Espiritualidade e Sociedade



James H. Hyslop

>   Seqüelas da Pesquisa Psíquica: personalidades secundárias, o caso Doris Fisher, obsessão e a evidência das referências cruzadas

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James H. Hyslop
> Seqüelas da Pesquisa Psíquica: personalidades secundárias, o caso Doris Fisher, obsessão e a evidência das referências cruzadas

 

O texto seguinte é a tradução da discussão de James H. Hyslop, Ph.D, sobre dissociação da personalidade.

O tema é tratado no capítulo X ("seqüelas da pesquisa psíquica") de seu Life after Death: Problems of the Future Life and Its Nature (1918). O conteúdo em sua maior parte analisa o clássico caso de múltiplas personalidades de Doris Fisher. Elucubrações sobre uma interpretação espiritualista são postas em questão, e esta é considerada como a explicação mais racional. O autor abre o assunto acusando a concepção reducionista sobre a dissociação de mais assumir resoluções do que efetivamente explicar alguma coisa.

Postado por André Luís N. Soares
Séances de Spiritisme
http://parapsi.blogspot.com/

 

SEQÜELAS DA PESQUISA PSÍQUICA

É excessivamente inverossímil que os fenômenos da pesquisa psíquica deveriam parar com a mera prova da existência espiritual. Os processos envolvidos na comunicação ou transmissão da evidência de identidade poderiam ser facilmente usados para qualquer outro propósito, e nós poderíamos esperar qualquer tipo de invasão imaginável depois de descobrir que um mundo desencarnado ultrapassou completamente a fronteira do físico. Existe um campo inteiro de fenômenos que ainda não tem sido resolvido, exceto do modo mais superficial por homens de ciência. Eles têm ficado satisfeitos com a descrição, em vez da explicação, e conseqüentemente negligenciado os ditames mais claros da prudência com respeito à implicação destes fenômenos, como a telepatia e comunicações espiritualistas, aos quais implicam algum tipo de influência causal na mente, independentemente, da percepção dos sentidos e da ação motora normal. A personalidade secundária é o ensopado irlandês do doutor. Ele não sabe o que é. Na Antigüidade era a "obsessão demoníaca". Um tempo depois foi a "bruxaria". Hoje nós a chamamos como "a divisão da consciência" e pensamos que resolvemos o problema, quando, de fato, nós apenas jogamos areia nos olhos das pessoas. Tornamo-nos tão acostumados a paradoxos dentro do conhecimento humano que quase qualquer combinação impossível de palavras receberá atenção respeitosa, quanto mais impossível melhor. O que é consciência dividida? Nós podemos dividir madeira, ferro, abóboras, partidos políticos; mas consciência dividida, todavia, convém um termo para descrever uma aparente situação, é um termo para nossa ignorância, uma palavra mais feliz, para confundir um grupo de pessoas que relacionam todas as coisas anômalas no universo a espíritos, e tornar espíritos algo desnecessário para inquirir minuciosamente as anomalias da personalidade. Desde a ascensão da ciência moderna, a única coisa que salvou o pensamento da maioria das pessoas de uma interpretação precipitada sobre anomalias mentais, tem sido a convicção geral que a ciência exorcizou o "sobrenatural" da ordem do mundo, entretanto quase ninguém soube o que o sobrenatural queria dizer. Durante todo este período, a personalidade secundária esteve desconhecida, ou seu aparente significado não apreciado, como um meio de reduzir as alegações sobrenaturais. Os ecos da bruxaria ainda permaneceram na consciência popular. Mas a palavra personalidade secundária, e suas associações, "subliminar," "subconsciente" e "histeria" resgataram a situação, e se tornaram uma semente aberta para o conjurador científico. Espíritos desapareceram dentro do limbo da ilusão e da mitologia.

Ansel Bourne desapareceu de casa em Providence, R. I., e foi dado como desaparecido ou vítima de uma morte desconhecida; mas ele de repente acordou para sua condição normal oito semanas depois em Norristown, Pa., Sem memória de intervalo das oito semanas. O professor James e o Dr. Richard Hodgson o hipnotizaram e localizaram os eventos deste período, que ele disse sob hipnose, e encontraram verdade neles.

Charles Brewin desapareceu de sua casa em Burlington, N. J., e entre a Cidade de Nova Iorque e Plainfield, N. J., ele perdeu quatro anos num estado secundário, que não foi descoberto por seus amigos, ignorantes da própria identidade dele; mas no fim ele acorda de seu sono de Rip Van Winkle sem saber nada do que lhe acontecera, e voltou depois para sua família.

Dr. Morton Prince teve um caso, que ele chama Sally Beauchamp, a qual parecia ter quatro personalidades diferentes. Uma delas era uma criança perversa que fazia todos os tipos de truques nas outras personalidades. Ela atraia uma delas para passear no campo no horário do último trem, e então a acordava. A pobre vítima tinha que caminhar para casa exausta da viagem. Sally colocava sapos e aranhas numa caixa e a deixava na cômoda de forma que o "eu" normal entrava em histeria quando abria a caixa. Estes e semelhantes truques e travessuras requerem um volume para contar e explicá-los. A divisão da consciência, ou personalidade múltipla, foi a palavra cativada que supostamente esclarecia o mistério. A teoria supernaturalista de espíritos foi deixada de lado, e justamente suficiente, por falta de evidência. Não existia nenhuma credencial nos fenômenos para tal explicação.

