Espiritualidade e Sociedade



Alexander Jabert & Cristiana Facchinetti

>   A experiência da loucura segundo o espiritismo: uma análise dos prontuários médicos do Sanatório Espírita de Uberaba

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Alexander Jabert & Cristiana Facchinetti
- Professor do Departamento de Psicologia / Universidade Federal de Sergipe
>   A experiência da loucura segundo o espiritismo: uma análise dos prontuários médicos do Sanatório Espírita de Uberaba



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Rev. Latinoam. Psicopat. Fund., São Paulo, v. 14, n. 3, p. 513-529, setembro 2011
REVISTA LATINOAMERICANA DE PSICOPATOLOGIA FUNDAMENTAL



RESUMO

Este trabalho tem como objetivo apresentar, a partir da análise dos prontuários de internamento de uma instituição destinada ao tratamento de alienados administrada por seguidores do espiritismo, as concepções particulares sobre saúde, doença e loucura produzidas por essa doutrina e o modo pelo qual elas eram transpostas para o interior de uma instituição de caráter asilar, o Sanatório Espírita de Uberaba, no Brasil da primeira metade do século XX.

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(trecho inicial)

Em recentes trabalhos acadêmicos nacionais, pesquisadores têm procurado demonstrar que as atividades terapêuticas desenvolvidas por grupos espíritas de orientação kardecista foi uma das principais práticas concorrentes da medicina acadêmica e de seu projeto para se tornar o saber hegemônico no campo das artes de curar no Brasil da primeira metade do século XX (Jabert, 2008; Almeida, 2007; Scoton, 2007).

No que diz respeito à loucura especificamente, ao mesmo tempo em que se institucionalizava a psiquiatria brasileira (Engel, 2001), as instituições espíritas desenvolviam terapêuticas baseadas na crença de que entidades espirituais teriam a capacidade de intervir no curso natural de desenvolvimento de uma enfermidade (Giumbelli, 1997). Dentre essas práticas podem ser destacados os trabalhos de desobsessão espiritual, que procuravam tratar indivíduos acometidos de acessos de loucura através da doutrinação espiritual de espíritos obsessores.

Já há algumas décadas pesquisadores têm recorrido à utilização de documentos clínicos em investigações sobre a história da psiquiatria e da loucura no Brasil (Cunha, 1986; Engel, 2001; Facchinetti, Ribeiro, Muñoz, 2008; Facchinetti, 2010; Jabert, 2008; Jabert, 2011; Muñoz, 2010; Santos 2008; Wadi, 2002). Consideramos os prontuários um instrumento privilegiado para a análise das atividades das instituições e de seus agentes terapêuticos. Além da visibilidade que oferecem acerca das experiências coletivas e individuais relativas à loucura, a análise deste tipo de documento auxilia também na identificação de como o fenômeno da loucura era compreendido pelo grupo social ao qual o louco pertencia, demonstrando quais interpretações coletivas eram produzidas acerca da experiência da loucura. Permite também detectar que atitudes e comportamentos exibidos por um determinado sujeito eram identificados como sinais e sintomas inequívocos de sua loucura.

Nos prontuários das instituições asilares destinadas ao recolhimento de alienados, o discurso sobre a loucura, seja ele psiquiátrico ou espírita, é apresentado de uma maneira diversa do que pode ser encontrado nos textos que tratam do tema sob um ponto de vista estritamente teórico e que têm por objetivo produzir um sistema interpretativo que ofereça inteligibilidade para o fenômeno da loucura. Neste tipo específico de documentação, este discurso aparece operacionalizado pelo corpo médico-administrativo da instituição em sua forma prática de análise, interpretação e controle da loucura, além de estar atrelado a casos individuais e singulares que exemplificam a experiência cotidiana da loucura através da aplicação deste discurso a situações específicas (Jabert, 2011).

Por fim, a escolha pela análise de prontuários psiquiátricos permite dar visibilidade à fala mais marginalizada dentre todas as que tratam da experiência da loucura: a do próprio louco. No entanto, é importante ressaltar, como aponta Cunha (1986), que nos prontuários o discurso do louco se encontra abafado e filtrado pelo saber médico-psiquiátrico, sendo possível resgatar de forma apenas parcial sua voz e suas experiências.


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Fonte: http://www.scielo.br/pdf/rlpf/v14n3/08.pdf

JABERT, Alexander; FACCHINETTI, Cristiana. A experiência da loucura segundo o espiritismo: uma análise dos prontuários médicos do Sanatório Espírita de Uberaba. Rev. latinoam. psicopatol. fundam., São Paulo , v. 14, n. 3, set. 2011 . Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-47142011000300008&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 27 jul. 2014. http://dx.doi.org/10.1590/S1415-47142011000300008.


Citação:
JABERT, A., FACCHINETTI, C. A experiência da loucura segundo o espiritismo: uma análise dos prontuários médicos do Sanatório Espírita de Uberaba. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, São Paulo, v. 14, n. 3, p. 513-529, set.2011.

 

ALEXANDER JABERT
Doutor em História das Ciências e da Saúde pelo Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde – PPGHCS – COC /Fiocruz (Rio de Janeiro, RJ., Br); Professor Adjunto do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Sergipe – UFS (Aracaju,SE, Br).
Universidade Federal de Sergipe
Centro de Educação de Ciências Humanas, Departamento de Psicologia Social

CRISTIANA FACCHINETTI
Psicanalista; Membro do Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos – EBEP (Rio de Janeiro, RJ, Br); Doutora em Teoria Psicanalítica pelo Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro – PPGTP-UFRJ (Rio de Janeiro, RJ, Br); Professora do Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde e pesquisadora do Departamento de Pesquisa – DEPES, ambos da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz (Rio de Janeiro, RJ, Br).
Fundação Oswaldo Cruz, Casa Oswaldo Cruz, Departamento de Pesquisa




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