Este estudo é um resumo do que foi abordado no seminário
“Células-tronco”, coordenado por Luiz Carlos Formiga
com auxílio de Cláudia Valente, realizado em 29 de maio
de 2008, no Centro Espírita Amaral Ornellas, Rua Doutor Leal,
76 (Engenho de Dentro), Rio de Janeiro, RJ.
Abaixo a relação de
perguntas previamente formuladas pelo grupo de estudos e abordadas durante
o seminário:
Para espiritualistas em geral, é perfeitamente
compreensível que, ao se utilizar os embriões de células
tronco, está se interrompendo a existência de algum espírito.
Mas como convencer os céticos? Que justificativa utilizar?
A Doutrina Espírita é a favor de utilizar
as células tronco de uma pessoa nela mesma. Por que os cientistas
e políticos não pensaram apenas neste tipo de utilização?
Aos olhos deles, isso traria algum tipo de prejuízo?
Quanto tempo demora, mais ou menos, para que uma questão
polêmica como essa seja aprovada?
Segundo a questão 344 de “O Livro dos Espíritos”,
"No momento da concepção, o espírito designado
para habitar determinado corpo se liga a ele por um laço fluídico
e vai aumentando essa ligação cada vez mais (...). Se
a utilização dos embriões de células tronco
já fosse permitida, a que tipo de sofrimentos estes espíritos
recém ligados estariam suscetíveis, além da impossibilidade
de reencarnar?
Estamos sendo testemunhas de uma discussão entre
os que estão a favor e aqueles que estão contra. E em
relação ao mundo espiritual? É possível
que espíritos interessados neste obstáculo à reencarnação
possam estar influenciando de alguma forma?
Um grupo de mulheres doa suas células-tronco
embrionárias para a pesquisa. Cientificamente, isto não
seria considerado um aborto?
Os argumentos a favor da utilização de
células-tronco embrionárias (cura de doenças, reconstituição
de órgãos etc) poderiam ser uma forma de mascarar um objetivo
principal como a clonagem, por exemplo?
Os espíritos Superiores não se têm
manifestado em relação à questão?
Questões adicionais enviadas posteriormente
por e-mail
Creio que toda existência carnal do Espírito
se inicia na fecundação ou quando um novo corpo começa
a existir (na possível clonagem humana, não há
fecundação, não é?). E será que em
toda fecundação humana, natural ou in vitro, liga-se a
todo embrião um Espírito reencarnante?
Haverá meios científicos de se detectar
a existência de um ser vivo nos embriões? Fala-se de equipamentos
que futuramente poderão identificar se determinado embrião
tem a ele ligado, ou não, um espírito reencarnante. Isto
se daria através da identificação de campos biomagnéticos,
utilizando-se um tensionador espacial magnético (TEM). Será
possível?
O embrião, desde a sua fase inicial de zigoto,
já é o próprio organismo humano vivo, já
que está totalmente constituído para o seu pleno desenvolvimento
e também porque, até a sua fase de blastócito –
período em que as células se multiplicam de forma ordenada,
mas ainda não são diferenciadas – já exerce
atividades programadas que darão suporte às próximas
fases da sua formação?
Uma vez que se conclua que todos ou parte dos embriões
congelados já sejam seres vivos, com espíritos a eles
ligados, além de parar de se produzir embriões excedentes
nas reproduções assistidas, o que fazer com os que já
estão armazenados?
Na fertilização in vitro, ao se manipular
os embriões que serão colocados no útero para gerar
filhos, não estaria havendo uma agressão imposta ao corpo
desses seres humanos, já que o método utilizado não
está isento de possíveis seqüelas? Ou seja, os que
manipulam os embriões humanos, mesmo os que serão implantados
no útero para reprodução, não serão
eles agentes nos problemas de saúde que daí possam surgir
nesses indivíduos? Não acha que não cabe ao homem,
imprimir a vida de quem quer que seja, uma doença, assim como
a sua morte?
As células adultas têm o mesmo potencial
que as células embrionárias para se transformar em diferentes
tipos de células?
