Espiritualidade e Sociedade



Carlos Roberto Fernandes

>    Precursores de Chico Xavier

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Vários são os precursores do Mandato Mediúnico de Chico Xavier no Brasil, sem os quais o Espiritismo não se consolidaria no país.

 

Sem esgotar a lista de missionários de Jesus no campo político e educacional do Espiritismo no Brasil, citarei apenas cinco deles: Bezerra de Menezes, Batuíra, Cairbar Schutel, Anália Franco e Eurípedes Barsanulpho.

Em todos eles, o mesmo esforço missionário fundado na Filosofia Espírita e na Pedagogia Espírita - uma fidelidade ao caráter educacional do Espiritismo, a partir do pedagogo e professor Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec).

Rivail - e depois Allan Kardec- foi professor, pedagogo, escritor, fundador e diretor de escolas, pesquisador nato; codificador do Espiritismo, fundou e presidiu a primeira Revista Espírita intitulada Jornal de Estudos Psicológicos e a primeira Sociedade de Estudos Espíritas do mundo (Sociedade Parisiense de Estudos Espíritos).

A codificação do Espiritismo por Allan Kardec inaugurou, sob sua responsabilidade e escrita, diversas áreas epistêmicas, entre as quais estão: Epistemologia Espírita, Estética Espírita (e suas subáreas de Ética, Moral, Arte, Poética), Pedagogia Espírita, Educação Espírita, Antropologia Espírita, Psicologia Espírita, Filosofia Espírita, Ciência Espírita, Política Espírita.

1) Bezerra de Menezes foi médico, político, escritor profícuo de artigos, de contos e de crônicas espíritas em jornal de âmbito nacional e autor de livros espíritas.

Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, renascido a 29 de agosto de 1831 e desencarnado aos 11 de abril de 1900, renascimento e desencarne no Rio de Janeiro.

Cognominado Apóstolo do Espiritismo no Brasil e Kardec brasileiro, Bezerra de Menezes cumpre no Espiritismo a missão de preparar caminho para outro Apóstolo da Mediunidade - Chico Xavier.

A mesma preparação exercida por João Batista referente ao posterior Mandato Divino de Jesus ecoa no século XX com relação a Bezerra de Menezes e a vinda posterior de Chico Xavier.

João Batista afirmará, resoluto (Mateus, 3:11 e 12):

"Preparai o caminho do Senhor, aplainai as suas veredas...Aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. De fato, eu não sou digno nem ao menos de tirar-lhe as sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. A pá está na sua mão: vai limpar a sua eira e recolher seu trigo o celeiro: mas, quanto à palha, vai queimá-la num fogo inextinguível."

O trabalho sociopolítico de Bezerra de Menezes para consolidação do Espiritismo no Brasil é pedagogicamente comparável ao ministério de aplainamento das veredas referido pelo apóstolo Mateus quanto a João Batista e a Jesus.

O cumprimento do Mandato Mediúnico de Chico Xavier foi possível graças ao trabalho anterior de Bezerra de Menezes e é talvez por isso que este esteve ligado àquele durante todo aquele Mandato.

Aquele trabalho de aplainamento, realizado por Bezerra de Menezes, pode ser acompanhado e estudado na obra publicada pela Fraternidade Assistencial Esperança (FAE) em três volumes e intitulada Espiritismo, Estudos Filosóficos. Nesta obra estão os artigos escritos por Bezerra de Menezes e publicados no jornal O Paiz, de 1887 a 1895.

Nascido em Riacho do Sangue, no Ceará, Bezerra de Menezes transferiu-se para o Rio de Janeiro no ano de 1851 para cursar Medicina; em 1858 casou-se com Maria Cândida de Lacerda, dona Mariquinhas, com a qual teve dois filhos; foi vereador municipal da então Freguesia de São Cristóvão pelo Partido Liberal, no ano de 1861; sua eleição foi impugnada sob a alegação de que a essa época era médico militar; foi reeleito para o período de 1864 - 1868 e, posteriormente entre 1873 e 1881; tornou-se presidente efetivo da Câmara Municipal da Corte de 1878 a 1881; de 1878 a 1885 foi deputado geral do Rio de Janeiro.

