Eu estava lendo o livro "Diretrizes de Segurança"*
de Divaldo P. Franco e Raul Teixeira,
juntos, e encontrei uma questão respondida pelo Raul, sobre espíritos
de pretos-velhos e caboclos que, de certa forma, responderia aquele
primeiro questionamento (Boletim 507):
"59. Por quê é que, comumente,
não vemos comunicações de pretos-velhos ou de caboclos,
nas sessões mediúnicas espíritas? Isso se deve
a algum tipo de preconceito?
Raul - A expressão da pergunta
está bem a calhar. Realmente, a maioria dos participantes não
vê os espíritos que se comunicam, mas eles se comunicam.
O Espiritismo não tem compromisso de destacar
essa ou aquela entidade, em particular. Se as sessões mediúnicas
espíritas são abertas para o entendimento de todos os
tipos de espíritos, por que não viriam os que ainda se
apresentam como pretos-velhos ou novos, brancos, amarelos, vermelhos,
índios, ou caboclos, e esquimós? O que ocorre é
que tais espíritos devem ajustar-se às disciplinas sugeridas
pelo Espiritismo e só não as atendem quando seus médiuns,
igualmente, não as aceitam.
Muitos espíritos que se mostram no Além
como antigos escravos africanos, ou como indígenas, falam normalmente,
sem trejeitos, embora as formas externas dos perispíritos possam
manter as características que eles desejam ou as quais não
lograram desfazer.
Talvez muitos esperassem que esses desencarnados se
expressassem de forma confusa, misturando a língua portuguesa
com outros sons, expressando-se num dialeto (a palavra "dialeto"
está em negrito no original) impenetrável, carecendo de
intérpretes especiais, que, na maior parte das vezes, fazem de
conta que estão entendendo tal mescla.
Se o espírito fala em nagô, que seja nagô
de verdade. Se se apresenta falando guarani, que seja o verdadeiro guarani.
Entretanto, não sendo o idioma exato do seu passado reencarnatório,
por que não falar o médium em português, pois que
capta o pensamento da entidade e reveste-o com palavras?
Não há, portanto, preconceito nas sessões
espíritas. Entretanto, procura-se manter o respeito às
entidades, à mediunidade, e à Doutrina Espírita,
buscando a coerência com a verdade que já identificamos."
Um abraço a todos,
Alexandre
*D. P. Franco e J. R. Teixeira, Diretrizes de
Segurança. 8a. Ed. Niterói: Editora Frater, 2000.
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