Nubor Orlando Facure

>   Introdução à pesquisa para o jovem espírita

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Nubor Orlando Facure
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Existem diversas programações para atrair e despertar nos jovens seu interesse para freqüentarem a casa espírita. A mim parece, no entanto, que o sucesso dessa programação não esta trazendo os resultados que a Doutrina merece. É muito fácil encontramos na sociedade, em geral, os diversos “programas” para onde está indo o interesse dos nossos jovens. A trajetória do adolescente de hoje está se tornando uma jornada de oportunidades extremamente variada e perigosa. Há tanta coisa escrita sobre o tema que não precisamos nos alongar sobre ele.

Discorrendo sobre nosso propósito inicial, queremos destacar a oportunidade de utilizamos a energia que a juventude fornece para propormos um projeto de estudo científico da Doutrina Espírita centrado na pesquisa empírica.

Em primeiro lugar, sugerimos a criação do Departamento de pesquisa dentro do centro espírita interessado. O papel do Departamento será discutir as linhas de pesquisa e induzir a formação de grupos de estudos. Cada grupo será orientado por um adulto com experiência no tema a ser pesquisado. Está aqui a questão primordial que promoverá o sucesso na aglutinação dos jovens em torno do projeto. Tudo depende da criatividade na escolha do tema a ser estudado e da metodologia a ser empregada. A maioria das casas espíritas já conta com profissionais com competência para essas sugestões. Temos gente nas áreas médicas, psicológica, sociológica e educacional que podem introduzir seus projetos.

Ninguém melhor que o próprio Allan Kardec para nos servir de exemplo quando nos revela um apuradíssimo espírito de pesquisa ao questionar e experimentar toda revelação que lhe foi transmitida pela espiritualidade. Como a Ciência humana está em constante progresso e são justamente os jovens que tomam o primeiro contato com esses avanços nos seus cursos acadêmicos, não há porque eles não se empenharem no estudo do paradigma científico que a Doutrina fornece.

Uma vez criado os “grupos de estudos”, cada um deverá elaborar seu protocolo de investigação. Aqui, permanece válido, como em qualquer pesquisa, os critérios éticos e a aprovação do projeto pelos dirigentes da casa. Para que não haja improvisação e amadorismo nos projetos, deve-se promover discussão e troca de experiência com profissionais acadêmicos que queiram colaborar com sugestões.

Alguns temas são relativamente fáceis de se pesquisar. Allan Kardec, bem antes de Sigismund Freud, nos chamou a atenção para a importância do estudo dos sonhos, ocasião em que nossa alma entra em contato com nossos entes queridos e deles recebem orientação e sugestões que freqüentemente renovam nossos procedimentos. Com um protocolo baseado em entrevistas o jovem pesquisador poderá constatar a freqüência com que este fenômeno é percebido em nossas vidas.

Outro tema estudado por Allan Kardec se refere às alucinações. Com o avanço da neuropsiquiatria de hoje, podemos rever os mecanismos que Kardec propôs para a produção de alucinações – ele sugeriu que algumas alucinações procedem da visão que o perispírito registra no cérebro físico – seriam alucinações de causas orgânicas, como as que conhecemos hoje. Podemos comparar o que nos revelam os médiuns audientes e videntes, com o conteúdo das alucinações que “ouvem” e “vêem” os esquizofrênicos, os dementes e os alcoolistas.

Com o título de “noção de uma presença”, a literatura neuropsiquiátrica tem tornado cada vez mais freqüente o relato da percepção por determinados doentes, da “presença de entidades” juntos de si, que os protege ou acompanham no decorrer de seus padecimentos. Qual seria a freqüência desse fenômeno entre nossos médiuns e mesmo entre nossos freqüentadores na casa espírita?

O espírita sabe da importância da família e o significado do envolvimento espiritual que reúne todos os seus membros. Qual, na verdade tem sido o comportamento da família no meio espírita? Quantos dentro do mesmo lar estão comprometidos com a Doutrina? O culto do evangelho no lar tem sido praticado com que freqüência em nosso ambiente familiar? São questões sociológicas de suma importância.

A mediunidade se expressa dentro de uma constelação de fenômenos muito variada. Allan Kardec nos apresentou uma classificação tanto do fenômeno mediúnico, como dos diversos tipos de médiuns. De que modo está representado entre nós esses dois aspectos – o tipo de fenômeno e a classificação dos nossos médiuns?

Allan Kardec deixou claro, também, que a mediunidade é um fenômeno, de certo modo, orgânico e que se processa através do cérebro do médium. Seria interessante considerarmos a mediunidade num grupo de gêmeos univitelinos cujo cérebro se pressupõe serem iguais ou muito semelhantes.

Com essas sugestões não pretendemos produzir Ciência dentro do centro espírita. É apenas um processo pedagógico que pode atrair o jovem espírita para dentro das nossas casas e conduzir uma forma de estudo mais atraente.

 

*  Nubor Orlando Facure
- Ex-Professor Titular de Neurocirurgia UNICAMP.
Diretor do Instituto do Cérebro Prof. Dr. Nubor Orlando Facure (Campinas, SP)


Fonte: http://www.geae.inf.br/



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