A dona de casa, diariamente, dedica tempo para fazer o gostoso alimento
que todos nós gostamos, inclusive as sobremesas. Mas também
ela dedica tempo a limpar o banheiro, inclusive o vaso sanitário.
Você consegue ver algum sentido na postura adotada
pelo Adolf Hitler, em decidir exterminar os negros, os homossexuais
e os judeus, só porque ele achava que eram criaturas de uma sub-raça,
seres inferiores, inúteis e nojentos?
Aquelas criaturas nunca fizeram mal nenhum a ele, no
entanto ele alimentou um ódio tão grande em relação
a elas, a ponto de promover a maior guerra de todos os tempos, de abrangência
mundial, promovendo milhões de mortes, mutilações,
traumas e destruições em proporções nunca
vistas na história da humanidade.
Espírito ruim é capaz de coisas incríveis.
Sinceramente, como você qualifica uma criatura
dessa?
Por favor, eu não gostaria que você apenas
ficasse concordando aqui com as abordagens que eu coloco, apenas porque
gosta do escritor, aprecia os seus artigos ou porque tenha simpatia
pelo trabalho dele. Não, não é isto que quero.
O que quero é que você raciocine profundamente em cima
dos pontos levantados e tire conclusões muito bem pensadas e
processadas na razão.
Você consegue ver algum sentido em todo aquele
ódio demonstrado há dois mil anos, quando da humilhação,
espancamento, tortura e crucificação de Jesus?
Por favor!!! Não é simplesmente para dizer
NÃO, só porque se trata de Jesus, é pra raciocinar!
insisto em raciocínios.
Analisemos: Jesus não pretendeu tirar nada de
ninguém, não fez qualquer movimento para destruir quem
quer que fosse, não montou estratégia nenhuma para prejudicar
ninguém.
Por que, então, o mataram daquele jeito, com
tanta crueldade, tanta perversidade, humilhação, tortura
e covardia?
Os exemplos são inúmeros, na humanidade.
Assassinaram Martin Luther King por qual motivo? Porque
ele lutava pela liberdade, sem odiar ninguém, sem pegar em arma
e sem praticar qualquer ato violento.
Assassinaram Mahatma Gandhi por qual motivo? Também
porque ele lutava por liberdade, sem agredir ninguém, muito pelo
contrário, sendo bastante enérgico em relação
a qualquer um que alimentasse a idéia de reagir pela violência,
mas com muito amor.
Enfim, gente, durante toda a história sempre
existiram criaturas para praticarem as piores atrocidades, covardias
e violências contra todos aqueles que se propuseram a lutar pela
justiça, a coerência, o bem, o direito humano e a liberdade.
Observemos bem:
Quando um homem perde o seu controle e parte para agredir
e até matar uma outra pessoa, pelo fato dessa ter praticado contra
ele, ou contra os seus entes queridos, as mais perversas e desumanas
atrocidades, praticamente destruindo a sua vida e o seu prazer de viver,
em que pese não devermos nunca admitir qualquer tipo de vingança,
pelo menos a gente encontra uma explicação onde pode até
encaixar algum tipo de justificativa:
O Celso matou o Raimundão, revoltado, com ódio
e muita violência, estraçalhando-o, porque ele assassinou
a sua mãe, seu pai, seus filhos e sua esposa de forma extremamente
fria e cruel, queimando inclusive os seus corpos.
Algo mais ou menos parecido com o que levou o Lampião
a fazer o que fez e a desonestidade dos “poderosos” o colocou
na história como bandido, como se ele fosse uma pessoa perversa
e que fez tudo aquilo simplesmente porque quis fazer, sem motivo nenhum.
Repito que nada justifica o ódio e muito menos
o extremo de assassinar o próximo, mas num caso deste as pessoas
vêem, sim, alguma justificativa, havendo até quem diga:
“O Raimundão teve o que merecia”.
Continuemos a questionar:
Você criaria ódio ou até assassinaria
uma pessoa conhecida, pelo fato dela ter quebrado um copo de vidro da
sua casa, num determinado dia que lhe fez uma visita?
O seu bom senso vai dizer:
- “Imagina. Só se eu estivesse em estado
de loucura para odiar e assassinar alguém, pelo fato de quebrar
um simples copo de vidro”.