Nos casos de fetos anencéfalos (sem cérebro)
e também de estupro, também nesses casos não se
deve praticar o aborto, certo?
Em seguida temos alguns textos usados como referencias
para responder às questões colocadas acima.
Ser professor universitário (1)
Ética, sociedade e terceiro milênio
A ética visa mais o bem a ser conquistado
e garantido que ao mal que deve ser evitado. A bioética é
a ética aplicada aos novos problemas que se desenvolvem nas fronteiras
da vida. Vem em salvaguarda do ser humano: na singularidade da individualidade,
mas também na universalidade da sua humanidade. Não pretende
ser restritiva, mas tem a tarefa de colocar limites éticos a
fim de salvaguardar a pessoa humana, sua vida e humanidade.
O progresso tecnológico da biomedicina levanta problemas éticos,
que requerem da bioética reflexão prática. A questão
“o que posso fazer?” Deve estar acompanhada das perguntas
do imperativo ético “o que devo fazer? O que é bom
fazer? Qual é o bem a ser preservado e o bem a ser promovido”.
A ética ao falar de valores e agir humano, parte do pressuposto
que todo ser humano age por uma motivação em vista de
uma finalidade. É sabido que entre a motivação
e a finalidade não existe uma transparência que determine
ser todo ato bom e responsável. Vários fatores psicológicos,
sociais e culturais podem influenciar estes atos. Um ato humano, mesmo
os atos médicos e científicos, podem ser maus e irresponsáveis
se as motivações forem egoístas ou se a finalidade
for a ganância de fama, poder ou riquezas.
A reflexão ética visa identificar os valores humanos e
a elaboração de normas de comportamento, para a garantia
do bem humano e social. A bioética identifica a vida como um
bem, e quer compreendê-la melhor, identificando os valores que
a acompanham e favorecem como um bem. Busca também a elaboração
de normas de comportamento que garantam este bem. Normas que são
regidas pela humanidade presente em cada um de nós. Esse progresso
depende da educação.
O projeto de declaração sobre o genoma humano, do comitê
internacional da UNESCO, proclama a necessidade do ensino:
“art.16: os Estados se comprometem a promover um ensino específico
concernente às implicações éticas, sociais
e médicas da biologia e da genética humana.”
É um ensino que deve permitir a todos exercerem responsabilidades
próprias ante as novas situações derivadas do avanço
das ciências da vida. Os novos e diferentes desafios precisam
ser apreendidos em toda a sua complexidade.
Produzir profissional qualificado implica em aquisição
e produção de conhecimento; de capacidade técnica
e de atitudes profissionais. Assim existe a necessidade de contínua
informação, atualização técnica e
formação permanente. Ser informado das novas técnicas
implica em saber executá-las, mas também em saber posicionar-se
diante dos problemas éticos que dela decorrem.
O salto de qualidade no ensino será o da informação
para a formação de uma nova consciência profissional,
integrada a um universo biomédico com a sua especificidade humana,
capaz do diálogo, da clareza de percepção dos problemas
éticos e da objetividade de apresentação destas
questões em vista da decisão a ser tomada em conjunto
com outros envolvidos naquele ato biomédico, seja ele um atendimento
ou uma pesquisa.
Em síntese: um profissional ético com consciência
crítica, livre, criativa e responsável, capaz do diálogo.
O preparo para a reencarnação
Existe algum preparo para o espírito reencarnar?
Se existe, qual é? O espírito pode ser obrigado a reencarnar?
A lei de hereditariedade influi no espírito? Ele reencarna consciente
ou inconsciente? Quando termina o processo da reencarnação?
Por que o esquecimento?
"Missionários da Luz", capítulo 12, Preparação
de experiências, André Luiz, psicografia de Francisco Cândido
Xavier:
"Segismundo voltará ao rio da vida física. A situação
assim exige e não devemos perder a oportunidade de encaminhá-lo
ao necessário resgate... Tudo está preparado afim de que
Segismundo regresse à companhia da vítima e do inimigo
do pretérito, no sentido de santificar o coração.
