André Luiz; Francisco Cândido Xavier

>   Ante a mediunidade

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André Luiz; Francisco Cândido Xavier; Waldo Vieira
>   Ante a mediunidade

Depois de um século de mediunidade, a luz da Doutrina Espírita, com inequívocas provas da sobrevivência, nas quais a abnegação dos Mensageiros Divinos e a tolerância de muitos sensitivos foram colocadas a prova, temo-la, ainda hoje, incompreendida e ridicularizada. Os intelectuais, vinculados ao ateísmo prático, desprezaram-na até agora, enquanto os cientistas que a experimentam se recolhem, quase todos, aos palanques da Metapsíquica, observando-a com reserva. Junto deles, porém, os espíritas sustentam-lhe a bandeira de trabalho e revelação, conscientes de sua presença e significado perante a vida. Tachados, muitas vezes, de fanáticos, prosseguem eles, a feição de pioneiros, desbravando, sofrendo, ajudando e construindo, atentos aos princípios enfeixados por Allan Kardec em sua codificação basilar.


Alguém disse que “os espíritas pretenderam misturar, no Espiritismo, ciência e religião, o que resultou em grande prejuízo para a sua parte científica”. E acentuou que “um historiador, ao analisar as ordenações de Carlos Magno, não pensa em Além-Túmulo; que um fisiologista, assinalando as contratações musculares de uma rã, não fala em esferas ultraterres­tres; e que um químico, ao dosar o azoto da lecitina, não se deixa impressionar por nenhuma fraseologia da sobrevivência humana”, acrescentando que, “em Metapsíquica, é necessário proceder de igual modo, abstendo-se o pesquisador de sonhar com mundos etéreos ou ema­nações anímicas, de maneira a permanecer no terra-a-terra, acima de qual­quer teoria, para somente indagar, muito humildemente, se tal ou tal fenômeno é verdadeiro, sem o propósito de desvendar os mistérios de nossas vidas pregressas ou vindouras”.


Os espíritas, contudo, apesar do respeito que consagram á pesquisa dos sábios, não podem abdicar do senso religioso que lhes define o trabalho. Julgam lícitos reverenciá-los, aproveitando-lhes estudos e equações, qual nos conduzimos nessas páginas, tanto quanto eles mesmos, os sábios, lhes homenageiam o esforço, utilizando-lhes o campo de atividade para experimentos e anotações. Consideram os espíritas que o historiador, o fisiologista e o químico podem não pensar em Além-Túmulo, mas não conseguem avançar desprovidos de senso moral, porquanto o historiador, sem dignidade, é veículo de impru­dência; o fisiologista, sem respeito para consigo próprio, quase sempre transforma em carrasco da vida humana, e o químico, desalmado, facilmente se converte em agente da morte. Se caminham atentos à mensagem das Esferas Espirituais, isso não quer dizer se enquistem na visão de “mundos etéreos”, para enternecimento beatífico e esterilizante, mas para se fazerem elementos úteis na edificação do mundo melhor.


Se analisam as emanações anímicas é porque desejam cooperar no aperfeiçoamento da vida espiritual no planeta, assim como na solução dos problemas do destino e da dor, junto da humanidade, de modo a se esvaziarem penitenciárias e hospícios, e, se algo procuram, acima do “terra-a-terra”, esse algo é a educação de si mesmos, através do bem puro aos se­melhantes, com o que aspiram, sem pretensão, a orientar o fenômeno a serviço dos homens, para que o fenômeno não se reduza a simples curiosidade da inteligência.


Quanto mais investiga a Natureza, mais se convence de que o homem que vive num reino de ondas transfiguradas em luz, eletricidade, calor ou matéria, segundo o padrão vibratório em que se exprimam. Existem, no entanto, outras manifestações da luz, da eletricidade, do calor e da matéria, desconhecidas nas faixas da evolução humana, das quais, por enquanto, somente poderemos recolher informações pelas vias do espírito.


Prevenindo qualquer observação de crítica construtiva, lealmente declaramos haver ocorrido a diversos trabalhos de divulgação científica do mundo contemporâneo para tornar a substância espírita deste livro mais seguramente compreendida pela generalidade dos leitores, como quem se utiliza da estrada de todos para atingir a meta em vista, sem maiores dificuldades para os companheiros de excursão.


Aliás, quanto aos apontamentos científicos humanos, é preciso reconhecer-lhes o caráter passageiro, no que se refere à definição e nomenclatura, atentos à circunstân­cia de que a experimentação constante induz os cientistas de um século a considerar, muitas vezes, como superado o trabalho dos cientistas que os precederam.


Assim, as notas dessa natureza, neste volume, tomadas naturalmente ao acervo de informações e deduções dos estudiosos da atualidade terrestre, valem aqui por ves­timenta necessária, mas transitória, da explicação espírita da mediunidade, que é, no presente livro, o corpo de ideias a ser apresentado.


Não podemos esquecer a obrigação de cultuar a mediunidade e acrisolá-la, aparelhando-nos com os recursos precisos ao conhecimento de nós mesmos. A Parapsicologia nas Universidades e o estudo dos mecanismos do cérebro e do sonho, do magnetismo e do pensamento nas instituições ligadas a Psiquiatria e as ciências mentais, embora dirigidos noutros rumos, chegarão igualmente a verdade, mas, antes que se entreguem conscientemente no plano da redenção humana, burilemos, por nossa vez, a mediunidade, à luz da Doutrina Espírita, que revive a Doutrina de Jesus, no reconhecimento de que não basta a observação dos fatos em si, mas também que se fazem indispensáveis à disciplina e a iluminação dos ingredientes morais que os constituem, a fim de que se tornem fatores de apri­moramento e felicidade, a benefício da criatura em trânsito para a realidade maior.



Fonte:
Trecho extraído do livro dos autores “Mecanismos da Mediunidade”,
Editora FEB.

 

 


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