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Fenômeno Anímico e Mediúnico

Podemos sistematizar todos os fenômenos da Natureza em dois grandes grupos: fenômenos físicos e fenômenos psíquicos.

Os fenômenos físicos são aqueles produzidos pelas forças da própria natureza, estudados pelas Ciências físicas, químicas, astronômicas, biológicas, etc.

Os fenômenos psíquicos, como o nome indica, são aqueles produzidos pelo psiquismo humano (Psiquê+mente=Espírito).

Hernani Guimarães Andrade, conceituado parapsicólogo espírita, divide os fenômenos psíquicos produzidos por pessoas hígidas ou sadias em:

a) Fenômenos Psíquicos Normais: aqueles cujo mecanismo causal se enquadra no conjunto das leis conhecidas. São fenômenos aceitos e estu­dados pela Ciência convencional.

Ex.: Leitura, agressividade, medo, escrita, etc.;

b) Fenômenos Psíquicos Paranormais: são os fenômenos psíquicos que não encontram ainda uma explicação plausível, cujo mecanismos ainda não fazem parte do conjunto das leis naturais conhecidas. Esses fenôme­nos, pelo fato de não poderem ser explicados, não são aceitos ainda pela Ciência Oficial. Os fenômenos paranormais são de dois ti­pos funda­mentais: anímicos e mediúnicos.

Anímicos: o termo animismo, já existente, foi utilizado com novo significado por Alexandre Aksakof, profundo estudioso das Ciên­cias psíquicas, conselheiro científico da Academia Russa de Ciência. Este autor apropriou-se da expressão latina "anima" (=alma) para de­signar os fenômenos paranormais que eram produ­zidos pela própria alma hu­mana.

Mediúnicos: o termo mediunidade foi usado pela primeira vez por Allan Kardec para designar a faculdade inerente a todas as pes­soas, que as colocavam em comunicação com seres extra-corpóreos. Por­tanto, os fenômenos mediúnicos são aqueles fenômenos paranormais que, para a sua produção, necessitam da atuação de seres desencarnados.

Fenômeno Anímico
a) Não há interferência de seres espirituais
b) Participam do fenômeno um ou mais elementos encarnados
c) agente gerador: sensitivo (metagnomo)
d) Fenômenos estudados pela Parapsicologia

Fenômeno Mediúnico
a) Há interferência de seres espirituais
b) Participam do fenômeno pelo menos dois elementos: encarnado e desencarnado
c) agente gerador: médium
d) Fenômenos estudados pelo Espiritismo


Principais Fenômenos Anímicos


a)
Telepatia: consiste na percepção do conteúdo mental ou da emoção de outro indivíduo, ou, como se diz correntemente, a trans­missão do pensamento. A telepatia é um fenômeno quase geral entre os Espíritos desencarnados, mas quando evidenciada entre dois seres en­carnados, vai configurar um fenômeno anímico.

b) Clarividência: consiste na visualização de coisas do mundo físico através de corpos opacos ou a distância. Através da clarividên­cia, o sensitivo é capaz de identificar aspectos no corpo humano à seme­lhança de um aparelho de raios X, identificar cenas que estão se desen­rolando em locais distantes e mesmo visualizar coisas dentro de caixas ou recipientes hermeticamente fechados. Não devemos confundi-la com a VIDÊNCIA, que é a visualização de cenas ou en­tidades do mundo espi­ritual, portanto, um fenômeno mediúnico.

c) Clariaudiência: trata-se da percepção paranormal de sons da esfera física. Ruídos, frases, músicas não audíveis pelas pessoas co­muns e que são registrados pelo sensitivo. Difere da audiência, onde são captados sons do mundo espiritual.

d) Pré-cognição: é o conhecimento antecipado de um fato que ainda não ocorreu. Conhecida também com o nome de Pressentimento ou Premonição.

e) Retro-cognição: é o registro de um fato acontecido no pas­sado através da percepção extra-sensorial, ou seja, sem a utilização dos sentidos comuns.

