SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito: 2.1.
Sentidos da Palavra Ciência; 2.2. Características da Ciência;
2.3. Algumas Definições. 3. Histórico. 4. Relação
entre Ciência e Religião. 5. Ciência Espírita:
5.1. Ciência Natural e Ciência Espírita; 5.2. Experimentadores
Espíritas. 6. Cultivo da Ciência Espírita. 7. Conclusão.
8. bibliografia Consultada
1. INTRODUÇÃO
O objetivo deste estudo é mostrar que a teoria
espírita não parte de idéias preconcebidas e imaginárias;
é fruto de um árduo trabalho de pesquisa das inter-relações
entre matéria e Espírito. Para tanto, procede da mesma
forma que a ciência natural. Para que possamos desenvolver as
nossas idéias, preparamos um pequeno roteiro: conceito, histórico,
relação entre ciência e religião, ciência
espírita e cultivo da ciência espírita.
2. CONCEITO
2.1. SENTIDOS DA PALAVRA CIÊNCIA
A palavra ciência é usada com diversas
significações. Em sentido amplo, ciência significa
simplesmente conhecimento, como na expressão tomar ciência
disto ou daquilo; em sentido restrito, ciência não significa
um conhecimento qualquer, e sim um conhecimento que não só
apreende ou registra fatos, mas os demonstra pelas suas causas determinantes
ou constitutivas. (Ruiz, 1979, p. 123)
2.2. CARACTERÍSTICAS DA CIÊNCIA
Cumpre observar que as definições de ciência
são numerosas. Seria mais coerente enumerar algumas de suas características,
ou seja:
2.2.1. Conhecimento pelas causas
Ao contrário do conhecimento vulgar, o conhecimento
científico implica em conhecer pelas causas. Se o cientista observa
a chuva, ele quer saber porque chove, dispensando a influência
dos deuses. Age da mesma forma com relação a um fato político.
Com respeito ao aparecimento de Napoleão Bonaparte no quadro
político internacional, o cientista não dirá simplesmente
que Napoleão fora um gênio militar, mas procurará
as causas políticas e econômicas que o fizeram emergir
no cenário mundial.
2.2.2. Profundidade e generalidade de suas condições
O conhecimento pelas causas é o modo mais íntimo
e profundo de se atingir o real. A ciência não se contenta
em registrar fatos, quer também verificar a sua regularidade,
a sua coerência lógica, a sua previsão etc. A ciência
generaliza porque atinge a constituição íntima
e a causa comum a todos os fenômenos da mesma espécie.
A validade universal dos enunciados científicos confere à
ciência a prerrogativa de fazer prognósticos seguros.
2.2.3. Objeto formal
A finalidade da ciência é manifestar a
evidência dos fatos e não das idéias. Procede por
via experimental, indutiva, objetiva; suas demonstrações
consistem na apresentação das causas físicas determinantes
ou constitutivas das realidades experimentalmente controladas. Não
se submete a argumentos de autoridade, mas tão-somente à
evidência dos fatos.
2.2.4. Controle dos fatos
Ao utilizar a observação, a experiência
e os testes estatísticos tenta dar um caráter de exatidão
aos fatos. Embora os enunciados científicos possam ser passíveis
de revisões pela sua natureza “tentativa”, no seu
estado atual de desenvolvimento, a ciência fixa degraus sólidos
na subida para o integral conhecimento da realidade. (Ruiz, 1979, p.
124 a 126)
2.3. ALGUMAS DEFINIÇÕES
- Conhecimento certo do real pelas suas causas.
- Conjunto orgânico de conclusões certas
e gerais metodicamente demonstradas e relacionadas com objeto determinado.
- Atividade que se propõe demonstrar a verdade
dos fatos experimentais e suas aplicações práticas.
- Estudo de problemas solúveis, mediante método
científico.
