Já foi alertado no passado que se os homens dificultassem a comunicação
dos espíritos ao mundo, eles falariam nem que fosse através
das pedras.
Os espíritos fazem um esforço enorme
para nos trazer novos ensinamentos, todos os dias em nossos centros,
quando imploram para que, nós espíritas, levemos o conhecimento
espírita ao grande público. Se fingimos que não
escutamos estes apelos e não temos competência para realizar
esta divulgação, é óbvio que eles tentarão
por outros meios, como de fato estão fazendo.
Eu fico impressionado com a quantidade de E-mails que
chegam de espíritas protestando, alguns até profundamente
indignados (não sei porque), por causa de uma frase que a jornalista
colocou na grande matéria sobre Espiritismo publicada na revista
Veja, na Istoé, na Época ou em outra de grande circulação.
Ficam com raiva porque a forma como a Globo abordou
a questão da reencarnação na novela “Alma
Gêmea” não foi exatamente aquela como vê
a orientação do centro espírita onde freqüentam.
Se aborrecem porque a coisa não foi abordada conforme as suas
conveniências, na novela “A Viagem”,
um dos maiores fenômenos de audiência da Rede Globo, exportada
e vista por centenas de países que nunca tiveram contato com
qualquer orientação espírita, e que hoje estão
começando a pensar sobre o assunto.
Protestaram veementemente contra o filme “Ghost,
o outro lado da vida”, pelo fato daquela médium
não se comportar necessariamente como uma médium espírita.
Pra nós aqui, tem tanto médium em centros espíritas
fazendo muito mais bobagens que fez aquela do filme.
É impressionante o nível de
intolerância de determinadas pessoas no movimento espírita.
Não resta a menor dúvida de que devemos
escrever para os grandes veículos de comunicação
de massa, fazer observações, demonstrar colocações
equivocadas feitas por eles e passar-lhes as informações
corretas todas as vezes que cometerem algum equívoco. Mas isto
não quer dizer que eles tenham que ser necessariamente conhecedores
da doutrina, como os mais estudiosos dos nossos confrades, a ponto de
retratarem os assuntos numa revista leiga e de abrangência geral,
com todas as colocações impecáveis.
Falar nisso, será que esses mesmos confrades,
que tanto cobram, conseguem essa perfeição tão
exigida dentro do próprio movimento espírita?
Se em nosso próprio meio há tanta divergência,
gente que ama e gente que não suporta Divaldo, Herculano, Bezerra,
Cairbar, Emmanuel, Joanna de Angelis, Raul, Simonetti... etc. como é
que vai querer perfeição doutrinária dos órgãos
de comunicação de massa? Não
temos a menor unidade entre nós, vamos querer nos outros?
Há espíritas que gritam contra Emmanuel,
sob a argumentação de ter ele, como Padre Manoel da Nóbrega,
implantado catolicismo no Espiritismo brasileiro. E por tabela baixam
o sarrafo no Chico Xavier.
Há outros que têm verdadeiro repúdio
ao Dr. Bezerra, sob a argumentação de ter ele implantado
o tal roustanguismo no Espiritismo no Brasil.
Há quem xingue Joanna de Ângelis, por
ela tratar tanto do aspecto Psicológico do homem, por tabela
atingindo também o Divaldo com a argumentação de
que eles não ensinam Espiritismo. Eu sempre vi Divaldo, a vida
inteira, ensinamento Espiritismo.
Os exemplos contam-se às dezenas e tenho inúmeros,
mas com esta mania de E-mails grandes que tenho (alguns reclamam), prefiro
ficar por aqui.
A grande realidade, gente, é que nós
espíritas não temos competência para divulgar o
Espiritismo.
Não que seja difícil e muito menos além
das nossas possibilidades a realização de um grande projeto
de divulgação de massa, mas sim porque somos omissos em
relação à divulgação, somos egoístas
em relação a isto, somos indiferentes em relação
ao nosso dever de dar este remédio maravilhoso que se chama Espiritismo
ao grande público, em que pese a nossa incoerência em vivermos
tanto falando em Caridade.