Mas há alguns anos atrás soube de um caso que oferecia a oportunidade para a investigação e experiência adequadas. Era um que caiu nas mãos de um clérigo, também conhecido por Dr. Walter F. Prince, aos cuidados e tratamento. Depois de visitar o caso, eu resolvi tentar uma experiência logo que a condição da paciente permitisse. Esta resolução não pôde ser posta em prática por anos.

Uma criança, a quem devemos chamar Doris, aos três anos e meio de idade, foi erguida por seu pai bêbedo e lançada violentamente ao chão. O choque atordoou a criança, mas no momento nenhum efeito mais sério seguiu-se; no dia seguinte ou depois, porém, descobriu-se o que se sucedeu. A mãe não entendia, entretanto foi informada de uma contusão na base do cérebro. A partir daquele momento, o caso era de personalidades alternadas. A principal delas era chamada Margaret, e eventos provaram que existia uma outra que se manifestava apenas no sono da menina, e foi chamada de Margaret Adormecida. Mas existia uma que veio depois da morte da mãe. O estado normal e primário era chamado Doris Real. Tudo o que a mãe conheceu era sobre Doris Real e Margaret. A morte da mãe, porém, quando a criança fazia 17 anos de idade, causou o aparecimento de outra personalidade, que foi chamada Doris Doente, porque nesta condição a personalidade da menina estava sempre mal, entretanto ela pareceria perfeitamente recuperar uma condição saudável no momento do retorno de Margaret ou de Doris Real.

Do tempo que seu pai brutalmente a lançou ao solo, ela absorveu um medo mortal dele, e de modo mais intenso pelo constante tratamento brutal dele para com ela. O pastor da família acusou a criança de mentirosa, porque ele não entendia as mudanças dela, e o resultado era que sempre depois ela se recusava a freqüentar a escola dominical. Num domingo ela entrou casualmente na igreja do Dr. Prince, e a Sra. Prince ficou interessada nela, sem saber qualquer coisa sobre o estado real das coisas, a não ser que ela tinha algo de adoentada. Finalmente despertou-se no Dr. Prince o interesse psicológico no caso, como também sua necessidade de caridade e cuidado. Ele achou que Doris provavelmente nunca poderia sarar-se, visto que ela ficava com o pai, que ainda brutalmente abusava dela. Ele então resolveu adotá-la em sua família, e prosseguiu estudar-lhe e tentar uma cura. Primeiro ele começou a dissolver a personalidade Doris Doente, e depois deste sucesso, ele eliminou Margaret; mas ele não conseguia remover Margaret Adormecida, à medida que esta personalidade tinha sido útil na dissipação das outras personalidades, e alegava ser um "espírito", como fez Sally no caso Beauchamp.

A personalidade primária, Doris Real, estava aparentemente bem e era uma pessoa normal, e nunca houve qualquer sinal de lesão ou degeneração física, exceto na personalidade de Doris Doente, quando náuseas e outros sintomas anormais se manifestaram nela. Mas Margaret era uma perfeita travessa e a personificação do mal. Ela pegava cavalos de um estábulo e passeava pela cidade ou pelo campo para satisfação de seu coração, mas muito para o aborrecimento dos donos, entretanto ela sempre retornava com os cavalos. Ela descia para o embarcadouro e tentava atravessar o rio, sentada na extremidade do barco; mas se os homens tentassem adiar, ela empinava seus saltos e se lançava para trás na água, assustando todo mundo. Mas ela era uma especialista em natação, e nunca sofreu qualquer perigo real. Ela pegava objetos onde ela trabalhava, e escondia-os numa gaveta. Quando o "eu" normal era acusado de roubo, natural e honestamente negava a acusação. Ela escrevia notas para o "eu" normal, como o único modo de alcançá-lo. Doris Doente, resultada da morte da mãe, era uma personalidade muito boba. Ela não sabia o que era a morte e não entendia o enterro ou o luto de amigos, entretanto Doris Real preparou o corpo da mãe para o enterro. Doris Doente não sabia os nomes dos objetos dela, e não podia falar uma palavra. Margaret preparou-se para ensinar os nomes das coisas, e como inteligentemente conversava. No curso disso, Margaret absorveu uma hostilidade amarga para Doris Doente, e costumava fazer todo tipo de travessura imaginável nela, tão ruim quanto aquela protagonizada por Sally nas outras personalidades do caso Beauchamp. A morte da mãe transferiu os trabalhos domésticos a Doris, e isto piorou o assunto, especialmente quando as crueldades do pai eram acrescentadas. Deixe-me citar uma consideração do Dr. Walter F. Prince.