- Conjunto de conhecimentos organizados relativos a uma
determinada matéria, comprovados empiricamente. (Ruiz,
1979, p. 126)
3. HISTÓRICO
Garcia Morente, em Fundamentos de Filosofia,
ao analisar o conceito de filosofia através dos tempos, conduz-nos
à origem da ciência. Diz-nos ele que todo o conhecimento
desde a Antigüidade clássica até a Idade Média
era entendido como sendo filosófico. Somente a partir do século
XVII, o campo imenso da filosofia começa a partir-se. Começam
a sair do seio da filosofia as ciências particulares, não
somente porque essas ciências vão se constituindo com seu
objeto próprio, seus métodos próprios e seus progressos
próprios, como também porque pouco a pouco os cultivadores
vão igualmente se especializando. (1970, p. 28)
Devemos deixar claro que as ciências, por essa
mesma razão se completam e uma necessita da outra. Observe que
a Astronomia, a primeira das ciências, só atingiu a maioridade,
depois que a Física veio revelar a lei de forças dos agentes
naturais.
O Espiritismo entra nesse processo histórico
dentro de uma característica sui generis, ou seja, enquanto a
ciência propicia a revolução material, o Espiritismo
deve propiciar a revolução moral. É que Espiritismo
e Ciência se completam reciprocamente; a Ciência, sem o
Espiritismo, se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos
só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência,
faltariam apoio e comprovação. O estudo das leis da matéria
tinha que preceder o da espiritualidade, porque a matéria é
que primeiro fere os sentidos. Se o Espiritismo tivesse vindo antes
das descobertas científicas, teria abortado, como tudo quanto
surge antes do tempo. (Kardec, 1975, p. 21)
4. RELAÇÃO ENTRE CIÊNCIA
E RELIGIÃO
A estrutura do pensamento na Idade Média estava
condicionada à Escolástica, movimento filosófico
religioso, que submetia a razão à fé. Havia tamanha
ingerência da Igreja nas questões sociais, políticas
e econômicas, que por qualquer desvio da ordem preestabelecida,
muitos acabavam pagando com a própria vida por tal heresia. Acontece
que as coisas se modificam e a verdade acaba por vencer os erros da
ignorância.
Galileu, em 1609, constrói o
telescópio e, com isso, muda radicalmente a visão do homem
quanto ao Universo e à própria vida. Porém, o Santo
Ofício contrapunha: o telescópio poderia, com efeito,
revelar coisas inacessíveis à vista desarmada. Mas revelava-as,
no dizer dos críticos, por mediação do demônio:
era uma forma de magia e, por isso, fundamentalmente uma ilusão.
Copérnico, Kepler e Galileu estavam a transformar o mundo visível
num jogo de sombras. O Sol não se movia, a Terra sim, o céu
tinha fantasmas escondidos. (Bronowski, 1988, p. 138)
Dizia Galileu acerca do uso de citações
bíblicas nos assuntos da Ciência: “Parece-me
que na discussão de problemas naturais, não devemos começar
pela autoridade de passagens da Escritura, mas por experiências
sensíveis e demonstrações necessárias. Pois,
quer a Sagrada Escritura, quer a natureza, procedem ambas da Palavra
Divina. (Bronowski, 1988, p. 140)
A consciência religiosa impregna-se de tal maneira
em nosso psiquismo que não somos capazes de mudá-la a
contento. Observe a perseguição que Calvino imputou a
Serveto, médico e cientista que vivia em França, e que
escreveu um livro atacando a doutrina ortodoxa da Trindade. A fúria
de Calvino foi a ponto de, sendo ele mesmo herético da Igreja
Católica, ter secretamente acusado Serveto de heresia junto da
Inquisição católica da França. Embora o
seu livro não tivesse sido escrito nem publicado em Genebra,
Calvino prendeu Serveto e queimou-o na Fogueira. (Bronowski,
1988, p. 110)
Essa divergência entre ciência e religião
continua ainda nos dias que correm. Contudo, de acordo com Allan Kardec
em O Evangelho Segundo o Espiritismo, a Ciência e a Religião
não puderam se entender até hoje, porque, cada uma examinando
as coisas sob seu ponto de vista exclusivo, se repeliam mutuamente.
