PARTE 1
INTRODUÇÃO
Liberdade, liberdade! Sofrida invocação
que, ao longo dos milênios, saiu da boca de tantos perseguidos,
escravizados e dominados por forças que lhes eram estranhas ou
por aquelas que deles mesmos provinham em decorrência de sua insânia
ou insensatez. Invocada que foi por pobres e ricos, fracos e poderosos,
seres de raças claras ou escuras, pronunciada pela boca do homem,
da mulher e da criança, ainda assim, tão poucas vezes
foi-lhe captada a verdadeira expressão.
O que é essa liberdade tão decantada em
prosa e verso, estandarte das mais diversas lutas e inesgotável
combustível de paixões que se cristalizam por vidas sem
fim no coração dos homens?
A Liberdade é Lei Divina que se expressa em cada
estágio de nossa evolução sob um aspecto diferente.
As condições a que o Espírito é
submetido ao encarnar e ao longo de uma vida, seja a saúde física,
seja a família e a sociedade onde nasce, seja sua cor, sua raça
ou seu sexo, são todas decorrentes do sábio critério
da Justiça Divina que lhe oferece sempre as condições
mais adequadas à sua evolução espiritual e ao resgate
das dívidas por ele contraídas com a harmonia cósmica.
Cada uma dessas condições se irá expressar, desde
o nascimento, como um maior ou menor grau de limitação
à liberdade do indivíduo.
O Capítulo X da Parte 3a de O Livro dos Espíritos
contém, nas questões 825 a 872, as diversas indagações
que o espírito humano se tem colocado ao longo do tempo com respeito
à Lei da Liberdade, as respostas que os nobres Espíritos
da falange do Espírito da Verdade, nosso Mestre Jesus, deram
a essas questões e os comentários inspirados que dedicou
a esse tema o Codificador.
Por enfoque didático, achamos por bem abordar
os aspectos da Lei da Liberdade, classificando-os de acordo com aquele
componente do Espírito encarnado com que ele mais se identifica
no estágio de evolução no qual se encontra. Assim
sendo, passaremos a comentar, em seqüência, a Liberdade Física,
a Liberdade Mental e a Liberdade Espiritual.
PARTE 2
A LIBERDADE FÍSICA
A Liberdade de Movimento
A mais primitiva de todas as formas de liberdade é
a liberdade de movimento físico. A Liberdade de Movimento a que
pode o ser humano aspirar é aquela que lhe permite a constituição
física e os meios de locomoção dos quais se possa
utilizar.
Ao ser humano primitivo era dada a liberdade de se deslocar
no plano em todas as direções e de elevar-se ou aprofundar-se
em relação ao solo, desde que tivesse um solo firme sob
seus pés. Observando a natureza, logrou cedo expandir sua liberdade
de movimento, aprendendo a nadar. Desde então, encantado com
a liberdade que lhe acenava o vôo das aves, sonhou por vários
milênios em poder deslocar-se pelos ares, passando pelos mais
diversos inventos que lhe possibilitaram experimentar em crescente intensidade
a sensação máxima de liberdade de movimento a que
um ser vivo pode almejar nas dimensões físicas do chamado
mundo “objetivo”.
No entanto, sempre que galgado a um grau maior de liberdade
de movimento, jamais se apercebeu da preciosa jóia que se lhe
havia sido depositada nas mãos. Pelo contrário, como ocorre
com tudo mais que a natureza dá, sem cobrar seu preço,
o ser humano somente se dava conta da liberdade em seu poder quando,
por uma ou outra razão, a mesma lhe era constrangida.
Estão submetidos ao constrangimento da liberdade
física aqueles que infringiram as regras de convívio social,
aqueles que ofenderam com atos ou idéias às leis ou aos
fortes de uma sociedade ou, ainda, aqueles que a doença ou os
defeitos congênitos privaram de locomoção.
Há que se considerar, finalmente, o constrangimento
parcial da Liberdade de Movimento a que o ser humano possa estar submetido
em função da classe social à qual pertence e ao
poder aquisitivo que possui, fatores que lhe limitarão o acesso
a determinados locais de lazer ou instrução e o uso de
tal ou qual meio de transporte capaz de levá-lo aonde seus próprios
meios de locomoção não conseguem transportar.
