Espiritualidade e Sociedade



Divaldo Pereira Franco

>   Psiquiatria e Obsessão

Artigos, teses e publicações


Compartilhar
Divaldo Pereira Franco
>   Psiquiatria e Obsessão


Divaldo Franco
médium e conferencista

 

Divaldo Franco - Conferência em São José do Rio Preto/SP - 28/09/2017

 

O Hospital Bezerra de Menezes, da cidade de São José do Rio Preto – SP franqueou seu ginásio poliesportivo para acomodar as mais de 2.500 pessoas que ali se congregaram para ouvir o tribuno Divaldo Franco iluminar as almas com o calor de seu verbo amoroso.

Divaldo inicia a conferência recuando à primavera de 1792 quando os desequilíbrios da Revolução Francesa guilhotinavam indiscriminadamente os “inimigos do povo e da Revolução”.

Enquanto na Place de La Concorde o despautério seguia descontrolado, mais além há o edifício La Salpêtriere, inicialmente construído para ser uma fábrica de pólvora, servia agora de prisão para prostitutas e manter afastados da sociedade os doentes mentais, os criminosos insanos e epilépticos.

Naquela manhã adentrava-se a La Salpêtriere o médico Philippe Pinel (1745-1826) notabilizado por ser o precursor do revolucionário pensamento de que os portadores de distúrbios ou transtornos mentais eram doentes e, nessa condição, deveriam receber o mesmo tratamento respeitoso dispensado aos doentes “normais” em geral, abandonando a violência e agressividade como usualmente se empregava.

Anos mais tarde surge na mesma Paris Jean-Martin Charcot (1825 - 1893), médico, cientista, psiquiatra, neurologista e fundador da moderna neurologia, tendo concluído em suas investigações, ser a hipnose um procedimento apropriado no tratamento de perturbações psíquicas, em especial a histeria.

As pesquisas se sucedem e surge, então, o médico psiquiatra austríaco Julius Wagner von Jauregg (1857-1940) pioneiro na utilização do procedimento da febre induzida no tratamento das doenças mentais.

O Dr. von Jauregg constatou que pacientes portadores de doenças mentais apresentavam grande melhora após sobreviverem à febre tifoide, erisipela e tuberculose doenças geradoras de episódios de febre elevada. Com base em suas observações ele passou a induzir febre, em seus pacientes, inoculando-lhes parasitas da malária, que se comprovaram de grande eficácia. Transcorria o ano de 1917.

Em 1927 surgiu por intermédio do médico austríaco Manfred Joshua Sakel (1900-1957) um tratamento que se prolongaria por várias décadas: a do choque de insulina que, aplicada em elevadas doses, produzia a anóxia (interrupção da oxigenação) cerebral e a melhora do paciente, na hipótese dele não morrer no tratamento.

Em 1934 aparece outro tratamento revolucionário trazido à comunidade científica pelo psiquiatra e neuropatologista húngaro Ladislas Joseph von Meduna (1896-1964) o choque convulsivo do Metrazol. O Dr. von Meduna constatara que o cérebro dos portadores de Esquizofrenia eram diferentes dos daqueles portadores de Epilepsia. Dessa forma, se pudessem ser provocadas convulsões, essas deveriam por um ponto final nos sintomas principais da esquizofrenia. O Metrazol foi a droga encontrada para provocar as convulsões.

Em 1937 o neurologista italiano Ugo Cerletti (1877-1963) substituiu o Metrazol por choques elétricos controlados objetivando produzir o mesmo mecanismo das convulsões para atenuar os sintomas da esquizofrenia.

Com o avanço da química medicamentosa surgem na década de 60 do Séc. XX as primeiras drogas (barbitúricos) no tratamento de um amplo leque de transtornos mentais.

Após essa verdadeira história da evolução dos tratamentos psiquiátricos, Divaldo passa a abordar as doenças mentais vinculadas à Mediunidade.

