SUMÁRIO:
1. Introdução. 2. Conceito. 3. Considerações
Iniciais. 4. Da Pré-história à Invasão Organizada:
4.1. Sócrates e Platão; 4.2. Horizontes Mediúnicos;
4.3. Revelações. 5. Da Codificação aos Dias
Atuais: 5.1. Episódio de Hydesville (31/03/1848); 5.2. O Surgimento
do Espiritismo; 5.3. A Idéia Espírita Deve Ser Extraída
das Obras da Codificação. 6. O Futuro do Espiritismo:
6.1. O Fenômeno Mediúnico; 6.2. A Filosofia Espírita;
6.3. A Evangelização da Humanidade Será a Meta
Maior. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.
1. INTRODUÇÃO
Onde buscar a origem da idéia espírita?
Ela existe desde toda a eternidade? Está vinculada ao lançamento
de O Livro dos Espíritos? Ela realmente evoluiu?
O Movimento Espírita confirma tal evolução? Como
será o futuro do Espiritismo? Eis algumas questões relevantes
para a reflexão sobre o progresso do Espiritismo.
2. CONCEITO
Evolução – A essência
do significado do termo evolução é
a de desenrolar, desenvolver, ou desdobrar, designando assim movimento
de natureza metódica que gera novas espécies de mudanças.
Mais especificamente, designa o processo de mudança através
do qual algo novo é produzido de tal modo contínuo, que
a identidade ou individualidade do objeto original não seja violada.
Idéia – Representação
mental de uma coisa concreta ou abstrata: imagem.
3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Relacionar o passado, o presente e o futuro é um bom exercício
para se ter uma visão mais acurada do progresso alcançado
pelo Espiritismo. Antes, porém, de nos pormos a caminho, convém
termos em mente o seu conceito, ou seja, o Espiritismo é uma
doutrina que se funda na crença de existência de Espíritos
e nas suas manifestações.
O que se entende por doutrina? Doutrina é um
conjunto de princípios que dá sustentação
a um sistema filosófico, religioso ou científico. Da palavra
doutrina vem o termo doutrinário. Doutrinário,
por seu turno, significa que o adepto de uma doutrina deve seguir fielmente
aquilo que foi estabelecido como norma, como regra, como preceito.
Allan Kardec, para construir a Doutrina Espírita,
utilizou-se do método teórico experimental.
Nesse sentido, o Espiritismo não tem dogmas nem rituais. Na verdade,
ela é um resumo da fé raciocinada.
4. DA PRÉ-HISTÓRIA À INVASÃO ORGANIZADA
O Espiritismo, propriamente dito, existe há 147 anos; a idéia
espírita, desde que o mundo é mundo. Assim sendo, Allan
Kardec afirmou que nada inventara e, que o seu trabalho maior, fora
o de organizar todo o conhecimento espiritual que estava esparso no
seio da humanidade.
4.1. SÓCRATES E PLATÃO
Allan Kardec, no item IV da Introdução de O Evangelho
Segundo o Espiritismo, diz que Sócrates e Platão
são os precursores da idéia cristã e o do Espiritismo.
Dentre as teses levantadas por estes dois filósofos,
anotamos:
Até a época da codificação
– a terceira revelação –, a humanidade já
havia recebido duas revelações:
Moisés e os dez mandamentos;
Jesus e a lei do Amor.
Com Moisés aprendemos a lei de justiça, aquela do olho
por olho e dente por dente; com Jesus, aprendemos a lei do amor, aquela
que ultrapassa todo e qualquer rancor que se deva ter para com o semelhante.
O Espiritismo veio complementar e elucidar esses ensinamentos, dando-lhes
uma interpretação mais racional e mais de acordo com os
nossos dias.
5. DA CODIFICAÇÃO AOS DIAS ATUAIS
5.1. EPISÓDIO DE HYDESVILLE (31/03/1848)
Em termos de destaque, no cenário público
internacional, este fenômeno (raps) foi o que mais chamou a atenção.