O ser humano pode ser privado plena ou parcialmente
de sua liberdade física em qualquer estágio de sua evolução.
O estágio em que ele se achar, no entanto, irá determinar
os efeitos físicos e morais que tal provação lhe
irá acarretar.
Ninguém é capaz de menosprezar o horror
que deve ser estar anos a fio enjaulado em sórdida, escura e
úmida prisão, acorrentado a uma parede ou preso pela imobilidade
biológica em uma cama ou cadeira. No entanto, se há quem
saia de tal confinamento encharcado de ódio e desejo de vingança,
há, também, os que dali saem aniquilados, verdadeiros
trapos humanos, com a vontade destruída e desprovidos da vontade
de viver. Outros, finalmente, em estágio mais avançado
de evolução, produzem exemplos admiráveis, transformando-se
em ícones de coragem, dignidade e força de vontade.
Para mostrarmos que a perda da liberdade física
pouco afeta o Espírito evoluído que a ela é submetido,
traremos apenas dois testemunhos deste século, vivos e ativos:
Nelson Mandela, o respeitado presidente da África do Sul, a provar
que os muitos anos em que esteve preso não incutiram nele qualquer
desejo de vingança ou revanche contra aqueles que o prenderam
ou motivaram sua prisão. E o genial Stephen Hawking, um dos mais
brilhantes físicos teóricos do século XX, que,
apesar de acometido da mais cruel doença degenerativa, que poderia
tê-lo levado cedo ao desencanto e à rejeição
à vida, logrou tornar-se um cientista brilhante, respeitado por
toda a comunidade científica e um pensador de calibre, profundamente
espiritualizado, como se vê pela sua maneira de enfrentar a doença
e de se relacionar com as pessoas, apesar de assumir uma postura agnóstica
declarada.
A Liberdade de Ação
Satisfeita sua condição primária
de liberdade ao nível físico, enseja o homem vê-la
atendida no nível imediatamente superior, qual seja, o da Liberdade
de Ação.
Dado que o ser humano possa se movimentar, é
esperado que ele passe a agir em relação ao ambiente que
o rodeia. Suas ações, em cada instante, serão testemunho
inequívoco do bom ou do mau uso que fizer do livre arbítrio
ainda incipiente que possui, comprometendo-lhe o Espírito com
a inevitável colheita do que houver plantado.
A Liberdade de Ação é aquela pela
qual o ser humano mais se debate, é aquela que ele mais discute.
No entanto, dentre todas, é ela a mais tolhida.
São três os tolhimentos da liberdade de
ação a que pode estar submetido o ser humano. Dois são
explícitos, evidentes: a escravidão e a submissão
de um povo por um outro. O maior de todos, entretanto, e o único,
a um tempo universal e que sempre existirá, é aquele que
existe como decorrência natural do convívio social.
A Escravidão:
Os Espíritos foram bem enfáticos, nas
respostas às questões 829 a 832, quanto à escravidão,
afirmando ser “contrária à lei de Deus toda sujeição
absoluta de um homem a outro homem”. A escravidão é
aberração contrária às leis naturais e não
tem atenuante que a justifique.
Perguntados os Espíritos, na questão 832
do L.E., quanto aos homens que tratam bem os seus escravos, disseram
os sábios instrutores de Kardec:
“Digo que esses compreendem melhor os seus interesses.
Igual cuidado dispensam aos seus bois e cavalos, para que obtenham bom
preço no mercado. Não são tão culpados como
os que maltratam os escravos, mas, nem por isso deixam de dispor deles
como uma mercadoria, privando-os do direito de se pertencerem a si mesmos”.
Como disseram os Espíritos na resposta à
questão 829, a escravidão “desaparece com o progresso,
como gradativamente desaparecerão todos os abusos”. É
triste, no entanto, constatarmos a sobrevivência de tantos focos
de escravidão, apesar de hoje restritos ao trabalho forçado
em troca de comida e moradia, como ocorre na agricultura, na indústria
e na exploração sexual.