Os ataques gratuitos e desprovidos de análises mais acuradas e detalhada partiram, inicialmente, do filósofo alemão Karl Robert Eduard von Hartmann (1842-1906) com a publicação do livro O Espiritismo obra de grande repercussão por ser o primeiro ataque dos intelectuais materialista à Doutrina Espírita “demonstrando” que TODOS os fenômenos, nos quais o Espiritismo via manifestações de seres desencarnados, eram, na verdade, produzidos pelas faculdades normais da mente humana. (décadas mais tarde essas ideias ressurgiria com os nomes de Metapsíquica e Parapsicologia).

Para refutar as afirmativas de von Hartmann o filósofo, diplomata e pesquisador russo Alexandre Aksakof (1832-1903) publicou um dos mais importante livro da lista das obras complementares à codificação kardequiana: Animismo e Espiritismo.

Nessa obra magistral Aksakof prova que há sim fenômenos que se dão pela atuação EXCLUSIVA de um encarnado e, portanto, sem a participação de Espíritos desencarnados. A essa categoria de fenômenos ele deu o nome de Animismo (Allan Kardec aborda esse tipo de ocorrência com o nome de Emancipação da Alma – O Livro dos Espíritos, capítulo VIII).

Mas se há as ocorrências do Animismo há também aqueles outros fenômenos com a manifesta participação de Espíritos desencarnados. Para esse tipo de fenômeno ele deu o nome de Espiritismo, mais tarde substituído pela denominação Mediunismo.

Mas os ataques do materialismo persistiam e surgiu então Pierre-Marie-Félix Janet (1859-1947) psicólogo, psiquiatra e neurologista francês com importantes contribuições para o estudo moderno das desordens mentais e emocionais envolvendo ansiedade, fobias e outros comportamentos anormais foi o mais destacado entre todos que assestaram seus ataques contra a Doutrina Espírita, buscando atingir a mediunidade e, por conseguinte, invalidar todo o arcabouço dos coerentes e lógicos postulados da doutrina libertadora.

Em 1889, Pierre Janet, publicou o livro L'automatisme psychologique: Essai de psychologie expérimentale sur les formes inférieures de l'activité humaine. (O Automatismo Psicológico - Ensaio de Psicologia Experimental sobre as Formas Inferiores da Atividade Humana)

O livro, em sua segunda parte, consagra inteiramente o Capítulo 3 para apresentar os resultados dos estudos dos diversos fenômenos espíritas (mediúnicos) chegando mesmo a elaborar capítulos sobre o Espiritismo (Resumo Histórico do Espiritismo e Hipóteses Relativas ao Espiritismo)

São, porém, nos capítulos finais que Pierre Janet busca ferir de morte a mediunidade afirmando que o fenômeno mediúnico é uma desagregação psicológica e que se explica como sendo uma dualidade cerebral (aquilo que sou versus aquilo que sonho ser).

A conclusão do eminente cientista é um golpe terrível para os médiuns e para a mediunidade: ”Os fenômenos ditos mediúnicos eram, na verdade, manifestações patológicas, doentias e se equiparavam aos distúrbios psiquiátricos como a esquizofrenia, a histeria e a epilepsia”.

Com a chancela da ciência, os médiuns passaram a ser tidos como possuidores de alienação mental.

Um rótulo amargo e terrível estava sendo colocado nos médiuns: A mediunidade é sinônimo de loucura.

O mais agravante é que Pierre Janet jamais houvera pesquisado e efetuado experiências com médiuns ou mesmo assistido a uma seção mediúnica. Seus estudos e conclusões basearam-se em trabalhos divulgados por outros pesquisadores.

Após essa digressão esclarecedora Divaldo passa a abordar as doenças mentais por um prisma que encontra – infelizmente – muita relutância por parte da Psiquiatria: A obsessão.

Divaldo inicia a abordagem citando Kardec: Entre os que são tidos por loucos, muitos há que são apenas subjugados e precisariam de um tratamento moral (Livro dos Médiuns, Cap XXIII, item 254, questão 6)

A obsessão não é loucura. Todavia pode provocá-la se sua manifestação for muito prolongada. A Psiquiatria, porém, despreza essa possibilidade como causa na medida que é refratária à ideia da existência do Espírito.

Ambas as causas geradoras – a de ordem física quanto a obsessiva – manifestam-se pela deficiência na transmissão ou expressão do pensamento.

