Maria Cristina Mariante Guarnieri
MORTE NO CORPO, VIDA NO ESPÍRITO:
O PROCESSO DE LUTO NA PRÁTICA ESPÍRITA DA PSICOGRAFIA
MESTRADO EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO
- PUC/SP - 2001
RESUMO
A tendência à banalização da morte e do morrer
tem crescido muito. O mundo secularizado trouxe grandes avanços
para a humanidade mas, como consequência, uma dura realidade se
revela: não há lugar para as expressões de sofrimento,
dor e morte. Esta realidade já é visível nos grandes
centros urbanos, onde os ritos e espaços que possibilitam a integração
e a reflexão sobre a morte, são pouco valorizados. Entrar
em contato com a morte nos obriga a encontrar um outro sentido para
a vida, mas também nos leva a buscar o da morte.
Partindo da compreensão sobre morte e luto no desenvolvimento
humano, baseada em autores como Carl Gustav Jung, John Bowlby, Colin
Parkes, foi possível perceber que o tema pedia uma ampliação
para abordá-lo. A sociologia do conhecimento de Peter Berger
e Thomas Luckmann, a antropologia da morte de Edgar Morin, as contribuições
do historiador Phillipe Àries auxiliaram em uma visão
mais completa deste ser humano diante da consciência de sua mortalidade.
O objetivo desta dissertação é demonstrar a importância
do espaço religioso, especificamente o espiritismo, como continente
à elaboração do luto e às questões
sobre a finitude humana. O espiritismo, por acreditar em uma vida após
a morte, entende que é possível comunicar-se com os espíritos
dos mortos. A prática da psicografia, analisada neste trabalho,
acaba sendo um meio facilitador nesta elaboração e acaba
por criar um espaço de acolhimento deste enlutado e de suas questões.
Finalizando, foram escutados 17 enlutados que contam sobre sua experiência
de perda, fundamentando a importância de nos abrirmos para questão,
do sentido de ser humano. Este trabalho pretende contribuir para a compreensão
da religiosidade como pertencente a psique humana e como a existência
do indivíduo é permeada por crenças, símbolos
e atitudes religiosas que permitem integrar a morte em sua história
mas, principalmente, resgatar e valorizar a vida.
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