Claro. Se não é justificável o
ódio e a violência por coisas graves e sérias que
um outro pudesse ter feito contra a gente, muito menos é por
coisas absolutamente irrelevantes.
Imagine uma pessoa odiar outra pelo fato de ter quebrado
um copo de vidro.
Ok, onde é que o Alamar quer chegar com
esta matéria?
O que eu quero é conduzir os meus milhares de
leitores espíritas a uma linha de raciocínio, para que
todos enxerguem algumas coisas que existem em grande parte do nosso
movimento espírita, pra ver se conseguimos sensibilizar mais
gente a levantar a voz e a lutar contra este mal terrível que
tem prejudicado tanto o desenvolvimento do Espiritismo no mundo, impedindo-o
de prestar à humanidade um serviço espiritual que só
uma Doutrina sensata e maravilhosa pode prestar.
Quero, mais uma vez, falar do ódio que existe
de “espíritas” em relação a outros
espíritas.
Sei que muita gente não gosta que se toque neste
assunto, porque é mais conveniente vivermos de máscaras,
desejando “Muita Paz” pra todo mundo, fingindo que somos
humildes, fingindo que já alcançamos a evolução
e a plenitude, fingindo que já estamos no nível dos habitantes
do Ministério de União Divina. Mas eu não posso
compartilhar dessa farsa, a minha consciência não me deixa
ficar calado em relação a este problema. Daí eu
insistir no questionamento.
Apelando para a mesma racionalidade que pedi
no começo da matéria, volto a perguntar:
Como você qualifica uma pessoa que odeia outra
e que é capaz até de utilizar-se de estratégias
para dificultar a sua vida, recorrendo a boicotes, sabotagens, intrigas,
calúnias e difamação pelo simples fato desta não
pensar exatamente conforme a sua cabeça?
Como você define uma pessoa dessa, principalmente
quando ela faz parte do movimento espírita e até está
inserida na diretoria de uma instituição espírita?
O pior de tudo, para a tristeza de todos nós,
é que essas pessoas existem em todos os lugares onde há
o Espiritismo.
E não é coisa de hoje, é algo que
existe desde os tempos de Kardec, sendo ele a primeira grande vítima
desse tipo de maldade, perversidade, inveja e crueldade. (Vide o livro
“Obras Póstumas”, assinado pelo mesmo).
Gente! Espíritas odeiam outros espíritas
pelo simples fato desses outros gostarem de um determinado autor ou
livro.
Vejam bem: Não estou falando que odeiam uma outra
pessoa pelo fato dela ter assassinado a sua mãe, o seu pai, os
seus filhos e o seu cônjuge e ainda ter queimado os corpos não,
estou dizendo que odeiam porque o outro gosta de um livro ou autor que
não é do seu agrado!!!
Pelo amor de Deus, tem sentido isto?
Falar contra isto é uma luta incansável
do Alamar, motivo pelo qual muitos fazem de tudo para calar-lhe a boca,
uma vez que a farsa não pode e nem deve ser desmascarada.
Aí começam a chegar os e-mails de alguns:
- “Alamar, não perca tempo com essas discussões
que isto não leva a nada. Isto não constrói, isto
só faz separar.”
Eu só fico imaginando se existissem espíritas
há dois mil anos atrás, quais os comentários que
eles fariam sobre determinados momentos do comportamento de Jesus:
- “É um obsediado. Imagine chegar no templo
e fazer toda aquela encenação em relação
aos vendilhões. Ele faltou com a caridade, teria que entender
que os vendilhões estavam ainda em processo de evolução
e não mereciam ser tratados daquele jeito”.
- “Como pode ele ter se dirigido aos outros chamando-os
de raças de víboras, hipócritas, sepulcros caiados
por fora e podres por dentro. Poderia muito bem ter dito as mesmas coisas
usando outras palavras.”
(Tem esse negócio do “poderia dizer a mesma
coisa utilizando-se de outras palavras” na apreciação
hipócrita dos textos).
- “Quem ele acha que é, ao dizer para outros
até quando terei que suportá-los?”
Seria assim, gente! Não pensemos que Jesus e
Kardec encontrariam moleza se resolvessem aparecer materializados por
aqui, freqüentando algum centro espírita.
Alguma coisa tem que ser feita, no sentido de debater
esta problemática que é grave em nosso movimento espírita.
