José Herculano Pires

>   O Desenvolvimento Científico

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José Herculano Pires
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A inquietação do mundo atual, na busca de novas soluções para os problemas humanos, abrange todos os setores de nossas atividades e teria necessariamente de afetar o meio espírita. Mas a nossa Doutrina não é uma realidade entranhada nas estruturas atuais. É um arquétipo carregado de futuro, um vir-a-ser que se projeta precisamente no que ainda não é, na rota das aspirações em demanda. Confundi-la com as estruturas peremptas deste momento de transição e querer sujeitá-la às normas e modelos do que já foi, é tentar prendê-la no círculo vicioso dos abortos culturais. O Espiritismo, rejeitado pelo mundo agora agonizante, não é cúmplice nem herdeiro, mas vítima inocente desse mundo, como Jesus e o Cristianismo o foram no seu tempo.

Se não tomarmos consciência dessa realidade histórica, com a lucidez necessária, não saberemos como sair do labirinto em que o Minotauro nos espera. O fio de Ariadne, da salvação, está nessa tomada de consciência. Na verdade, não é o fio mitológico, mas o fio racional das proposições doutrinárias de Kardec, limpidamente científicas.

A prova disso ressalta aos olhos dos estudiosos e dos pesquisadores experientes, que não se deixam levar pelo sopro da vaidade em seus precários balões de ensaio. Porque a hora é propícia às inovações nefelibáticas do tipo de Rabelais. Para andar nas nuvens os nefelibáticos não precisam mais de subir ao céu, basta-lhes tomar o elevador de um arranha-céu.

Não podemos adaptar o Espiritismo às exigências dos que negaram e negam a existência dos espíritos, aviltando o princípio inteligente e a razão nas correntes de Prometeu.