f) Psicocinesia: trata-se da fenomenologia anímica que permite ao sensitivo agir sobre a matéria utilizando-se apenas da força emitida pela sua mente. Através da energia liberada pela mente do para­normal, são evidenciadas transformações em objetos, materializações diversas e mesmo modificações na forma e na fisiologia humanas.

g) Automatismo Psicológico: esta expressão foi empregada por Pierre Janet (considerado o pai da Psicologia) para designar aquelas situações onde o inconsciente do indivíduo assume a mente consciente e passa a liberar idéias e emoções lá arquivadas. Podemos encontrar este tipo de fenômeno nos casos de recordação espontânea de vidas passadas, nos casos raros quando o indivíduo assume personalidades anteriores (Personalidades múltiplas), ou, ainda, nas reuniões mediúnicas, quando o inconsciente do médium se comunica através dele. Esta última condição, comumente designada através do termo ANIMISMO, é relativamente comum nos médiuns iniciantes, e tende à dissolução com progressivo burilamento da faculdade mediúnica.


Análise Crítica da Divisão Anímico-Mediúnico


Esta classificação dos fenômenos paranormais em anímicos e mediúnicos é puramente teórica e objetiva apenas uma sistematização didática para facilitar a compreensão do tema.

O que se observa na prática é que os fenômenos estão comumente interligados.

Nos fenômenos mediúnicos, donde os seres espirituais desempenham papel relevante, o intermediário (médium) jamais está inativo, participando de forma dinâmica na produção do fenômeno. Com isto, fica claro que em todo fenômeno mediúnico há um forte componente anímico.

Os fenômenos anímicos, por sua vez, muitas vezes são secundados pelos Espíritos amigos, que contribuem diretamente na sua produção, o que nos leva a afirmar que muitas vezes nos fenômenos anímicos se evi­dencia um envolvimento mediúnico bem definido.

Muitas vezes, portanto, na prática diária torna-se impossível determinar eficientemente se um fenômeno que nos é apresentado tem um componente anímico ou mediúnico preponderante, pois, teoricamente, poderia ser classificado em ambas as categorias.

Exemplos de fenômenos que podem ser ora anímicos e ora mediúnicos: intuição, cura, desdobramento, bicorporeidade, transfigu­ração, translação de objetos, levitação, psicometria, etc.


O que é a Parapsicologia


É uma disciplina científica de investigação dos fenômenos inabi­tuais, de ordem psíquica e psicofisiológica. E uma nova forma de desen­volvimento da Psicologia, pois estuda as fronteiras desconheci­das da Psicologia. (Psicologia é o estudo das idéias e sentimentos do ser humano, estudando os fenômenos psíquicos habituais). O obje­tivo da Parapsicologia é o estudo dos fenômenos psíquicos não habi­tuais, mas ape­sar disso, naturais.

Não é uma Ciência nova, pois é milenar. Fatos paranormais têm acompanhado o homem desde as mais remotas épocas. Como Ciência, foi pre­cedida pela Metapsíquica, criada por Charles Richet na Universi­dade de Paris, que fez vários estudos de fenômenos paranormais. Pode­ríamos dizer que a Metapsíquica seria a Parapsicologia antiga. Outros notáveis metapsiquistas, foram: Willian Crookes, Eugênio Osty, Gus­tavo Ge­ley, Alexandre Aksakof, Oliver Lodge, César Lombroso, etc. Suas teorias eram combatidas mais por preconceitos do que por falta de méritos científicos.

Em 1922, Charles Richet, apresentou em Paris o "Tratado de Metapsíquica", dividindo os fenômenos metapsíquicos em SUBJETIVOS e OBJETIVOS, que equivalem a PSI-GAMA e PSI-KAPA para a Parapsicologia.