"Excesso de trabalho, aliado às influências cheias de ódio na casa, principalmente militado contra a personalidade primária. Sobre a menina caia as maiores despesas da casa. Margaret sabia que algo devia ser feito, e perturbava a mente de Doris Doente para que ganhasse mais dinheiro, trabalhando à noite. Doris Doente aprendeu muito bem toda a lição. Como Margaret depois tristemente expressou que, 'ela começou a trabalhar tempestuosamente e assim fez meu trabalho'. Por um processo de abstração, particularmente quando costurava, ela podia gradualmente conter a vontade e a inteira consciência de Margaret, de forma que ambas as consciências cooperavam na tarefa. Tudo, exceto a agulha e os pontos, desaparecia, os olhos nunca desviavam do trabalho, a cor fugia do semblante, o dedo voava com velocidade mágica, e as horas passavam-se antes do feitiço ser quebrado. Definitivamente um exemplo ocorrido mostrou a confecção de uma elaborada peça de bordado em menos de um quarto do tempo que os mais conservadores peritos estimavam como necessário. Neste exemplo o trabalho anormal continuava mais de doze horas seguidas, absolutamente sem descanso, salvo quando era acompanhado dos ataques de catalepsia, quando a agulha parava a meio caminho no ar, o corpo ficava imóvel e os olhos fixos, por dez minutos ou meia hora, sobre que o movimento atrasado era completado e a tarefa continuava, e Doris Doente não estando ciente de que havia se passado mais do que um segundo. Quando a tarefa era concluída, Margaret revelar-se-ia e dançaria uma dança selvagem de alegria. Mas uma das conseqüências ruins era que ela ficava malévola contra Doris Doente e entrava numa longa série de vinganças. Com uma malícia que parecia quase diabólica, ela arranhava Doris Doente com suas unhas, embora ela mesma sofresse o pior disso depois do efeito de adormecimento da ira que havia acabado, o efeito naquela (Margaret) era menos anestésico que em sua companheira. Muitas vezes ela arrancava tufos inteiros do cabelo, várias vezes ela realmente arrancava as unhas. Ela causava em Doris Doente sensações de náuseas e várias dores, destruindo seu trabalho e seus bens, contrariando seus planos, ameaçando-a, importunando e insultando-a. E ainda às vezes ela tinha piedade e confortava a arrasada criatura, e freqüentemente vinha para seu alívio nas emergências".

Entre as disputas destas duas personalidades, a personalidade normal aparecia por cinco ou dez minutos, e às vezes mais tempo. Mas Doris Doente e Margaret controlaram a maior parte da vida da menina por cinco anos diretamente sob a observação do Dr. Prince, o pai adotivo. O tempo todo Margaret Adormecida ficava ao fundo, e surgia apenas no repouso da menina, entretanto era sempre consciente do que estava acontecendo em ambas as personalidades, e era a fonte de muito do que o Dr. Prince aprendeu sobre as experiências da menina antes dela chegar-lhe. Além disso, ela orientava o tratamento do caso para sua cura em muitas de suas descrições. A princípio ela não deixava nenhuma alegação de ser um "espírito," mas finalmente, se devido à sugestão ou não, isto não foi determinável, ela alegou ser um "espírito", ainda que não pudesse lembrar de nenhuma vida passada nesta Terra ou em outro lugar. Margaret aparentemente não conhecia nada sobre esta Margaret Adormecida, enquanto esta sabia tudo sobre aquela, como também sobre Doris Doente. Doris Doente gradualmente foi dissipada, e depois Margaret deixou Margaret Adormecida no castelo. Foram requeridos dois volumes para registrar todos os fatos, inclusive as excitantes experiências das diferentes personalidades e os incidentes desagradáveis do processo de cura. Mas o resultado final foi de uma mulher normal e saudável, sem sinais de dissociação. A única coisa que um observador agudo notaria seria a imaturidade mental da menina, o que é bastante explicável pelo fato das personalidades anormais ocuparem a parte principal da vida dela, e as experiências e a educação daquelas não eram transferidas para o "eu" normal, exceto uma parte daquelas de Doris Doente.

Até agora não existe nada no caso que ou prove ou sugira qualquer coisa além daquilo já conhecido como dissociação ou personalidades múltiplas. A consciência da menina seria descrita como "divida", seja o que for o que esta expressão realmente queira dizer. De fato, pode significar nada mais de que amnésia ocorre entre as várias personalidades. Mas isto não é totalmente verdade.

Mais ou menos existia uma intercognição entre elas, e às vezes uma co-consciência, enquanto Margaret Adormecida parece ter memória das experiências de todas elas. Mas, como disse, existia freqüentemente dissociação ou amnésia habitual entre as várias personalidades, de forma que isto pode ser o único significado provável do termo "consciência dividida". Ocasionalmente na personalidade de Margaret aconteciam alguns incidentes sugestivos de leitura mental, mas não em quantidade ou qualidade suficientes para proporcionarem prova científica. Mas não havia nenhum rastro de fenômenos que pudessem passar por comunicação com os mortos, e nada sugeria ao psicólogo qualquer coisa como obsessão demoníaca, na medida em que os padrões de evidência para tal doutrina estejam relacionados. As várias formas de histeria e de dissociação seriam o único diagnóstico que qualquer médico ou psiquiatra respeitáveis proporiam para tal caso.

