LUIZ CARLOS FORMIGA - Drogas. O
exemplo Arrasta
O comercial de Zezé Di Camargo,
sobre a terceira idade (anexo),
nos faz lembrar a "História Natural da Doença",
onde a interação do agente (droga) com o hospedeiro vulnerável,
num ambiente facilitador sócio-cultural, faz surgir o fenômeno
bio-psico-socio-espiritual, rotulado como dependência química.
Aqui, o vetor (portador assintomático) é apenas a ponta
do iciberg da corrupção.
Tabaco e o álcool são
drogas perigosas mas socialmente aceitas. Nas outras os vetores são
representados pela figura dos traficantes. Acontece que os condenados
por tráficos, na sua maioria, não apresentam antecedentes
criminais e geralmente estavam desacompanhados no momento da prisão
em flagrante. Outro dado importante é que mais de 50%, quando
condenado, recebeu pena máxima.
Em cinco anos estamos formando doutores
na pós-graduação. Da prisão saem além
de estigmatizados, com um outro tipo de “doutoramento”,
pois o curso é em horário integral com dedicação
exclusiva. Esses vetores, os que são presos e condenados, fazem
parte do ambiente social facilitador. Por outro lado, no ambiente sócio-familiar
também vamos encontrá-los (pais, tios, avós). Aqui
a droga já é socialmente aceita. Também são
dignos de pena, pelos exemplos de bebedeiras e pelo número de
fumantes passivos que fazem. A lei que os educará é outra.
Com a guerra anti-drogas perdemos tempo
e prendemos os pequenos traficantes. Com as drogas socialmente aceitas
estimulamos portadores assintomáticos no ambiente sócio-familiar.
Nossa lei avançou, não descriminalizou a droga, mas despenalizou
o usuário.
A Holanda possui maior tolerância
com a maconha, mas também só despanalizou o usuário,
Portugal foi mais longe depois de epidemia na década de 1990.
No ano 2000 o parlamento descriminalizou o consumo, a aquisição
e a posse de todas as drogas.
Será que a Europa já esta
arrependida pela flexibilização?
Este tema é complexo e teremos
que voltar ao assunto. Como todos temos na família portadores
assintomáticos de drogas, socialmente aceitas, e o Estado não
fiscaliza adequadamente produtos de primeira necessidade, deveremos
descriminalizar a maconha?
Vamos recordar que o Estado não
atende com dignidade sequer os doentes encontrados nos corredores dos
hospitais. Não podemos esquecer que o tabaco e o álcool
possuem consumo generalizado no convívio social e que o exemplo
arrasta.
Antes de tornar a droga lícita
deveríamos incentivar pesquisas a encontrar uma vacina “mental”.
Vai ser muito difícil vacinar
a mente infantil ao mesmo tempo que portadores assintomáticos
estão contaminando os familiares, com o seu exemplo.
Espero-os no próximo seminário
sobre dependência química, mitos e verdades. Enquanto aguardamos
vamos fazer um exercício.
Será que a maconha na lei
e socialmente aceita retirará dos pais e professores a autoridade
moral de ensinar que é prejudicial, como nos fala a revista de
Neurociência, que a relacionou agora em 2011 com esquizofrenia?
Luiz Carlos Formiga
-
O comercial de Zezé Di Camargo, sobre a terceira idade (anexo)
Um profissional de saúde enviou correspondência
ao articulista e diz:
"Ando bastante preocupada, pois como realizo
avaliação neuropsicológica, acabo me deparando
com alguns transtornos nas crianças/adolescentes, cujos responsáveis
fizeram ou fazem uso e abuso de drogas lícitas e ilícitas
e a consequência é que os filhos estão abrindo cada
vez mais cedo transtorno de conduta e comportamento anti-social, dentre
outras coisas. Estou assustada."
Associação Médico-Espírita
do Brasil (AME-Brasil)
http://www.amebrasil.org.br
Ana Claudia Laviano Psicóloga / Neuropsicóloga
Secretária AME Carioca (Associação Médico-Espírita
Carioca)