Bem-aventurados os Pobres de Espírito
in O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo
VII
Estudo apresentado na Sociedade Espírita Irmão Francisco
de Assis Duas Barras, RJ, em 16 de abril de 2005
Recordações
No poético e magnífico manual de vida que o Mestre nos
legou, chamado pela tradição de “O Sermão
da Montanha”, lembramos ter lido que, no elenco das bem-aventuranças,
Jesus nos ensinou:
“Bem aventurados os pobres de espírito,
porque deles é o reino dos céus”
Acreditando estar ouvindo tal afirmação
vinda de Jesus, nosso entendimento atual fica, de imediato, confuso.
Sem aceitar a primeira impressão que ela nos dá, recorremos
ao Aurélio e, no verbete próprio, lemos a seguinte definição
para a expressão “pobre de espírito”:
Pobre de espírito. Pessoa simplória,
ingênua, parva, tola.
“O que é isso?”, nos perguntamos,
surpresos.? É evidente, para nós, que o Mestre dos Mestres
não estaria a dizer que o Reino dos Céus pertence aos
parvos, aos tolos ou ingênuos. Somos espíritas e, como
tal, nada deve ser aceito por nós como chega aos nossos sentidos,
sem que antes analisemos a informação percebida usando
da razão e do bom-senso. Desse modo, se a informação
que nos chega nos parece absurda, cabe a nós investigarmos mais
aprofundadamente a questão até que o sentido se faça.
Façamo-lo, pois, sem mais delongas.
O que diz a Codificação
O Capítulo VII de O Evangelho Segundo o Espiritismo
leva o título que demos ao nosso estudo, isto é, “Bem-aventurados
os pobres de espírito”.
Como era de se esperar, dados a lógica impecável
e o bom-senso lapidar do Consolador, ele abre o capítulo com
o tema “O que se deve entender por pobres de espírito”,
iniciando seus comentários com as seguintes sábias palavras:
“A incredulidade zombou desta máxima: Bem-aventurados
os pobres de espírito, como tem zombado de muitas outras coisas
que não compreende. Por pobres de espírito Jesus não
entende os baldos de inteligência, mas os humildes, tanto que
diz ser para estes o reino dos céus e não para os orgulhosos”.
e os concluindo com estas, não menos sábias:
“Dizendo que o reino dos céus é
dos simples, quis Jesus significar que a ninguém é concedida
entrada nesse reino, sem a simplicidade de coração e humildade
de espírito; que o ignorante possuidor dessas qualidades será
preferido ao sábio que mais crê em si do que em Deus. Em
todas as circunstâncias, Jesus põe a humildade na categoria
das virtudes que aproximam de Deus e o orgulho entre os vícios
que dele afastam a criatura, e isso por uma razão muito natural:
a de ser a humildade um ato de submissão a Deus, ao passo que
o orgulho é a revolta contra ele. Mais vale, pois, que o homem,
para felicidade do seu futuro, seja pobre em espírito, conforme
o entende o mundo, e rico em qualidades morais.”
A explicação de Kardec é clara
e faz total sentido, dando às palavras de Jesus o caráter
que se pode esperar delas. Fica, no entanto, a dúvida. Se Jesus
quis se referir aos humildes de espírito e aos simples de coração,
por que ele usou a expressão “pobres de espírito”
e não outra mais adequada?
Mas ... será que Jesus usou mesmo a expressão
“pobres de espírito”?
Para conferir se a expressão usada pelo
Mestre foi mesmo “pobres de espírito”, consultamos
três edições da Bíblia em Português
e uma na sua versão em Francês. Vejamos o resultado
de nossa consulta:
Recorremos, primeiramente, uma edição
feita pela Enciclopédia Barsa de uma das Bíblias católicas
mais utilizadas no Brasil, isto é, a tradução feita
pelo padre Antônio Pereira de Figueiredo no século XVIII,
com base na Vulgata Latina, tradução feita por Jerônimo
no Século V. A outra tradução mais usada no Brasil
é aquela feita pelo Padre Matos Soares, em 1930, igualmente a
partir da Vulgata latina.
Como veremos abaixo, a fala de Jesus aparece transcrita
nas traduções da Vulgata de forma idêntica a como
aparece em O Evangelho Segundo o Espiritismo. Essa constatação
confirma o que era de se esperar, isto é, que a Bíblia
em francês utilizada por Kardec era, também ela, uma tradução
da Vulgata. Dizemos isso porque a comunidade católica, durante
séculos, desde o Concílio de Trento, em 1546, até
algum tempo após 1943, ano em que o Papa Pio XII liberou oficialmente
que novas traduções fossem feitas a partir dos originais,
só tinha à sua disposição para consulta
e estudo a Vulgata ou traduções da Vulgata para suas línguas
nativas. E o que será que diz a Vulgata?