A Parapsicologia teve sua origem no ano de 1930 com o Professor Joseph Banks Rhine, que dirigiu o primeiro laboratório de Parapsicolo­gia do mundo, na Duke University, em Carolina do Norte, Estados Unidos da América. Podemos considerar o Prof. Rhine como o pai da Parapsico­logia Moderna, que inicialmente estudou, com deta­lhes, a tele­patia e a clarividência. Em l940, após dez anos de estudos sérios, o Prof. Rhine, afirmou:

"O Homem pode perceber por outra via que não a dos sentidos físicos. Esta percepção extra-sensorial é ex­tra-física, e pode ser estudada em laboratório".

A Parapsicologia moderna, tem duas grandes escolas: ESCOLA DE RHINE, que aceita os fenômenos parapsicológicos como fenômenos extra-físicos; ESCOLA DE LEONID VASSILIEV (Escola Russa), que aceita os fenômenos paranormais como de natureza fisiológica (materiais, do corpo físico). Estas discrepâncias não invalidam nem prejudicam o desenvolvimento da Parapsicologia, que se processa com a mesma rapidez nos dois campos ideológicos. Assim, poderíamos dizer que a Parapsico­logia, estuda os fenômenos paranormais e discute a sua origem. De acordo com a Escola, a explicação poderia ser ou não simpática à idéia da sobrevivência espiritual do Homem. A controvérsia existe no campo parapsicoló­gico como em qualquer outro.


A História do Psi

PSI é uma letra grega, que foi escolhida por Weisner e Thoules para designar, do ponto de vista científico, os fenômenos para­normais. Era necessário dar a esses fenômenos uma designação livre de implica­ções interpretativas. O uso dos termos "fenômeno espiritual", "espiritóide", "metapsíquico", "hipnótico" seriam aceitos por uns e rejeitados por outros estudiosos, por este fato, escolheram o termo PSI, pois mostra que se trata de fenômeno paranormal, sem se definir entretanto qual a sua origem.

Os fenômenos PSI dividem-se em dois tipos aceitos por praticamente todos os parapsicólogos:

a) PSI-GAMA: ou os subjetivos de Richet, os efei­tos mentais como: telepatia, clarividência, clariaudiência, xenoglosia, etc.;

b) PSI-KAPA: ou os objetivos de Richet, os efeitos físicos, ação da mente so­bre a matéria: como levitação, transportes, desvios de pe­quenos corpos, etc.

Alguns parapsicólogos modernos aceitam uma terceira categoria de fenômenos paranormais:

c) PSI-TETA: fenômenos paranormais com interferência do "mundo dos mortos".


Os Fenômenos Psi-Gama


Os dois efeitos PSI-GAMA mais estudados pela Parapsicologia são: a clarividência e a telepatia.

Clarividência é a capacidade de ver a distância através de objetos. Foi o primeiro fenômeno paranormal estudado e comprovado pela Parapsicologia - por Rhine em 1940 - utilizando-se de um baralho (Cartas de ZENER). O paranormal "adivinhava" qual carta apareceria de uma forma estatisticamente significativa. A clarividência está aceita e comprovada por todos os parapsicólogos; o seu mecanismo que é discu­tido. Seria de origem física ou extra-física?

Telepatia é a capacidade de se comunicar a distância, sem o uso da fala. É a linguagem do pensamento. Tem sido fartamente estu­dada em todo mundo com vários interesses, inclusive astronáuticos e milita­res. É outro fenômeno aceito mundialmente, sendo discutido sua origem, se física ou extra-física (Escola de Rhine ou Escola de Vas­siliev).

Outro fenômeno estudado e aceito pela maioria dos parapsicólogos modernos é a Regressão de Memória; esta regressão poderá chegar a vida intra-uterina ou mesmo a vidas anteriores. Os primeiros estudos científicos são de Albert De Rochas, do Instituto Politécnico de Paris, usan­do o hipnotismo como método de regressão de memória. Rochas e outros de sua época, foram ridicularizados. A Parapsicologia moderna aceita e estuda profundamente a regressão de memória, alguns, inclu­sive, para vidas anteriores. Eis algumas teorias para explicar o fenômeno paranor­mal:

1 - Teoria Reencarnatória: o fenômeno seria mesmo a reprodução de outra vida.