Seria preciso alguma coisa para preencher o vazio que as separava, um
traço de união que as aproximasse; esse traço de
união está no conhecimento das leis que regem o mundo
espiritual e suas relações com o mundo corporal, leis
tão imutáveis como as que regem o movimento dos astros
e a existência dos seres. Essas relações, uma vez
constatadas pela experiência, uma luz nova se fez: a fé
se dirigiu à razão e a razão não tendo encontrado
nada de ilógico na fé, o materialismo foi vencido. (1984,
p. 37)
5. CIÊNCIA ESPÍRITA
5.1. CIÊNCIA NATURAL E CIÊNCIA ESPÍRITA
As Ciências Naturais, com o passar do tempo, deixaram
de ser dogmáticas para serem teóricas experimentais. Elas
tornam-se positivas, ou seja, baseiam-se em fatos. Uma determinada teoria
só existirá como lei se comprovada pelos fatos. O Espiritismo
não foge a essa regra e age da mesma sorte. Assim:
Ciência Natural: o conhecimento
é fundamentado na observação e experiência.
Formulam-se HIPÓTESES baseadas na percepção
sensorial. Sobre as hipóteses estabelecem-se, dedutivamente CONSEQÜÊNCIAS.
As conseqüências serão aceitas como verdadeiras, se
confirmadas pela observação e experiência —
pela percepção sensorial.
Ciência Espírita: o conhecimento
é fundamentado na observação e experiência
mediúnicas. Formulam-se HIPÓTESES baseadas
na mediunidade. Sobre as hipóteses estabelecem-se, dedutivamente
CONSEQÜÊNCIAS. As conseqüências
serão aceitas como verdadeiras, se confirmadas pela observação
e experiência mediúnicas — pela mediunidade.
O procedimento é idêntico. A diferença
consiste na natureza das percepções consideradas. Desde
que fique certificado que as percepções sensoriais e as
percepções mediúnicas têm a mesma validade,
o conhecimento é igualmente válido. (Curti, 1981, p. 17)
5.2. EXPERIMENTADORES ESPÍRITAS
W. Crookes falecido em 1910 inicia
a era científica do Espiritismo com as suas célebres experiências
realizadas de 1870 a 1874, com os médiuns Dunglas Home, Kate
Fox e Florence Cook, tendo obtido a materialização completa,
integral, de um Espírito falecido numa recuada época,
Katie King, que Crookes estudou durante três anos consecutivos,
em colaboração com outros sábios ingleses, fato
que teve uma repercussão mundial. Empregou método rigorosamente
científico, inventando e adaptando variados aparelhos registradores.
(Freire, 1955, p. 95)
Gabriel Dellane em O Fenômeno
Espírita relata a criação de vários
aparelhos medidores da força psíquica. A experiência
de Robert Hare é sugestiva: “A longa extremidade de
uma prancha foi presa a uma balança espiral, com um indicador
fixo para marcar o peso. A mão do médium foi colocada
sobre a outra extremidade da prancha, de modo que, qualquer pressão
que houvesse, não pudesse ser exercida para baixo; mas, pelo
contrário, produzisse efeito oposto, isto é, suspendesse
a outra extremidade. Com grande surpresa sua, esta extremidade desceu,
aumentando assim o peso de algumas libras na balança”.
(1990, p. 66)
Não são poucos os nomes ligados à
experimentação espírita. Cabe destacar que a maioria
deles foram ao fenômeno para desmascarar os médiuns, chamados
de embusteiros. Como eram cientistas e valiam-se dos fatos, acabaram
sendo convencidos pela verdade mediúnica.
Os ingleses, por exemplo, tem um aparelho, baseado nos
eletroencefalogramas, destinado a medir as vibrações dos
neurônios cerebrais quando um indivíduo está em
transe, e verificar se se trata de fenômenos anímicos ou
da inteligência de uma outra mente.