A Submissão de um Povo:
De forma semelhante ao escravo, o ser humano pertencente
a um povo que se encontra sob o domínio de outro também
se acha desprovido da plena liberdade de ação de que julgaria
gozar se seu povo fosse “livre”. Geralmente, são-lhe
barrados o acesso a locais de lazer reservados aos dominadores e aos
caminhos de ascensão social. Mesmo não sendo a regra,
como no caso do escravo, o dominado pode ainda ser forçado a
trabalhar para o proveito do dominador.
Toda forma de dominação entre povos ou
raças é insensata e injustificada. Mais cruel, no entanto,
parece ser aquela que sujeita a raça mais evoluída a outra
que lhe sucede o passo, como vemos, com profundo pesar, ocorrendo com
a milenar e espiritualizada cultura Tibetana.
O Convívio Social:
Existe, finalmente, o tolhimento da liberdade de ação
que decorre de forma natural do convívio social, conforme vemos
na pergunta 826 do L.E.:
“Em que condições poderia o homem
gozar de absoluta liberdade?”
Respondem os Espíritos:
“Nas do eremita no deserto. Desde que juntos
dois homens, há entre eles direitos recíprocos que lhes
cumpre respeitar; não mais, portanto, qualquer deles goza de
liberdade absoluta”.
Em conformidade com as regras de cada sociedade, o indivíduo
fruirá de maior ou menor liberdade de ação conforme
a posição que ocupa na escala social. Aos poderosos tudo
lhes parecerá possível, ao passo que os mais fracos se
acharão restritos a um maior ou menor leque de opções,
conforme maior ou menor seja o avanço moral da organização
social à qual pertencem.
Ao longo dos séculos, as diferenças de
oportunidades no meio social foram um dos grandes motores das emigrações
dos centros de poder para as periferias, beneficiando o desenvolvimento
global do planeta, em diferentes tempos, com a latinização
da Europa no apogeu do Império Romano e, nos séculos mais
próximos, com a colonização européia das
Américas.
Ainda com respeito às diferenças de oportunidades
existentes no meio social, não há como deixarmos de comentar
que elas jamais foram entrave aos Espíritos dotados de força
de vontade e determinação. Tanto dentre aqueles voltados
para o bem quanto entre aqueles voltados para o mal, a história
está repleta de exemplos de seres nascidos em lares humildes
que, com sua liberdade de ação aparentemente tolhida,
lograram deixar seu nome inscrito com destaque na memória dos
povos pelas grandes transformações políticas ou
morais que lograram engendrar.
A inexorável marcha para frente que executa a
Humanidade nos faz prever com segurança uma sociedade do futuro,
moralmente evoluída, onde as poucas diferenças de poder
serão aquelas conseqüentes do adiantamento moral e intelectual
de cada um. Da mesma forma, os constrangimentos sociais passarão
a ser mínimos, pautados unicamente pela regra de respeito mútuo
que a milenar sabedoria espiritual preconiza: “Não faças
aos outros o que não queres que te façam a ti”.
PARTE 3
A LIBERDADE MENTAL
A Liberdade de Pensar
Ao contrário do que ocorre com a liberdade física,
não há quem possa tolher a outrem a liberdade de pensar.
Reportemo-nos à questão 833 de O Livro dos Espíritos:
“Haverá no homem alguma coisa que escape
a todo constrangimento e pela qual goze de absoluta liberdade?”
“No pensamento goza o homem de ilimitada liberdade,
pois não há como pôr-lhe peias. Pode-se-lhe deter
o vôo, porém, não aniquilá-lo”.
A ilimitada liberdade de pensamento de que goza o Espírito
é uma formidável ferramenta com que ele forjará
a qualidade de sua vida tanto no mundo material quanto de volta à
pátria espiritual.
Longe de ser para todos, no entanto, bálsamo
seguro a lhes minorar os sofrimentos e conduzir à inalterável
harmonia, essa ilimitada liberdade de pensamento constitui para muitos,
ainda atrasados no caminho evolutivo, força terrível a
lhes causar as maiores atribulações.
