LUIZ CARLOS FORMIGA
O enigma da
geração nova - Nem sempre é fácil ser humilde,
quando nos avaliamos gênios
Quando entramos num ambiente contaminado
por micróbios diferentes dos que são encontrados normalmente
na microbiota humana, podemos ser colonizados. Estes elementos vindos
do exterior, aderem à mucosa/ pele transformando-se em “flora”
transitória. Podem posteriormente desaparecer em virtude da pressão
seletiva exercida pelos habitantes autóctones ou por medidas
saneadoras.
O tema “índigo” parece possuir microbiota transitória
adquirida do meio de cultura original. As amostras “liofilizadas”
trazidas para o Brasil podem oferecer repiques ainda contaminados.
Alguns “cientistas” mais atentos e mais apressados, diante
da contaminação cultural, podem desejar utilizar métodos
de desinfecção drásticos e com isso ocasionar efeitos
indesejáveis. Nesta hora é necessário ter a mente
aberta, calma, e não usar logo de saída substâncias
muito abrasivas. Uma boa medida é adotar a humildade científica.
Nem sempre é fácil ser humilde, quando nos avaliamos como
gênio. Na universidade, foram poucas as ocasiões, mas encontrei
“cientistas” tão brilhantes e atentos que conseguiam
encontrar defeitos em qualquer trabalho de pesquisa que não fosse
de sua própria autoria.
Na época de Kardec professores universitários examinaram
o fenômeno. No “A História do Espiritismo”
encontramos uma infinidade de nomes ligados a produção
do conhecimento que examinaram o fenômeno mediúnico. Uns
se curvaram diante das novas possibilidades, outros, não. Mas,
Kardec foi mais além.
No ambiente cultural das Instituições de Ensino Superior
alguns defendem meras dissertações como tese de mestrado
e passam a mentalizar alunos de graduação como criaturas
menores. Com a mente comprimida e o ego brilhante, cheio de verniz,
são incapazes de perceber atitudes preconceituosas. Alguns recebem
dose de reforço, quando defendem a tese de doutorado. Até
então eram meros alunos de pós-graduação,
orientados por professores mais experientes, pegando carona nas suas
linhas de pesquisas. No entanto, esquecem com facilidade e como PhDeuses
são adeptos das purpurinas. Alguns se transformam em doutores
de um trabalho só – a tese. Nunca orientam ninguém,
não produzem outras teses de doutorado ou mesmo mestrado. Mas
o ego não perde o verniz. Esses poderiam se tornar figuras perniciosas
se participassem do movimento espírita e pensassem “comercialmente”.
Ainda bem que este quadro não é encontrado entre nós
e a carapuça não vai entrar em ninguém! Não
somos profissionais da mediunidade, da fé.
Chegar à terceira idade é um privilégio. Embora
possamos perder a visão física (mesmo com Verdana 14),
já não nos incomoda a aparência exterior nem as
sandálias douradas que alguns insistem em usar. A memória
consegue voltar aos arquivos do passado, embora, as vezes, esqueçamos
de tomar o remédio antes do café da manhã.
Lembro que em 1987 estávamos professor e escrevemos no “O
Sol Nascente”, ano 18, número 220, no mês de junho,
um artigo. Utilizamos os dados do porta-voz da Comissão Nacional
Criança-Constituinte, em 7 de abril de 1987 (Dia Mundial da Criança).
Eram dias memoráveis que nos trouxeram a Constituição
de 88. Iniciamos dizendo que quarenta e dois milhões de crianças
brasileiras viviam em condições péssimas de vida.
Condições indignas. Metade da população
brasileira era constituída de jovens. Em 1986 haviam morrido
400 mil crianças tendo como causa doenças que se podiam
prevenir (vacinação/evangelização). O número
equivalia ao resultado produzido por uma bomba de Hiroxima.
Entre 1979 e 1986 morreram dois milhões e 200 mil crianças,
número 44 vezes maior do que as baixas sofridas pelo exército
americano, em sete anos, na guerra do Vietnã. No “O Sol
Nascente” dissemos que o futuro de qualquer nação
dependia da qualidade e competência dos seus profissionais, da
extensão em que a excelência fosse cultivada e do grau
em que as condições favoráveis ao desenvolvimento
do talento intelectual estiverem presentes desde os primeiros anos de
vida. Nem suspeitaria que em 2007 ouviria o senador Jefferson Peres
dizer que “ A Casa está desmoronando”, ao referir-se
desanimado ao que chamou de “farsa montada” no caso do senador
Renan Calheiros. O senador sem esperanças disse que indignados
eram apenas “uns quatro ou cinco”.
O progresso de qualquer nação ocorre a partir do esforço
de toda a sua população, mas não se pode negar
que os papéis decisivos pertencem aos que lideram a comunidade
política, científica, industrial, administrativa, tecnológica
e militar. Aqueles que exercem seus papéis em conseqüência
de seus dotes intelectuais superiores – aristocracia intelectual.
Quais as implicações individuais e sociais sem o correspondente
desenvolvimento ético? O senador desesperançado disse
ainda que é impressionante o “abastardamento dos costumes
políticos”. E, não é só isso.