6. CULTIVO DA CIÊNCIA ESPÍRITA
- A conquista dos segredos da natureza exige pesquisa
paciente e metódica. Ninguém pretenda alcançar
o conhecimento das leis naturais, agindo atabalhoadamente, sem um roteiro,
sem um sistema racional, sem um método.
- O método não significa exclusivamente
ordem. Faz, também, parte integrante dele a honestidade, o amor
à verdade, o equilíbrio emocional, a ausência de
prejuízos doutrinários e muitas outras atitudes positivas
devem aureolar o verdadeiro investigador.
- Lembremo-nos de que o maior inimigo do pesquisador
espírita é, sem dúvida, o seu emocional, carregado
muitas vezes do pensamento mágico.
- Toda experiência carece ser cuidadosamente planejada
e seus resultados submetidos a rigorosa análise. Ao legítimo
pesquisador não interessa seja confirmada este ou aquele ponto
vista, e sim revelado qual o que está certo. Para ele só
há um objetivo: a verdade.
- Toda experimentação precisa ser repetida
um grande número de vezes, e seus resultados convém anotados
cuidadosamente para posterior tratamento estatístico.
- O Pesquisador científico do Espiritismo deve
ter conhecimento das Ciências Naturais e da matemática.
(Andrade, 1960, cap. II)
- Não se aprende a ciência espírita
sem tempo para reflexão. Por isso, nada de precipitação.
O correto é aplicar-se de maneira exaustiva, excluir toda a influência
material, e observar criteriosamente os fenômenos, tanto os bons
quanto os maus.
7. CONCLUSÃO
A ciência aumentou sobremaneira a capacidade de
instrumentalização do homem. Desenvolvendo tecnologias
avançadas, liberou a mão de obra para atuar na área
de serviços e pesquisas científicas. À medida que
a ciência avança, o indivíduo fica com mais tempo
livre. Os princípios espíritas auxiliam não só
a dar uma direção ao tempo livre do homem como também
na criação e na utilização da nova tecnologia.
Sem uma clara distinção entre o bem e o mal, podemos enveredar
todo o nosso progresso científico para a destruição
do nosso planeta.
O Espiritismo surgiu no momento oportuno, quando as
ciências já tinham desenvolvido o método teórico-experimental,
facilitando a sua aceitação com mais naturalidade. Sabe-se
que cada um deve progredir por si mesmo, descobrindo as suas próprias
verdades. Porém, a presença de um professor diminui o
tempo que levaríamos, caso quiséssemos descobrir tudo
por nós mesmos. O Espiritismo é esse professor que nos
estimula o pensamento na busca da verdade e na prática da caridade
como meio de salvação de nossas almas.
8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
ANDRADE, H. G. Novos Rumos à Experimentação
Espirítica. São Paulo, Livraria Batuíra,1960.
BRONOWSKI, J. e MAZLICHE, ___. A Tradição
Intelectual do Ocidente. Lisboa, Edições 70, 1988.
CURTI, R. Espiritismo e Reforma Íntima. 3.
ed., São Paulo, FEESP, 1981.
DELANNE, G. O Fenômeno Espírita. 5. ed.,
Rio de Janeiro, FEB, 1990.
FREIRE, J. Ciência e Espiritismo (Da Sabedoria
Antiga à Época Contemporânea). 2 ed., Rio de Janeiro,
FEB, 1955.
GARCIA MORENTE, M. Fundamentos de Filosofia - Lições
Preliminares. 4. ed., São Paulo, Mestre Jou, 1970.
KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições
Segundo o Espiritismo. 17. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1976.
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39.
ed., São Paulo, IDE, 1984.
RUIZ, J. A. Metodologia Científica - Guia para
Eficiência nos Estudos. São Paulo, Atlas, 1979.
http://www.ceismael.com.br/artigo/artigo037.htm
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