Um dos pontos mais relevantes a ser entendido sobre
a vida é a Lei do Amor. Todo mundo fala, pensa e vive de amor.
Cristo disse: "ame ao próximo como a si mesmo; amai vossos
inimigos". As religiões certamente garantem que o amor é
o caminho do céu, onde todos vivem felizes. O contrário,
o ódio é rumo certo para o inferno, lugar de trevas. Uma
pessoa muito feliz se encontra em estado de amor. Muitas vezes encontra
o amor em outra pessoa. É a paixão explodindo em seu coração.
De repente tudo parece mudar. Será que o amor tem fim? Há
um limite e um tempo para amar? Não, amor existe no ser humano
e em todas as coisas na natureza. Um rio, uma mata, um animal, uma nuvem,
uma chuva, um objeto, etc, etc. Mas as formas de amar são infinitamente
diferentes de um ser para outro. Há pessoas que amam sensivelmente
outras pessoas, enquanto outras as odeiam. Para uns uma borboleta pode
não significar nada, para outros há um envolvimento essencialmente
amoroso. Isso observamos em tudo. Como definir o certo e o errado nisso
tudo? Não me atrevo jamais a tentar responder uma questão
dessa complexidade. Mas usar nossa razão em qualquer situação
pode ser útil.
Realmente o amor é sentimento
ímpar. Algo inimaginável, surpreendente, muito acima de
tudo o que podemos sentir no momento. A própria vida, essência
de tudo, não seria possível caso Deus não houvesse
definido a Lei do Amor. Em cada ser espiritual, o Criador inclui a centelha
do amor capaz de promover o equilíbrio necessário à
manutenção da harmonia universal em todos os sentidos.
Isso permite a cada um viver rumo ao infinito caminho da evolução
do bem comum. Rumo a felicidade eterna, e conseqüentemente, a manutenção
da organização celestial em torno da vida. Nesse caminho,
a cada dia, aperfeiçoamos o amor e atingimos momentos felizes.
Amor e felicidade caminham juntos. Amor é a causa, felicidade
o efeito. Ninguém é infeliz por natureza. A infelicidade
momentânea é processo doloroso, sofrimento árduo,
que só o amor é capaz de libertá-lo. Amor é
solidariedade, fraternidade. É a verdadeira caridade. Com seu
aprimoramento, os laços de afinidades se unem e os momentos felizes
se tornam mais e maiores.
Sem esse processo, se pudesse existir
uma sociedade com a ausência total da centelha do amor, ou seja,
uma comunidade existindo sob a Lei do ódio, egoísmo, vaidade,
onde os mais fortes predominariam sobre os mais fracos, tudo caminharia
para a destruição, o caos e o nada. Mesmo em locais onde
habitam espíritos de níveis de evolução
muito inferiores, há a atuação de espíritos
de ordem mais avançada no gerenciamento da existência da
vida. A centelha do amor presente em todo o universo é, portanto,
fruto da perfeição da criação Divina.
Com a formação do Espírito,
Deus o torna parte da sua criação universal e recebe a
chama do próprio Criador (O AMOR), para trabalhar na construção
da vida, gerando a harmonia, o equilíbrio e a adequada Lei da
Existência. Cabe a ele se desenvolver, ao longo de uma caminhada
infinita, contribuindo com o Criador no arranjo das necessidades para
o aprimoramento rumo a perfeição. Mas muito grande é
essa jornada e graças a Lei do amor é possível
crescer numa velocidade conforme a sua própria vontade, ou seja,
seu próprio livre-arbítrio. Quanto mais se avança
na evolução espiritual, mais aumenta a sua participação
no equilíbrio da criação e maior é o convívio
num ambiente feliz. Isso significa conforto e satisfação
pessoal cada vez maior.
A Lei do amor é, portanto, a
essência de tudo. Como tirar o melhor proveito dessa Lei? É
preciso um esforço indescritível de cada um no seu aprimoramento
pessoal, buscando amar a todas as coisas. "Conhece-te a ti mesmo".
É o diagnóstico do Ser. Como estou? O que desejo? Sou
o que sou, melhor do que fui e serei melhor do que sou. O tamanho do
passo seguinte depende do passo anterior...
Raul Franzolin Neto
Editor GEAE
Editorial
Boletim GEAE
Grupo de Estudos Avançados Espíritas
http://www.geae.inf.br
Ano 12 - Número 471 - 2004