Observe que uma família metodista havia se mudado para uma casa,
onde se falava muito de acontecimentos sobrenaturais. Realmente, por
algum tempo eles presenciavam muito barulho, sem causa aparente. Tudo
caminhava nesse ritmo quando, num certo dia, as filhas do casal, Kate
e Margaret Fox, resolveram responder às pancadas.
Sua mãe relata o ocorrido nestes termos:
"Minha filha menor, Kate, disse, batendo palmas:
"Sr. Pé-Rachado, faça o que eu faço".
Imediatamente seguiu-se o som, com o mesmo número de palmadas.
Quando ela parou, o som logo parou. Então Margaret disse brincando:
"Agora faça exatamente como eu. Conte um, dois, três,
quatro" e bateu palmas. Então os ruídos se produziram
como antes. Ela teve medo de repetir o ensaio. Então Kate disse,
na sua simplicidade infantil: "Oh! Mamãe! eu já seio
o que é. Amanhã é primeiro de abril e alguém
quer nos pregar uma mentira".
Então pensei em fazer um teste de que ninguém
seria capaz de responder. Pedi que fossem indicadas as idades de meus
filhos, sucessivamente. Instantaneamente foi dada a idade exata de cada
um, fazendo pausa de um para o outro, a fim de os separar até
o sétimo, depois do que fez uma pausa maior e três batidas
mais foram dadas, correspondendo à idade do menor, que havia
morrido". (Doyle, s.d.p., p. 77 e 78)
Depois disso, continuou o diálogo até
descobrir que o Espírito comunicante era Charles B. Rosma, um
caixeiro viajante morto e enterrado na adega.
5.2. O SURGIMENTO DO ESPIRITISMO
O fato mediúnico marcante, após o episódio de Hydesville,
é o fenômeno das mesas girantes, que assolou
os Estados Unidos e a Europa, servindo de brincadeiras de salão,
quando as mesas dançavam, escreviam, batiam o pé e até
falavam. É dentro desse contexto que surge a Doutrina Espírita.
Das brincadeiras de salão, surge Hypollyte Leon
Denizard Rivail — Allan Kardec —, um estudioso
do magnetismo e do método teórico experimental em ciência.
O magnetismo já vinha sendo estudado há algum tempo. Historicamente,
Mesmer descobre, em 1779, o magnetismo animal, Puysegur,
em 1787, o sonambulismo e Braid, em 1841, o hipnotismo.
Havendo uma disseminação muito grande
dos fenômenos das mesas girantes, Kardec, ainda Hipollyte, foi
convidado para assistir a uma dessas sessões, pois o seu amigo
Fortier, magnetizador, dissera que além da mesa mover-se ela
também falava. É aí que entra o gênio inquiridor
do pesquisador teórico experimental. Assim, retruca: só
se a mesa tiver cérebro para pensar e nervos para sentir e que
possa tornar-se sonâmbula. A partir daí, começa
a freqüentar essas sessões, culminando, mais tarde, com
a publicação de O Livro dos Espíritos,
em 18/04/1857.
Kardec explica, em A Gênese,
capítulo primeiro, porque o Espiritismo só poderia surgir
em meados do século dezenove, depois de longa fermentação
dos princípios cristãos da Idade Média e do desenvolvimento
das ciências na Renascença. Escreveu: "O Espiritismo,
tendo por objeto o estudo de um dos elementos constitutivos do Universo,
toca forçosamente na maioria das ciências. Só poderia,
pois, aparecer, depois da elaboração delas. Nasceu pela
força mesma das coisas, pela impossibilidade de tudo explicar-se
apenas pelas leis da matéria."