Será ele, de conformidade com a permissão de nossos Maiores,
o segundo filhinho do casal... Infelizmente, Adelino, que lhe será
o futuro pai transitório, repele-o com calor, tão logo
surgem as horas do sono físico, trabalhando contra os nossos
melhores propósitos de harmonização. Em vista disso
o trabalho preparatório da nova experiência tem sido muito
moroso e desagradável."
Palavras de Alexandre, instrutor de André Luiz, sobre o preparo
da reencarnação:
"Temos bons amigos no Planejamento de Reencarnações.
Nesta instituição, durante alguns dias, você terá
idéia aproximada da nossa tarefa, portas adentro de semelhante
trabalho. Grande percentagem de reencarnações se processa
em moldes padronizados para todos, no campo das manifestações
puramente evolutivas. Mas outra porcentagem não obedece ao mesmo
programa. Elevando-se a alma em cultura e conhecimentos, e, em responsabilidade,
o processo individual é mais complexo, fugindo à expressão
geral, como é lógico. Em vista disso, as colônias
espirituais mais elevadas mantêm serviços especiais para
trabalhadores e missionários."
"As entidades sob nossos olhos são trabalhadores da nossa
esfera interessados em reencarnações próximas.
Nem todos estão diretamente ligados a semelhantes propósitos,
porque grande parte está no trabalho de intercessão, obtendo
favores desta natureza para amigos íntimos. Os rolos brancos
que conduzem são pequenos mapas de formas orgânicas, elaborados
por orientadores do nosso plano, especializados em conhecimentos biológicos
de existência terrena. Conforme o grau de adiantamento do futuro
reencarnante e de acordo com o serviço que lhe é necessário
estabelecer planos adequados aos fins essenciais."
E a lei da hereditariedade? "Funciona com inalienável domínio
sobre todos os seres em evolução, mas sofre, naturalmente,
de todos aqueles que alcançam qualidades superiores ao ambiente
geral. Além do mais, quando os interessados em experiências
novas no plano da crosta e merecedor de serviços “intercessórios”,
as forças mais elevadas podem imprimir certas modificações
à matéria, sede de atividades embriológicas, determinando
alterações favoráveis ao trabalho de redenção."
Após conseguir o perdão e a permissão dos futuros
pais para a reencarnação encontramos Segismundo momentos
antes de reencarnar: "Já estive mais animado – disse-me
ele, triste -, entretanto agora falecem-me as energias... sinto-me fraco,
incapacitado... agora tenho receio de novos fracassos...".
Em “O Livro dos Espíritos”, questão 339: O
momento da encarnação é acompanhado de uma perturbação
semelhante aquela que tem lugar na desencarnação? –
Muito maior e sobretudo mais longa. Na morte, o espírito sai
da escravidão, no nascimento, entra nela.
"Existem, então aqueles que reencarnam inconscientes do
ato que realizam?Certamente – respondeu Alexandre, solícito
- assim também como desencarnam diariamente na crosta milhares
de pessoas sem a menor noção do ato que experimentam,
somente as almas educadas tem compreensão real da verdade que
se lhes apresenta em frente da morte do corpo. Do mesmo modo, aqui,
a maioria dos que retornam a existência corporal na esfera do
globo é magnetizada pelos benfeitores espirituais, que lhe organizam
novas tarefas redentoras, e quantos recebem semelhante auxílio
são conduzidos ao templo maternal de carne como crianças
adormecidas. O trabalho inicial, que a rigor lhes compete na organização
do feto, passa a ser executado pela mente materna e pelos amigos que
os ajudam de nosso plano. São inúmeros os que regressam
a crosta nessas condições."
