos a seu favor. Basicamente, as teorias observacionais postulam que a consciência pode interferir sobre o mundo físico através do chamado colapso do estado de vetor. O colapsamento seria feito basicamente por processos psicocinéticos. As demonstrações experimentais desenvolvidas por Schmidt (1976) têm dado algum subsídio empírico à teoria observacional. Entretanto, ele próprio e a maioria dos investigadores também afirmam que as demonstrações são insuficientes e mais pesquisas são necessárias.




7. Algumas relfexões sobre o tema exposto

De acordo com a Teoria dos Sistemas, as condições para a permanência sistêmica são: (a) sensibilidade ao meio; (b) capacidade de estocar informações e (c) capacidade de elaborar informações. Em tese, a ESP seria projetada para detectar informações potencialmente disponíveis aos sentidos, mas que no momento não estariam disponíveis devido a contrastes de tempo e espaço (Braud, 1982, p.16). Em que pese ainda não consigamos dominar essa capacidade extra-sensorial inerente ao ser humano - e talvez a outros animais - para utilizá-la tecnologicamente, dados colhidos através das pesquisas sugerem que a ESP estaria à serviço da adaptação e/ou sobrevivência, como postula o modelo PMIR de Stanford, e talvez ela sirva principalmente como uma espécie de amortecedor que prepara a recepção de informações impactantes. Assim, a ESP seria um componente importante para a autonomia sistêmica do ser humano, portanto um dos aspectos responsáveis por sua permanência. Se essa permanência se estenderia para além da vida biológica é uma questão polêmica. Lembremos, porém, que a Parapsicologia lida, em princípio, com hipóteses que pressupõem o ser humano vivo.

É preciso considerar, porém, que embora os sistemas tendam à conservação, há momentos em que se observa uma tendência à destruição. Se a ESP está a serviço da sobrevivência, por que, então, pessoas que viajam justamente em navios que afundam ou trens que descarrilam? O fato é que não se sabe porquê, mas há momentos em que se observa uma tendência à auto-destruição, fruto de mecanismos sutis que escondem algo muito forte por detrás, mas que ainda não conseguimos compreender.

Sistemas fechados estão fadados a desaparecer, pois sem a troca de informações com outros sistemas, não conseguem adquir a autonomia necessária para permanecer. O ser humano está longe de ser um sistema fechado. De acordo com o que foi exposto no decorrer deste trabalho, ainda que ele queira fechar-se em si mesmo, isolar-se, não deixa de ser um sistema aberto - para não dizer, por vezes, escancarado. É certo que há pessoas que apresentam uma propensão maior a ter experiências extra-sensoriais do que outras. Rhine, porém, já havia demonstrado na década de 1930 que a ESP é uma capacidade ou função humana que pode manifestar-se em maior ou menor grau, dependendo de uma série de fatores. Há até quem diga que nunca passou por nenhuma experiência desse tipo. Como foi visto, em pinceladas, traços de personalidade, crença e contexto são fatores fundamentais para a ocorrência da ESP. O fato de uma pessoa dizer que nunca passou por uma experiência psi poderia ser comparável ao fato de ela dizer que nunca sonha, uma vez que ela nunca se lembra de sonho algum ao acordar. Já se sabe que "o sonho é o guardião do sono" e acontece todas as vezes que dormimos. O fato de não nos lembrarmos do que sonhamos está relacionado a questões psicológicas profundas, discutidas por Freud (1900). Talvez por questões relacionadas a cultura, a crenças pessoais ou até mesmo a traços de personalidade, há pessoas que não prestam atenção ou "eliminam" ocorrências diárias que poderiam estar relacionadas a interações extra-sensoriais. Além disso, há que se considerar que não só de experiências ultra-impressionantes vive a ESP.

Vale lembrar também que a sensibilidade de um sistema ao meio nunca é total, pois há uma espécie de filtro que seleciona o que teoricamente seria mais importante para a sua permanência. No caso dos seres humanos e da ESP, esse filtro garantiria, por exemplo, que não ficássemos expostos a todas as informações sobre eventos futuros, pois isto causaria muito sofrimento. Aliás, este é, em geral, o maior medo das pessoas que têm experiências precognitivas com freqüência: sofrer por não conseguir evitar eventos trágicos previstos por elas.

Do ponto de vista cognitivo, informação consiste em algo selecionado de acordo com o grau de importância de seu conteúdo. Essa importância é medida de acordo com a significação pessoal emprestada ao conteúdo da informação. Na Teoria da Informação (Shannon e Weaver, 1949), Shannon postula que a informação seria inversamente proporcional à probabilidade de sua ocorrência. Ele definiu a entropia de um determinado sistema como a média da probabilidade de ocorrência de todos os eventos possíveis em um sistema. Nesse caso, então, entropia é definida como a medida de nossa incerteza ou falta de informação sobre um sistema (May et al., 1994, p. 388). É verdade que as experiências de ESP constantes nas coleções de caso e nos levantamentos de dados envolvem, em sua maioria, acontecimentos inesperados e quase sempre trágicos, relacionados, com freqüência, a pessoas afetivamente próximas. É verdade também que os experimentos de respostas livres, como ganzfeld, por exemplo, apresentam melhores resultados quando os alvos utilizados correspondem a cenas de alto impacto emocional. Mas não podemos nos esquecer que há eventos psi que envolvem informações triviais, às vezes relacionadas a pessoas não tão próximas afetivamente. Apesar disso, é inegável que o fato de passar por uma experiência desse tipo pode ser tão curioso que marca profundamente, se não pelo impacto emocional, pelo inusitado da vivência. É importante lembrar, porém, que o que é considerado inusitado em uma cultura, pode não sê-lo em outra. Considerando todos esses pontos, poderíamos nos perguntar: será que a entropia de Shannon pode ser realmente aplicada a todos os sistemas abertos em todas as situações que envolvem informação?