“Bem aventurados os pobres de espírito:
porque deles é o reino dos céus”
Jesus (Mt: 5.3)
A expressão “pobres de espírito”
foi traduzida para o português como para vários outros
idiomas, tendo como base a tradução do grego existente
na Vulgata latina, feita por Jerônimo,
no final do século IV, quando os manuscritos originais hoje disponíveis,
mais antigos e confiáveis, ainda não haviam sido encontrados.
Divulgada por séculos em toda a comunidade católica como
a única versão aceita pela Igreja, a Vulgata acabou imprimindo
na memória dos milhões de Espíritos que reencarnaram
nas comunidades católicas ao longo desse imenso período,
a lembrança de Jesus ter dito que o reino dos céus seria
herdado pelos pobres de espírito. Não é por outro
motivo que muitos estudos atuais sobre o tema, mesmo em meios espíritas,
costumam manter a tradução proveniente da Vulgata latina,
ignorando ser ela tida pelos estudiosos da Bíblia como das menos
confiáveis.
A segunda Bíblia que consultamos foi
uma edição em português, pela Editora Ave Maria,
da tradução feita pelos Monges de Mardesous. Esta tradução
foi feita para o francês a partir dos originais em hebraico e
grego, tendo já contado com manuscritos descobertos mais recentemente.
Foi publicada somente em 1957. Mais confiável, pelas razões
expostas, que as traduções feitas a partir da Vulgata,
veremos que ela dá um significado compreensível às
palavras de Jesus:
“Bem-aventurados os que têm um coração
de pobre, porque deles é o reino dos céus!”
Jesus (Mt: 5.3)
Quem tem um coração de pobre são os humildes. E
que os humildes venham a herdar o reino dos céus faz sentido,
apesar de ainda nos parecer uma afirmação um tanto vaga
para ter vindo do Mestre dos mestres. Afinal, um pobre pode ter o coração
humilde externado no seu comportamento social, mas pode, por outro lado,
ser revoltado com sua situação e, desse modo, não
possuir humildade moral.
A terceira Bíblia consultada foi uma
edição digital da chamada edição revisada
de Almeida. A tradução para o português
iniciada por João Ferreira de Almeida no século XVII não
seguiu à Vulgata, pois o autor se havia convertido à fé
protestante, tendo ele e seus sucessores se baseado nos originais em
aramaico e grego disponíveis então. A chamada “edição
revisada de João Ferreira de Almeida”, publicada em 1967,
seguiu os melhores manuscritos originais hoje conhecidos, gozando, assim,
de boa consideração pelos estudiosos atuais. A transcrição
dela é a seguinte:
“Bem-aventurados os humildes de espírito,
porque deles é o reino dos céus”
Jesus (Mt: 5.3)
A expressão “humildes de espírito”
nos parece precisa, pois o adjetivo humilde, como vimos, pode ser entendido
como acanhado, tímido, mas, quando ouvimos falar em “humilde
de espírito”, sabemos que estamos falando de uma
qualidade moral e não de um aspecto comportamental.
A Bíblia de Jerusalém,
preparada a partir dos anos da segunda guerra e que teve sua primeira
versão brasileira publicada em 1981 pela Editora Paulina, foi
por nós consultada em sua versão revisada, editada em
francês em 1973. Diz ela:
“Felizes os pobres em espírito,
pois o reino dos céus a eles pertence”
O pobre em espírito certamente é humilde
pois se sabe necessitando de ajuda para crescer. Mais que isso, ele
sabe que a ajuda que necessita é espiritual pois é nesse
aspecto que está sua pobreza. Resta certo, portanto, que ele
ora a Deus e aos bons Espíritos suplicando tal ajuda ao mesmo
tempo em que se esforça para enriquecer seu espírito com
as virtudes das quais se vê carente.
Vejamos, finalmente, o que nos ensina o Professor Pastorino
em A Sabedoria do Evangelho:
“Uma variedade imensa de traduções tem sido dada
às palavras de Mateus ptôchoi tôi pnéumati.
Vamos analisá-las. O primeiro elemento, ptóchos, significa,
exatamente, ”aquele que caminha humilde a mendigar". Sua
construção normal com acusativo de relação
poderia significar o que costumam dar as traduções correntes:
"mendigos (pobres, humildes) no (quanto ao) espírito".
Acontece, porém, que aí aparece construído
com dativo, à semelhança de tapeinoús tôi
pnéumati (Salmo 34: 18), "submissos ao Espírito";
ou zéôn tôi pnéumati (At. 18:25), "fervorosos
para com Espírito"; ou hagía kai tôi sôrnati
kaì tôi pnéumati (1 Cor. 7:34), "santos tanto
para o corpo, como para com o espírito".