Pensamentos levianos e viciosos geram doenças
psíquicas de maior ou menor gravidade, podendo, até mesmo,
apresentar graves reflexos no organismo físico. Entre as doenças
puramente psíquicas, arrolam-se as mais diversas formas de loucura
e alienação mental, contando geralmente com o concurso
catalisador de entidades infelizes em busca de vingança. Entre
aquelas que se constituem reflexos psíquicos sobre o organismo
físico, temos as úlceras, as cardiopatias, os acidentes
vasculares cerebrais e as diversas formas de tumores malignos que tanto
atormentam a Humanidade.
Além dos males que o livre pensamento possa causar
ao próprio indivíduo inconseqüente, há, ainda,
todos aqueles que ele poderá fazer a outrem. As projeções
mentais que o indivíduo atira contra seus semelhantes, tanto
as que se limitam à emanação energética
negativa como aquelas que se traduzem em ações físicas
subseqüentes, são arma temível a distribuir sofrimentos
e a construir ligações cármicas negativas que só
os séculos lograrão anular.
Ilimitada em seu campo de ação, a mente
é qual cavalo bravio a disparar pensamentos em qualquer direção
e, como tal, deve ser conduzida com maestria pelo Espírito, para
que engendre, tão somente, pensamentos salutares. Controlados
dessa forma os pensamentos, serão eles os responsáveis
pela evolução do Espírito e não pelo seu
maior endividamento com a Lei.
A Liberdade de Expressão da Consciência
A consciência do ser humano é o conjunto
de princípios éticos que acumulou ao longo de suas vidas,
sendo particularmente enfatizados aqueles decorrentes de sua formação
na vida em curso. Influem, portanto, na formação da consciência,
os fatores família, escola, sociedade e meios de comunicação,
que irão alterar, em maior ou menor grau, para melhor ou para
pior, os princípios que o Espírito houver trazido de suas
vidas pregressas.
Todas as ações que o ser humano desempenha
ou deseja fazê-lo em uma vida são, portanto, aquelas que
sua consciência lhe permite fazer. É a consciência
que dirige o livre-arbítrio. Enquanto este lhe aponta o que ele
pode fazer, aquela lhe indica o que lhe convém.
Se, como já vimos, impossível é
tolher a liberdade do pensamento, o mesmo não se dá com
a liberdade de expressão da consciência.
Ao longo da evolução do Planeta, tem a
Humanidade testemunhado as mais diversas formas de tolhimento da liberdade
de expressão da consciência.
No contexto cultural, é negada a palavra à
mulher e o direito de voto ao humilde ou de raça outra que a
dominante. No contexto religioso, os que pensam de forma diversa daquela
como pensa a hierarquia religiosa encastelada no poder são perseguidos
e torturados, a não ser que abjurem suas idéias. No campo
político, ideológico, tantos são perseguidos, torturados
e mortos por não compartilharem das idéias das classes
dirigentes.
Os constrangimentos à liberdade de expressão
da consciência acima relatados não estão todos,
infelizmente, enterrados na História como seria de esperar, sobrevivendo
em algumas sociedades em pleno limiar do século XXI, quer como
produto de interpretações equivocadas de sagradas escrituras
quanto como conseqüência de instituições políticas
arcaicas e totalitárias que permanecem em países socialmente
atrasados como resultado de uma geopolítica global nefasta exercida
pelos governantes das nações poderosas do planeta.
Acompanhando o decorrer dos séculos, foi o tolhimento
à liberdade de expressão da consciência, junto com
o tolhimento à liberdade de ação, os dois grandes
responsáveis pelas correntes migratórias que em tempos
idos expandiram a latinidade e que, mais tarde, colonizaram a América,
fazendo dos Estados Unidos, em particular, a grande superpotência
que hoje é.
Quando falamos em liberdade de expressão da consciência,
não dá para ignorarmos nossos irmãos do norte.
Em uma nação a cujo povo tantos defeitos e virtudes se
costuma atribuir, uma virtude sobressai, altaneira e bela: é
um povo que ama a liberdade de expressão, ao ponto de ter entre
seus símbolos máximos a estátua que lhe leva o
nome, a Estátua da Liberdade.
Com o advento da Internet e, mais particularmente, da
Internet grátis, pode-se dizer, sem medo de errar, que a Liberdade
de Expressão da Consciência veio alcançar patamar
nunca imaginado nesse limiar do século XXI.