Os transtornos mentais - excetuando-se os casos produzidos por acidentes e traumatismos cerebrais ou ainda por moléstias infecciosas (meningite, por exemplo) - têm no Espírito a causa raiz da psicopatologia. O corpo físico é somente o veículo de manifestação.

Divaldo, do alto de seu imenso conhecimento e amor nos esclarece a seguir que as psicopatologias – cuja gênese reside no Espírito – possuem procedências distintas:

A. ENDÓGENA – O Espírito ao iniciar o processo da reencarnação, imprime, nos códigos genéticos, as deficiências decorrentes da irresponsabilidade, que se apresentarão no futuro, em momento próprio, como descompensação nervosa, carência ou excesso de neurotransmissores responsáveis pelos correspondentes transtornos psicológicos ou de outra natureza. É a lei de causa e efeito em ação. (1)

B. EXÓGENA – Espíritos desencarnados adversários, direcionam à mente do hospedeiro físico induções hipnóticas carregadas de pessimismo e de desconfiança, de inquietação e de mal-estar, que estabelecerão as matrizes das obsessões, classificadas por Kardec como sendo: Simples, Fascinação ou Subjugação (equivocadamente chamada de Possessão).

Em todos esses casos, vamos encontrar espíritos (encarnados) moralmente enfermos endividados perante as Leis Dininas, em processos graves de provações dolorosas ou expiações reeducativas. A cada um segundo suas obras, já nos ensinava Jesus.

Independentemente da categoria, a obsessão é enfermidade de longo curso, a exigir tratamento especializado e cujos resultados, não se fazem sentir no curto prazo.

Os tratamentos especializados (psiquiátricos e psicológicos) – indispensáveis – podem produzir melhoras no quadro. Todavia os hospedeiros desencarnados não foram afastados, persistindo nas tentativas de perseguição e vingança.

Somente quando ocorrer uma alteração do comportamento mental e moral do enfermo, direcionado para o amor, para o bem, conseguindo sensibilizar aqueles que estejam na condição de perseguidores, é que dar-se-á a recuperação recebendo no processo terapêutico o auxilio – imprescindível - dos medicamentos na reorganização da máquina cerebral.

O Espiritismo – o Consolador prometido por Jesus – mostra as causas e os objetivos dos sofrimentos – físicos e morais – os quais, então, passam a ser vistos como “crises” salutares e que garantirão a felicidade nas existências futuras – se vividos com resignação e sem revolta.

Uma vez esclarecida, a criatura tem a oportunidade de compreender que seu dofrimento é justo e não um castigo de Deus ou obra do acaso.

Neste ponto, a emoção suscitada pelas palavras carregadas de vibrações dulçorosas de Divaldo vai abrindo passagem até chegar ao âmago de nossos corações.

Esperança nos corações desalentados afloram. O mundo se nos afigura mais belo enquanto que uma voz silenciosa repete amorosamente:

Vinde a mim todos vós que estais sobrecarregados e aflitos e eu vos aliviarei

 

1 Para aqueles que desejam aprofundar conhecimentos, tomamos a liberdade de sugerir a leitura do capítulo 2 (Sexo e Reencarnação) de o livro Sexo e Consciência, Divaldo Franco, organizado por Luiz Fernando Lopes, editado pela LEAL.

 

Texto: Djair de Souza Ribeiro; Fotos: Sandra Patrocínio


 




Fonte: http://www.noticiasespiritas.com.br/2017/OUTUBRO/02-10-2017.htm

 



topo


Leia também de Divaldo Franco:

->  Apometria, Corrente Magnética e Cromoterapia
->  Apometria não é Espiritismo
->  Clamor Social: o Clímax e a indiferença dos governantes 
->  Cura e Autocura
->  Educação para a Plenitude do Ser
->  Entrevista de Divaldo Franco sobre Homossexualidade
->  Espiritizar
->  Evolução - entrevista
->  Malhar o Judas 
->  Médiuns e mediunidade
->  Normose
->  Perispírito e Pensamento
->  Psiquiatria e Obsessão
->  Sobre os médiuns curadores
->  Tragédias coletivas

Leia também de Divaldo Franco e J. Raul Teixeira:

->  Estudo da mediunidade