A atividade política de Bezerra de Menezes e a sua centralidade para o Espiritismo no Brasil do século XIX atestam a concepção de Política na Doutrina Espírita como instrumento de transformação das sociedades humanas.

Com o falecimento de sua primeira esposa em 1863, Bezerra de Menezes casou-se com Cândida Augusta de Lacerda Machado em 1865 e com a qual teve sete filhos.

Em 16 de agosto de 1886, Bezerra de Menezes proclama publicamente ser adepto do Espiritismo, proferindo palestra no auditório da Federação Espírita Brasileira (FEB), fundada em 2 de janeiro de 1884: à época, um escândalo nos campos político, religioso e médico.

A revista da FEB, o Reformador, teve Bezerra de Menezes como seu redator-chefe; escritor, também publicou de sua autoria as seguintes obras:

- A Casa Assombrada;
- A Loucura sob novo prisma;
- A Doutrina Espírita como Filosofia Teogônica
(reeditado com o título Uma Carta de Bezerra de Menezes)
;
- Casamento e Mortalha;
- Pérola Negra;
- Lázaro - o leproso;
- História de um sonho;
- Evangelho do Futuro.

Bezerra de Menezes foi vice-presidente da FEB em 1890 e em 1891, sendo eleito presidente em 3 de agosto de 1895: sua ação consolidadora do Espiritismo no Brasil se expressa no campo da Educação Espírita, através da instituição do estudo sistemático e público de O Livro dos Espíritos, e no campo da Ação Espírita fiel ao Evangelho de Jesus.

Em apenas 14 anos (de 1886 a 1900) de profissão de fé espírita, Bezerra de Menezes consolidou a integração do Espiritismo no Brasil: seu esforço foi o de integrar o movimento espírita brasileiro em torno da própria Filosofia Espírita codificada e expressa por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos. Talvez por isso mesmo os seus 316 artigos, crônicas e contos publicados no Jornal O Paiz e sob o pseudônimo de Max, foram apresentados com o título Espiritismo, estudos filosóficos.

2) Batuíra, de instrução primária, foi entregador de jornais, teatrólogo, tipógrafo espírita, criador de jornal e de centros espíritas, tradutor, homeopata por autodidatismo, médium curador, conferencista, livreiro.
Antônio Gonçalves da Silva, cognominado Batuíra, renasceu em 19 de março de 1839, na então freguesia de Águas Santas, e desencarnou em 22 de janeiro de 1909, em São Paulo.

O trabalho cultural iniciante de Batuíra iniciou-se em 1899 quando se tornou até 1900 e na cidade de São Paulo o exclusivo agente da revista Reformador, órgão de difusão do Espiritismo da Federação Espírita Brasileira.

Porque era um rico proprietário de terras e de imóveis, Batuíra construiu uma Tipografia Espírita, inaugurada em 20 de maio de 1890 com a publicação do jornal Verdade e Luz: este jornal, iniciado com dois mil exemplares chegou à expressiva tiragem de 15 mil exemplares distribuídos em todo o território brasileiro.

A atividade de Educação Espírita de Batuíra estendeu-se à criação de vários grupos e centros espíritas, sob sua direta influência, nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além de incontáveis conferências por ele realizadas em ambientes espíritas.

Em 1904 fundou a Instituição Cristã Beneficente Verdade e Luz: a esta instituição de assistência doutrinária, terapêutica e assistencial agregaram-se a tipografia, uma livraria, uma chácara em Santo Amaro (São Paulo).

3) Cairbar Schutel foi prático de farmácia, político, fundador de centro espírita, criador e fundador de uma Revista Internacional de Espiritismo, escritor profícuo de obras espíritas, dono de editora espírita.

Caírbar de Souza Schutel renasceu na cidade do Rio de Janeiro em 22 de setembro de 1868 e desencarnou na cidade de Matão - São Paulo em 30 de janeiro de 1938.

Cognominado "Pai da Pobreza" e "Apóstolo de Matão", Caírbar Schutel foi prático de farmácia, tendo assumido o cargo político de presidente da Câmara Municipal de Matão em 1889; convertido ao Espiritismo, fundou o Centro Espírita Amantes da Pobreza em 15 de julho de 1905, o jornal O Clarim em 15 de agosto de 1905, a Revista Internacional do Espiritismo em 15 de fevereiro de 1925 e a Empresa Editora O Clarim na qual publicou, a partir de 1911, vários livros espíritas e particularmente os de sua autoria.