Emmanuel em "Esquecimento e reencarnação", do
livro Religião dos Espíritos: "Encetando uma nova
existência corpórea, para determinado efeito, a criatura
recebe, desse modo, implementos cerebrais completamente novos, no domínio
das energias físicas, e, para que se lhe adormeça a memória,
funciona a hipnose natural como recurso básico, de vez que, em
muitas ocasiões, dorme em pesada letargia, muito tempo ates de
acolher-se ao abrigo materno. Na melhor das hipóteses, quando
desfruta de grande atividade mental nas esferas superiores só
é compelida ao sono, relativamente profundo, enquanto perdure
a vida fetal. Em ambos os casos, há prostração
psíquica nos primeiros sete anos de tenra instrumentação
fisiológica dos encarnados, tempo que se lhes reaviva a experiência
terrestre..."
"E isso, na essência, e o que verdadeiramente acontece, porque,
pouco a pouco, o espírito reencarnado retoma a herança
de si mesmo, na estrutura psicológica do destino, reavendo o
patrimônio das realizações e das dívidas
que acumulou, a se lhe regravarem no ser, em forma de tendências
inatas, e reencontrando as pessoas e as circunstâncias, as simpatias
e as aversões, as vantagens e as dificuldades, com as quais se
afinizado ou comprometido...".
"A moldura social ou doméstica, muitas vezes, é diferente,
mas, no quadro do trabalho e da luta, a consciência é a
mesma, com a obrigação de aprimorar-se, ante a benção
de Deus, para a luz da imortalidade." (2)
Anomalias fetais: abortar?
Anencéfalo tem alma? Que é a alma? Seria
válido o aborto diante de anomalias fetais graves e incuráveis?
Como detectar a presença do espírito? Há um espírito
encarnado?
Segundo estimativas extra-oficiais, existem hoje no Brasil mais de 350
alvarás judiciais autorizando a prática da interrupção
seletiva da gravidez em nome de anomalias fetais incompatíveis
com a vida extra-uterina.
Sabe-se que há relação direta entre
fetos anencéfalos e abortamento espontâneo. Cerca de 65%
morrem no período intra-útero. Dos que sobrevivem, cerca
de 2/3 falecem nas primeiras três horas. Alguns registros mostraram
que, de 180 anencéfalos vivos, 58% não sobreviveram após
as primeiras 24 horas. Quando a alma está presente?
Que é a alma? A resposta é encontrada em “O Livro
dos Espíritos”, na questão 134 e diz que é
“um espírito encarnado”. Mas, que era a alma antes
de se unir ao corpo? “Um Espírito”. O corpo pode
existir sem alma, não sendo um homem mas massa de carne sem inteligência
(questão 136). Na agonia (processo de desencarnação),
algumas vezes, já tem deixado o corpo havendo apenas vida orgânica.
Cabe perguntar, sob o ponto de vista prático, como saber se o
espírito já deixou o corpo e como saber se está
ligado ao corpo do anencéfalo. Nas questões deste capítulo
de "O Livro dos Espíritos" vamos encontrar novamente
o vocábulo (alguns/ algumas) na questão 356, onde verificamos
que entre os natimortos há alguns onde não foi destinada
a encarnação de espíritos. Por outro lado, “O
Livro dos Espíritos” é claro quando informa que
se a criança vive após o nascimento ela tem forçosamente
encarnado em si um espírito e é um ser humano (questão
356b). Interessante é que não tendo sido destinado à
encarnação de espíritos, corpos podem chegar a
termo de nascimento, algumas vezes (de novo o vocábulo), mas
não vivem (questão 356a). Essas questões parecem
explicar (percentuais referidos anteriormente) os 65% de anencéfalos
que morrem no período intra-útero e ainda os outros 42%
que sobrevivem após as primeiras 24 horas.
Uma mulher tem o direito de levar a termo uma gestação
com uma criança seriamente afetada, quando isso representa uma
carga financeira e social imensa para toda a sociedade?
No momento de decisão vamos nos debruçar sobre a resposta
dada pelos Espíritos Superiores (na questão 356b) –
“há forçosamente um espírito encarnado”.