O próximo passo na investigação foi o mais importante. Eu cruzei com três outros casos que seriam ou já tinha sido diagnosticados por médicos ou psicólogos como paranóia ou histeria, e eu mesmo daria a mesma explicação aos fatos, se não tivesse corrido-me que o método de "referência cruzada" poderia trazer alguns fatos para a luz lançada nas perplexidades da dissociação e da personalidade múltipla. Os fatos que me levaram a isto estavam em três casos que caíram sob minha advertência.

Um homem jovem que nunca pintara chegou a fazer quadros tão bem que eram vendidos por bons preços por seu mérito artístico somente, e compradores, que não sabiam como eles eram produzidos, pensavam que o homem estava copiando os quadros de Robert Swain Gifford, que estava morto. Aquele rapaz fazia sua pintura depois da morte de Gifford, e sete meses antes dele saber do falecimento deste artista. Outro sujeito, uma senhora desta vez, estava escrevendo histórias professando vir do falecido Frank R. Stockton, tão caracterizada que Henry Alden, o editor do Harper's Monthly, e outro cavalheiro que fez um estudo de Stockton, acharam que havia muita caracterização. Outra senhora, a qual não tinha nenhuma educação à música, estava compondo por escrita automática e que professava ser influenciada pela falecida Emma Abbott. Três outros casos tiveram experiências semelhantes, e além de meia dúzia de casos diagnosticados como paranóia ou outra forma de loucura foram submetidos à mesma investigação, e proporcionaram o mesmo resultado.

Foi o caso Thompson-Gifford que sugeriu o método da experiência. Depois de uma entrevista de duas horas com o rapaz, eu cheguei àquela conclusão que os doutores alcançaram em seus exames, isto é, que era um caso de dissociação ou de desintegração da personalidade. Mas brotou em minha mente que eu não tinha nenhuma obrigação em esperar até uma autópsia ser apresentada a fim de descobrir se o diagnóstico estava correto; e que, se eu levasse o sujeito a um psíquico, eu poderia descobrir algo sobre a situação. Eu fiz isto sob as condições mais rígidas possíveis, fazendo meu próprio registro dos fatos. O morto Gifford morto parecia provar sua identidade, de sua infância em diante, através de dois psíquicos distintos, e forneceu alguma evidência por dois outros. Isto sugeriu o tipo de experiência para os outros casos, e eles produziram o mesmo resultado: aquelas pessoas falecidas professavam aceitar a responsabilidade para os fenômenos que aconteceram nos vários sujeitos. Estes fenômenos nos próprios sujeitos não dispuseram nenhuma credencial de uma fonte supernormal até serem confirmados por referências cruzadas através de uma psíquica que não conhecia absolutamente nada sobre a pessoa que era trazida a ela. O que parecia ser meramente personalidade secundária em si mesma permitiu provar, por referência cruzada, ter vindo de uma inspiração externa. Gifford parecia voltar da pintura, Stockton da história-escrita, e Emma Abbott da música; e nos outros exemplos nós achamos fontes transcendentais semelhantes para as artes que os sujeitos empreendiam, ou para os fenômenos anormais que levaram médicos a falar de loucura.

O método que assim demonstrou ser tão bem sucedido foi aplicado ao caso de Doris com a esperança que poderíamos encontrar alguma luz lançada em suas personalidades. O caso nunca tinha sido publicamente mencionado. Doris viveu a primeira parte de sua vida na parte oeste da Pensilvânia e depois na Califórnia. Eu tive então uma oportunidade excepcionalmente boa para tentar a experiência sob as melhores condições que ocultariam todos os fatos dos psíquicos. Eu trouxe a menina da Califórnia e a mantive fora da cidade onde as experiências tinham que ser feitas. Eu a apresentei a psíquica apenas depois que eu colocava esta em transe, e nenhum vez eu permiti a psíquica vê-la, seja no estado normal ou no de transe. Realmente, ela não podia vê-la, estando em seu estado normal, uma vez que eu mantinha o sujeito atrás dela, e o sujeito deixava o aposento antes do transe terminar. Neste momento a menina estava perfeitamente normal, tão saudável quanto alguém poderia esperar. O seguinte foi o resultado registrado na escrita automática da psíquica, e isso resume um volume dos dados mais interesses que qualquer sumário pode fornecer:

Eu não fiz nenhuma pergunta, e não fiz nenhuma sugestão às informações. Eu permiti os controles tomarem o próprio curso deles. O primeiro comunicador foi a mãe da menina, que morrera mais ou menos oito anos antes. Ela chamava sua filha por um nome carinhoso, e o nome que representava as últimas palavras do pai moribundo. Ela logo mostrou conhecimento da enfermidade e da melhora da menina, e então continuou a provar sua identidade por muitos pequenos incidentes em suas vidas em comum, de fato, despejando tais incidentes até o pai adotivo estar surpreso com a abundância e pertinência. Eu não sabia nada sobre eles, e o pai adotivo estava morando a três mil milhas do lugar onde as sessões estavam sendo realizadas.

