Espiritualidade e Sociedade



Gustavo Henrique de Lucena

>   Somos doentes?

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Gustavo Henrique de Lucena
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“Não andeis cuidadosos de vossa vida,
pelo que haveis de comer, nem pelo que haveis de vestir.
Não é mais a alma que a comida, e o corpo mais que o vestido?”

(Mateus 6:25-32)



Na qualidade de seres inteligentes, ora integrantes do orbe terrestre, vivemos imersos num oceano energético e nutridos pela vida que o sol nos proporciona. Biologicamente somos considerados seres vivos, pois respiramos e interagimos com as energias que permeiam todo o cosmo.

Contudo, a maneira de nos posicionarmos diante da vida, apesar da forte influência exercida pelo materialismo, serve para ampliarmos um pouco mais os horizontes do nosso pensamento, de modo a nos projetarmos muito além das necessidades consideradas básicas.

O que predomina no momento senão o desejo de destaque social, de conforto excessivo, de status proporcionado pelo poder econômico? Com tantas preocupações superficiais e interesses inferiores, relegamos, às vezes, a um segundo plano a essência que refulge na intimidade de nossa complexidade psico-orgânica.

Mas, enfim, quem somos?

Ao longo de nossa caminhada evolutiva passamos por inúmeras experiências nem sempre construtivas. E diante da triste realidade verificamos o quanto somos acanhados em termos de um melhor gerenciamento das nossas emoções e do árduo trabalho de reconstrução interior.

Em verdade, a maioria desconhece ser dotada de uma constituição espiritual e, portanto, não sabe como reagir de forma adequada aos desafios e conflitos habituais.

Para que o indivíduo aja de maneira consciente, ao invés de apenas reagir aos estímulos provenientes do meio, ele deve vibrar em consonância com a paciência, com a tranqüilidade interior e, sobretudo, com a humildade, virtude especial responsável pelo reconhecimento das limitações morais ainda existentes em cada ser.

Evitemos bloquear deliberadamente o nosso impulso evolutivo e exercitemos pequenos passos em prol da consolidação da nossa transformação interior para melhor.

A propósito, Allan Kardec, o respeitável codificador do Espiritismo esclarece:

“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar as suas más inclinações”
(Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII - Sede Perfeitos ).

De acordo com a visão holística proporcionada pelo Espiritismo, o corpo físico reflete os impulsos da alma, ou seja, a somatória dos atributos positivos ou não, incorporados ao nosso patrimônio espiritual no transcorrer das sucessivas reencarnações. Por isso, admite-se que o estado de saúde vivenciado pelas pessoas esteja intimamente ligado à generalidade das ações pretéritas.

Nos dias atuais, o conceito de enfermidade está circunscrito aos laudos fornecidos pela medicina clássica. Porém, no nosso entendimento, estar enfermo, é antes de tudo, manifestar os reflexos negativos da própria alma.

Aquele que apresenta uma deficiência física, mas apesar das limitações, exerce uma atividade laborativa e manifesta bom ânimo é alguém que se considera vivo, portanto, não deve imaginar-se incapaz de alguma realização, por mais simples que seja.

O mesmo acontece em relação às imperfeições morais. Na qualidade de seres pouco evoluídos, todos possuem maior ou menor quantidade de problemas morais, mas apesar deles deve-se viver, lutar e tentar progredir no exercício da auto-superação.

Quem se deixa invadir pelo desânimo e se acomoda na ausência do esforço renovador, este sim, está gravemente enfermo, pois carece da esperança.

A consciência dos próprios defeitos e limitações deve constituir-se um estímulo no sentido de ampliar a noção de responsabilidade e a necessidade de lutar pela melhoria íntima.

No entanto, os impedimentos morais, freqüentemente são usados como desculpas, e em conseqüência, escutamos frases do seguinte teor: “eu sou assim mesmo... a minha personalidade sempre foi essa... por isso não consigo modificar-me”. Quem assim se pronuncia, esquece que todos nós, seres encarnados, somos os únicos responsáveis pela construção de uma personalidade bem ou mal estruturada; enfim, o esforço despendido no cultivo de um defeito é o mesmo desenvolvido em prol da construção de uma qualidade enobrecida.

Busquemos a coragem necessária e estejamos sempre dispostos a promover mudanças para melhor com o objetivo de consolidar a própria evolução.

Reconhecemos não ser fácil suplantar os obstáculos naturais do caminho, porém, consideremos o dever de levantarmos a cabeça e divisarmos lá no horizonte a esperança que nos estimula ao eterno continuar.

O equilíbrio almejado depende de se estar devidamente vacinado contra as deficiências morais, que mais facilmente afetam a humanidade: o orgulho e o egoísmo.

Por isso, manter em dia a vacina contra esses micróbios morais é o primeiro passo no sentido de se alicerçar atitudes em bases de cooperação espontânea e de caridade desinteressada. A saúde integral nada mais é que a resultante do amor vivenciado em toda sua plenitude.

 

Fonte: http://www.aeradoespirito.net/

 


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