Fontes é enfático: “decretar viver ou morrer não
é poder do juiz.” Certamente ele vai deixar os calouros
de direito em reflexão profunda, quando adjetiva: “mais
inviável do que o nascituro tido como anencéfalo é
a pretensão de alcançar judicialmente uma autorização
de aborto, porquanto injusta, ilegal, inconstitucional, juridicamente
impossível, irrelevante e inútil.” (3)
“Ora, minha amiga, estamos discutindo a existência
de alguém que ainda nem é uma pessoa. É apenas
um amontoado de células. Eu estou defendendo a mulher e você
vai ficar defendendo um feto!” (...) “A mulher é
sempre ignorada. Essa é a grande questão do nosso século.
As mulheres que abortam, no Brasil, não o fazem por opção.
Quando falo no direito de abortar falo em direito à vida humana,
decente e digna. É preciso existir estrutura para gerar filhos,
foi você mesma quem colocou!”
“Sim”, veio a resposta: “e deve ser aí que
devemos gastar a nossa energia e não tentando desumanizar o outro!
Sempre que se quer humilhar, castrar, limitar ou matar o outro, recorre-se
a esta técnica consagrada. O primeiro ato é desumanizar.
Se o embrião é um "vir a ser", mas não
é ainda por que não suprimi-lo em favor dos que são?
Hitler e Stálin tinham idéias, até nobres, pelas
quais se delegaram o direito, e até o dever, de matar judeus,
dissidentes, capitalistas, comunistas e católicos. O que se quer
é “desumanizar” o embrião para adormecer as
consciências com uma legitimidade. "A ciência não
tem uma definição de vida, portanto não pode justificar
um procedimento tão grave sobre o que desconhece.”. (4)
Com relação às pesquisas no campo
das células tronco, dos embriões congelados, há
divergências entre a opinião da ciência e a da religião.
O que você nos diz sobre essa questão? Responde o médium
Divaldo Pereira Franco. - Quando for possível fazer uma ponte
entre ciência e religião, fica muito mais fácil.
A tarefa da ciência, indubitavelmente, é pesquisar. Se
a ciência tivesse limites, hoje nós não teríamos
a tecnologia de ponta que nos facilita tanto a comunidade, inclusive
o prolongamento da vida. Mas, nessa busca da investigação
científica, às vezes alguns pesquisadores exorbitam. Toda
vez, quando a vida corre ameaça, é compreensível
que haja uma bioética. As grandes nações trabalham
isto e o Brasil também, para que se estabeleça uma bioética.
Nem tudo deve ser permitido na área da investigação.”
(...) "No caso das células tronco, a Doutrina Espírita,
na sua visão religiosa, é totalmente favorável.
Toda e qualquer pesquisa que objetive o progresso, a diminuição
das dores, a mudança de situação da criatura, é
válida, mas para tanto é necessário respeitar a
vida que está em processo de desenvolvimento.” (...) “A
ciência vai descobrir que essa vida embrionária não
é de espontaneidade da matéria, mas sim da presença
do Espírito. Ao destruí-los se interrompe uma futura existência,
com menos conseqüências negativas, porque os Espíritos
que ali se encontram imantados estão também cumprindo
um período de provas e essa própria prova é uma
maneira de resgatar débitos do passado.” (5)
Transdisciplinaridade (6)
Artigo 13. A ética transdisciplinar recusa toda
atitude que recusa o diálogo, a discussão, seja qual for
sua origem – de ordem ideológica, científica, religiosa,
econômica, política ou filosófica. O saber compartilhado
deverá conduzir a uma compreensão compartilhada baseada
no respeito absoluto das diferenças entre os seres, unidos pela
vida comum sobre uma única e mesma Terra.
Artigo 1 - Qualquer tentativa de reduzir o ser humano
a uma mera definição e de dissolvê-lo nas estruturas
formais, sejam elas quais forem, é incompatível com a
visão transdisciplinar.
Artigo 2 - O reconhecimento da existência de diferentes
níveis de realidade, regido por lógicas diferentes é
inerente à atitude transdisciplinar. Qualquer tentativa de reduzir
a realidade a um único nível regido por uma única
lógica não se situa no campo da transdisciplinaridade.
Artigo 12 - A elaboração de uma economia
transdisciplinar é fundada sobre o postulado de que a economia
deve estar a serviço do ser humano e não o inverso.