A Revelação Espiritual veio pelo Espírito da Verdade, mas a Ciência Espírita (revelação humana) foi obra de Kardec. Ele mesmo proclamou essa distinção e se entregou de corpo e alma ao trabalho científico, sacrificial e único de elaboração da Ciência Admirável, que Descartes percebeu por antecipação em seus famosos sonhos premonitórios. Cientista, Pedagogo, diretor de estudos da Universidade de França, médico e psicólogo
(1), ele se serviu de sua experiência e seu saber onímodo para organizar a Nova Ciência, que se iniciara desdobrando as dimensões espaciais e humanas da Terra. Em meados do Século XIX, às portas do grande avanço científico do Século XX, os cientistas ainda não percebiam a sua total ignorância da estrutura real do planeta, de suas várias dimensões físicas e de sua população oculta. O peso esmagador da tradição teológica, com sua ciência infusa escorada na Bíblia judaica, vendava os olhos da Ciência, que tinha de andar às cegas como a própria justiça humana. Essa Ciência trôpega e bastarda, não obstante os seus pressupostos atrevidos, contava em seu seio com os pioneiros do futuro. À frente desses pioneiros se colocou Kardec, dotado de uma coragem assustadora, que lhe permitiu enfrentar com a insolência dos gênios todas as forças culturais da época. Graças à sua visão genial, o solitário da Rua dos Mártires conseguiu despertar os maiores cientistas do tempo para a realidade dos fenômenos espíritas, hoje estrategicamente chamados paranormais. Fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas como entidade científica e não religiosa. Dedicou-se a pesquisas exaustivas e fundou a Revista Espírita para divulgação ampla e sistemática dos resultados dessas pesquisas. Sua coragem serviu de amparo e estímulo aos cientistas que, surpreendidos pela realidade dos fenômenos, fizeram os primeiros rasgos na cortina de trevas que cercava as mais imponentes instituições científicas. Foi para contestá-lo e estigmatizá-lo como inimigo das Ciências, comparsa dos bruxos medievais, restaurador das superstições, que cientistas como Crookes, Schrenk-Notzing, Richet e outros resolveram atender aos apelos angustiados das Academias e Associações científicas. Dessa atitude corajosa resultou o escândalo das batalhas que romperam o impasse científico, revelando que o bruxo agia com o conhecimento e a segurança dos mais reputados cientistas. Era impossível desmenti-lo ou derrotá-lo. Kardec rompera definitivamente as barreiras dos pressupostos para firmar em bases lógicas e experimentais os princípios da Ciência Admirável dos sonhos de Descartes e das previsões de Frances Bacon. A metodologia científica, minuciosa e mesquinha, desdobrou-se no campo do paranormal e aprofundou-se na pesquisa do inteligível com audácia platônica. Kardec não se perdeu, como Wundt, Werner e Fechner, no sensível das pesquisas epidérmicas do limiar das sensações. Percebeu logo que os métodos não podiam ser aplicados a fenômenos extrafísicos e estabeleceu o princípio da adequação do método ao objeto. Quando alguns membros da Société Parisien quiseram desviá-lo para a pesquisa biofísica das materializações, ele se recusou fazê-lo, alegando que essa tarefa cabia aos especialistas das ciências materiais. Os objetivos que perseguia eram psicológicos, por isso deu à Revue Spirite o subtítulo de Jornal de Estudos Psicológicos. Quando Zöllner, em Leipzig, realizou suas pesquisas psicofísicas com o ectoplasma e o problema da quarta dimensão, tornou-se evidente que o mestre estava no caminho certo. Era preciso penetrar nos segredos da alma, deixando para os físicos as questões materiais. Sua firmeza metodológica denunciava o gênio de visão segura e posição inabalável. Ele criava, como declarou, a Ciência dos Espíritos, sua natureza, suas relações com a matéria e com os homens. Se não foi colocado oficialmente entre os pioneiros da Ciência, foi porque a sua posição era de rebeldia consciente e declarada contra o materialismo científico. Afirmava em seus escritos e palestras que os cientistas se empolgavam com o campo objetivo dos efeitos materiais, fugindo à pesquisa das causas profundas como o Diabo fugia da cruz. Mais tarde Richet, o fisiologista implacável, reconheceria o rigor das suas pesquisas, a firmeza da sua posição, sem as quais a Ciência não se libertaria da poeira da terra. Kant lhe opunha a barreira de sua autoridade ao afirmar que a Ciência só era possível no plano dialético. A proposição kantiana pesa até hoje na limitação das atividades científicas. Mas a audácia de Kardec o levou à vitória. Richet observou, numa carta histórica a Ernesto Bozzano, o grande metapsiquista italiano, que a posição kardeciana deste contrastava decisivamente com as teorias que atravancam o caminho da Ciência.

As teorias podem ser as mais brilhantes - como observou Bozzano -, mas não podem prevalecer contra a realidade dos fatos. E Lombroso, que combatera tenazmente a volta às superstições, acabaria se penitenciando do seu erro nas páginas da revista Luce e Ombra, de Milão. Os frutos da tremenda batalha kardeciana começavam a modificar a mentalidade científica temerosa dos absurdos teológicos. Kardec provara que as Ciências não deviam temer os fantasmas, mas enfrentá-los e explicá-los. Nenhuma autoridade era mais elevada, para ele, do que a realidade dos fatos comprováveis pela experiência científica e objetiva das pesquisas. Os cientistas mais audaciosos aprenderam com ele a superar os condicionamentos do formalismo acadêmico e enfrentar o mundo como ele é. Richet reconheceria, no Tratado de Metapsíquica, que Kardec jamais fizera uma afirmativa que não tivesse sido provada pelas pesquisas. O criador da Ciência atual e de sua metodologia eficiente e eficaz, queiram ou não os alérgicos ao futuro, na ex- pressão recente de Remy Chauvin, foi precisamente Kardec, o homem do século XIX que revelou, numa batalha sem tréguas, estes dois princípios fundamentais da nossa mundividência:

1) A realidade é una e indivisível, firmada na Unidade Pitagórica que se revela na multiplicidade da Década;

2) Tudo se encadeia no Universo, sem solução de continuidade. Os que tentam fragmentar essa unidade orgânica estão presos às falíveis condições do sensório humano.