5.3. A IDÉIA ESPÍRITA DEVE SER
EXTRAÍDA DAS OBRAS DA CODIFICAÇÃO
A Doutrina Espírita deve ser conhecida através
do estudo das Obras Básicas e das Complementares. As
Obras Básicas, também, cognominadas de Pentauteco Espírita,
compõem-se dos seguintes livros : O Livro dos Espíritos
(1857), O Livro dos Médiuns - ou Guia dos Médiuns
e dos Doutrinadores (1861), O Evangelho Segundo o Espiritismo
(1864), O Céu e o Inferno - ou Justiça
Divina Segundo o Espiritismo (1865) e A Gênese
- os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (1868).
As Obras Complementares, que dão extensão
às Obras Básicas, são de cunho mediúnico
e não mediúnico. Entre as não mediúnicas,
citam-se os escritos de Gabriel Delanne, Leon Denis, Camile Flammarion,
J. Herculano Pires, Edgar Armond e outros. Entre as obras mediúnicas,
estão os livros psicografados por Francisco Cândido Xavier,
Divaldo Pereira Franco e outros.
A Revista Espírita, jornal de
estudos psicológicos, em fascículos mensais, redigidos
e publicados pelo próprio Kardec é uma fonte valiosa de
informações para a edificação da idéia
espírita. A coleção completa consta de 12 volumes,
resultantes de onze anos e quatro meses de trabalho intensivo. Ela mostra
toda a história do Espiritismo, em seu processo de desenvolvimento
e propagação. De modo geral, a Revista Espírita
contém:
a) relato de manifestações físicas
e inteligentes de Espíritos, tais como aparições,
ruídos, batidas, materializações, evocações
etc.
b) o ensino dos Espíritos sobre as coisas do
mundo visível e invisível, sobre as ciências, a
moral, a imortalidade da alma, a natureza do homem e seu futuro etc.
c) a história do Espiritismo, suas relações
com outras ciências, com o magnetismo, com o sonambulismo etc.
6. O FUTURO DO ESPIRITISMO
O verdadeiro Espiritismo ainda não é para os nossos dias.
Estamos apenas dando os primeiros passos na compreensão da sua
filosofia e das conseqüências morais que daí dimanam.
6.1. O FENÔMENO MEDIÚNICO
Confunde-se ainda o fenômeno mediúnico com o Espiritismo.
No futuro, porém, o fenômeno mediúnico deverá
ceder espaço ao estudo doutrinário. As batidas, o deslocamento
de objetos, as aparições e as materializações
de Espíritos, como forma de nos chamar a atenção,
serão menos intensiva.
Por outro lado, a comunicação mediúnica
entre encarnados e desencarnados deverá se ampliar, porque o
ser humano, mais esclarecido e mais evoluído, manterá
um contato mais direto com os Espíritos superiores.
6.2. A FILOSOFIA ESPÍRITA
Como a base do Espiritismo é a reformulação do
pensamento, o aspecto filosófico será o setor que mais
se desenvolverá, pois a apreensão do conhecimento é
ilimitada. Façamos uma comparação: será
que o ser humano é capaz de acompanhar todos os avanços
da informática? Não. O mesmo se pode dizer do raciocínio
espírita. Este deve ser cada vez mais depurado, a fim de que
o conteúdo doutrinário seja sempre transmitido de forma
lógica e coerente.
Lembrete: os Espíritos superiores não
necessitam de muitas palavras para expressar os seus pensamentos.
6.3. A EVANGELIZAÇÃO DA HUMANIDADE
SERÁ A META MAIOR
O Evangelho de Jesus retomará definitivamente o seu significado
original, ou seja, o ser humano praticará a Lei da Justiça,
do Amor e da Caridade sem nenhuma ostentação, sem nenhum
interesse. A Boa Nova do Cristo será a bússola, o farol
que nos conduzirá na senda do bem. A sedimentação
desses ensinamentos em nossas entranhas converter-nos-á totalmente
ao bem. É possível até que nem mais precisemos
estudá-lo, porque as máximas morais já farão
parte de nossa individualidade.