Artigo 3 - A transdisciplinaridade é complementar
à aproximação disciplinar: faz emergir da confrontação
das disciplinas dados novos que as articulam entre si; oferece-nos uma
nova visão da natureza e da realidade. A transdisciplinaridade
não procura o domínio sobre as várias outras disciplinas,
mas a abertura de todas elas àquilo que as atravessa e as ultrapassa.
Artigo 5 - A visão transdisciplinar está
resolutamente aberta na medida em que ela ultrapassa o domínio
das ciências exatas por seu diálogo e sua reconciliação
não somente com as ciências humanas, mas também
com a arte, a literatura, a poesia e a experiência espiritual.
Artigo 9 - A transdisciplinaridade conduz a uma atitude
aberta com respeito aos mitos, às religiões e àqueles
que os respeitam em um espírito transdisciplinar.
Artigo 10 - Não existe um lugar cultural privilegiado
de onde se possam julgar as outras culturas. O movimento transdisciplinar
é em si transcultural.
Artigo 7 - A transdisciplinaridade não constitui
uma nova religião, uma nova filosofia, uma nova metafísica
ou uma ciência das ciências.)
Artigo 14 - Rigor, abertura e tolerância são
características fundamentais da atitude e da visão transdisciplinar.
O rigor na argumentação, que leva em conta todos os dados,
é a barreira às possíveis distorções.
A abertura comporta a aceitação do desconhecimento, do
inesperado e do imprevisível. A tolerância é o reconhecimento
do direito às idéias e verdades contrárias às
nossas.
O Biodireito e a Tendência da Constitucionalização
do Direito Internacional:
A Dignidade da pessoa Humana como Valor Universal (7)
Conclusão
É indiscutível, nos dias atuais, que a
humanidade está assistindo a uma verdadeira “revolução”
provocada pela biotecnologia e pela biomedicina, trazendo uma série
de questionamentos jamais pensados por qualquer ramo do conhecimento.
Questões como aborto, eutanásia, ortotanásia, clonagem
humana, são assuntos que envolvem vida e morte de seres humanos.
Ética e direito, bioética e biodireito, direito constitucional
e direito internacional devem estar agindo em conjunto para que se encontre
o famigerado “ponto de equilíbrio” entre a ânsia
pelo desconhecido, a vaidade desenfreada e o senso comum daquilo que
é ético, digno, justo.
Neste prima, questões éticas são suscitadas, aliadas
às legislações nacionais e internacionais para
que se alcance uma espécie de “freio” à ciência
para aquilo que for considerado como ofensor à dignidade do ser
humano.
Sabe-se que, o avanço científico sem reflexão ética
é um salto no vazio. A ética, em efeito, deve orientar
o avanço científico e a harmonia entre eles.
A busca do “ponto de equilíbrio” entre o direito/
a ética ao conhecimento científico, concretizado pelas
descobertas científicas e, de outro lado, a dignidade da pessoa
humana aliada à proteção internacional dos direitos
humanos é de extrema importância para o futuro da humanidade.
Encontrar esse tênue ponto de equilíbrio em face do indivíduo,
sociedade e meio ambiente, visando estabelecer os limites para a evolução
científica, paralelamente ao desejo de uma melhor qualidade de
vida para a espécie humana, inter-relacionada com a fauna, flora
e o ecossistema, é a função reservada à
Bioética. E, o Biodireito apresenta-se diante da necessidade
de o Direito entrar em ação.
Para que isso aconteça, a ética deve estar aliada ao direito,
que lhe dará sustentação legal para tanto. O Direito
Constitucional deve estar em consonância com o Direito Internacional,
ou seja, a Constituição deve estar apta a reconhecer mecanismos
internacionais eficazes de proteção à dignidade
da pessoa humana, à prevalência dos direitos humanos, em
relação ao prazer em testar seres humanos. A idéia
de criar um tribunal internacional de ética para cientistas,
médicos, profissionais que atuam com experiências em seres
humanos, é que exista realmente aplicabilidade de regras e a
conseqüente coerção caso haja desrespeito aos preceitos
éticos e jurídicos. As declarações internacionais
apresentadas neste trabalho, são um prenúncio disso.