Depois que isto fora terminado, um incidente notável aconteceu. Dr. Richard Hodgson, que morreu em 1905 e que desde então ostensivamente tinha sido um comunicador freqüente por esta psíquica, professou se comunicar, e comparou o caso com aquele de Sally Beauchamp, com o qual disse ter experimentado. Isto era verdade, e ele também chamava o Dr. Morton Prince como a pessoa que havia se encarregado do caso. Embora a psíquica tenha lido o livro do Dr. Morton Prince sobre aquele caso, ela mesma não viu o sujeito presente, e não ouviu uma palavra sobre isto. Eu levei este caso a psíquica porque eu sabia de suas afinidades com aquele de Sally Beauchamp. Mas o incidente mais importante, como a seqüência mostrou, foi a alusão a uma criança próxima a menina com quem nós devíamos ter que considerar. Eu fui informado que um dos controles da psíquica tinha descoberto aquela criança, e presentemente eu fui mais adiante avisado que aquela criança era uma índia. Não existia qualquer indicação na vida e nos fenômenos de Doris que tal personalidade estava ligada a ela. Mas evidência suficiente veio de modo abundante mais tarde. Então, após este episódio, apareceu um dos guias da menina. Depois de Margaret e Doris Doente terem sido eliminadas, a menina começou a desenvolver escrita automática, e isto havia sido aludido pela presente psíquica, e a pessoa que disse ser responsável pelo desenvolvimento de Doris como uma automatista foi uma senhora francesa. Pela psíquica alguma francesa foi usada; e vários incidentes dados foram recebidos pela prancheta através de Doris. Eles confirmavam o processo que havia sido empregado para corrigir o estado que prevalecia sobre a menina. Foi uma substituição dos controles piores por melhores.

Seguindo a revelação da pequena índia, que se chamava Minnehaha ou Água Sorridente, veio uma alusão a um problema da menina com um caso de obsessão espiritual. Isto foi exatamente o que eu suspeitei quando organizei minhas experiências. Mas eu fui informado que Minnehaha não era a personalidade responsável por isto. Ela era muito cautelosa para me contar incidentes que provavam sua identidade, porque tinha medo de se incriminar e de ser exorcizada. Assim que eu a acalmei de seus medos, alusão foi feita à outra personalidade. A princípio eu suspeitei que Minnehaha fosse Margaret. Incidentes justificaram esta inferência, mas logo isso se mostrou estar errado. Minnehaha insistiu não em ser um "diabo", e jogou a responsabilidade em outrem.

Enquanto isso eu estava curioso para testar as alegações de Margaret Adormecida. Ela insistia em ser considerada um espírito. Mas nenhum rastro dela chegou nas comunicações da primeira série de sessões. Eu então deixei Doris em Nova Iorque, e realizei algumas sessões em nome dela em Boston, durante sua ausência. Em minhas experiências com Margaret Adormecida em Nova Iorque, ela desculpou de seu fracasso em se comunicar em Boston ao dizer que tinha aberto a mão para outros presentes e pleiteou em defesa de seu fracasso por ter que vir quando Doris não estava presente nas sessões, que ela não podia deixar Doris, de quem ela alegava ser o principal "guarda" ou guia. Mas ela prometeu tentar se comunicar, se eu aceitasse levar Doris a Boston. Eu fiz isso nas sessões seguintes, mas nenhum rastro de Margaret Adormecida veio. Nenhuma personificação dela foi tentada. Eu então tentei outra invenção. Lembrando que foi um dos controles da psíquica que pareceu ter descoberto Minnehaha, eu me preparei para ter uma sessão especial com este controle. Eu tive que ocultar tanto meu objetivo quanto o meu assistente da psíquica, enquanto também tive que preparar para que Margaret Adormecida estivesse "do lado de fora": isto é, manifestando-se. Isto poderia acontecer apenas durante o sono de Doris, o sujeito. Conseqüentemente eu organizei com a psíquica uma sessão à noite na casa de um amigo meu. Eu de propósito deixei a impressão, ao dar o nome da família, que poderia ser para alguém na casa. Enquanto isso, eu combinei com meu amigo para entreter Doris a noite toda. No início, vi que Doris foi para a cama às 9 horas. Depois disso eu fui encontrar a psíquica, e a trouxe a casa, onde eu a deixei no quarto abaixo até ver que Doris estava dormindo e coberta de forma que nem eu poderia ser visto. Nenhuma parte de seu corpo ou rosto era visível. Eu então trouxe a psíquica ao quarto, e em seguida o transe emergiu e ela via a mesma pequena índia que tinha sido vista ao redor de Doris nas sessões regulares, e tentou pegar seu nome. Ela conseguiu corretamente através de símbolos, mas não o nome exato como eu tinha recebido. Ela via água e risos, mas não os conectava a um nome. Ela continuava mencionando que um número grande de incidentes havia sido mencionado no transe mais profundo nas sessões regulares, e finalmente, quando eu a pedi para conversar com a menina adormecida, ela fez isso, e eu então a pedi para me dizer com quem ela estava conversando. Ela disse, e confirmou a afirmação, que era "o espírito da própria menina, metade fora e metade dentro, e que, apenas se ele saísse mais distante, ela poderia se comunicar com o 'espírito '".