No desenvolvimento atual das Ciências, muitas cabeças gregas e troianas formularão novas, fascinantes e complexas teorias, mas só prevalecerão as que forem sancionadas pelas profecias fatais de Cassandra. O fatalismo, no caso, não decorre da natureza trágica das previsões, mas da comprovação dos fatos. A figura de Kardec continua suspensa sobre o panorama científico atual como o orientador indispensável dos novos caminhos do conhecimento, na rota cósmica das constelações. Em recente congresso realizado em Moscou, provocado pelas controvérsias sobre a descoberta do corpo bioplásmico do homem, Kardec foi considerado como um racionalista francês do século XIX que antecipou diversas conquistas da tecnologia moderna. Nossos jornais noticiaram a realização desse congresso, mas os dados a respeito foram escassos. Pesava sobre o congresso a suspeição de atitudes que pudessem perturbar as relações entre a Ciência Soviética e os interesses básicos da ideologia fundamental do Estado. Na Romênia marxista a Parapsicologia mudou de nome, passando a chamar-se Psicotrônica, e isso com a finalidade declarada de aproximar das ciências paranormais os materialistas mais ferrenhos ou mais cautelosos, que não desejam ver-se envolvidos em complicações espíritas. Todos esses fatos provam que a Ciência Admirável elaborada pelo bruxo parisiense continua a pesar nas preocupações e no desenvolvimento da Ciência atual, que avança inelutavelmente sobre o esquema científico de Kardec. Este é o fato mais significativo dos nossos dias, que os espíritas não podem ignorar. As próprias pesquisas da Astronáutica têm seguido - sem querer e sem saber - o esquema de Kardec na Société Parisien. Das comunicações mediúnicas de Mozart, Bernard Pallissy, Georges e outras entidades, na Société, referindo-se à Lua, a Marte e Júpiter, até a remessa de homens à Lua e sondas soviéticas e norte- americanas a Marte e Júpiter mostram que o mapa das incursões possíveis foi decalcado, de maneira inconsciente, mas evidente, no mapa kardeciano. Além disso, as próprias descrições desses corpos celestes, feitas pelos espíritos comunicantes em Paris, que Kardec considerou com reservas, têm geralmente coincidido com os dados atuais das pesquisas astronáuticas. No tocante à Lua há um problema referente à sua posição na órbita em torno da Terra. Mas Kardec acentuou, no seu tempo, com o apoio do famoso astrônomo Flammarion, que os dados espirituais davam a única teoria existente na época sobre o problema. O esquema kardeciano não foi feito intencionalmente. Resultou de comunicações espirituais espontâneas, que Kardec recebeu com reservas, acentuando que esse fato não se enquadrava nas pesquisas da Société e eram recebidos como curiosidades significativas, sujeitas a confrontos futuros no processo de desenvolvimento das Ciências.

Também nessa atitude evidencia-se o critério científico de Kardec, interessado nos casos gratuitos, mas reservando a sua verificação real ao futuro. Aos que, na época, entusiasmados com essa possível revelação de problemas cósmicos, diziam a Kardec que as utopias de hoje se realizam no amanhã, Kardec respondia que deviam esperar a transformação das utopias em realidade para depois as aceitar. Os dados positivos, os fatos, a realidade evidente e a lógica de clareza meridiana eram os elementos preferenciais do seu trabalho. Suas obras nos mostram a limpidez clássica do pensamento francês. Era o mestre por excelência. Sua didática ressalta de toda a sua obra. Richet lhe censurou a aparente facilidade com que aceitava a realidade dos fenômenos mediúnicos e da vida após a morte, mas acabou reconhecendo que ele nunca fizera uma só afirmação que não estivesse respaldada pelas pesquisas. Não dispunha dos recursos atuais da pesquisa tecnológica, mas tocou a verdade com a ponta dos dedos, como Tomé. Tudo quanto afirmou no seu tempo permanece válido até hoje. A instabilidade das hipóteses e das teorias científicas não existiu para ele. Os cientistas atuais não conseguiram abalar o edifício das suas conclusões. Giram ainda hoje como borboletas noturnas em torno da sua lâmpada e acabam queimando as asas no fogo da sua verdade mil vezes comprovada em todo o mundo.

