Espiritualidade e Sociedade



Kátia Curugi Flocke

>     Como estimular a criança a praticar ações altruísticas

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Kátia Curugi Flocke
>     Como estimular a criança a praticar ações altruísticas

 

Allan Kardec afirma que os homens atuais são Espíritos que vieram para se aperfeiçoar em novos corpos. E o estado de infância é relevante para o Espírito desenvolver novos hábitos, novos comportamentos, novos valores, e uma inteligência emocional, para que ele possa de uma forma consciente aprender a lidar primeiramente consigo mesmo e depois com os outros. A base de tudo isso é a capacidade de lidar com as emoções, pois a mente emocional é muito mais rápida que a racional, agindo irrefletidamente, sem parar para pensar, ou seja, a ação vem antes do pensar, por isso que muitas atitudes e comportamentos nos fazem sofrer, porque não pensamos antes. E por que não pensamos antes? Porque não aprendemos desde criança a perceber o que sentimos e administrar positivamente antes de reagir. Emoção é qualquer agitação ou perturbação da mente. Saber lidar com as emoções é essencial para viver de forma saudável.

A criança desde o nascimento, necessita de estímulos para desenvolver habilidades emocionais importantes para crescer com autoestima, autoconfiança, se respeitando-se para depois respeitar o outro. Os pais e educadores podem estimular as crianças a se perceberem, ou seja, a observarem a si mesmas, saber o que estão sentindo e exteriorizarem através da verbalização; estimular as crianças a ouvirem, a usarem a criatividade e confiarem em si mesmas, estimulando-as a fazer coisas que não acreditavam ter capacidade; estimular as crianças a valorizarem o esforço cooperativo, a compartilhar, a enfrentar o medo do fracasso, mostrando as possibilidades de ganhar e perder como normalidade na vida de todos. Estimular o humor para minimizar a dor e o desconforto. O humor dá à criança uma variedade de formas de lidar com o estresse e a ansiedade.

A capacidade de humor começa na primeira semana de vida. Por volta das seis semanas de idade, a mãe pode colocar um lenço no rosto e rapidamente retirá-lo e receber um sorriso do bebê.

Ensinar as crianças a praticarem ações gratuitas de amabilidade, como agradecer às pessoas, telefonar para um amigo adoentado, perguntar: como vai você? Enfim, estimular a criança a praticar ações altruístas.

É extremamente importante envolver as crianças em serviços comunitários adequados a elas, pois irão aprender a se preocuparem mais com os outros, irão aprender a importância da cooperação, o valor da perseverança, etc.

Algumas atividades que as crianças poderão interagir: ajudar a preparar sopa para servir aos carentes, filiar-se a uma organização para salvar espécies ameaçadas de extinção, engajar-se em projetos de limpeza do bairro, ler para idosos em asilos, dar aulas a crianças menores, etc. Acredito que os trabalhos comunitários devem fazer parte da vida de todos nós, principalmente na infância, onde as crianças irão estimular a prática da caridade e do respeito ao planeta e a tudo que foi criado por Deus.

Para termos uma sociedade mais justa, lares harmoniosos, segurança nas ruas e a integridade dos valores éticos e morais, precisamos estimular o desenvolvimento moral, que significa emoções e comportamentos que reflitam preocupação com os outros: compartilhar, ajudar, cuidar, ser tolerante e ter disposição em seguir regras sociais.

O desejo de cuidar dos outros faz parte do nosso código genético. Podemos observar exemplos de comportamento moral em animais. As formigas operárias se expõem frequentemente ao perigo para chamar a atenção dos outros quando suas colônias são atacadas. Pássaros fêmeas foram observadas simulando estarem feridas e se mudando do ninho como tentativa de distrair um inimigo de seus filhotes.

Se iniciarmos o trabalho em prol de nós mesmos, dos animais, das aves, cuidando do ar, da água, da terra, entraremos novamente em harmonia com as leis universais e assim estaremos interligados positivamente sem culpas ou remorsos, pois a lei de causa e efeito é um fato e precisamos recuperar o que desarmonizamos e as crianças precisam desde já aprender a respeitar tudo que existe no planeta, pois outros seres irão reencarnar para usufruir de tudo, como nós também usufruímos para evoluirmos.

A educação das crianças para valorizarem o esforço durante toda sua vida deve iniciar o mais cedo possível. As crianças precisam ser preparadas para enfrentar situações difíceis, frustrantes ou até traumáticas, como: perda de entes queridos, separação dos pais, doença na família, mudanças em geral. Elas precisam, enfim, ser estimuladas a viver de forma otimista, mas realista, onde aprendem que os problemas fazem parte da nossa vida e eles muitas vezes nos mostram novos caminhos, até a força interna que temos para enfrentá-los.