Assumindo isto como correto, significa que o desenvolvimento da menina como uma médium não era ainda apropriado, e a situação explicava suficientemente por que eu não tinha escutado de Margaret Adormecida. No dia seguinte, nas sessões regulares, o assunto foi levantado, e no curso de várias sessões eu fui informado que existiam duas Margarets no caso, e uma deles parecia ser a Margaret que aparecia no sono, e que ela não era um espírito desencarnado, mas o "próprio espírito da menina". Aqui novamente nós tivemos a explicação de seu fracasso em se comunicar como uma realidade desencarnada. Mais tarde eu fiz uma investigação para conhecer por que Margaret Adormecida alegava ser um espírito; e Edmund Gurney - que eu investiguei, e que morreu em 1888 na Inglaterra, sendo a existência e a morte dele completamente desconhecidas da psíquica - professava comunicar-se, respondendo que, da mesma maneira que muitos espíritos sofriam da ilusão de estarem ainda vivos e em contato com o mundo físico, Margaret Adormecida, o subconsciente de Doris, tinha uma ilusão semelhante sobre ser um espírito, porque ela não estava num transe suficientemente profundo para perceber a real situação. Esta visão confirmava exatamente a teoria que outros casos me sugeriram, e era consistente com a atitude geral de Margaret Adormecida. Além disso, nós devemos lembrar que Margaret Adormecida nunca alegou ter vivido antes, e Doris tinha estas idéias de negação em ser um espírito, que ela não pensava ter visto um espírito quando observou uma aparição de sua mãe depois da morte desta. Ela pensava que era sua mãe, não um espírito.

Com a natureza de Margaret Adormecida resolvida, a próxima tarefa era decidir sobre o status de Margaret. Que já havia sido insinuada, ao dizer que ela era um espírito desencarnado. Os controles, com Minnehaha, então apareceram também, trouxeram Margaret, e a fizeram confessar ter influenciado Doris no estado Margaret a fazer muitas coisas que pessoas de bom senso teriam feito, mas que não lidaram com as causas reais; a culpou de todos os tipos de mentira e de roubo, e Margaret confessou que ela fez tudo, e contou algumas das coisas que ela mandava a menina fazer. Os fatos foram verificados pelo testemunho do Dr. Walter Prince, o pai adotivo de Doris.

Assim que este resultado foi efetivado, os controles aproveitaram a ocasião para tencionar o significado da conclusão que seria tirada da prova que Margaret era um espírito e um agente obsessor na vida da menina. Eles não estavam satisfeitos em provar que um espírito estava ao fundo da personalidade Margaret, e começaram a estudar a tarefa de mostrar que esta era uma mera ferramenta de um grupo mais importante que ela, e que o caso era (1) um exemplo no qual um organizado bando de más influências estava tentando determinar a vida da menina para a maldade, e (2) que as condições manifestadas neste exemplo eram apenas uma ilustração do que estava acontecendo em milhares de casos que eram tratados como loucura, mas que era perfeitamente curável, se a comunidade médica abrisse sua mente para a situação.

Muito antes ao trabalho que estava esclarecendo o que estava havendo em torno da menina, os controles, que professaram ser o grupo Imperator que dirigiram os trabalhos do Dr. Hodgson quando vivo, indicaram que existia uma importante personalidade histórica na cabeça da organização culpada de influenciar a menina ao mal.

Eles o atraíram ao banco das testemunhas, aparentemente para fazê-lo inconscientemente revelar-se, e eu responsabilizei-me pelo jogo com tão tato e a astúcia quanto eu poderia. Eu, assim que possível, dirigi a produzir o nome, muito contra a vontade do patife, e ele revelou-se o Conde Cagliostro, o celebrado aventureiro do século XVIII ligado à Corte e a revolução francesa no romance Diamond Necklace. Quando ele sentiu-se trapaceado, ele ficou bastante enraivecido, mas, depois de tentar atacar a médium, torcendo-a aos pedaços, foi seduzido pelos controles em comunicações adicionais. Ele foi finalmente persuadido a desistir da vida que estava levando, e abandonar a organização do qual ele era o cabeça. Um atrás dos outros destes espíritos perturbadores foram trazidos ao tribunal para confissão, e foram mostrados seus métodos malignos. Alguns estavam dispostos e desejosos a abandonar o sino que estavam, mas outros eram muito obstinados. Porém, eles se renderam na maioria dos casos atrás de muito esforço e pressão. A remoção do Conde Cagliostro os fez perder o líder, e eles foram totalmente incapazes de executar seus planos sem a ajuda dele. Ele foi finalmente induzido a entrar num monastério ou "hospital" encarregado por Anselm, o Arcebispo de Canterbury, que viveu no Século XI!

