"Sou apenas um caboclo brasileiro"
"Se é preciso que eu tenha um nome digam
que sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, pois não
haverá caminhos fechados para mim. Venho trazer a Umbanda,
religião que harmonizará as famílias e que
perdurará até o final dos séculos" ...
"Umbanda é a manifestação
do espírito para a caridade"...
"Nós aprenderemos com aqueles espíritos
que souberem mais e ensinaremos os que souberem menos e a nenhum viraremos
as costas ou diremos não."
Com estas palavras, o Caboclo das Sete Encruzilhadas,
incorporado em seu médium Zélio Fernandino de
Moraes, que na época contava com 17 anos, fundou
a religião de Umbanda, tendo se manifestado dentro da
recém fundada Federação Espírita de Niterói,
no dia 15 de Novembro de 1908.
No dia seguinte, na casa da Família Moraes, o
Caboclo se manifesta fundando ali a Tenda Espírita Nossa
Senhora da Piedade, porque assim como Nossa Senhora acolheu
Jesus em seus braços, a Umbanda haveria de acolher os filhos
seus. No mesmo dia se apresentou Pai Antônio e juntos, o Caboclo
e o Preto Velho, marcaram as duas principais linhas a se manifestar
na Umbanda. Logo viriam as Crianças, a Linha de Ogum, os Exus
sob doutrina e outros que se mesclam nestas linhas que trabalham juntas
na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.
A influência kardecista na tenda seria
grande, contando inclusive com uma "mesa branca" para os trabalhos
de desobsessão.
Zélio de Moraes dedicou todos os dias de sua
vida à Umbanda até o ano de 1975, quando se deu o seu
desencarne. Foram inúmeros casos de orientação
espiritual, desobsessões e curas que vão das mais simples
até as milagrosas.
Durante os seus 67 anos de trabalho voltado para a Umbanda,
Zélio fundou dezenas de Tendas e ajudou a fundar centenas delas.
Das tendas fundadas por ele, que se mantinham sob seu comando indireto,
continua ativa ainda a Tenda Espírita São Jorge, sob o
comando do Sr. Pedro Miranda, também presidente
da União Espírita de Umbanda do Brasil,
que já se chamou Federação Espírita de Umbanda
do Brasil, a primeira Federação da nossa religião
fundada em 1939 por orientação do Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Zélio de Moraes era homem de um coração
e bondade que pouco se vê, comparado apenas aos grandes Mestres
Iluminados que já passaram por esta Terra.
Muito se fala sobre a origem da palavra Umbanda,
podemos citar aqui pelo menos três prováveis origens:
Pode ter vindo do kimbundo, língua falada em
Angola, onde significa a arte de cura ou a prática espiritual
do Sacerdote Xamã Kimbanda. Alguns acreditam que a palavra teria
vindo do sânscrito Aumbhandã, traduzido por Conjunto
das Leis de Deus. Há ainda uma teoria mais popular e até
simpática para o significado da palavra onde o Um é Deus
e a Banda somos nós, logo Umbanda seria nós e Deus, ou
a Banda do Um.
Podemos dizer ainda que Caboclos e Pretos-Velhos já
incorporavam em outras práticas e rituais como nos Catimbós,
Encantarias, Tambor de Mina, Cabula, nas "Macumbas Cariocas"
e outros, no entanto não caracterizava um ritual de Umbanda como
define pai Ronaldo Linares: "Umbanda é
uma religião espírita, ritmada, ritualizada, de origem
euro-afro-brasileira".
Esta é a Umbanda e da forma como está
estabelecida ou, da forma como a reconhecemos, ela nasce com o ritual
do Caboclo das Sete Encruzilhadas, pois o que define sua origem não
é a data nem a origem do nome Umbanda, muito menos o fato de
caboclos ou pretos velhos incorporarem em outros locais, o que define
sua origem é o ponto de partida onde surgiu o ritual que chamamos
e identificamos como Umbanda.
Zélio deixou um legado para seus descendentes:
A mais antiga tenda de Umbanda existe e funciona até os dias
de hoje na Travessa Zélio de Moraes em Boca do Mato, no município
de Cachoeiras de Macacu, onde funciona também a Cabana de Pai
Antônio.
À frente dos trabalhos hoje está a neta
carnal de Zélio de Moraes a Sra. Lygia Cunha.
Mãe Zilméia de Moraes Cunha (Mãe carnal de Lygia)
se encontra na flor dos seus 93 anos de idade com uma lucidez de impressionar
qualquer pessoa.
Mãe Zilméia é uma senhora de uma
grande simpatia e muita simplicidade no modo de viver. A forma como
expressa seus sentimentos a caracterizam como a pessoa mais amorosa
que este simples escrevente teve o prazer de conhecer.
Pai Antônio sempre a chamou de carneirinho, por
suas madeixas douradas e seu jeito doce de lidar com as pessoas. Mãe
Zilméia se emociona ao lembrar de tantos anos ao lado de seu
Pai na lida espiritual e sempre que relata alguns dos casos e histórias
que envolvem sua vida espiritual costuma dizer: "Não me
arrependo de nada, faria tudo outra vez;" "Nasci para ser
espírita!", "Papai sempre dizia..."
Não há quem não se sinta
ao lado de uma Mãe ou de uma Avó muito querida, quando
tem a oportunidade de trocar algumas palavras com esta querida, de todos
nós mãe, Zilméia, filha carnal de Zélio
de Moraes.
Jornal de Umbanda
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