Qualquer cidadão pode colocar suas idéias
diante de um público universal, a um custo irrisório,
sem qualquer espécie de censura. Se, por um lado, tal Liberdade
de Expressão da Consciência permitiu a divulgação
de pornografia, de idéias racistas e de muita banalidade, por
outro, é inegável o quanto tem ajudado na difusão
da cultura, da ciência e da espiritualidade.
Efeito da Mente Sobre o Corpo
Há de se observar neste instante que se, por
um lado, o constrangimento à liberdade física, por si
só, não logra afetar a liberdade mental, o recíproco
não é verdadeiro.
O tolhimento à liberdade mental, seja por motivo
de saúde, seja por motivo de censura à livre expressão
da consciência, tem efeito imediato na liberdade física,
uma vez que, sendo a mente quem determina as ações do
corpo, também lhe determina os movimentos.
A Liberdade de Pensamento na Dimensão
Espiritual
Os amigos espirituais têm trazido até nós
o testemunho da existência das mais diversas formas de criações
mentais na dimensão espiritual, indo desde as mais belas construções
que jamais pôde conceber o espírito humano até os
mais deprimentes e sórdidos guetos e campos de tortura que se
possa imaginar. Nas dimensões espirituais, não havendo
matéria, não tem o Espírito a necessidade de usar
mãos nem ferramentas, bastando projetar seu pensamento, consciente
ou inconscientemente, para que a forma comece a ser percebida por ele
e por aqueles que lhe compartilham a faixa vibratória com as
características plásticas que lhe imprime. É dessa
forma, aliás, que os Espíritos mais desenvolvidos, conhecedores
das propriedades plásticas esperadas das construções
mentais das faixas vibratórias inferiores, conseguem construir
“perigosas” armas para manter afastados Espíritos
perturbadores, sempre que necessário. E é dessa forma
que cada Espírito ao desencarnar constrói para si o céu
ou o inferno de acordo com a faixa vibracional do pensamento que emite.
PARTE 4
A LIBERDADE ESPIRITUAL
O Livre Arbítrio
Após passar pelos diversos estágios na
longa caminhada que empreende para chegar de átomo a arcanjo,
a criatura chega ao reino hominal, dotada de consciência e armada
com a poderosa ferramenta do livre arbítrio. Essa ferramenta
poderosa, que lhe é dada, permitir-lhe-á interferir em
sua caminhada, tornando o percurso mais rápido e seguro ou mais
tortuoso e demorado, em conformidade com as ações que
empreender, sempre sujeitas à lei da causalidade.
O livre arbítrio de que goza o ser humano, portanto,
não é total. Se, por um lado, ele pode escolher a cada
tempo qual ação irá fazer, por outro, não
lhe é permitido escolher qual a conseqüência que a
ação empreendida irá ter em sua caminhada.
Ao contrário do que ocorre com os demais graus
de liberdade, portanto, não são apenas fatores externos
que tolhem a liberdade espiritual do ser humano, senão também
seu próprio grau de evolução.
O Constrangimento Espiritual
É farta a boa literatura espírita sobre
o constrangimento espiritual, mais conhecido sob o nome de Obsessão.
Esta forma de constrangimento espiritual é das
mais sérias, sobretudo tendo em vista o estágio ainda
predominantemente materialista das ciências médicas.
Devemos ter em mente que, da mesma forma que o constrangimento
mental pode levar ao constrangimento físico, o constrangimento
espiritual pode levar não só ao mental como, também,
ao físico.
O evangelista Mateus relata como Jesus restitui a saúde
física a dois endemoninhados.
“Logo que se foram, apresentaram-lhe um
mudo, possuído do demônio. O demônio foi expulso,
o mudo falou e a multidão exclamava com admiração:
‘Jamais se viu algo semelhante em Israel.’” (Mt 9:
32-33)
“Apresentaram-lhe, depois, um possesso
cego e mudo. Jesus o curou de tal modo que este falava e via.”
(Mt. 12:22)
Como Atingir a Liberdade Espiritual
Como atingiremos, pois, a Liberdade Espiritual, aquela
que nos irá permitir a evolução do livre arbítrio?