Muito para minha surpresa, soube que a psíquica nunca tinha ouvido falar no Conde Cagliostro ou no romance Diamond Necklace, e isto ficou plausível o suficiente quando eu depois descobri que ela nunca havia lido qualquer coisa sobre a Revolução francesa, salvo em Carlyle, e neste apenas em deferência aos gostos de um amigo. Neste trabalho, Carlyle não diz nada sobre o romance de Diamond Necklace, salvo apenas uma referência a ele, dando o nome de Cagliostro. Ele (Carlyle) debateu isso em seus ensaios, mas ela nunca os viu. Além disso, eu obtive o nome real de Cagliostro, Joseph Balsamo, até a pronúncia dele, que não era disponível para qualquer autoridade, exceto num Webster antigo, e vários episódios na vida dele, especialmente o nome de seu cunhado, que era alcançado somente num trabalho francês difícil de conseguir; além disso, a psíquica não era capaz de ler francês.

Ao longo de toda esta revelação de agentes em ação, os controles mostraram as suas maiores metas em tal causa, e esboçaram o método de tratar esses casos, que era de contrariar os propósitos dos "espíritos" malignos em qualquer circunstância especial, extorquir confissão das ações deles, e então removê-los do contato com a vítima viva. Eles afirmaram a doutrina da obsessão com toda a ênfase, e esforçaram-se para dar os fatos que provariam isso. No caso de Margaret e Minnehaha, eles, sem dúvida, provaram isto: a identidade pessoal destes dois agentes foi provada pelo conhecimento deles a respeito dos decisivos incidentes na vida da menina. Mais tarde eu também consegui uma referência a Doris Doente, mas não como uma personalidade singular. Foi declarado que muitos espíritos a influenciaram naquele estado, e referências foram feitas ao bordado que caracterizava o trabalho da menina como aquela personalidade. Mas evidência para a realidade de Margaret e Minnehaha foram impressionantes, as chances são que os controles estavam corretos em suas declarações sobre o Conde Cagliostro, as quais estavam apoiadas em boa evidência da identidade pessoal dele, não conhecida pela psíquica. As outras personalidades obsessoras não puderam provar suas identidades. Mas isso não fez nenhuma diferença, à medida que o propósito declarado dos controles era mostrar à ampla extensão da obsessão, e remover os líderes dela.

Tendo efetuado este objetivo, eles começaram a estudar o desenvolvimento da menina, que voltou para a Califórnia, e esforçou-se a estabelecer referências cruzadas com meu trabalho em Boston. Minnehaha colocou-se na tarefa de dizer o que estava acontecendo lá, na vida da menina, enquanto os controles esforçavam-se para indicar quem estava fazendo o trabalho em desenvolvimento. Minnehaha teve sucesso em fornecer um grande número de incidentes detalhados na vida normal de Doris, e também deu o nome completo do Dr. Prince, e o antigo nome de Doris, que era bastante incomum — um que eu nunca ouvira antes, até mesmo pronunciando-o como a menina e seus parentes faziam, entretanto ele não era como soletrado. Centenas desses fatos foram informados, mas não existe nenhum espaço aqui até para resumir os mais simples deles.

Aqui está um caso de dissociação causado por ato brutal do pai que resulta numa forma de personalidade múltipla a qual os médicos consideram como incurável e certos para terminar no manicômio e na morte. Foi variavelmente diagnosticado como paranóia e demência precoce, mas, sob a paciência e o cuidado de um clérigo, ela foi curada, e a menina tornou-se uma pessoa perfeitamente saudável, capaz de continuar um grande negócio avícola e ser vice-presidente de uma associação avícola no município onde morava, presidindo suas reuniões com inteligência e compostura. Assim que ela foi curada, experiências com uma psíquica parecem mostrar ser um caso de obsessão espiritual, com a identidade das partes afetando sua prova. A mediunidade começou a desenvolver-se como um meio de evitar a continuação da perversa obsessão. Esta mediunidade prosseguiu junto com uma vida normal e saudável.

Eu afirmei que a explicação do caso é obsessão, obsessão espiritual ou demoníaca, como chamada no Novo Testamento. Antes de aceitar tal doutrina, eu lutei contra ela por dez anos depois que havia me sentido seguro da sobrevivência após a morte estar provada. Mas os vários casos referidos acima me forçaram a considerar a questão, e o presente exemplo apenas confirma irresistivelmente a hipótese sugerida por outras experiências.