Após havermos considerando numerosas traduções,
aceitamos a que propôs José de Oiticica,
MENDIGOS DE ESPIRITO, por ser mais conforme ao original
grego, e por ser a mais lógica e racional: pois realmente são
felizes aqueles que mendigam o Espírito; aqueles que, algemados
ainda no cárcere da carne, buscam espiritualizar-se por todos
os meios ao seu alcance, pedem, imploram, mendigam esse Espírito
que neles reside, mas que tão oculto se acha.”
Humildes de espírito, humildes em espírito
ou mendigos de espírito são traduções
que levam, em nossa opinião, ao mesmo entendimento, pois aquele
que é humilde de espírito ou em espírito sabe-se
no início da jornada e tem consciência da ajuda que precisa
da Espiritualidade, a ela recorrendo com freqüência em suas
preces.
O que Jesus quis nos ensinar, portanto, é que
o reino dos céus, aquele estado que está
no mais íntimo do nosso ser e que nós, no mais das vezes,
desconhecemos, só será atingido pelos humildes
que, com paciência e perseverança buscam as coisas
do espírito, procurando, a cada dia, sem cessar, ser um pouco
melhores que no dia anterior, aceitando as expiações e
provações por que passam como lições a serem
aprendidas, jamais se revoltando contra a vida ou contra Deus e constantemente
orando à Espiritualidade Maior para que os ajude nessa empreitada.
Como podemos ver, mesmo com a tradução
precária que Kardec tinha nas mãos, o Codificador soube,
inspirado pela falange de Espíritos de escol, liderada por Jesus,
utilizar a razão e o bom-senso para captar a verdadeira mensagem
do Mestre.
Os Dois Caminhos da Humildade
Sabemos, da Codificação, que o Espírito
necessita evoluir em Conhecimento e Bondade para alcançar a perfeição.
A evolução predominante em uma das sendas
evolutivas, com descaso pela outra, causa distorção, não
sendo dela que estamos falando. Espíritos que evoluem em conhecimento,
negligenciando a bondade, revelam-se como os grandes líderes
das trevas que tanto mal fazem à humanidade antes de se darem
conta de sua distorção evolutiva e tomarem o caminho do
bem. Espíritos que ignoram a necessidade de conhecimento, julgando
que, para evoluírem, só precisam ser bons, ignoram oportunidades
preciosas de praticar o bem por serem incapazes de identificá-las,
devido à sua falta de conhecimento, até que, frustrados
pelo pouco que logram realizar, aceitam instruir-se, compreendendo que
o conhecimento é necessário para melhor praticar a bondade
para com o próximo.
Por outro lado, é de se esperar que, aquele que
evoluiu notadamente em conhecimento, mas sem deixar de evoluir em bondade,
demonstre a mesma humildade que aquele outro que tenha evoluído
de forma destacada na senda da bondade, tampouco deixando de evoluir
em conhecimento. Vejamos se é assim que acontece.
A Humildade na Senda do Conhecimento
Sócrates, o grande pensador grego da antiguidade,
nos legou o ensinamento:
“O sábio é aquele que sabe
que nada sabe”.
A humildade é uma característica
de quem estuda muito, pois aquele que estuda pouco e fica satisfeito,
o faz por julgar que tudo sabe, ao passo que quem deseja realmente entender
um campo do saber, jamais para de estudá-lo por perceber que,
quanto mais o estuda, mais se lhe abre a compreensão do quanto
ainda falta estudar.
Isaac Newton é considerado
o Pai da Física Moderna. Incluído pela história
entre os grandes Gênios da Humanidade, quando, uma vez, o cobriam
de elogios pela sua obra, ele afirmou:
“Se pude ver mais longe é porque
me ergui sobre os ombros de gigantes.”
A humildade refletida por essa frase de Newton está
no entendimento de que ninguém, sozinho, descobre coisa alguma,
inventa nada, cria o que quer que seja. Toda conquista do saber humano
é uma obra coletiva, uns partindo de onde outros pararam e parando
onde outros irão começar.
Albert Einstein, inquestionavelmente,
o maior gênio do século XX, era, segundo aqueles que o
conheceram, totalmente imune a louvores, ofensas, sucessos ou fracassos.
Nada disso, que tanto abala a maioria dos homens, tinha significado
algum para o seu estado emocional.
A humildade de Einstein nos ensina que devemos nos manter
imperturbáveis quando em busca do saber, conscientes de que,
sempre que erramos, poderemos, mais tarde, reparar o erro e ir e frente
e que, sempre que nos elogiam ou nos ofendem, isso em nada irá
alterar para melhor ou para pior nossas chances de obter sucesso se
nos dedicarmos a tal.