7. CONCLUSÃO
O Espiritismo tem que atender a todo o tipo de necessidade, tanto a
dos mais pobres como a dos mais ricos. Sejamos, pois, os arautos do
Senhor. Empreguemos todos os nossos recursos pessoais na edificação
do reino de Deus em nossos corações e nos daqueles que
nos cercam.
8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
DOYLE, A. C. História do Espiritismo. São
Paulo: Pensamento, [s.d.p.]
KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e
as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed. Rio
de Janeiro: FEB, 1975.
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo.
39. ed. São Paulo: IDE, 1984.
PIRES, J. H. O Espírito e o Tempo
- Introdução Antropológica do Espiritismo.
3. Ed. São Paulo: Edicel, 1979.
O FUTURO DO ESPIRITISMO
Allan Kardec, na Revista Espírita de 1863, dissera
que o desenvolvimento da Doutrina Espírita se processaria em
6 períodos: 1) curiosidade; 2) filosófico; 3) luta; 4)
religioso; 5) intermediário; 6) renovação social.
O período de curiosidade caracterizou-se pelos fenômenos
das mesas girantes. O período filosófico coincidiu com
o lançamento de O Livro dos Espíritos (18/04/1857). O
período de luta identificou-se com o auto-de-fé de Barcelona
(1860), em que os livros espíritas foram queimados em praça
pública. Não houve explicação para o período
intermediário. O período de renovação
social preconizava a mudança de hábitos e atitudes
de toda a humanidade.
Pelo que se depreende dos períodos analisados, o futuro do Espiritismo
está vinculado à renovação social. Por que?
Porque o Espiritismo, sendo uma crença UNIVERSAL,
conterá toda a verdade. Quer dizer, chegará um momento
em que as instituições sociais (Direito, organizações
estatais e empresas de um modo geral) receberão a influência
dos Espíritos superiores e mudarão completamente o relacionamento
entre os superiores e os inferiores. Todos serão tratados como
seres humanos, não importando a posição social
que desempenham.
A idéia espírita, que existe desde que
o homem teve a inteligência, deverá prevalecer no seio
da sociedade. Uma forma de visualizá-la é compará-la
à luz. Observe que a luz caminha, sem ruído, na escuridão
e nas sombras. Ela vai iluminando todo o lugar por onde passa. Não
há alarido, nem barulho estridente. O mesmo deve acontecer com
a idéia espírita. Não há necessidade de
buscar prosélitos, sair à praça pública,
persuadir este ou aquele para deixe a sua religião e freqüente
o Espiritismo. Cada um vai tomando consciência do fato e, naturalmente,
seu pensamento se dirigirá para a causa espírita.
Vejamos a lógica da idéia espírita.
Quando a humanidade se conscientizar da lei de causa e efeito,
ou seja, que toda a causa provoca um efeito ou que todo o efeito é
proveniente de uma causa, todos nós estaremos cerceando os nossos
gestos menos felizes. Suponha um criminoso, que tenha recebido a influência
do Espiritismo. Possivelmente, no justo momento em que ele estiver preste
a cometer um delito e, temendo sofrer as conseqüências na
vida futura, poderá recuar e evitar o crime.
Ao analisar a Lei do Progresso, os Espíritos
informam-nos de que o Espiritismo será uma crença comum
e marcará uma nova era na História da Humanidade, porque
pertence à Natureza e chegou o tempo em que deve tomar lugar
nos conhecimentos humanos. Assim sendo, é preciso saber esperar
o momento oportuno para tal transformação, pois as idéias
novas não são aceitas incontinenti. Os espíritas
deveriam proceder como o semeador que, depois de jogar a semente na
terra, cuida de seu crescimento, esperando o momento certo para colher
os frutos.
O futuro do Espiritismo depende do que os espíritas
estão fazendo no presente. Sendo assim, procuremos nos
regozijar sempre, quer estejamos alegres ou tristes, pois criaremos
um clima de muita paz e harmonia em volta de nós mesmos.
http://www.ceismael.com.br/artigo/artigo107.htm
topo