Quadrilhas de estudantes universitários agridem mulheres, deixando
explicito o roubo com violência e lesões graves, embora
filhos da classe média alta. Qual a razão?
O movimento espírita, em São Paulo, está discutindo
um desafio de urgência – a educação da geração
nova, referida por Kardec. Índigos, ou não, precisam ser
olhadas a partir de uma nova visão ou estaremos cometendo crime
de lesa-humanidade. Estudando a educação não se
quer ver no futuro a manchete: “Escândalo no senado, Roriz
renuncia para não ser cassado, suplente também está
envolvido em irregularidades”.
Já passamos pela aristocracia dos chefes de família; da
autoridade da força bruta; da aristocracia do nascimento. Elegemos
posteriormente novo poder, o do ouro, e chegamos a da inteligência
que, no entanto, nem sempre é penhor de moralidade. Podemos repetir
o senador: “o senado está no chão”. Estamos
cansados das manchetes: “ Prostituta acusa galãs da TV
de agressão e roubo”. A moralidade pode não ter
capacidade e a supremacia durável será da “intelecto-moral”.
Na universidade convivemos com alunos que se transformaram em brilhantes
pesquisadores. Dos anos 70 aos dias de hoje conhecemos na graduação,
mestrado e doutorado mentes brilhantes, no entanto, o mesmo brilho não
era encontrado no emocional-afetivo. Os investimentos realizados no
domínio cognitivo sempre foram maiores. O emocional-afetivo deve
ser também muito valorizado no período infantil. Nos anos
80, o superdotado no Brasil, era grupo pouco compreendido e profundamente
negligenciado.
Perdemos tempo ao escrever? Mas, fizemos o registro, chamamos a atenção
para a necessidade do investimento em valores nos nossos possíveis
futuros governantes, naqueles que ocuparão o poder. Isso não
é tarefa que possa ser negligenciada. O movimento paulista não
deve desistir, mesmo diante das eventuais contaminações
do meio de cultura original.
O homem é produto do meio? Depende de sua predeterminação
genética? DNA é importante? Qualquer que seja o resultado
deste balanço herança-meio, é possível saber
de que camada social surgirão os líderes dos grupos de
decisão política, científica etc? Vejam o Lula
Lá. É necessário grande esforço para que
possamos sair da “guerra” referida pelo Constituinte Porta-Voz.
Há que se investir na criança, marginalizada ou na provação
no palácio. Onde estarão estes milhões de superdotados
reencarnados no Brasil de hoje? Naqueles dias de Assembléia Nacional
Constituinte calculava-se em milhões os superdotados do Brasil
encontrando-se em 25% da população abaixo de 18 anos.
Quais são os números de hoje? Certamente muitos foram
atraídos pelo mercado de trabalho e melhores condições
de vida dos países do Primeiro Mundo. Alguns com mil dificuldades
estão fundando, no exterior, Casas Espíritas e divulgando
a Doutrina Espírita pela internet.
O tema índigo é revelador e pode dar frutos ligados a
Campanha Permanente de Evangelização Infanto-Juvenil.
Antes de nos candidatarmos a membros da banca examinadora desta tese,
vamos pensar com a devida extensão e profundidade. É preciso
ter coragem para fazer o trabalho sério prático nas clínicas,
escolas e laboratórios.
O que é um índigo?
Lembro da aula de virologia. O que é um vírus? São
micróbios excepcionalmente simples ou componentes químicos
tão complexos que podem ser parasitas genéticos?
O tema índigo pode estar contaminado, cheio de detritos impertinentes,
mas devemos tomar cuidado para não jogar fora a criança
com a água suja da bacia.
Na infância de meus filhos, retirei algumas horas do laboratório
e fui fazer o curso de pedagogia. Havia percebido que ser pai era também
tarefa difícil e cheia de armadilhas. Depois acabei me desvirtuando
na “Educação em Saúde”, mas valeu.
Pude melhor perceber a importância da identificação
precoce desses seres “diferentes” na escola inclusiva, reflexiva,
crítica e para a capacitação de professores nesta
Área de Altas Habilidades. Que eles possam oferecer contribuição
na identificação e atendimento dos alunos com superdotação
na área musical como dizia Gardner. Tom Jobim disse que “no
Brasil o sucesso é proibido porque pode gerar hostilidade.”
Gardner aponta várias formas de inteligência:a espacial;
a interpessoal; a lógico-matemática, a lingüística
e a esportiva. O Rio de Janeiro vai mostrar muitos neste PAN 2007. Temos
no Brasil as outras inteligências e o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) estima que sejam 1% da população
escolar. O apoio é decisivo para o aproveitamento de seus potenciais.
Talvez o senador Peres dissesse, sem esperança, que investimos
apenas 0,5% do Produto Interno Bruto. Mas serão esses jovens
que irão compor nossa elite científica e intelectual e
necessitamos cuidar da educação, da ciência e da
tecnologia, porque enquanto não fizermos isso o ingresso do Brasil
no Primeiro Mundo será apenas exercício de retórica
de candidatos a governos populistas e repetiremos as mesmas peças
incompetentes nos senados da vida.
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