Repito: É grave em nosso movimento espírita.
Há três anos atrás, mais ou menos,
depois que fui convidado por um admirador dos meus programas de televisão
para fazer uma palestra no centro espírita onde ele era diretor
doutrinário, na Grande São Paulo, lá compareci
no dia e hora combinados. Faltando 15 minutos para começar a
palestra, com mais de 400 pessoas lotando o salão, o que não
era normal, eu fui praticamente expulso do centro pelo seu diretor presidente
(o “dono” do centro), que chegou na hora, avisou-me que
eu não iria fazer palestra nenhuma ali e que era ele quem iria
fazer.
Foi uma confusão danada, o público terminou
tomando conhecimento do fato e todo mundo se retirou do centro, em protesto
contra a atitude estúpida do “todo poderoso”, que
ficou mais irritado ainda, porque ninguém lhe deu razão.
Sabem qual foi o motivo?
Informaram a ele que o Alamar é amigo do Divaldo
Franco e fala muito no Divaldo.
Vejam bem: O Alamar não é amigo do Marcola,
do Fernandinho Beira Mar, do Lalau, de algum banqueiro ou de outros
ladrões ou traficantes de drogas não, é amigo daquele
que, depois do Chico Xavier, é o maior nome do Espiritismo em
nosso país, homem da mais alta dignidade, caráter, honestidade
e amor vivenciado.
O “dono do centro” alimenta, há mais
de quarenta anos, um terrível ódio pessoal contra o nosso
maior tribuno e ainda se diz fiel a Kardec e a Herculano Pires. Imaginem
se o Herculano endossaria uma coisa desta!
Outro dia, em bate-papo na Federação Espírita
do Estado de São Paulo, conforme já relatei em outro escrito
meu, ao ver um determinado elemento, influente lá, falar horrores
do Luciano dos Anjos (este mesmo sobre quem escrevi um longo artigo
recentemente), retratando-o como se fosse um perigoso bandido praticante
de crimes hediondos, um monstro, um terrorista e uma maquete do satanás
na Terra, eu quase fui posto pra fora porque perguntei a ele:
- “Você conhece o senhor Luciano dos Anjos?”
Ele disse que não o conhecia, nunca o viu e que
nem pretendia vê-lo.
E irritou-se bastante quando eu voltei a indagá-lo:
- “E como pode ter tanto ódio, condenar
e até julgar uma pessoa que ao menos conhece?”
Foi um horror. O homem perdeu todos os controles.
Em muitas cidades quando uma casa espírita promove
algum evento, outras casas espíritas cujos diretores “não
vão com a sua cara”, por incrível que pareça,
além de não permitirem que ninguém faça
qualquer divulgação do evento da “concorrente”
(se é que existe concorrência em Espiritismo), são
capazes de realizarem um outro evento, no mesmo dia e horário,
só pelo “prazer” de verem o outro esvaziado, no perverso
propósito de não ver a atividade do confrade espírita
prosperar.
E ainda querem que o Alamar não fale sobre isto.
Eu vou falar sempre e é preciso que outros
também levantem a voz contra essa indignidade e pouca vergonha.
Outro exemplo que é lamentável, é
que esses modelos de “espiritismos” estão sendo levados
para o exterior.
Tive conhecimento de que neste mês de abril, quando
uma casa espírita realizou um evento em Nova York, nos Estados
Unidos, onde ainda têm poucos espíritas e a doutrina luta
com uma dificuldade enorme para se manter, uma outra casa espírita,
com objetivos de esvaziá-lo, programou um outro evento com um
palestrante de expressão do Brasil convidado, exatamente no mesmo
dia e horário, sabendo que os poucos espíritas de lá
gostam de ouvir palestrantes que vão daqui para lá.
É coerente uma coisa desta?
Um amigo meu diz o seguinte:
- “Alamar, é que muitos espíritos
inimigos do Espiritismo resolveram se infiltrar no movimento espírita,
exatamente em posições de destaques, para promoverem a
sua destruição e os espíritas, ingenuamente e invigilantemente,
não estão percebendo isto ou fingem que não estão
vendo.”
O Doutor Bezerra de Menezes, o Manoel Philomeno de Miranda
e outros espíritos notáveis, por diversos médiuns,
estão cansados de mandarem mensagens de alertas quanto a isto
e ninguém escuta. Veio o “Dramas da Obsessão”,
veio o “Aconteceu na casa Espírita”, veio a obra
da Ermance Dufaux e todo mundo finge que não viu.