Só pra você ter uma idéia, amigo
leitor que é espírita, vive mais na condição
de freqüentador de centro e até mesmo estudioso, mas sem
se envolver e procurar entender bem como funciona a estrutura administrativa
do movimento espírita do Brasil:
Existe no movimento espírita brasileiro uma
instituição chamada ABRADE
– Associação Brasileira
de Divulgadores do Espiritismo, que é o órgão
de abrangência nacional, que tem as suas representações
em cada Estado, chamadas ADEs, que
significa Associação dos Divulgadores do Espiritismo de
São Paulo, do Ceará, da Bahia, de Pernambuco, do Rio Grande
do Sul, etc... que não têm prestígio nenhum, ninguém
dá bola para elas, principalmente as próprias Federações
Espíritas, que as vêem com uma fria e até
mal educada indiferença.
No universo ABRADE
existem homens da mais alta competência, tanto do ponto de vista
doutrinário como do moral, dispostos a se doarem integralmente
pela causa, como Gezler do Recife, Signates de Goiás, Wilson
do Paraná, Marcelo da Paraíba... enfim um monte de gente
competente, mas são vozes que clamam no deserto. Tem alguns idiotas
pelo meio também, mas são desprezíveis e não
afetam nos objetivos gerais que são nobres.
Tiveram a maior dificuldade para conseguirem um tal
“assento” no Conselho Federativo
Nacional, que é uma reunião feita anualmente na
FEB, em Brasília, porque muitos
dirigentes de federações não quiseram que ela fizesse
parte daquele conclave. O espírito de panelinha ainda existe
no meio espírita, por incrível que pareça.
Nas reuniões, quando a ABRADE
fala, nada do que ela propõe é considerado relevante e
poucos são os que prestam atenção quando o seu
representante está utilizando a palavra. Eu sei disto, porque
participei de três reuniões destas, a convite da Federação
Espírita da Bahia, e observei bem o detalhe, com dois olhos e
dois ouvidos bem atentos.
Não tem dinheiro, vive dura o tempo todo, não
tem fonte de recursos, não tem editora própria, não
tem livros editados próprios, ninguém ajuda, não
aparece um empresário espírita sequer, em nenhum Estado,
para estender-lhe às mãos, portanto não realiza
coisa alguma em termos de programas de rádio, televisão,
jornal ou revista em abrangência nacional. O máximo que
usa é a Internet, com seus grupos de discussão, mesmo
assim porque é de graça.
Os eventos que consegue realizar são todos inexpressivos
e raro é aquele que consegue reunir mais de cem pessoas. Estou
falando em eventos de abrangência nacional da própria ABRADE
e não eventozinho de uma ADE estadual.
É triste e lamentável a omissão
do movimento espírita em relação a essa tão
importante instituição chamada ABRADE.
Vamos esperar por quem, para divulgar o Espiritismo?
Aparece um maluco, a partir de Belém do Pará,
na década de noventa, tomando para si esta tarefa, arcando com
todos os ônus, expondo-se de todas as formas na frente de batalha,
conseguindo de fato assustar o movimento espírita por levar a
doutrina via satélite, na marra, a chegar na casa de milhões
de brasileiros pela televisão, de forma como nunca fora feito
antes, e qual foi a reação?
Cacete nele! Ta é querendo aparecer, isto é
auto-promoção, está com interesses políticos,
está desvirtuando a doutrina, tá mercantilizando a doutrina!!!...
e todos esses impropérios muito comuns partidos de mentes perturbadas
daquelas que, por não terem competência para fazer igual,
expressam-se as suas manifestações doentias de invejas
e recalques tão claramente explicados pela Psicologia.
Pronto. Não se faz e não se deixa
ninguém fazer.
