Nada há no Espiritismo sobre “crianças índigo”.
No entanto, será aqui tratado porque pequenas
notas espíritas sobre tais crianças e sua participação
na transição planetária estão despontando
na mídia, além do que, alguma coisa daquilo que a respeito
é encontrado com abundância na internet pode, sim, ficar
paralelo ou ao abrigo da Doutrina dos Espíritos.
Em se tratando de transição planetária
não tenho conhecimento de nenhuma religião ou sistema
que trate do tema com tanta lógica, propriedade e bom senso como
o faz o Espiritismo.
Sendo rigorosamente kardequiano, não me abalanço
a elencar particularidades dos “índigos” com o propósito
de acoplá-las à Doutrina dos Espíritos, mas sim,
possibilitar aos leitores reflexões que os levem a aceitar ou
não o que sobre isso se diz.
— E o que é que se anda dizendo sobre isso?
1. Crianças Índigo
Em Maio/99, Lee Carroll e Jan Tober,
ambos escritores e palestrantes norte-americanos sobre auto-ajuda, publicaram
o livro “The Indigo Children” (As Crianças Índigo),
nele narrando suas observações sobre as crianças
que estão chegando ao mundo...
Antes deles, foi Nancy Ann Tape, uma
sua conhecida, parapsicóloga, também americana, quem primeiro
(desde 1980) cunhou a expressão “crianças índigo”,
com base na cor por ela observada na aura de crianças que de
alguma forma se destacavam das demais.
Nancy escreveu um livro narrando suas observações:
Understandig Your Life Through Color – Entendendo sua vida através
da cor. A partir daí, tais crianças também passaram
a ser denominadas de “Crianças da Luz”, “Crianças
do Milênio”, “Crianças Estrela”, “Meninos
Índigo”.
Já de início, como se pode observar, toda
essa matéria vem do pessoal que mora acima do Rio Grande[2],
sabidamente pródigo em criar-anunciar-divulgar “novidades
novidadeiras” para o mundo todo (“remember” o que
Hollywood exporta...).
Indeclinável relembrar também o Espírito
Erasto, quando em “O Livro dos Médiuns”, Cap XX,
dá-nos regra áurea no caso de quaisquer dúvidas:
Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única
falsidade, uma só teoria errônea.
— Afinal: o que são “crianças
índigo”?
— Dizem os norte-americanos citados que:
a. trata-se de uma nova geração de Mestres
aportando no planeta para ajudarem a modificá-lo — social,
educacional e espiritualmente(!);
b. estarão catalisando mudanças comportamentais,
no sentido de que a humanidade proceda como pensa, sem mascaramentos,
sempre com sólida base no que é certo, mudando o foco
do individual para o coletivo, isto é, mais o próximo,
menos o EU;
c. em tudo, só admitem a verdade, daí
que se comportam com senso de realeza;
d. para elas auto-estima não é essencial
e talvez por isso é que não aceitam autoridade absoluta,
mormente aquela que não explica ou não oferta alternativas;
e. frustram-se com a rotina e por isso são incapazes
de se manterem quietas (numa fila, por ex.);
f. têm sempre a melhor forma de fazer as coisas,
pois extrapolam o plano intelectual;
g. por intuição não se deixam enganar
jamais: intuitivamente percebem quando a verdade está ou não
em tela;
h. parecem anti-sociais quando distantes de outras crianças
semelhantes (em nível de consciência);
i. para elas não funcionam ameaças ou
pressões vindas de alguém que lhes prometa retaliações
por alguns dos seus atos, naturalmente incompreendidos...
j. trazem o propósito de ajudar às massas
e por isso apresentam alguma hiperatividade[3], sempre positiva;
l. estão voltadas para atividades:
- humanísticas (servir às massas)
- conceituais (projetos técnicos)
- artísticas (sensibilidade maior no que fazem)
- interdimensionais (precoces no saber – implantando
novas filosofias e mais
espiritualidade para o mundo);
m. operam com base no amor: sempre abertos e honestos;
n. não são perfeitas, em absoluto: eventualmente,
podem apresentar irritação ou pouco poder de concentração.
Bem: na internet há muito mais. De minha parte,
julgo que já é o suficiente o que acima expus, no sentido
de formar um ligeiro painel sobre as “crianças índigo”.
2. Transição Planetária
É verdade que todos nós notamos que o
mundo vem passando por mudanças expressivas e rápidas,
mormente com as gerações de jovens do pós 2ª
Guerra Mundial (1939-1945) que tanta presença vêm marcando,
notadamente:
a. as mulheres, praticamente, igualaram-se social e
profissionalmente aos homens, quebrando tabus seculares;
b. no inter-relacionamento familiar desapareceram do
vocabulário filial as palavras “senhor” ou “senhora”,
no tratamento com os pais, que foram substituídas simplesmente
por “você”;
c. os pais aceitam que o filho ou a filha (às
vezes, menores de idade...) tragam para casa a namorada, ou o namorado,
por pernoite ou dias, em muitos casos permitindo-lhes relacionarem-se
sexualmente, o que eufemisticamente é denominado “ficar”...
(sexo avulso, irresponsável...);
d. o pai, dantes 100% ausente das lides domésticas,
agora as divide com a esposa e os filhos; em alguns casos assume tudo,
por ele estar desempregado e ela, a esposa, exercer alguma atividade
dentro ou fora de casa, com o que garante o sustento do lar...
e. os adultos, modo geral, preocupam-se em passar valores
morais para as crianças, trazendo à tona a verdade, sobre
qualquer assunto (drogas e sexo, em particular).