Em seu exemplar de 12 de dezembro de 2004, o periódico
americano “The New York Times” trouxe a público uma
entrevista com o Professor Stephen Hawking. Nessa entrevista,
uma pergunta feita ao notável físico inglês merece
especial atenção para o proveito de nosso estudo.
“Como podemos saber se o senhor se qualifica como
um físico genial, como invariavelmente o descrevem?”, perguntou
a entrevistadora.
Ao que o Prof. Hawking respondeu:
“A mídia tem necessidade de super-heróis
na ciência, como em todas as esferas da vida, mas o que existe,
na verdade, é uma faixa contínua de habilidades,
sem qualquer linha divisória clara.”
Aqui, vemos outro aspecto da humildade na senda do
conhecimento. Não existem gênios, pessoas medianas e indivíduos
parvos. A estratificação da raça humana em classes
é necessária para nossa melhor compreensão, mas
não corresponde à realidade. Uma faixa contínua
de habilidades, sim. Com humildade devemos perceber que, se somos muito
bons em uma área do conhecimento, nada sabemos de uma outra que,
por certo, é dominada por outra pessoa. Logo, nem nós
nem a outra pessoa somos gênios, apenas pontos discretos num imenso
mapa de saber onde se espalha toda a humanidade.
A Humildade na Senda da Bondade
Uma vez, orando fervorosamente defronte a um crucifixo
na velha capela abandonada de São Damião, na cidade de
Assis, Francisco ouviu a exortação de Jesus:
“Francisco, não vês que a minha casa
está em ruínas? Restaurá-a para mim!”.
Em sua humildade, aquele grande Espírito pensou
que o Mestre se referia à capela abandonada onde ele estava a
orar e, de pronto, com suas próprias mãos, começou
a restaurá-la. Na verdade, Jesus se referia à Igreja como
instituição, convertida que se tinha em uma sociedade
política e militar, tendo abandonado por completo os ensinamentos
que Ele nos havia trazido. Ao longo dos anos seguintes, Francisco se
engajou de corpo e alma na tarefa de trazer essa Igreja de volta ao
rumo certo. Mas o fez desposando-se da pobreza, sempre humilde, sabendo
ser a cada instante, como Jesus nos havia ensinado:
“... aquele que dentre vós quiser ser grande,
seja o vosso servidor, e aquele que quiser ser o primeiro dentre vós,
seja o servo de todos”.
A Humildade Conquistada em Um e no Outro Caminho
São Excludentes?
A separação que fizemos entre
a humildade conquistada no caminho do conhecimento e aquela conquistada
no caminho da bondade tem o propósito, exclusivamente,
didático. Ë inconcebível que um Espírito de
grande adiantamento intelectual, que tenha chegado ao estágio
de ser humilde em relação ao seu conhecimento, se ufane
de atos de bondade que porventura pratique. Do mesmo modo, é
impensável que um Espírito seja capaz de um imenso amor
pelo semelhante sem disto se jactar e, ao mesmo tempo, se envaideça
do seu conhecimento em alguma área do saber.
A corroborar o que acabamos de dizer, veremos, analisando
os homens da ciência citados mais acima, que os três demonstraram
evolução moral e entendimento das questões espirituais,
ingredientes suficientes para os sabermos humildes na senda da bondade.
Segundo registra a história, Newton, na fase
mais criativa de sua produção científica, teve
sua atenção voltada para as questões espirituais.
Rejeitando os ensinamentos religiosos de então, pesquisou obras
teológicas antigas e a alquimia em busca de uma exegese bíblica
que fizesse sentido para o seu gênio inquiridor. Tornou-se um
unitariano, reedição inglesa do século XVIII do
arianismo, doutrina que negava a Trindade, pregando a unicidade de Deus,
e que havia sido condenada pelo Concílio de Nicéia, no
ano de 325. Como podemos ver, Newton tinha preocupações
de ordem espiritual. Ao longo de sua vida, ele fez o melhor que pode
para conciliar seu conhecimento científico com o entendimento
das coisas espirituais, para tanto indo buscar, na sabedoria antiga,
valores que a religião dita do Cristo há muito havia abandonado.
Einstein procurou Deus na natureza
que, com tanto amor, ele estudou. Para ele, Deus se expressava na natureza
através de suas leis. Einstein acreditava em Deus como a alma
do Universo, sendo, por isso, julgado ateu por muitos de seus contemporâneos,
acostumados ao deus pessoal que cuida de cada uma de nossas necessidades
pessoais. Quão próximo é esse entendimento de Einstein
daquele expresso pela resposta à primeira questão de O
Livro dos Espíritos!