O Alkindar escreveu uma belíssima matéria
sobre o assunto. Ninguém deu bola, todo mundo fingiu que não
viu.
“Ah, eles não estão se referindo
a mim! Não é à nossa casa que eles estão
falando, portanto vamos continuar exatamente como estamos”.
O pior de tudo é que as maiores lideranças,
aquelas que promovem os grandes eventos, congressos, fóruns,
seminários e simpósios, também ignorando totalmente
estas obras não dedicam um espaço, sequer, para tratarem
da relação entre os espíritas. Será por
que? Não será por que pode uma, ou algumas delas, estarem
inseridas no foco da discussão?
Falam sobre tudo, quem quiser que observe a programação
de um grande evento destes, que verá expositores especializados
em várias áreas, mas se recusam a falar sobre isto porque
ta todo mundo evoluído, todo mundo “bonzim” demais,
numa angelitude imensurável.
Neste momento maravilhoso que o Espiritismo está
vivendo no Brasil, com a Rede Globo dando a maior força, não
apenas nas novelas, mas em toda a sua programação, com
resultados impressionantes na mudança de conceitos religiosos
por parte do povo brasileiro, quando o número de prateleiras
de livros espíritas nas grandes livrarias dos shopping centers
são sempre maiores que o espaço destinado a todas as outras
propostas religiosas juntas, o que estamos fazendo nós espíritas
no embalo disto?
Coisa nenhuma! Está todo mundo fingindo que não
está vendo.
Agora mesmo, recentemente, com tudo isto acontecendo,
no embalo dos 150 anos do Espiritismo, quando se esperava que na maior
cidade do País promovessem em mega evento, com uma semana de
duração, 5 dias, 4 ou pelo menos 3 dias, registramos um
evento que teve, de fato, um grande público, na faixa de 15 mil
pessoas mais ou menos (eu estive lá), sem dúvida com algum
valor, porque lá estavam grandes expressões da oratória
espírita, presença maciça das editoras, o que se
viu:
Evento de um dia só, produzido dentro de um mau
gosto sem tamanho, sem luz, sem brilho, sem arquitetura nenhuma, sem
preocupação com o bem estar dos participantes numa pobreza
de fazer dó.
As editoras expunham os seus livros sobre umas taboas,
forradas de papel, colocadas em cimas de uns cavaletes. A beleza das
capas dos livros das editoras espíritas que, reconhecemos, estão
cada vez mais bonitas e atraentes, em livros muito bem feitos, foram
ofuscadas pelo mau gosto do local. Apenas um quiosque na área
principal, forrado com uma lona, para vender água, refrigerantes
e alimentos para 15 mil participantes, com duas pessoas, apenas, vendendo
fichas e colocando o dinheiro numa caixa de papelão... sem ter
nada gelado pra ninguém beber. Foi um sufoco sem tamanho.
Não estou querendo olhar apenas o lado negativo,
porque não sou negativista e muito menos qualquer recalcado pra
ficar me apegando no que não deu certo e no que é ruim,
pois sei muito bem do conteúdo que ali foi apresentado, mas quero
abrir a boca, porque alguém tem que falar e o Brasil espírita
precisa saber do mau gosto, do descaso e da falta de carinho para com
o Espiritismo por parte deste movimento que insiste no entendimento
equivocado do que realmente seja humildade.
Esta minha observação de descaso não
vai apenas aos organizadores de São Paulo não, que talvez
tenham dado o “melhor” dentro daquilo que acham normal,
vai a todo o movimento espírita do Brasil, porque o descaso é
geral, esta cultura do mau gosto em relação ao Espiritismo
é em tudo quanto é canto.
Sugiro que meus amigos e amigas espíritas pensem
nestes assuntos, analisem profundamente o que foi colocado aqui, principalmente
esta questão do ódio terrível de espíritas
em relação a outros espíritas, que é o mais
grave de todos.
Lembrando sempre a citação de Leon Denis:
“O futuro do Espiritismo será aquilo que os espíritas
fizerem dele”.
Abração
www.redevisao.net
Alamar Régis Carvalho
alamar@redevisao.net
topo