Hoje, o que vemos são apenas duas poderozíssimas
instituições espíritas, as duas de maior abundância
financeira do País, fazerem alguma coisa, mesmo assim conforme
as suas conveniências: As Casas André Luiz, a mais rica
instituição espírita do Estado de São Paulo,
que acharam por bem orquestrar, sutilmente e muito “fraternalmente”,
um “cala a boca” no Alamar, e o Lar Fabiano de Cristo, do
Rio de Janeiro, sustentado pela Capemi que há muitos anos é
considerada o Caixa do movimento espírita. Estas duas ninguém
pode boicotar, por causa da independência financeira que têm.
Surge aí a FEB,
com um projeto muito bonito, começando com um programazinha de
meia hora por semana, bem feitinho, mas insuficiente para o tamanho
da instituição e a sua abrangência.
O CEI, Conselho Espírita
Internacional, optou por fazer televisão via Internet
que, pra nós aqui, apesar de altamente útil e importante
num momento em que não tem nada, que eu aplaudo muito, é
um meiozinho fraco e bastante limitado.
Resta a quem, gente, levar esta doutrina ao grande
público, a fim de orientar a população brasileira
contra as terríveis ameaças de legalização
do aborto, contra as tresloucadas idéias de suicídio e
todas essas maluquices que as pessoas fazem por desconhecerem as idéias
espíritas?
Resta à grande imprensa!!!!!!!!!!!!!!
É o que ela está fazendo.
Observamos a Rede Globo, hoje, colocar espíritos
desencarnados se comunicando em TODAS as suas novelas.
A novela que antecedeu Alma Gêmea, no horário
das seis, teve espírito desencarnado se comunicando, a Alma Gêmea
foi inteira tratando de reencarnação e inclusive mostrando
reuniões mediúnicas repetidas vezes, com Evangelho Segundo
o Espiritismo e Livro dos Espíritos em cima da mesa, sendo focados
em close o tempo todo.
Reprisa-se A Viagem,
pela terceira vez, o que nunca aconteceu com nenhuma outra novela no
“Vale a pena ver de novo”, conseguindo esta terceira reprise
um recorde de audiência impossível de prever numa novela
reprisada três vezes.
Vem a atual nova novela das sete, a chatinha “Cobras
e Lagartos”. Não deu outra a coisa, e a trama se
conduz toda com o Omar Pasquim (personagem do Cuoco) se comunicando
o tempo todo com o maluco do Foguinho (personagem do Lázaro).
No horário das oito, na novela “Senhora
do Destino”, o personagem desencarnado do Tarcísio
Meira aparecia para a vilã Nazaré; em “América”,
o Brasil inteiro viu o personagem do Flávio Migliaccio, conhecido
por todos como “o espírita”, que fazia também
reuniões mediúnicas, junto com o Tião (personagem
do Murilo Benício) com Evangelho e Livro dos Espíritos
sendo enfocados em close o tempo inteiro, trazendo o seu pai, em espírito,
a comunicar-se com ele quase a novela inteira; na atual novela “Páginas
da Vida”, o Brasil se encanta ao ver a menina Nanda, desencarnada,
se comunicando com o Pai.
Gente, o que é que o movimento espírita
quer mais, pelo amor de Deus?
Se ele é incompetente, deixe quem tem competência
fazer em paz.
Os programas “Linha
Direta” que registraram os maiores números de audiência
no IBOPE, foram exatamente, pela ordem, o que retratou o incêndio
do Edifício Joelma, o que mostrou a história do Zé
Arigó e o recente que mostrou o caso de uma carta mediúnica
que foi utilizada no julgamento de um crime. O “Globo
Repórter” que aborda temas espíritas sempre
explode também em audiência.
Em vez de sairmos por aí baixando o sarrafo na
grande imprensa, preocupando-nos com detalhezinhos bobos, unamo-nos
no sentido de apoiá-la e incentivá-la a continuar mantendo
este assunto em moda, para alívio de milhões de brasileiros.