Uma frase magistral de Einstein precisa ser analisada
neste estudo. Disse ele uma vez: “Deus resiste aos soberbos
mas dá Sua graça aos humildes.” Quanta
sabedoria nessa frase! A experiência pessoal de cada um de nós
já nos deve ter mostrado que, quando nos ensoberbamos, julgando
que o sucesso nos será certo, devido à nossa capacidade
intelectual e dedicação, ele nos escapa, enquanto que,
nas ocasiões em que nos fizemos humildes e, além de darmos
tudo de nós, oramos pela ajuda divina, o sucesso nos vem sem
demora.
Na mesma entrevista citada mais acima, a repórter
do New York Times perguntou a Stephen Hawkin:
Você acredita em Deus?
Ao que Stephen Hawking respondeu:
Eu não acredito em um Deus pessoal.
O Prof. Hawkin, como maioria dos cientistas, sobretudo
os físicos, é um agnóstico. Isso não impede,
no entanto, que quando ele pondera sobre Deus fora da sua atividade
científica, ele o faça utilizando seu raciocínio
e o faz, como se vê, negando a possibilidade de um Deus pessoal
e mostrando, assim, estar em total sintonia com o entendimento espírita
nessa questão. Afinal, como nos ensinaram os Espíritos,
Deus é a Inteligência Suprema, Causa Primária de
Todas as Coisas. Nada pode ser tão diferente de um Deus pessoal,
não é mesmo?
Para quem tem dificuldade em ver o adiantamento moral
do Professor Hawking, basta conhecer sua figura imóvel e contorcida,
sentado em uma cadeira de rodas e falando através de um sintetizador
de voz. Acometido de uma doença neurológica chamada de
esclerose lateral amiotrópica, quando ainda na faculdade, Hawking
conta em suas biografias que se sentiu feliz por ter escolhido física
teórica como campo de estudo, o que não lhe requereria
qualquer esforço físico. Sempre bem humorado e extremamente
produtivo como pesquisador, Hawking é uma demonstração
viva de que como é possível superar as limitações
do corpo físico e ter uma vida plena, cumprindo a missão
que se traz ao mundo.
Para melhor entendermos o porque de a humildade intelectual
e a humildade moral estarem sempre juntas, é bom recorrermos
a O Livro dos Espíritos. Na Questão 780,
Kardec perguntou aos Espíritos:
780. O progresso moral acompanha
sempre o progresso intelectual?
ao que os Espíritos responderam:
“Decorre deste, mas nem sempre o segue
imediatamente.”
Continuou o Codificador:
a) Como pode o progresso intelectual engendrar
o progresso moral?
Tendo esclarecido os Espíritos:
“Fazendo compreensíveis o bem e
o mal. O homem, desde então, pode escolher. O desenvolvimento
do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta
a responsabilidade dos atos.”
Por último Kardec quis saber:
b) Como é, nesse caso, que, muitas vezes,
sucede serem os povos mais instruídos os mais pervertidos também?
Tendo os Espíritos respondido:
“O progresso completo constitui o objetivo.
Os povos, porém, como os indivíduos, só passo a
passo o atingem. Enquanto não se lhes haja desenvolvido o senso
moral, pode mesmo acontecer que se sirvam da inteligência para
a prática do mal. O moral e a inteligência são duas
forças que só com o tempo chegam a equilibrar-se.”
Quem se revela humilde na senda do saber já
avançou bastante moralmente para perseguir o progresso na senda
da bondade e o faz com a humildade já conquistada.
A conquista da humildade é, portanto, o ponto
de equilíbrio entre a inteligência e a moral.
Jesus, Humilde em Espírito por Excelência
Contam os evangelhos canônicos (Mc 10, 17 e Lu
18, 18) que, em dada ocasião, aproximou-se um jovem de Jesus
e perguntou:
“Bom Mestre, o que é preciso que eu faça
para adquirir a vida eterna?”
Ao que o Mestre respondeu:
“Por que me chamais bom? Só Deus é
bom.”
Jesus foi o exemplo maior de humildade. De Si nunca
disse nem mais nem menos do que realmente era.
Quando afirmou, conforme relata João, “Eu
sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas”
(Jo 14, 11) ou “Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas
ovelhas, e elas me conhecem a mim.” (Jo 14, 14), nada falava além
da verdade que tão bem conhecemos. A quantos milhões de
anos Jesus tem cuidado de nós, jamais abandonando a uma só
de suas amadas ovelhas? Mais do que o sofrimento no Gólgota,
é essa dedicação contínua por nós
que mostra o quanto Jesus tem dado a vida por nós. E quem tem
dúvida de que Jesus, ao longo desse tempo imenso, conhece a cada
um de nós na mais profunda intimidade?
Quando Jesus disse “Eu sou o caminho, e a verdade,
e a vida...” (Jo 14,6) , cada atributo desses reflete a mais pura
verdade. Jesus é, de fato, o caminho, sendo por todos sabido
que quem segue os Seus passos chegará mais cedo à perfeição.