Em determinada ocasião, estando nosso Mestre
Jesus a ensinar no templo e, após muitos ali presentes terem
crido Nele, Ele ensinou:
“Se permanecerdes na minha palavra, sereis
meus verdadeiros discípulos; conhecereis a verdade, e a verdade
vos livrará” (ô:8-31-32).
E quem é discípulo de um Mestre senão
aquele que se esforça por fazer tudo o que seu Mestre lhe ensinou
com suas palavras e seu exemplo?
Para entendermos o que significa ser um discípulo
de Jesus, socorramo-nos da sabedoria de Emmanuel,
na psicografia abençoada de Chico Xavier
em “Palavras de Vida Eterna”:
“Glorificarás o Senhor Supremo e
serás discípulo do Grande Mestre...
Contudo, não apenas porque te mostres entendido nas Divinas Escrituras...
Não somente por guardares de cor as tradições dos
antepassados...
Não somente por te sustentares assíduo no culto externo...
Não apenas pelo reconforto recebido de mensageiros da Vida Superior...
Não somente por escreveres páginas brilhantes...
Não apenas porque possuas dons espirituais...
Não somente porque demonstres alevantadas aspirações...
A palavra do Evangelho é insofismável.
Glorifiquemos a Deus e converter-nos-emos em discípulos do Cristo,
produzindo frutos de paz e aperfeiçoamento, regeneração
e progresso, luz e misericórdia.
A semente infecunda, por mais nobre, é esperança cadaverizada
no seio da terra
Assim também, por mais ardente, a fé que não se
exprime em obras de educação e de amor, redenção
e bondade, é talento morto.
Se te fazes seguidor de Jesus, segue-lhe os passos.
Ajuda, ampara, consola, instrui, edifica e serve sempre”.
Livre, Afinal
Elevando-se à condição de discípulo
do Cristo, o ser humano não mais se deixa dominar pelas paixões
inferiores, não mais se apega ao transitório, não
mais magoa a vida, nem desrespeita as leis da natureza. Tendo galgado
à perfeição máxima possível em nosso
orbe planetário, não mais precisará encarnar na
Terra, fazendo-o somente na condição de mensageiro do
Divino Mestre.
Ao contrário do que até então lhe
acontecia, não mais é submetido à lei da causalidade,
podendo utilizar todo mérito que acumular pelas suas ações
sempre positivas em benefício de seus semelhantes. Constitui
tal feito a evolução do livre arbítrio, não
mais limitado às ações, mas aplicável, também,
às suas conseqüências.
PARTE 5
CONCLUSÃO
Enquanto o ser humano permanecer apegado às sensações
físicas e preso à matéria procurará ele,
inutilmente, encontrar a Liberdade no seu exterior: na indulgência
do juiz, na tolerância do poderoso que a sua temeridade fez desafiar,
na expressão do pensamento que lhe outorga a democracia, na igualdade
de direitos prometida pelo socialismo, na cura da doença que
o oprime.
No entanto, somente quando despertar para a Verdade,
tornando-se discípulo de Jesus, logrará ele obter a verdadeira
liberdade, a Liberdade Espiritual. E uma vez alcançada, essa
Liberdade ninguém, jamais, dele conseguirá retirar.
(Estudo originalmente apresentado no Centro Espírita
Titino Pires, Leopoldina, MG, em 8/9/2000)
Bibliografia
A Grande Síntese, psicografia de Pietro Ubaldi.
Instituto Pietro Ubaldi, 20a. ed., Campos dos Goitacazes, 1999.
Bíblia Sagrada, tradução dos
originais mediante a versão dos Monges de Maredsous (Bélgica).
Editora Ave-Maria, Ltda., 12a. ed., São Paulo, 1997.
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec. FEB, 77
ed., Rio de Janeiro, 1997
Painéis da Obsessão, Manoel P. de Miranda
(Espírito), psicografia de Divaldo Pereira Franco, LEAL, 5a.
ed., Salvador, 1994.
Palavras de Vida Eterna, Emmanuel (Espírito),
psicografia de Francisco Cândido Xavier. CEC, 26a. ed., Uberaba,
1999.
rsncosta@terra.com.br
http://www.ieja.org/portugues/Estudos/Artigos/p_liberdade.doc
http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo310.html
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