Esse problema da comprovação é freqüentemente levantado pelos contraditores da doutrina e até mesmo por adeptos pouco informados, que alegam a impossibilidade de repetição dos fenômenos para atender às exigências do método científico. Com esse velho chavão nas mãos, pensando haver descoberto a chave do mistério, declaram com ênfase que a Ciência Espírita não é ciência, mas apenas um apêndice espúrio da doutrina. Com isso agridem a competência de Kardec e de todos os grandes cientistas que, desde o século passado até o presente, de Crookes a Rhine, submeteram os fenômenos às formas possíveis de repetição. Basta a leitura das anotações de Kardec em Obras Póstumas, o episódio do seu encontro com o fenômeno das mesas-girantes, para se ver a falácia dessa acusação. A impossibilidade de repetição dos fenômenos espíritas implicaria a impossibilidade da pesquisa. Todos os anos da pesquisa sistemática, minuciosa e exaustiva de Kardec, e os anos de pesquisa exemplar de Crookes, Notzing, Gibier, Ochorowicz, Aksakof, Myers, Geley e Osty, e assim por diante, são displicentemente atirados no baú das antigüidades estúpidas. Foi por essa e por outras que Richet escreveu o seu livro O Homem Estúpido. A repetição de experiências é medida corriqueira em qualquer pesquisa. Os que lançam mão dessa alegação para negar a existência da Ciência Espírita nos dão a prova gratuita da sua incapacidade para tratar do assunto.

Houve interrupção no desenvolvimento da Ciência Espírita, alegam outros. Depois de Kardec ninguém mais pesquisou e os espíritas se entregaram a rememorar os feitos do passado. Se tivéssemos feito isso, simplesmente isso, já teríamos mantido viva a tradição doutrinária, vigorosamente apoiada em séries infindáveis de pesquisas mundiais, realizadas por nomes exponenciais das Ciências. Mas a verdade é que não houve solução de continu- idade na investigação, mas simples diversificação das experiências em várias áreas culturais, acompanhada de renovações metodológicas. A Ciência Espírita projetou-se em direções diversas, desdobrou-se em outras coordenadas e deu nascimento a outras ciências. Atacada por todos os lados, por todas as forças culturais da época, a Ciência Espírita firmou-se nos seus princípios e multiplicou os seus meios de comunicação. A escassez do elemento humano interessado na busca da realidade pura não lhe permitiu a expansão necessária. O homem terreno continua ainda apegado aos interesses imediatistas e aos seus preconceitos, à sua vaidade sem razão e sem sentido. São poucas as pessoas de mente aberta e coração sensível, nesta humanidade egoísta e voraz. Esses elementos compreensivos e abnegados nem sempre dispõem de condições culturais suficientes para enfrentar a luta contra as fascinações do seu próprio passado e dos insufladores de idéias confusas e perturbadoras no meio espírita e nas áreas adjacentes. Mas tudo isso faz parte da lenta e difícil evolução humana. Estamos ainda nos arrancando dos instintos animais, dos mecanismos condicionados pelos milênios do passado genésico. O panorama atual do mundo nos dá a medida exata do nosso atraso evolutivo. O contraste chocante entre os pesados lastros da barbárie e as aspirações renovadoras do futuro, geralmente desprovidos de recursos materiais para realizações concretas urgentes, revelam a densidade do nosso carma coletivo.