É, sem dúvida, a verdade, uma vez que nada que saiu de
Sua boca jamais deixou de representar a verdade em sua mais pura essência.
É, sem sombra de dúvida, a vida, a verdadeira vida, pois
seu exemplo nos mostra como estar neste mundo sem a ele pertencer, como
aproveitar ao máximo o nosso potencial de “vivos”,
no entender profundo do termo, representando aqueles que despertaram
para o sentido da existência. Tudo o que Jesus disse de si foi
exatamente o que Ele é, sem aumentar nem diminuir nada.
Espírito de imensa envergadura, responsável
maior pelo nosso orbe e pela humanidade terrena, Jesus poderia ter escolhido
nascer em berço de ouro, filho, talvez, do poderoso imperador
romano. No entanto, preferiu nascer em um estábulo, na simplicidade
de uma classe humilde e em uma nação dominada.
Questionado pelos poderosos da época quanto ao
fato de se misturar com os excluídos, chamados de pecadores por
aqueles que se julgavam sem culpa, o Mestre replicava “Os sãos
não precisam de médicos e, sim, os doentes.” (Mt
9,12; Mc 2, 17 e Lu 5, 31). Quando queriam, ora endeusá-lo, ora
condená-lo pelos notáveis prodígios que fazia,
Ele apenas respondia que as obras que fazia era o Pai que fazia através
d’Ele, exortando-nos a fazer obras iguais ou até maiores,
como relata João (Jo 14, 12).
Toda a vida de Jesus entre nós foi uma aula de
humildade. Jesus poderia ter sido rei na Terra, mas Ele não tinha
vindo para isso. Poderia ter sido um grande rabino de seu tempo, o maior
de todos, mas não era essa a missão a que se tinha proposto.
Poderia ter sido um mago, respeitado e temido por todos, mas tal não
era a sua natureza.
Quanto mais evoluído um Espírito menos
ele valoriza seu estágio evolutivo diante dos homens, pois, ao
evoluir, todos os sentimentos ligados ao ego vão sendo abandonados.
Aquele que se Eleva será Rebaixado
Tendo esclarecido o que o Mestre queria dizer por Pobres
de Espírito no sermão das Bem-aventuranças, Kardec
apresenta, na seqüência de O Evangelho Segundo o Espiritismo,
três passagens, que abaixo transcrevemos, realçando a mensagem
que devemos fixar:
Por essa ocasião, os discípulos se aproximaram
de Jesus e lhe perguntaram:“Quem é o maior no reino dos
céus?” - Jesus, chamando a si um menino, o colocou no meio
deles e respondeu: “Digo-vos, em verdade, que, se não vos
converterdes e tornardes quais crianças, não entrareis
no reino dos céus. - Aquele, portanto, que se humilhar e se tornar
pequeno como esta criança será o maior no reino dos céus
- e aquele que recebe em meu nome a uma criança, tal como acabo
de dizer, é a mim mesmo que recebe.” (Mateus, XVIII, 1
a 5.)
Então, a mãe dos filhos de Zebedeu se
aproximou dele com seus dois filhos e o adorou, dando a entender que
lhe queria pedir alguma coisa. - Disse-lhe ele: “Que queres?”
“Manda, disse ela, que estes meus dois filhos tenham assento no
teu reino, um à sua direita e o outro à sua esquerda.”
- Mas, Jesus respondeu, “Não sabes o que pedes; podeis
vós ambos beber o cálice que eu vou beber?” Eles
responderam: Podemos.” - Jesus lhes replicou: “É
certo que bebereis o cálice que eu beber; mas, pelo que respeita
a vos sentardes à minha direita ou à minha esquerda, não
me cabe a mim vo-lo conceder; isso será para aqueles a quem meu
Pai o tem preparado.” - Ouvindo isso, os dez outros apóstolos
se encheram de indignação contra os dois irmãos.
- Jesus, chamando-os para perto de si, lhes disse: “Sabeis que
os príncipes das nações as dominam e que os grandes
os tratam com império. - Assim não deve ser entre vós;
ao contrário, aquele que quiser tornar-se o maior, seja vosso
servo; - e, aquele que quiser ser o primeiro entre vós seja vosso
escravo; - do mesmo modo que o Filho do Homem não veio para ser
servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de
muitos.” (Mateus, XX, 20 a 28)
Jesus entrou em dia de sábado na casa de um
dos principais fariseus para aí fazer a sua refeição.