Dos expressivos livros publicados de autoria de Schutel, destacam-se:


- Espiritismo e Protestantismo (1911)
- Histeria e Fenômenos Psíquicos (1911)
- O Diabo e a Igreja (1914)
- Espiritismo para as crianças (1918)
- Interpretação Sintética do Apocalipse (1918)
- Médiuns e Mediunidades (1923)
- Gênese da Alma (1924)
- Materialismo e Espiritismo (1925)
- Fatos Espíritas e as Forças X (1926)
- Parábolas e Ensinos de Jesus (1928)
- O Espírito do Cristianismo (1930)
- A Vida no Outro Mundo (1932)
- Vida e Atos dos Apóstolos (1933)
- Livro de preces (1936)
- Conferências Radiofônicas (1937)
- Cartas a Esmo
- O Batismo.

Caírbar Schutel é o pioneiro do Espiritismo propagado através do rádio no Brasil, durante os anos de 1936 e 1937 na Rádio Cultura de Araraquara, PRD-4.

4) Anália Franco foi professora e sua imensa obra social e educativa teve por base político-pedagógica enfrentar a marginalização da criança negra, o abandono da mulher e da criança pobre, a discriminação religiosa e sexual, a marginalização da mulher prostituída: para esse enfrentamento criou e supervisionou Escolas Maternais, Creches, Cursos Profissionalizantes e de Formação de Professoras, Casas de Recuperação ou de Regeneração, Asilos e Colônias, Revistas.

A originalidade pedagógica da obra de educação de Anália Franco pode ser estudada em várias direções:

- foi a primeira educadora no Brasil a empregar os termos Escolas Maternais e Creches ao invés de Jardins da Infância e Orfanatos ou Asilos Infantis;
- criadora da primeira banda de música inteiramente feminina no Brasil;
- indiscriminação de crença, raça e etnia em suas Escolas;
- não separar educação e trabalho profissionalizante para alunos mais velhos;
- valorização social e política da mulher numa época em que o único lugar permitido para a mulher era o de ser esposa e \"dona\" do lar.

Anália Emília Franco renasceu no em Resende - Rio de Janeiro a 1 de fevereiro de 1856; aos cinco anos, seus pais (Antônio Maria Franco e Teresa Franco) mudaram-se para São Paulo aonde desencarnou aos 20 dias de janeiro de 1919, vitimada pela gripe espanhola.

Anália Franco, a Mãe da Pedagogia Espírita no Brasil, Grande Dama da Educação no Brasil e Mãe dos órfãos e das viúvas, foi casada com Francisco Antônio Bastos - continuador de sua obra e também seu biógrafo; após o casamento, passou a chamar-se Anália Branco Bastos.

Na Escola Normal Secundária de São Paulo Anália Franco estudou e diplomou-se professora, dedicando-se por toda a sua vida ao magistério público.

O caráter precursor de Anália Franco, no campo da Pedagogia do Espírito e particularmente na Pedagogia Espírita, materializou-se em suas fundações nos Estados de São Paulo e de Minas Gerais e em mais de vinte municípios:


- Colégio Santa Cecília, internato e externato para ensino primário e secundário;

- Revista Álbum das Meninas, periódico literário cujo primeiro número foi em 30 de abril de 1898;

- Associação Feminina Beneficente e Instrutiva do Estado de São Paulo em 17 de novembro de 1901, destinada ao amparo, à instrução e à educação de crianças pobres e indigentes. Esta Associação foi a mantenedora de mais de setenta outras Escolas Maternais diurnas e noturnas;

- Liceu Feminino (noturno e diurno), inaugurado a 25 de janeiro de 1902 e responsável pela criação de cursos para formação de professoras voluntárias a serviço das Escolas Maternais, além de vários outros cursos profissionalizantes para as alunas das Escolas Maternais;

- Revista A Voz Maternal da Associação Feminina com primeiro número publicado a 1 de março de 1903, destinada a ser o órgão de literatura e de educação e chegando à tiragem mensal de 6 mil exemplares;
 
