Rita Foelker

>    Aceitar cada criatura como ela é

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Aceitar cada criatura como ela é - conseguimos dizer e assumir como próprias estas palavras?

Pois uma das constatações mais comuns, ouvindo conversas do dia-a-dia, é a da exigência de que o outro se adapte a certas regras de um comportamento dito normal: "Achei um absurdo a atitude que ela tomou!" "Não sei como ele pode continuar agindo assim!" "Se eu fosse ele, ou ela..."

O pressuposto, no caso, é de que conhecemos, e muito bem, as regras e a normalidade, para podermos nos pronunciar. Um pressuposto que, analisando melhor, não tem fundamento porque, por mais que usemos defender uma certa moral ou certas atitudes, sempre teremos uma percepção pessoal e, não, universal. Quer dizer que não temos o direito de dizer o que é certo ou errado para o outro.

"Bem, podemos dizer o que é certo ou errado perante a Lei de Deus!" - alguém irá objetar. Claro que podemos... em abstrato e no limite do que sabemos sobre a Lei de Deus.

Podemos dizer que a vingança é contrária à Lei de Amor. Mas não podemos emitir veredictos sobre o que uma pessoa em particular fez por vingança, porque não sabemos suas condições psicológicas, nem o que a levou a isso, nem em qual medida a lei divina considerará esse ato concreto.

As críticas são o rumo que essas conversas costumam tomar. Críticas geralmente calcadas em uma certa noção do que é moral ou ético, ou do que é justo ou injusto, e que levam a um debate sobre aspectos da vida do outro aos quais não se tem realmente acesso, como os motivos, as implicações, os sentimentos, as emoções, a história que levou até ali.

Mas pergunto-me qual seria a atitude mais próxima dos ensinos do Cristo.

O Cristo ensinou o amor, e não é possível amar sem aceitar. Ninguém chega a amar, se não passou pela fase da aceitação.

A intolerância para com o que consideramos vícios ou falhas de caráter, embora seja um sentimento plenamente humano e compreensível, mesmo assim, não nos autoriza a impor nossa visão das coisas. Desconhecemos a trajetória espiritual do outro ser, não sabemos o quanto ele já evoluiu para ser o que é hoje, e nem quanto lhe custou. Isso, somente Deus pode conhecer.

Além disso, em geral, não nos recordamos daquilo que fomos e do que já fizemos no passado reencarnatório, que pode ter sido muito mais condenável, perante nossa perspectiva atual de moral e justiça, que a ação do outro que ora criticamos.

Aceitar cada criatura como ela é seria a escolha mais conforme o amor que desejamos ver brotar em nossos corações e a mais condizente com nossa ignorância de aspectos essenciais do funcionamento da lei divina ou natural.



Fonte: Jornal do CEEM - Ano X - Edição nº09 - Fevereiro de 2007




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