Os que lá estavam o observaram. - Então, notando que os
convidados escolhiam os primeiros lugares, propôs-lhes uma parábola,
dizendo: “Quando fordes convidados para bodas, não tomeis
o primeiro lugar, para que não suceda que, havendo entre os convidados
uma pessoa mais considerada do que vós, aquele que vos haja convidado
venha a dizer-vos: dai o vosso lugar a este, e vos vejais constrangidos
a ocupar, cheios de vergonha, o último lugar. - Quando fordes
convidados, ide colocar-vos no último lugar, a fim de que, quando
aquele que vos convidou chegar, vos diga: meu amigo, venha mais para
cima. Isso então será para vós um motivo de glória,
diante de todos os que estiverem convosco à mesa; - porquanto
todo aquele que se eleva será rebaixado e todo aquele que se
abaixa será elevado." (Lucas, XIV, 1 e 7 a 11.)
Como o reino dos céus não se encontra
ali ou acolá, mas no mais íntimo de nós, ser grande
no reino dos céus não significa uma posição
de destaque em relação aos outros, um parâmetro
com que possamos nos avaliar melhores ou maiores que alguma outra pessoa.
Ser grande no reino dos céus é uma vitória íntima
que relaciona, entre os inimigos derrotados, o orgulho, a vaidade, a
inveja, o desdém e todos os sentimentos negativos que nos fazem
avaliar os outros com base em nós mesmos e a nós mesmos
com base nos demais.
A busca humilde do reino dos céus exige disciplina
e força de vontade. Assim, a postura que assumimos diante
dos outros deve ser objeto constante de nossa vigilância.
A postura que temos em lugar público, em nosso lar ou no movimento
espírita deve ser a de humilde servidor. Se isso nos é
difícil assumir no íntimo, que, pelo menos, nos esforcemos
para que tal seja nosso comportamento exterior. De tanto nos disciplinarmos
para não externar emoções negativas, elas aos poucos
vão desaparecendo do nosso psiquismo. Sim, porque a vaidade e
o orgulho se alimentam de elogios, agradecimentos efusivos, comemorações.
Quando não externamos vaidade, quando não deixamos transparecer
o prazer que nos dão os elogios, as outras pessoas, aos poucos,
deixam de nos louvar as qualidades e, em persistindo nossa determinação,
com o tempo, nosso sentimento se vai modificando para melhor.
Podemos estar com o coração inflado de
orgulho pelos nossos feitos, mas, já que nossos sentimentos se
encontram camuflados em um corpo físico, saibamos usar dessa
facilidade para não externarmos nossas emoções.
Mantenhamos o rosto sereno perante elogios que se nos dirijam, evitando
responder com agradecimentos efusivos ou contestações
veementes, que, no fundo, somente realçam o que foi dito por
aquele que nos enalteceu. Se, em qualquer ocasião formos elogiados,
saibamos sorrir discretamente, fazer uma pequena mesura com a cabeça
ou algum outro gesto sutil que demonstre educação, simpatia,
mas não revele concordância com o que foi dito e deixe
claro que a manifestação não nos perturbou.
Podemos nos considerar importantes pela nossa posição
na sociedade, mas saibamos ser gentis e prestativos para com quem quer
que seja, principalmente, porém, para com aqueles que a sociedade
vê como párias, destituídos, estropiados. O adiantamento
moral de um indivíduo não se revela em sua indumentária,
na sua profissão ou na educação que possui. Sejamos
servos de todos, dos que nos são superiores na vida social, dos
que nos são subordinados e daqueles outros com que travamos contato
ao longo da existência. Servir com humildade não é
baixar a cabeça, estar todo o tempo a olhar para o chão,
sentar sempre no canto mais escuro e frio de uma sala. Não, servir
com humildade é manter a cabeça erguida, mas sem jamais
olhar os outros de cima para baixo. Servir com humildade é olhar
nos olhos de todos com serenidade, sejam eles os poderosos do mundo
ou os mais humildes rejeitados e, ma medida de nossas possibilidades,
tudo fazermos para ajudá-los em sua senda evolutiva. Servir com
humildade é sentar, sempre que possível, perto de um irmão
ou irmã que precise de nosso apoio, seja na forma de um ouvido
amigo a escutar suas lamentações e a lhe aconselhar no
que for possível, seja na de um companheiro silencioso, em prece
compenetrada enviando vibrações de amor para lhe acalmar
a mente confusa.
Toda vez que prestarmos um serviço fraterno a
quem quer que seja, se, no íntimo, nosso coração
aceitar o agradecimento sincero da boca do beneficiado, que nossas palavras
e a expressão de nosso rosto não traiam essa nossa fraqueza
e saibamos, sabedores da vontade do Pai, retrucar com simplicidade:
“somos nós que agradecemos pela oportunidade de sermos
úteis”. Martelemos esse entendimento em nossa mente até
que ela ali se fixe, pois ele reflete a mais pura realidade. Cada pessoa
que, aparentemente, necessita de nossa ajuda, está, na realidade,
a nos ajudar, pois é ajudando a quem necessita que resgatamos
nossas dívidas para com a harmonia do Universo.