De um modo geral, mensagens inusitadas chamam a atenção ao surgirem, mas não garantem memória se não forem reforçadas, repetidas. Isto significa que podem ser esquecidas porque não ganham em importância. Se, por exemplo, alguém sonha com um acidente e acorda sobressaltado pelo conteúdo do sonho, mas efetivamente esse acidente não acontece, tendo apenas servido de dramatização para um pesadelo, a tendência é que essa pessoa acabe se esquecendo desse sonho. Mas, ao contrário, se a cena do sonho se repete na realidade, há um reforço da informação. Nessa perspectiva, pode-se dizer que toda experiência de ESP precognitiva implica em pelo menos uma repetição ou reforço informativo. Segundo Braud (1982, p. 16), "psi participa de experiências de redundância antecipadora". Especulativamente podemos dizer ainda que, do ponto de vista fenomenológico, ou seja, do ponto de vista do sujeito, toda experiência extra-sensorial é precognitiva. Isto é, se considerarmos o tempo como linear, o sujeito só tomará contato com a confirmação de sua experiência extra-sensorial no futuro, portanto, só nesse momento essa informação psi passará a existir para ele como fato real, ainda que o fato ao qual essa informação se relaciona tenha acontecido no passado ou concomitantemente ao recebimento/captação da mensagem via ESP.

Um segundo postulado de Shannon diz respeito à aditividade de informação, ou seja, à probabilidade de um signo ocorrer devido ao fato de um outro signo ter ocorrido antes (probabilidade condicional). Como Peirce (1995) propõe, haveria uma gramática que regulamentaria o arranjo de signos, formando uma cadeia informativa que resultaria no que chamamos de mensagem. Dentre os casos analisados por Louisa Rhine, há alguns que trazem na forma como a ESP se manifesta - por exemplo, no sonho - elementos carregados de um significado imputado por meio de relações estabelecidas devido a experiências anteriores. Assim, se alguém sonhou com sapatos e no dia seguinte recebeu a notícia do falecimento de um parente próximo, e por um motivo "qualquer" - como se algum motivo fosse "qualquer" - essa pessoa associa o sonho com sapatos à morte ocorrida, e esse fato se repete em uma outra ocasião, constrói-se uma memória que torna "sapatos" como significante de morte. Assim, pela repetição, o significante "sapato" se liga definitivamente ao significado "morte de alguém afetivamente próximo". O signo deixa o intérprete suprir sua necessidade. O signo se acerca do real e "provoca" a representação. No caso do exemplo apresentado, provavelmente quando a ESP for entrar em ação na vida dessa pessoa através dos sonhos para indicar a morte de alguém próximo, o fará "calçada".

Ainda a nível simbólico, pode-se dizer que as manifestações da ESP parecem estar intimamente relacionadas com os modelos de processamento mental de informações. Isto significa que, dependendo de seu estilo cognitivo, cada indivíduo se utilizaria de códigos internos ou traduções de informações próprias durante o processo de conhecimento extra-sensorial. É claro que o uso desses códigos, tanto em relação às situações sensoriais como às extra-sensoriais dependeria do contexto, mas pesquisas demonstram que, de acordo com traços de personalidade e contexto cultural, há uma tendência maior para a utilização de um desses códigos (Weiner, 1982). O respeito ao estilo cognitivo dos sujeitos experimentais pode contribuir para melhores resultados nas pesquisas de laboratório. É claro que há a dificuldade da investigação desses processos internos de coding preference, mas aí parece se abrir um caminho para facilitar uma boa performance em tarefas extra-sensoriais controladas.

A nível de significação social, a vivência de uma experiência extra-sensorial pode influenciar profundamente a vida de quem passa por elas, influência esta que se reflete em suas relações com as pessoas que a cercam e a relação consigo mesma. No primeiro semestre de 1994, os autores deste artigo realizaram uma pesquisa de levantamento de dados preliminar entre estudantes universitários brasileiros a fim de verificar a incidência e a relevância social das chamadas experiências psi em sua vida cotidiana. Esse estudo consistiu na aplicação de um questionário de 72 itens a 181 estudantes universitários da Universidade Anhembi Morumbi. Desses 72 itens, os 45 primeiros foram traduzidos e adaptados à cultura brasileira de um questionário aplicado por John Palmer (1979) a estudantes universitários e moradores da cidade de Charlotesville, Virgínia, EUA. Os demais itens são provenientes da Dissociative Experience Scale (DES), de 1986, que foram incluídos nesse estudo para análise e correlações posteriores. Em termos gerais, para o estudo preliminar somente foram consideradas as questões que focalizavam a incidência e a importância das experiências parapsicológicas na vida cotidiana dos estudantes. É importante lembrar que o fato de uma pessoa passar por uma experiência parapsicológica não significa que ela tenha realmente vivenciado um fenômeno parapsicológico. A interpretação daquilo que ela viveu pode estar equivocada. Porém, o simples fato de ela acreditar que o evento por ela vivido tenha algo de parapsicológico pode também trazer grandes transformações para sua vida. Lembrando o que diz Buckley:

"O fato de um sistema ser aberto significa não apenas que ele se empenha em intercâmbios com o meio, mas também que esse intercâmbio é um fator essencial, que lhe sustenta a viabilidade, a capacidade reprodutiva ou continuidade e a capacidade de mudar." (Buckley, 1976, p. 81)

Como resultado geral desse estudo, obtivemos que 89,5% dos 181 respondentes alegaram já ter vivenciado pelo menos uma experiência parapsicológica, sendo que 64% tiveram algum sonho que julgaram ter algum conteúdo parapsicológico, entre outras experiência de ESP. Como se isto não bastasse, relataram que essas experiências tiveram grande importância em suas vidas, influenciando sua visão de mundo e a tomada de decisões, além de determinar mudança de atitudes. Levantamentos de dados realizados em outros países também demonstram que as experiências parapsicológicas desempenham, de um modo geral, um papel fundamental na vida das pessoas que as vivenciam. Há religiões e seitas que foram fundadas com base em experiências que foram interpretadas como revelações espirituais ou divinas, mas que poderiam ser encaradas do ponto de vista parapsicológico. (Zangari, 1996)

A magnitude da repercussão social das experiências psi varia de cultura para cultura, Como já foi dito, no Ocidente, muitas das experiências parapsicológicas renderam penas e internações em manicômios. Mas, no Oriente, onde a prática da meditação é mais cultivada e a introspecção valorizada, essas experiências são encaradas como que reflexos de nossa pertinência ao todo, portanto, de nossa conexão cósmica com tudo o que nos cerca. Portanto, os orientais de modo geral parecem encarar essas experiências de forma mais tranqüila e natural do que os ocidentais. Portanto, o modo como as religiões e a sociedade - vale dizer, em especial, as universidades - encaram essas experiências traz conseqüências profundas e marcantes para a vida do ser humano que as vivencia.



8. Comentários Finais

É lamentável que o estudo de aspectos humanos ainda obscuros seja negligenciado devido a preconceitos. Há ainda muito a ser conhecido. Não somos senhores do universo, nem dominamos o conhecimento de forma plena. A natureza não é simples e tem ainda muito a nos ensinar, com certeza. Nós, seres humanos que dela fazemos parte, guardamos ainda segredos sobre nossa essência e funcionamento.

É comum encontrar pessoas que preferem jogar fora a criança com a água do banho quando se deparam com situações desconcertantes, que à primeira vista não têm explicação plausível e parecem fugir às possibilidades de produção humana. Há fenômenos ou vivências que seriam impossíveis de ocorrer de acordo com os padrões científicos vigentes. Mas, se eles acontecem, que fazer? Negá-los ou negligenciá-los porque não se enquadram na visão de mundo cartesiana que ainda prevalece? Assim o fazem muitos cientistas, que se desconsideram a existência de um jogo criativo e complexo entre os sistemas vivos e as leis da natureza regido por uma gramática que não é estritamente mecanicista.

Os estudos sobre a ESP são inúmeros e trazem informações interessantes acerca da transmissão de informação de um ponto de vista diferente daquele tratado formalmente pelas Ciências da Informação, pela Psicologia, pela Biologia... Ainda que não tenhamos até o momento uma teoria capaz de dar conta de psi de forma plenamente satisfatória, não podemos deixar de lado experiências humanas só porque não se enquadram nos padrões estabelecidos. Se o conhecimento é feito de ficções coerentes com o real, e se a própria mecânica clássica é profundamente ficcional, hipotetizar psi também é um exercício de ficção que deveria ser bem-vindo. Esse exercício tem sido realizado de forma eficiente e aplicável, como fez Newton, ainda que o domínio das possibilidades não seja perfeito e sempre haja algo escondido por detrás das representações elaboradas. Há muitas dificuldades a serem transpostas, especialmente em função do tipo de objeto que se propõe estudar. Ainda assim existe um crescente número de cientistas que se dedicam a esse estudo.

Talvez a chave para desvendar psi esteja contida na proposta de Peirce sobre uma espécie de mente geral que tudo rege. Segundo ele, o universo como um todo é capaz de conhecer. Assim, não haveríamos de nos espantar com os casos coletados por Louisa Rhine, por exemplo. Eles seriam mera conseqüência dessa totalidade em que estamos inseridos... De qualquer forma, isto também é ficção.



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Fonte: http://www4.pucsp.br/pos/cos/cepe/intercon/revista/artigos/esp.htm

 


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