Em “O Livro dos Espíritos”, obra
basilar do Espiritismo, vemos na 3ª Parte que a Lei Divina do Progresso
submete tudo e todos à incessante evolução, com
sistemática nem sempre compreendida pelo homem. Com efeito, a
atmosfera se mostra saneada após as tempestades ou ventos fortes
e o solo sempre se torna mais generoso depois das erupções
vulcânicas.
Se assim é quanto ao mundo físico, outra
não será a sistemática quanto à Humanidade...
Relembremos que pedagogicamente Kardec classificou a
Terra como planeta de “Provas e Expiações e o Espírito
de Santo Agostinho declarou que chegou a hora deste mundo ser promovido
a Planeta de Regeneração”[4].
Essa promoção é bem explicitada
no livro “A Gênese”, última obra literária
de Kardec, que no derradeiro capítulo (XVIII) deixou registrado:
São chegados os tempos - Sinais dos tempos
– A geração nova
1. São chegados os tempos, dizem-nos de todas
as partes, marcados por Deus, em que grandes acontecimentos se vão
dar para regeneração da Humanidade.
(...) A Terra, como tudo o que existe, está submetida
à lei do progresso que, moralmente, se dará pela depuração
dos Espíritos encarnados e desencarnados que a povoam.
(...) Restam aos homens fazerem que entre si reinem
a caridade, a fraternidade, a solidariedade, que lhes assegurem o bem-estar
moral.
(...) A geração futura (estávamos
em 1868) desembaraçada das escórias do velho mundo e formada
de elementos mais depurados, se achará possuída de idéias
e sentimentos muito diversos dos da geração presente.
(...) O caráter, os costumes, os usos, tudo está
mudado. É que, com efeito, surgiram homens novos, ou, melhor,
regenerados.
(...) A geração que surge, retemperada
em fonte mais pura, imbuída de idéias mais sãs,
imprimirá ao mundo ascensional movimento, no sentido do progresso
moral que assinalará a nova fase da evolução humana.
(...) Havendo chegado o tempo, grande emigração
se verifica dos que a habitam: a dos que praticam o mal pelo mal, ainda
não tocados pelo sentimento do bem, os quais, já não
sendo dignos do planeta transformado, serão excluídos.
Irão expiar o endurecimento de seus corações, uns
em mundos inferiores, outros em raças terrestres ainda atrasadas.
(...) A Terra, no dizer dos Espíritos, não
terá de transformar-se por meio de um cataclismo que aniquile
de súbito uma geração. A atual desaparecerá
gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja
mudança alguma na ordem natural das coisas.
(...) Pela natureza das disposições morais,
sobretudo das disposições intuitivas e inatas das duas
gerações, da que parte e da que chega, torna-se fácil
distinguir a qual das duas pertence cada indivíduo.
(...) A regeneração da Humanidade não
exige absolutamente a renovação integral dos Espíritos:
basta uma modificação em suas disposições
morais.
Conclusão
“Crianças Índigo” ajudarão
a regenerarão do mundo, no dizer dos autores citados...
Sobre elas e sua missão, segundo o que dizem
os norte-americanos, há alguns dados que, sem esforço,
podem ser aproximados do Espiritismo. Não são muitos,
mas existem.
Situo isso com a expressão da qual muito gosto:
“Pode haver algum ouro na ganga”.
“Crianças índigos” é
teoria que surgiu da observação de auras azul brilhante,
isso significando diferença (para melhor) entre os que a possuem
e os que a têm de outra cor.
O Espírito André Luiz,
em sua abençoada série “A Vida No Mundo
Espiritual” (13 livros, psicografados por F.C.Xavier,
alguns com W.Vieira), traz notícias de auras e cores, em vários
livros. Destaco apenas “Os Mensageiros”, em seu Cap. 24,
quando se refere a um Espírito evoluído — Ismália,
em preces —, com luzes diamantinas que do tórax irradiavam
todo o corpo. Dois outros Espíritos que acompanhavam Ismália
estavam quase semelhantes a ela, “como se trajassem soberbos costumes
radiosos, em que predominava a cor azul”.
Da minha parte, o que já aprendi do Espiritismo
não me autoriza, de forma alguma, acatar receitas de ingredientes
novos e menos ainda provar o bolo pronto. Assim, embora considerando
instigante o tema “crianças índigo”, não
o tenho nem como comprovado ou comprovável, nem como reprovado
ou reprovável.
Deixar que o Tempo se encarregue de mostrar o que há
de verdade é atitude que a prudência bem recomenda, dirimindo
se tudo não passa de opinião pessoal de algumas pessoas,
respeitáveis todas. Kardec, em se referindo ao Espiritismo e
eventuais novidades, sempre combateu energicamente as opiniões
pessoais...[5]
RIBEIRÃO PRETO/SP - Primavera de 2005
Eurípedes Kühl
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[1] ÍNDIGO: planta cultivada originalmente
na Índia e que fornece material para tingir as calças
jeans com a cor característica.
[2] RIO GRANDE: Rio que serve de fronteira em área
do México com os EUA. Tem o nome de “Grande”, mas
na verdade, sua largura, em vários pontos, não excede
cinco metros; em muitos outros pontos, permite travessia a pé,
de margem a margem.
[3] Hiperatividade: não me refiro, aqui, ao
que a Medicina denomina DDA (desordem do déficit de atenção),
e sim à capacidade de realizar bem (e em quantidade) tarefas
de diferentes áreas.
[4] Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”,
Cap III.
[5] OPINIÃO PESSOAL: Vide alertas de Kardec,
na “Introdução” de “O Evangelho Segundo
o Espiritismo”.
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