“Porque eu vim pôr em dissensão o filho contra seu
pai, a filha contra sua mãe e a nora contra sua sogra.”
– Jesus
EMMANUEL - Aqui temos de considerar a feição
antiga do hebraico, com a sua maneira vigorosa de expressão.
Seria absurdo admitir que o Senhor viesse estabelecer a perturbação
no sagrado instituto da família humana, nas suas elevadas expressões
afetivas, mas, sim, que os seus ensinamentos consoladores seriam o fermento
divino das opiniões, estabelecendo os movimentos naturais das
idéias renovadoras, fazendo luz no íntimo de cada um,
pelo esforço próprio, para felicidade de todos os corações.
(O Consolador, parte II, per. 305)
ESPIRITISMO NO CASAMENTO
Sem entendimento e respeito, conciliação
e afinidade espiritual, torna-se difícil o êxito no casamento.
Todos os pretendentes à união conjugal
carecem de estudar as circunstâncias do ajuste esponsalício
antes do consórcio, para isso existindo o período natural
do noivado. Aspecto deveras importante para ser analisado será
sempre o da crença religiosa.
Efetivamente, se a religião idêntica no
casal contribui bastante para a estabilidade do matrimônio, a
diversidade dos pontos de vista não é um fator proibitivo
da paz da família. Mas se aparecem rixas no lar, oriunda do choque
de opiniões religiosas diferentes, a responsabilidade é
claramente debitada aos esposos que se escolheram um ao outro.
A tendência comum de um cônjuge é
a de levar o outro a pensar e agir como ele próprio, o que nem
sempre é viável e nem pode ocorrer. Eis por que não
lhes cabe violentar situações e sentimentos, manejando
imposições recíprocas, mormente no sentido de se
arrastarem a determinada crença religiosa.
Deve partir do cônjuge de fé sincera a
iniciativa de patentear a qualidade das suas convicções,
em casa, pelo convite silencioso a elas, através do exemplo.
Não será por meio de discussões,
censuras ou pilhérias em torno de assuntos religiosos que se
evidenciará algum dia a excelência de uma doutrina.
Ao invés de murmurações estéreis,
urge dar provas de espiritualidade superior, repetidas no dia-a-dia.
Em lugar de conceitos extremados nas prédicas fatigantes, vale
mais a exposição da crença pela melhoria da conduta,
positivando-se quão pior seria qualquer criatura sem o apoio
da religião.
Para os espíritas jamais será construtivo
constranger alguém a ler certas obras, freqüentar determinadas
reuniões ou aceitar critérios especiais em matéria
doutrinária.
Quem deseje modificar a crença do companheiro
ou companheira, comece a modificar a si mesmo, na vivência da
abnegação pura, do serviço, da compreensão,
do bom-senso prático, salientando aos olhos do outro ou da outra
a capacidade de renovação dos princípios que abraça.
O cônjuge é a pessoa mais indicada para
revelar as virtudes de uma crença ao outro cônjuge.
Um simples ato de bondade, no recinto do lar, tem mais
força persuasiva que uma dezena de pregações num
templo onde a criatura comparece contrariada.
Uma única prova de sacrifício entre duas
pessoas que se defrontam, no convívio diário, surge mais
eficaz como agente de ensino que uma vintena de livros impostos para
leituras forçadas.
Em resumo, depende do cônjuge fazer a sua religião
atrativa e estimulante para o outro, ao contrário de mostrá-la
fastidiosa ou incômoda.
Nos testemunhos de cada instante, no culto vivo do Evangelho
em casa e na lealdade à própria fé, persista de
cada qual nas boas obras, porque, ante demonstrações vivas
de amor, cessam quaisquer azedumes da discórdia e todas as resistências
da incompreensão.
André Luiz
Título original: "O Espiritismo e
os Cônjuges"
Do livro "Estude e Viva" c/Emmanuel
Frâncico Cândido Xavier.
Realização:
INSTITUTO ANDRÉ LUIZ
Site Espírita André Luiz
www.institutoandreluiz.org
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