Rita Foelker

>    Ensino filosófico e ensino religioso

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O que podemos entender por Educação Espírita?

Essa expressão pode ser entendida em dois sentidos:

1º) como uma espécie de formação sectária das crianças e dos jovens, uma forma de transmissão dos princípios espíritas às novas gerações, e portanto um assunto doméstico, restrito ao lar e às escolinhas que funcionam nas Federações e nos Centros Espíritas, à semelhança do que se faz nos catecismos das igrejas;

2º) como um processo de formação universal das novas gerações para o mundo novo que o Espiritismo está fazendo surgir na Terra.
(Herculano Pires em “Pedagogia Espírita”, Ed.Edicel.)

A Educação Espírita tem como objetivo desenvolver o Ser humano integral, possibilitando o desabrochar de todos os potenciais do espírito, sejam intelectuais, afetivos ou morais. Não podemos encarar a Educação Espírita de maneira bitolada e fanática, como se apenas visássemos transmitir um conjunto de princípios dogmáticos e interpretações de textos.

Não se pretende, com ela, aumentar o grupo das pessoas que comungam nas mesmas crenças, nem encher os Centros de espíritas, mas abrir as portas do autoconhecimento e do conhecimento das leis da vida, para que daí resultem atitudes mais coerentes com as finalidades evolutivas da existência, em todos os sentidos.

Por isso, uma prática no estilo de catequese não se coaduna com os seus propósitos.

O ensino do Espiritismo para crianças, jovens e adultos não poderá se revestir das características do ensino religioso, nem com este ser confundido, mas tem muito pontos em comum com o ensino filosófico:

  • por partir de questionamentos e hipóteses com os quais trabalhamos, buscando raciocínios e argumentos científicos que ajudem a chegar a conclusões;
  • por pedir reflexão, estudo, aprofundamento e imparcialidade na análise dos assuntos;
  • por não excluir possibilidades, nem limitar a liberdade de pensamento devido a concepções religiosas quaisquer.

Isto tem influência em toda a estrutura do trabalho educacional, desde a metodologia adotada aos recursos didáticos, à dinâmica das aulas, ao relacionamento do grupo e à própria maneira do educador encarar e realizar a sua tarefa. Não se passam informações simplesmente assumidas como verdadeiras e ponto-final, mas estimula-se o diálogo. Promove-se a interação, forma-se um grupo de investigação e busca da verdade, em que o aprendizado e o prazer da descoberta são simultâneos. Não se teme dúvida ou contestação, aproveitando as controvérsias para retomar os argumentos e reforçar nossa fé no que acreditamos. Torna-se o aluno agente do seu aprendizado, permitindo que construa sua visão de mundo e expresse seus conteúdos e opiniões com segurança e sinceridade.

A Educação Espírita não tem cunho religioso, mas filosófico – assim como a própria Doutrina Espírita – mesmo possuindo inevitáveis conotações morais que tocam em temas quase sempre pertencentes ao âmbito da Religião, como as consequências destes estudos no campo moral, nas nossas atitudes perante Deus, perante nós mesmos e perante o próximo.

Herculano Pires afirma que as duas definições acima são corretas, e que o que não podemos é nos contentar com a primeira, esquecendo-nos da segunda. Se nos detivermos na primeira, faremos somente “catecismo espírita”. Mas se entendermos a proposta do Espiritismo na sua verdadeira abrangência,realizaremos muito mais em prol destas gerações que aí vêm.

 

 

Fonte: Artigo escrito para o “Jornal do Cem”em 29/11/2006 / http://www.adesaopaulo.org.br/?p=210




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