A preguiça mental e a atração magnética do passado encarceradas em si mesmas mostram-se incapazes de um gesto de grandeza em favor de realizações urgentíssimas. Por isso a dor explode por toda a parte, em vagalhões enfurecidos. A dor aumentará, porque só ela pode arrancar os insensíveis de suas tocas. As leis da evolução são implacáveis e nada as deterá enquanto os homens não acordarem para o cumprimento dos seus deveres morais e espirituais. A Ciência Espírita está em nossas mãos e nos indica o roteiro a seguir. Mas nós a envolvemos em dúvidas e debates inúteis, ao invés de nos alistarmos em suas fileiras e de nos entregarmos generosamente ao seu estudo, à sua divulgação e à sua prática. Homens de recursos financeiros julgam-se agraciados por Deus para viverem à tripa forra, esquecidos das multidões de ignorantes, muitos deles ansiosos por elevação cultural, mas presos às grilhetas da chamada sociedade de consumo, que na verdade está consumindo o próprio planeta. Os privilégios sociais de uma ordem social estabelecida pela força e não pelo amor lhes dão a ilusão da graça divina. Desapareceram do mundo os antigos messenas, que punham suas fortunas ao serviço da coletividade. Preferem socorrer os pobres com suas migalhas de sopas e assistências precárias, julgando que assim aumentam seu crédito nos Bancos da Eternidade. Não jogam com a caridade, mas com os cálculos de juros que não existem no Além. São os novos vendilhões do Templo, os cambistas da caridade fácil e supostamente rendosa. Chegarão no Além de mãos vazias e manchadas pelas nódoas da ambição desmedida e da insensibilidade moral. A Ciência Espírita necessita de escolas, de Universidades, de bibliografias especializadas. Não pode contar com os recursos comuns da simonia, em que se banqueteiam as religiões pomposas e mentirosas. Não existe no mundo uma única Universidade Espírita, em que a Ciência Admirável possa manter e desenvolver os seus trabalhos de pesquisa científica. De vez em quando, um potentado se sente tocado pela intuição de uma entidade benévola e faz doações generosas a um médium ou a uma instituição de assistência social. O médium, de honesto e sensível, passa a doação para outras instituições de caridade. Os serviços culturais continuam à míngua, sustentados apenas pelos que dão seu tempo, sua vida e seu sangue para a sustentação da cultura espírita. Certas instituições gastam os seus recursos em aviltamento da Doutrina, com a produção de obras espúrias, a serviço da mistificação. Respondem por essa situação precária da Ciência Espírita todos os que preferem os juros bancários ao desenvolvimento cultural.

A Ordem Divina é regida por Deus, mas a ordem humana é dominada pelo homem, no aprendizado da vida terrena. Se não conseguirmos despertar os homens para o urgente desenvolvimento da Ciência Espírita, nada mais teremos do que a cultura terrena em que vivemos, de olhos fechados para o alvorecer dos novos tempos. Não veremos o raiar da Era cósmica, porque teremos voluntariamente enterrado a cabeça na areia, em pleno deserto, na hora das tempestades. E o que faremos, então, de nossos parcos conhecimentos, de nossa ignorância espiritual, ante a proliferação das Universidades das subculturas materialistas?

Coloquemos ainda, se possível, de maneira mais clara e objetiva esta situação. O Instituto Espírita de Educação, fundado em São Paulo pelo II Congresso Estadual de Educação Espírita, funcionou por alguns anos, tendo formado três turmas de ginasianos, com reconhecimento oficial. Está atualmente fechado
(2), lutando para a conclusão do seu edifício no Itaim. Sofre essa interrupção altamente prejudicial por falta de recursos. O Clube dos Jornalistas Espíritas, com seus cursos de Espiritismo, Filosofia Espírita e Parapsicologia, depois de vinte anos de funcionamento, teve de fechar suas portas por falta de recursos. O Instituto de Cultura Espírita do Brasil, no Rio de Janeiro, mantém seu funcionamento com dificuldades, em local cedido por um Centro Espírita. Carece de recursos e só funciona graças à abnegação de Deolindo Amorim, seu fundador. Institutos Estaduais que surgiram por sua inspiração lutam para subsistir. A revista Educação Espírita, única no mundo, lançada e sustentada heroicamente pelo Editor Frederico Giannini, saiu de circulação por falta de recursos e de interesse do próprio professorado Espírita. Seu estoque de edições lançadas, seis volumes, dorme o sono da inocência na Editora Cultural Espírita - EDICEL. A Coleção Científica dessa Editora, iniciada com a edição de obras espíritas clássicas, continua lutando com insuperáveis dificuldades. As Faculdades Espíritas de Marília, Franca e outras cidades lutam para sobreviver.