Os que tanto criticam a Veja, a Época e a Istoé
parece que não estão observando o quanto as grandes reportagens
envolvendo temas espíritas evoluíram de algum tempo pra
cá.
Há alguns anos atrás, toda vez que abordavam
estes temas, sempre apareciam alguns parágrafos desagradáveis
nas matérias, onde envolviam o espiritismo com feitiçaria,
bruxaria, cartomancia, matanças de animais e invariavelmente
sempre convidavam a praga do padre Quevedo para dar alguma opinião,
o que só desgraçava a imagem do Espiritismo. As matérias
eram todas um verdadeiro desastre para nós.
Hoje não fazem mais isto, gente!
Que quiser que reveja as revistas que provavelmente
devem ter guardadas em casa e releiam as matérias. Nunca mais
uma reportagem dessas referiu-se ao Espiritismo como sendo macumba,
bruxaria e feitiçaria. Nunca mais inseriram padre Quevedo.
Hoje a coisa é muito mais respeitosa e muito
mais digna.
Vamos querer perfeição? Como? Não
estamos querendo demais?
Enviei um E-mail coletivo para todos os jornalistas,
da grande imprensa, há algum tempo atrás, e tive retornos
simpaticíssimos por parte de muitos deles, inclusive agradecendo
pelas informações, quando vários prometeram até
que alguns equívocos não cometeriam mais.
A tendência é a gente ver matérias
mais certinhas, sem as tais citações do tipo “sucessores
de Chico Xavier”, “kardecismo”, “mesa branca”
e essas coisas. Não vai demorar muito.
Se a Globo e as grandes revistas cometerem algum deslize
em alguma informação, pelo menos estão despertando
na população o interesse pelo assunto. Cumpre a nós
recebermos essas pessoas, que com certeza virão, com muito carinho
e diplomacia (coisa que infelizmente os centros espíritas não
sabem fazer bem), e direcioná-las ao estudo criterioso das obras
básicas, como deve ser, porque aí todo mundo vai entender
o espiritismo como ele realmente é.
Só que tem um detalhezinho que seria fundamental
e indispensável para mostrarmos a esse gigantesco público
novo que está chegando:
O Exemplo.
Falo sobre o exemplo de convivência entre nós,
sem os famigerados melindres, ódios gratuitos, ciumeiras, disputas
por cargos nos centros, boicotes a trabalhadores, fofocas, intrigas
e intolerâncias.
Nos diz Robert Browning: “Quando
a luta de um homem começa dentro de si, esse homem vale alguma
coisa”. Aí é que eu sugiro que nós,
que nos constituímos como o movimento espírita, comecemos
agora a lutar dentro de nós mesmos, para apararmos as nossas
próprias arestas, a fim de que o povo perceba que o Espiritismo
vale de fato alguma coisa.
Que tal se, em vez de nos preocuparmos com a forma como
a Globo está mostrando os assuntos, começarmos a nos preocupar
com a infra-estrutura que devemos montar para receber os milhões
de brasileiros que ela mandará certamente para os nossos centros?
Não falo só para os brasileiros que estão
no Brasil não, falo também para os meus inúmeros
leitores que moram no exterior, já que as novelas da Globo hoje
são exportadas e também fazem sucesso em mais de cem países.
Acordemos, movimento espírita! Quem fica esperando
por juízo final é protestante, e não espírita.
Vamos à luta. Procure conhecer aí na sua cidade a existência
da ADE do Estado e estenda as mãos para eles.
Deixemos, portanto, a Globo, a Veja, a Época
a Isto É e a grande imprensa fazerem a parte delas e procuremos,
com equilíbrio, lucidez e absoluta coerência espíritas
fazermos a nossa.
Carinhosamente.
Alamar Régis Carvalho
alamar@redevisao.net
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