- Asilos-Creches para amparo de viúvas, mães abandonadas e seus filhos e órfãos em geral; o primeiro asilo-creche foi criado em meados de 1903;

- Oficinas e cursos de tipografia, de costura, de flores artificiais, de chapéus, de música, de escrituração mercantil, de prática de Enfermagem, de arte dentária - todas criadas nos próprios Asilos-Creches;

- Manual Educativo e posteriormente denominado Novo Manual Educativo - uma publicação mensal com tiragem de 5 a 6 mil exemplares para distribuição gratuita entre as alunas das Escolas Maternais;

- Bazar da Caridade, criado a partir de 1906 para vender ao público os trabalhos produzidos nos Asilos-Creches;

- Colônia Regeneradora erguida em fazenda adquirida no bairro da Mooca para abrigar inicialmente mulheres arrependidas, oferecendo-lhes ofícios ministrados por professoras especializadas além da organização de uma orquestra e de um Grupo Dramático Musical;

- Liga Educativa Maria de Nazaré, criada em 1914 para auxiliar as escolas maternais, creches, asilos e colônias fundadas pela Associação Feminina Beneficente e Instrutiva.

As escolas maternais, creches, asilos, colônias, revistas, o Liceu e a Liga fundadas pela Associação Feminina Beneficente e Instrutiva de Anália Franco realizaram uma revolução social, política e pedagógica no Brasil - particularmente nos estados de São Paulo e de Minas Gerais.
Anália Franco foi escritora e publicou várias obras, entre romances, contos, poesias, peças teatrais e crônicas.

Relevante é o fato da contemporaneidade de Anália Franco e de Eurípedes Barsanulpho.

5) Eurípedes Barsanulpho, um Sol de Cultura Espírita, foi professor no ensino primário e secundário, nada menos do que o criador e fundador do primeiro colégio espírita do Brasil - o Colégio Allan Kardec, em Sacramento, Minas Gerais. Médium espírita de diversas e desenvolvidas faculdades mediúnicas, entre as quais estão a de cura, de receitista, clariaudiência, clarividência, psicofonia, psicografia: legitimamente pode ser cognominado Apóstolo da Mediunidade: tradicionalmente, os espíritas brasileiros o referenciam como Apóstolo da Caridade e Apóstolo do Triângulo Mineiro.

Esses expoentes do Espiritismo no Brasil, sobretudo Eurípedes Barsanulpho, e tidos como precursores do trabalho educacional e mediúnico ininterruptos de Chico Xavier (de 1932 a 2002) afirmam e reafirmam a finalidade básica do Espiritismo colocada por Pires nestes termos:

-"a finalidade básica do Espiritismo não é terapêutica, mas cultural." (PIRES, José Herculano. Agonia das Religiões. São Paulo: Paidéia. 1976; p.92)

-"Espiritismo é educação. Educação individual e educação em massa... [Educação Espírita é] o processo de orientação das novas gerações de acordo com a visão nova que o Espiritismo nos oferece da realidade." (PIRES, José Herculano. Pedagogia Espírita. 10. ed. São Paulo: Paidéia. 2004; ps.31, 33)

Eurípedes Barsanulpho renasceu a 1º. de maio de 1880 e desencarnou a 1º. de novembro de 1918, renascimento e desencarnação na cidade mineira de Sacramento.

Cognominado o "Apóstolo do Triângulo Mineiro", Eurípedes Barsanulpho reúne todos os qualificativos expressivos da grandeza apostolar de um herói da fé, de um mártir cristão, de um homem de bem em sua máxima significação, de um santo.

Assistido diretamente pelo espírito conhecido pelo nome de Vicente de Paulo, Eurípedes Barsanulfo ergue por símbolo supremíssimo do seu Apostolado o Colégio Allan Kardec, destinado ao ensino fundamental, médio e superior para ambos os sexos.

Ex e brilhante aluno do famoso Colégio Miranda de Sacramento, inaugurado em 1889 e cujo proprietário era o major João Derwil de Miranda, Eurípedes Barsanulpho e os professores João Gomes Vieira de Melo, José Martins Borges, Inácio Martins de Melo, Teófilo Vieira e o padre Augusto da Rocha Maia fundam o Liceu Sacramentano no ano de 1902.