As crianças precisam ser informadas mas também preparadas para viverem a vida de forma adequada com menos culpas, remorsos, medos, etc., enfim, é importante que elas sejam trabalhadas para viverem livres de sentimentos negativos e se aproximarem de sentimentos positivos como a fé, confiança, respeito, carinho, alegria, otimismo, autoconfiança e dignidade, que fazem as crianças crescerem dignas, com estima suficiente para lidar com a vida, sem buscar caminhos de fuga pelas drogas, comportamentos agressivos, violência, etc.

É o respeito, as crianças precisam ser bem tratadas, dignamente; os pais precisam aprender a ouví-las, aceitarem suas ideias (mesmo as mais esdrúxulas) depois conversar e mostrar outras ideias, com amor, carinho, respeito ao que elas dizem, pois sabemos que trazem bagagens espirituais boas e ruins que precisam ser trabalhadas adequadamente, sem espantos ou desesperos, pois são Espíritos que reencarnaram exatamente para serem auxiliados em suas necessidades morais e intelectuais.

Respeitar as crianças não quer dizer deixá-las sem limites ou sem rumo. Existem três estilos de pais:

1- Pais autoritários - aqueles que estabelecem regras rígidas e esperam que elas sejam obedecidas, mandam nos filhos, desencorajando-os de expressar suas emoções, sentimentos, ideias, opiniões, etc.. Os filhos se tornam extremamente inseguros, frustrados com autoestima bem baixa, tendem a ser infelizes, retraídos e desconfiam dos outros.

2- Pais liberais - aqueles que buscam ser o mais aberto e tolerante possível, mas tendem a ser passivos quando se trata de estabelecer limites ou reagir a uma desobediência. Não fazem maiores exigências, nem têm objetivos claros para seus filhos, acreditando que devem permitir que se desenvolvam de acordo com suas inclinações naturais. Um grande perigo, pois os filhos precisam de limites e sem eles fica difícil fazerem boas escolhas, principalmente porque não se sabe quais as inclinações do Espírito reencarnante. Os filhos agem exatamente conforme o que trazem de tendências e ficam completamente sem rumo, sentem-se desvalorizados, agressivos, arrogantes, orgulhosos e se acham os donos de si e dos outros.

3- Pais com autoridade - conseguem estabelecer equilíbrio e limites claros em um ambiente protetor e educativo. Eles orientam, mas não controlam, explicam o que fazem e ao mesmo tempo permitem que os filhos participem de decisões importantes. Valorizam a independência dos filhos, mas exigem deles um alto padrão de personalidade para com a família, amigos e a comunidade. Os filhos são confiantes, seguros, decididos, buscam vencer na vida, sem prejudicar a ninguém. Respeitam a si e aos outros.

A religião desempenha um papel importante na formação moral e cultural da criança, principalmente quando dá uma visão da imortalidade, da reencarnação, do amor a si mesmo e ao próximo. Edifica a personalidade quando os fundamentos são dignos, sem puritanismo, sem preconceito, sem hipocrisia, sem castração. Ensina o ser humano a ter respeito a si e ao outro e a tudo que Deus criou. Tem como fundamento maior ligar o homem a Deus com todo amor possível. É o grande encontro na mais pura harmonia.

Allan Kardec mais uma vez nos chama à reflexão quanto à questão do progresso do homem na Terra. Fala sobre o orgulho e o egoísmo como sendo os maiores obstáculos para o progresso moral e afirma que a humanidade progride por meio dos indivíduos que se aperfeiçoam pouco a pouco e se esclarecem. Então, quando eles prevalecem em número, tomam a frente e conduzem os outros.

Léon Denis nos banha com a luz do seu conhecimento, dizendo “O homem é o obreiro de sua libertação. O estado completo de liberdade atinge-o no cultivo íntimo e na valorização de suas potências ocultas. Os obstáculos acumulados em seu caminho são meramente meios de obrigá-lo a sair da indiferença e a utilizar suas forças latentes. Somos todos solidários e a liberdade de cada um liga-se a liberdade dos outros.“


Kátia Curugi Flocke é psicóloga.

Fonte: http://correiofraterno.com.br/nossas-secoes/104-analise/1061-como-estimular-a-crianca-a-praticar-acoes-altruisticas




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