Todas as iniciativas culturais espíritas não conseguem desenvolver-se por falta de apoio e de recursos financeiros. A Editora Paidéia, organizada por três acionistas, para a divulgação cultural Espírita, luta para se firmar, retendo várias obras por falta de recursos para lançá-las. Os acionistas não percebem dividendos, que revertem para o capital de giro da editora, que não tem funcionários remunerados. A Revista Espírita, de Kardec, 12 volumes, editada pela EDICEL, vai pingando nas vendas individuais, sem recursos para uma divulgação mais ampla e efetiva. As tentativas de fundação do Instituto de Cultura Espírita de São Paulo fracassaram.

Esse panorama estadual, desolador, no Estado mais rico da Federação, reflete-se em todo o Brasil, considerado como a nação mais espírita do mundo.

A Biblioteca Espírita, fundada por José Dias, franqueada ao público para leituras e consultas, num andar da Rua 24 de Maio, morreu com a morte súbita do fundador abnegado.

Quais são os motivos dessa situação calamitosa? Unicamente a falta de compreensão e interesse dos homens de recursos que não se sensibilizam com as iniciativas culturais espíritas. Se a Ciência Espírita não se desenvolve entre nós, a culpa é exclusivamente dos homens de recursos, que preferem endereçar suas contribuições para as obras assistenciais, com os olhos voltados para a conquista de um pedaço do céu depois da morte. Além disso, o próprio público espírita mostrase alheio aos interesses superiores do desenvolvimento da cultura espírita, não se interessando pelas publicações culturais, dando preferência aos impressos avulsos de mensagens gratuitas para distribuição nos Centros.

Temos assim uma situação calamitosa, em que o aspecto cultural da Doutrina, e particularmente o seu aspecto científico, estruturado na Ciência Espírita, com a mais brilhante tradição, vê-se relegado, como se nada representasse nessa fase de transição, em que todos os espíritas conscientes da importância da Ciência Espírita deviam empenhar-se em lhe assegurar as possibilidades de desenvolvimento. Enganam-se os que pensam que tudo virá do Alto. O trabalho é nosso, dos homens pobres ou ricos, de todos os que se beneficiaram com os recursos da compreensão espírita em suas vidas passageiras. Ao invés de se preocuparem com o progresso da Ciência Espírita, que modificará o mundo, os espíritas se apegam às suas instituições particulares, como os vigários às suas igrejas e sacristias, pensando que isso lhes basta no cumpri- mento dos seus deveres espirituais.

O tempo voa, as exigências de uma reformulação dos conceitos humanos sobre a vida e a morte são simplesmente olvidados. Temos de criar a Universidade Espírita, onde a Ciência Espírita poderá desenvolver-se suficientemente para termos e ampliarmos os benefícios da Cultura Espírita no mundo. Só a Cultura Espírita efetivada nas instituições culturais superiores poderá nos franquear os portais da Era Cósmica.

(1) Pesquisas demonstraram que, embora portador de amplos conhecimentos e com atuação em várias áreas, Kardec era apenas licenciado em Ciências e Letras pelo Instituto Iverdun, na Suíça. (Nota da Editora.)

(2) O Instituto Espírita de Educação teve suas obras concluídas e funciona, há cerca de quinze anos, na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, nº. 695. (Nota da Editora.)


Fonte: no livro CIÊNCIA ESPÍRITA e suas implicações terapêuticas.
http://aeradoespirito.sites.uol.com.br/ -





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