Convertido ao Espiritismo no ano de 1905, Eurípedes Barsanulpho é alvo das hostilidades locais: os pais dos alunos matriculados no Liceu Sacramentano retiraram os seus filhos do colégio e os demais professores o abandonam.

O prédio aonde funcionava o Liceu e todo o seu mobiliário foram entregues aos seus proprietários: eis o motivo pelo qual Eurípedes Barsanulpho reinauguraria em 1907 o Liceu Sacramentano com o nome de Colégio Allan Kardec e funcionando inicialmente em sua residência.

Notavelmente, todos os ex-alunos do Liceu Sacramentano se rematriculam no Colégio Allan Kardec.

Se Bezerra de Menezes eleva a significação espírita da ação política, Eurípedes Barsanulpho dignifica, em máxima expressão, a ação mediúnica; com ele, revive-se o conhecido dia de Pentecostes.
Com Eurípedes Barsanulpho reinaugura-se, sem dúvida, a Era da Mediunidade dos tempos de Jesus de Nazaré, continuada pelo seu sucessor Francisco Cândido Xavier; e, nesse sentido, é legítimo o título dado a Eurípedes - O Médium de Jesus.

A Pedagogia de Jesus, reverenciada pela Pedagogia de Allan Kardec, revive e se consolida na Pedagogia de Barsanulpho: o próprio espírito Allan Kardec comunica-se através de Eurípedes, em 25 de fevereiro de 1906, parabenizando-o pela construção do Colégio Allan Kardec posteriormente inaugurado em 2 de abril de 1907.

Em Sacramento existia o jornal - o Borá; ainda em sua juventude e juntamente com José Martins Borges, Leão de Almeida e o professor Inácio G. Melo, Eurípedes Barsanulpho fundou (e foi o redator d) o jornal A Gazeta de Sacramento cuja circulação semanal foi até aproximadamente o ano de 1918.

Eurípedes criou uma Farmácia Homeopática, totalmente gratuita e funcionante durante 15 anos consecutivos, aonde ele mesmo manipulava, receitava e atendia, primeiramente a população de Sacramento e, depois, toda a população brasileira que recorria àquela Farmácia: essa iniciativa atendia à lacuna de que em Sacramento não existiam hospitais e raros médicos e enfermeiros.

Eurípedes torna-se espírita entre os anos de 1903 e 1905: em 1905 funda, com o apoio de sua família, o Grupo Espírita Esperança e Caridade.
Quanto à vida política, Eurípedes foi vereador em Sacramento, de 1904 até o seu pedido de afastamento em 23 de setembro de 1910.

Finalmente, renasce o menino registrado com o nome de Francisco de Paula Cândido, posteriormente alterado para Francisco Cândido Xavier: 2 de abril de 1910 é a data do seu renascimento em Pedro Leopoldo - Minas Gerais; 20 de junho de 2002 é a data do seu desencarne em Uberaba - Minas Gerais.

Em seus mais de quatrocentos livros psicografados, os seus precursores compareceram grafando instruções e esclarecimentos, segundo a Filosofia Espírita: mais intensivamente assinada em texto escrito é a presença de Bezerra de Menezes e de Batuíra junto ao Mandato Mediúnico de Chico Xavier.

Sem o trabalho mediúnico sistemático de Chico Xavier, a Cultura Espírita no Brasil não teria se consolidado após os esforços pioneiros de Bezerra de Menezes e de Eurípedes Barsanulpho em particular: sua obra psicografada ainda constitui desafio para leigos e estudiosos espíritas, sem falar em seu trabalho permanente centrado nos lemas de Allan Kardec \"Fora da Caridade Não Há Salvação\" e \"Trabalho, Tolerância e Solidariedade\".

Pela sistematicidade de sua obra mediúnica, Chico Xavier é o legítimo e único continuador do trabalho de Pedagogia Espírita inaugurado por Allan Kardec com as obras O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo O Espiritismo, O Céu e o Inferno, A Gênese.


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(Obs.; tratando-se de nome próprio, mantenho a grafia do nome Eurípedes Barsanulpho)

Fonte: http://filosofia.portaldoespiritismo.com.br/col_62.php


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* lembrete - obras psicografadas entram pelo nome do autor espiritual