No movimento espírita não procuremos um
lugar de honra. Quem fica na memória do povo não é
aquele alto dirigente de grande instituição, mas, antes,
o outro, humilde trabalhador da seara de Jesus. Não estamos falando
em tese, estamos? Aprendamos com o passado para sabermos evitar a repetição
de nossos erros. Lembremo-nos sempre do que Jesus nos ensinou:
“aquele que quiser tornar-se o maior, seja vosso
servo; e,
aquele que quiser ser o primeiro entre vós seja vosso escravo”
Mistérios Ocultos aos Doutos e aos Prudentes
Disse, então, Jesus estas palavras: "Graças
te rendo, meu Pai, Senhor do céu e da Terra, por haveres ocultado
estas coisas aos doutos e aos prudentes e por as teres revelado aos
simples e aos pequenos." (Mateus, XI, 25.)
Na seqüência de O Evangelho Segundo o Espiritismo,
Allan Kardec interpreta as palavras de Jesus na passagem acima transcrita,
identificando os doutos e prudentes da fala do Mestre com os “orgulhosos,
envaidecidos do seu saber mundano, os quais se julgam prudentes porque
negam e tratam a Deus de igual para igual, quando não se recusam
a admiti-lo, porquanto, na antigüidade, douto era sinônimo
de sábio”.
Mais adiante, ele, também, associa aos doutos
da fala de Jesus, os incrédulos, que exigem provas das propostas
espíritas do modo que lhes convém, jamais descendo do
pedestal a que se alçam para, humildemente, investigar os fatos
e concluírem por eles mesmos o que não aceitam quando
proveniente do raciocínio alheio. Julgam estarem corretos pelo
fato de assunto de tal importância demandar prudência. Como
se sermos prudentes significasse tudo fazermos segundo nossos critérios,
tomando os mesmos como infalíveis e aplicáveis a quaisquer
problemas.
Sejam, portanto, os que se recusam por completo a considerar
as questões espíritas ou aqueles que apenas concedem considerá-las
segundo seus critérios de análise, todos podem ser relacionados
com os doutos e prudentes da fala do Mestre. Não é a verdade
que se esconde deles mas antes eles que, não aceitando a verdade
quando a mesma é proclamada por outros, tampouco procuram investigar
o que é afirmado, em postura orgulhosa que lhes fecha os olhos
ao saber.
No mundo atual ainda encontramos as duas espécies
de posturas mencionadas. Entre os primeiros estão, por exemplo,
os que se põem a provocar os espíritas perguntando o porque
de não se demonstrar os fatos mediúnicos na TV. Por mais
que se lhes explique que os Espíritos sérios não
se prestam a espetáculos, convidando-os a investigar os fenômenos
onde o mesmo habitualmente ocorre, fingem que nada ouvem, repisando
cansativamente na mesma tecla. No segundo grupo vemos certos autoproclamados
investigadores da parapsicologia, que montam experiências segundo
suas próprias idéias com o intuito de provar que os fatos
espíritas são uma fraude. Ora, mesmo em se aceitando que
tais experiências sejam honestas, devemos ponderar quanto ao tipo
de Espírito que se prestará a tais experiências.
Serão Espíritos interessados na evolução
humana? Pelas conclusões a que tais pesquisadores chegam, acreditamos
que não. Afinal, se levarmos ao pé da letra tais conclusões,
tudo o que podemos aceitar como válido é matéria,
algo que a própria ciência já aceita não
corresponder à realidade.
Como pudemos ver em nosso estudo das duas sendas da
humildade, os verdadeiros sábios são humildes.
Então, que sábios são esses a quem a verdade é
ocultada? Uma breve leitura da Escala Espírita nos fornece a
resposta a essa indagação. Na Oitava Classe da Terceira
Ordem (Espíritos Imperfeitos), encontramos:
Espíritos Pseudo-Sábios - Dispõem
de conhecimentos bastante amplos, porém, crêem saber mais
do que realmente sabem. Tendo realizado alguns progressos sob diversos
pontos de vista, a linguagem deles aparenta um cunho de seriedade, de
natureza a iludir com respeito às suas capacidades e luzes. Mas,
em geral, isso não passa de reflexo dos preconceitos e idéias
sistemáticas que nutriam na vida terrena. É uma mistura
de algumas verdades com os erros mais polpudos, através dos quais
penetram a presunção, o orgulho, o ciúme e a obstinação,
de que ainda não puderam despir-se.
Bibliografia
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Editora Allan Kardec, 2004.
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Novo Dicionário Aurélio da Língua
Portuguesa. 2. Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986
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http://www.ieja.org/portugues/p_index.htm
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