O que se espera é que esta tendência da constitucionalização
do direito internacional possa, aos poucos, chegar na criação
de um tribunal de ética para apreciar essas novas situações
que estão surgindo, envolvendo direito e ciência, ética
e responsabilidade, Biodireito e Bioética, para assegurar um
bem maior, a ser tutelado não só pelo Estado, mas pelo
Direito Internacional dos Direitos Humanos e da Bioética: a dignidade,
a vida, o valor, a essência da pessoa humana.
Como diz o direito nacional e internacional, confirmado pelo seqüenciamento
do genoma humano, só existe uma raça: a raça humana.
Células-tronco
As totipotentes e pluripotentes só são
encontradas nos embriões.
Totipotentes (ou embrionárias) - Conseguem se diferenciar em
todos os 216 tecidos (inclusive a placenta e anexos embrionários)
do corpo humano.
Pluripotentes – Diferenciam-se em quase todos os tecidos humanos,
menos placenta e anexos embrionários.
Multipotentes - Formam diversos tipos de tecidos, mas não espermatozóides
e óvulos.
Oligopotentes - Diferenciam-se em poucos tecidos.
Unipotentes - Diferenciam-se num único tecido.
“O médico interfere no campo do sujeito, em seu corpo e,
por vias indiretas não apenas contingentes, em sua vida pessoal,
suas emoções, sua “socialidade”, suas economias.
Por isso é a medicina uma profissão moral. A medicina
não é uma ciência, campo de exatidões, de
estatísticas, de generalizações. É, na verdade,
uma aplicação prática das ciências médicas,
fisiológicas e biológicas em alguém em particular,
num tempo e local particular.” (8)
Médicos têm obrigação
moral na hora de “receitar remédios”
Em princípio, os remédios devem ser eficazes,
eficientes e efetivos. Eficazes são os que os que foram validados
por método rígido e demonstraram que solucionam o problema
investigado (podem não chegar a 100%). Comete injustiça
quem gasta dinheiro público com um produto que não demonstra
eficácia. Se os benefícios superarem os custos é
eficiente. Será efetivo se for eficiente em condições
reais.
Algumas questões que precisam ser respondidas:
Primeira - Qual a responsabilidade do médico
que implanta um número excessivo de embriões, vindo a
gerar uma gravidez múltipla que poderá gerar danos à
saúde da mãe, colocar em risco a sobrevivência dos
fetos e trazer desequilíbrio financeiro e emocional à
família da gestante?
Segunda - No caso de gestação múltipla
ocorrida pela implantação de grande quantidade de embriões,
vir a gerar problemas de saúde à mãe, poderão
ser retirados alguns embriões? Quais deles? Quem poderá
decidir tal questão? Poderíamos usá-los como fontes
de células-tronco?
Terceira - Qual seria o procedimento cabível
para a empresa que possui embriões e material genético
criopreservados em caso de falência, insolvência ou decisão
de término de atividades? Qual seria o destino de tal material?
Quarta - Que células-tronco parecem mais eficazes,
eficientes e efetivas?
Doutrina Espírita e discriminação
(9)
"Há necessidade do enfrentamento crítico
da ideologia discriminatória de todo tipo. Nas ciências
biomédicas é emblemático o exemplo do estigma da
lepra que aterroriza pacientes da curável hanseníase.
"Enquanto não for desenvolvido um programa educativo adequado,
hanseníase continuará sendo sinônimo de lepra. Persistirão
os graves problemas psicossociais por ela acarretados". (10)
O Espiritismo, a despeito de ter surgido através do método
científico, também é alvo da postura discriminatória.
Na origem do preconceito estão menos os argumentos religiosos
(filosóficos) e mais os instrumentos políticos.
Em alguns temas os argumentos “religiosos” são recusados
e se procura refletir apenas com os das ciências, incluindo as
jurídicas. A discussão do início da vida e do aborto
são exemplos que exigem altos vôos da razão e do
sentimento.