O que é obsessão? É a influência supernormal de uma consciência externa na mente e no organismo de uma pessoa sensível. Pode ser boa ou ruim, entretanto nós não estamos acostumados a pensar e falar dela como senda benéfica. Mas o processo é o mesmo em ambos os tipos, entretanto nós podemos preferir reservar o termo para os casos anormais. Qualquer homem, porém, que acredita na telepatia ou leitura mental, não pode rejeitar a possibilidade da obsessão. Aceitando tal fenômeno, ele assume a influência de uma consciência externa em outra mente. Portanto, se você uma vez permitir à existência de espíritos desencarnados, o mesmo processo, a saber, telepatia de mentes desencarnadas, poderia agir e ter uma influência, ou sensória ou motora, nas mentes dos vivos, desde que sejam psiquicamente receptivos a tais influências. É apenas uma questão de evidência para o fato. Eu considero a existência de espíritos desencarnados como cientificamente provada, e eu não mais me dirijo ao cético como se ele tivesse qualquer direito de falar sobre o assunto. Qualquer homem que não aceita a existência de espíritos desencarnados e a prova deles é ou ignorante ou um covarde moral. Eu dou a ele uma breve confissão, e não me proponho mais argumentar na suposição que ele sabe qualquer coisa sobre o assunto. Conseqüentemente, eu estou numa situação para investigar e pesar os fatos que sugerem obsessão.

O que a doutrina envolve é um reinterpretação da personalidade secundária e múltipla. Isso não coloca a doutrina de lado, como a maioria dos críticos está disposta a pensar. A obsessão é simplesmente sobreposta sobre a personalidade secundária ou dissociação, ou combinada com esta, mas não é necessariamente substituída por esta. A personalidade secundária é o meio ou o instrumento para a expressão (da obsessão), e colorirá ou modificará as influências que agem nela. Deveria ser observado que esta visão é bem admitida ou afirmada pelos controles no caso sob consideração. Eles não negam a existência da personalidade secundária, quando naturalmente nós poderíamos supor que os preconceitos dos psíquicos estariam propensos a nos falar de influências externas para o esclarecimento de tudo. As influências externas seguirão as linhas da menor resistência, e, onde elas puderem superar completamente o subconsciente, elas dominarão as idéias e os impulsos do sujeito. Elas podem nunca serem transmitidas intactas, salvo raros momentos, mas podem ser normalmente nada além de instigação, como um fósforo aceso para uma explosão. O fósforo não é a causa do efeito, mas é a causa eventual para liberar a energia retida naquilo que irá explodir. Você pode estimular a mente do homem através do álcool ou de outro estimulante, mas nós não pensamos em nos referir à ação da mente afetada pelo poder transmissivo do álcool. Articule uma sentença para um homem, e ele pode se lembrar de muitas associações que não são transmitidas para a mente dele pelo som, ou pelas idéias do homem que articula a sentença. Um homem sonhando caminhar com seus pés expostos no gelo do pólo norte, acorda e descobre que seus pés não estavam debaixo da roupa de cama numa noite fria. Não existiu nenhuma correlação entre o estimulo e a percepção em relação de gênero, esta que foi o efeito perceptível de interpretação e imaginação, e não de reação táctil para a causa real. A mesma lei pode agir em estímulos espiríticos. Eles podem apenas estimular a ação na mente influenciada, como num sonho, e não transmitir a esta o pensamento ou o impulso exatos que estão na mente do agente externo. Em alguns casos, claro, nós encontramos as idéias e os impulsos sendo transmitidos relativamente íntegros, e em tais casos nós podemos encontrar evidência para a obsessão na identidade pessoal do agente. Mas em casos de dissociação que distintamente representam fatores subconscientes, a única evidência para a obsessão pode vir pelo método da referência cruzada. E tal é o caso diante de nós. Não existia nenhuma evidência que seja para a invasão externa nas experiências da menina, a referência cruzada produziu esta evidência em abundância.

O interesse principal em tais casos é seu efeito revolucionário no campo da medicina. O presente caso mostra claramente o que deveria ter sido feito com Sally Beauchamp, e que, de fato, destruiu as interpretações usuais daquele caso, sem deixar de lado lá a personalidade secundária ou múltipla. É provável que milhares de casos diagnosticados como paranóia propiciariam este tipo de investigação e tratamento. Está na hora da comunidade médica acordar e aprender algo. Ela está tão saturada com o materialismo dogmático que se exigirá um Lutero médico ou Kant para despertá-la. Esta eterna conversa sobre personalidade secundária, que é muito útil para ser ignorada ou apenas descrever os fatos, não deveria mais evitar a investigação. É muito fácil descobrir a resposta se você apenas aceitasse o método que lançou tanta luz nesses casos. Não irá o método parar com a dissociação. Ele se estenderá para muitos problemas funcionais que agora confundem os médicos. Existe muito um medo tolo do "sobrenatural", e muita reverência para o "natural" o qual tem perdido bastante o seu significado, assim como o "sobrenatural". Espíritos, à medida que admitamos, pelo menos por conveniência, intima certas agregações de fenômenos, não são coisa mais misteriosas do que a consciência e, poder-se-ia acrescentar, não são mais misteriosos do que átomos ou elétrons. Talvez sejam menos. Eles são certamente objetos legítimos de interesse como droga e pílulas ou meios semelhantes de experiência.


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