Raymundo Rodrigues Espelho

>   O Passe

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“E rogava-lhe muito, dizendo: minha filha está moribunda: rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos, para que sare, e viva”.
Marcos, 5:23



O passe tem dado lenitivo a uma verdadeira multidão de pessoas que procuram ou são levadas aos centros espíritas.

A prática da terapêutica espiritual é executada desde os primórdios da Humanidade e foi enfatizada pelo Cristo, como nos fala Marcos no Capítulo V, versículo 23 de seu Evangelho. Essa prática é conhecida fora do movimento espírita nas “rezas”, “benzeduras”, nas bênçãos sacerdotais, nos cânticos ou evocações dos silvícolas, na prece das mães aflitas e de muitas outras maneiras.

Aprendemos com a Doutrina dos Espíritos, que o passe deve ser simples, tão simples quanto a imposição das mãos sobre a cabeça do enfermo ou necessitado.

O passe é a transfusão de energias vitais do passista - quando se trata de passes anímicos, e de energias espirituais, quando se trata de energias doadas pelo plano espiritual. Pode, também, ser, a soma das duas energias quando o passista e o plano espiritual trabalham em conjunto. È isto que geralmente ocorre, porque toda vez que alguém se dispõe a ajudar o semelhante que necessita e o procura com o desejo de ser ajudado, o plano maior entra em ação.

Vejamos o que nos diz a questão 176, item 2º. de “O Livro dos Espíritos”: “A força magnética pertence ao homem, mas é aumentada pela ajuda dos Espíritos a que ele apela. Se magnetizas para curar, por exemplo, e evocas um bom Espírito que se interessa por ti e pelo doente, ele aumenta a tua vontade, dirige teus fluidos e lhes dá as qualidades necessárias”.

O mecanismo do passe é muito perfeito. Infelizmente surgiram no meio espírita, criaturas e instituições que “inventaram muita novidade” para se transmitir o passe.

Acreditamos que por ser muito simples a prática de socorro espiritual e por ser a grande maioria da coletividade espírita - inclusive os dirigentes - oriunda de outras religiões, acharam por bem “inventar” alguns rituais para se transmitir o passe. Esqueceram-se, como, ainda, até hoje, seus seguidores, mal informados, que no Espiritismo não existem rituais de espécie alguma.

Há criaturas que freqüentam instituições espíritas durante anos a fio e em toda reunião vão tomar o seu passe. São os chamados “papa-passes”. Não sabemos se são eles os mais necessitados ou os dirigentes dessas Casas que não os esclarecem a contento em relação ao passe, pois são muitos os que vão receber por simples mania. Sabemos que há diretores de Centros Espíritas que incentivam os freqüentadores da Casa, a tomarem passe em todas as reuniões porque sabem que assim suas dependências estarão sempre cheias. Olvidam esses confrades que o que vale é a qualidade e não o numero de freqüentadores.

O passe é um recurso terapêutico. Sendo indicado, portanto, quando a pessoa tem algum problema físico ou espiritual.

Aqueles que habitualmente tomam passe quando não precisam, faltam com a caridade e com o respeito com o médium, aos Espíritos e para com aqueles que estão realmente necessitados. Pois provocam desgastes no médium, nos encarnados e desencarnados que dão apoio e fornecem energias, o que leva a prejudicar também aqueles que realmente necessitam.

Muito já se escreveu sobre o passe. Parece-nos que não estamos acrescentando nada de novo e queira a Deus que ninguém mais acrescente “novidades”, pois a Doutrina dos Espíritos é muito simples, não precisando de fórmula alguma para complicá-la. Por oportuno, lembramos do querido Deolindo Amorim que costumava dizer: “O Espiritismo é uma Doutrina que se basta a si mesma, sem empréstimos nem acréscimos artificiais”.

Mas, apesar de todos os emaranhados que fizeram com o passe, uma verdadeira multidão de encarnados e desencarnados é beneficiada por ele, pois sabemos que é o Amor, esse sentimento maior que envolve a todos e os beneficia. Importa-nos lembrar que o passe, como a prece, não muda necessariamente as coisas, para nós, mas muda-nos a nós em relação às coisas.

O Instituto de Difusão Espírita de Araras, SP, editou o livro “Confia e Serve”, ditado por diversos Espíritos aos médiuns Francisco Cândido Xavier e Carlos A. Bacccelli. Essa obra, como a maioria dos livros espíritas, nos fornece subsídios para ilustrar e esclarecer inúmeros assuntos. Tomamos como exemplo os versos do querido Eurícles Formiga, ditados ao Baccelli:

De fato, os tempos são outros.
O progresso é natural.
Mas não percamos de vista
A pureza original.

Aqui paro e vou cantando,
Na estrada que me conduz:
Sou um espírita de ontem,
Com Kardec e com Jesus.

Até mesmo para passe
Inventaram novas formas.
Dizem que a Doutrina é livre
E vão prescrevendo as normas...

Você prescreve normas ou segue Kardec, que nos dá a chave para entendermos melhor a Doutrina de Jesus?

Data: 01/11/2006
Livro: A revelação da Chave


Fonte: http://www.omensageiro.com.br/artigos/artigo-178.htm


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