Apesar da alergia que o “antígeno religião”
pode causar, gostaria de contar que ao término da conferência
pública com o médium Divaldo Franco, realizada no Grupo
Espírita André Luiz, no Rio de Janeiro, 26 de julho de
2007, o espírito assim se pronunciou:
"Nós que nos comprometemos em tornar melhores os nossos
próprios dias deveremos avançar semeando bênçãos
e distribuindo consolações. A humanidade necessita mais
de exemplos dignificantes do que de palavras retumbantes."
Destacamos o exercício prático da transformação
pessoal e a ciência como promotora da esperança.
O médico Arthur Conan Doyle, criador da série Sherlock
Holmes, escreveu a "História do Espiritismo", que foi
traduzida por Júlio de Abreu Filho. O filosofo José Herculano
Pires é o autor do prefácio que nos fala da obra e do
escritor de renome mundial: "O médico Arthur Conan Doyle,
o homem voltado para os problemas científicos, o pensador, debruçado
sobre as questões filosóficas, e o religioso, que percebe
o verdadeiro sentido da palavra religião - todos eles estão
presentes nesta obra gigantesca, suficiente para imortalizar um escritor
que já não se houvesse imortalizado."
Da obra (Editora Pensamento, SP, SP, 500 p) vamos ficar com a página
174, 5º capítulo, "A Carreira de D. D. Home",
porque atende ao nosso objetivo. É um parágrafo onde o
médico escritor faz uma afirmação que comprovei
ao longo da vida acadêmica. Sua clareza nos obriga a citá-lo
ad litteram:
"Os homens de ciência se dividem em três classes: os
que absolutamente não examinaram o assunto - o que não
os impede de pronunciar opiniões muito violentas; os que sabem
que a coisa é verdadeira, mas temem confessá-lo; e, finalmente,
a brilhante minoria dos Lodges, dos Crookes e dos Lombrosos, que sabem
que é verdade e não temem proclamá-lo."
Para Ellen Gracie, presidente do STF, no zigoto a "pessoa humana
não existe..." (Luiz Carlos Formiga)
REFERÊNCIAS
(1) Ética, sociedade e terceiro milênio
http://www.serprofessoruniversitario.pro.br/ler.php?modulo=10&texto=524
(2) O preparo para a reencarnação, de Jomar Teodoro Gontijo
http://www.panoramaespirita.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=7961
(3) Anomalias fetais: abortar?
http://www.jornaldosespiritos.com/2007.3/col49.6.htm
(4) A política do aborto
http://www.jornaldosespiritos.com/2007.3/col49.2.htm
(5) Zigoto no banco dos réus?
http://www.jornaldosespiritos.com/2007.3/col49.16.htm
(6) Ética, Sociedade e Terceiro Milênio
http://www.panoramaespirita.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=4981
(7) Carla Fernanda de Marco . O Biodireito e a Tendência da Constitucionalização
do Direito Internacional: A Dignidade da pessoa Humana como Valor Universal.
32 páginas.
http://www.mundojuridico.adv.br/sis_artigos/artigos.asp?codigo=63
(8) O que espero de meus médicos. Revista de Enfermagem, Faculdade
de Enfermagem, UERJ, RJ, vol. 4 (1): 89-102. Capítulo de "Dores,
Valores, Tabus e Preconceitos". Edições CELD. RJ.
http://www.sida-luz-positiva.org/
(9) Sobre o voto da ministra, em Espiritualidade e Sociedade e Jornal
dos Espíritos, “Dignidade para a mulher - É necessário
restabelecer a igualdade entre cidadãos”
http://www.espiritualidades.com.br/Artigos_D_L/formiga_Luiz_dignidade_mulher.htm
http://www.jornaldosespiritos.com/2007.3/col49.17.htm
(10) O poder das palavras
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/neurj/o-poder-das-palavras.html
LUIZ CARLOS D. FORMIGA é professor universitário
da UFRJ e UERJ, aposentado.
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