2 - Teoria da Memória Genética ou Cromossômica: o sensitivo liberaria uma memória gravada em seus cromossomos, vivida por seus ancestrais.

3 - Teoria de liberação de Recalques: o sensitivo liberaria seus projetos e desejos recalcados. Existem ainda várias teorias tentando explicar a Regressão de Memória.


Os Fenômenos Psi-Kapa


Seriam os fenômenos paranormais evidenciados pelo efeito da mente sobre a matéria. São conhecidos desde a Antiguidade, como as benzeduras, etc. Para Rhine, o fenômeno Psi-Kapa ocorre sem qualquer fator intermediário entre a mente e a matéria: "A mente possui uma força capaz de agir sobre a matéria. Produz sobre o meio físico efei­tos inexplicáveis por meio de uma energia ainda desconhecida". Estes estudos tiveram início na Duke University, em 1934, utilizando-se de dados e de "gotas d'água" que eram manipulados pela mente, do paranor­mal. Para alguns outros parapsicólogos, para que a mente, possa agir sobre a maté­ria, existiria um agente intermediário, ectoplasma (nome criado por Charles Richet). Carington, Soal, Price, Thoules, Crawford, Herculano Pires e outros, aceitam a necessidade da interfe­rência do ectoplasma para que o fenômeno ocorra.


Os Fenômenos Psi-Teta


É o estudo dos fenômenos paranormais aceitando-se a interferên­cia de "pessoas mortas" para que o fenômeno ocorra. O grupo de pesqui­sadores dos fenômenos TETA também surgiu na Duke University, sob a di­reção do Prof. Pratt. Escolheram a oitava letra grega, TETA, pois tam­bém esta é a letra com que se escreve a palavra morte . O fenômeno PSI-TETA se revela, ou se mistura, com os outros dois tipos de fenôme­nos PSI. Assim temos:

a)TETA-PSI-GAMA, ou seja, clarividência com a participação de pessoas mortas, só assim tornando o fenômeno possível.

b)TETA-PSI-KAPA, ou seja, psicocinesia com a participação ou interferência de "mortos".


A Memória Extra Cerebral

O estudo da Memória Extra Cerebral (M.E.C.), termo criado pelo Prof. Hamendras Nat Barnejee, é a preocupação mais recente da Parapsi­cologia. Foi o Prof. Barnejee, na Universidade de Rajasthan, na cidade Jaipur, Índia, quem primeiro fez estes estudos cientificamente . Até l985, quando faleceu, este eminente pesquisador tinha em seu fichá­rio aproximadamente 2.000 casos de comprovação de recordação de vidas pas­sadas. A recordação de vidas anteriores, ou seja, o es­tudo da M.E.C., pode se dar pela recordação espontânea das reencar­nações ante­riores (Método utilizado por Barnejee, Stevenson, Hernani Guimarães de An­drade, etc) ou pelo uso do hipnotismo (Rochas, Raikov, Júlia Prieto Peres, etc).

O estudo da M. E. C. mostra o quanto o estudo da Parapsicologia tem crescido no sentido da verdade da sobrevivência do Homem. A po­sição Espírita, tão rejeitada pela Ciência, é a mesma adotada pela Ciência na atualidade. A reencarnação passa a ser assunto de cientis­tas e de universidades.


Conclusão


Como vimos, o estudo da Parapsicologia caminha a passos largos para explicar, cientificamente, o que o Espiritismo afirma há mais de um século. Para os parapsicólogos, o Espiritismo representa uma fase anti­ga e superada no trato com o paranormal. Para o Espiritismo, a Pa­rapsicologia representa esforço científico para a explicação dos fenô­menos espíritas, louvável esforço que fará os homens da Ciência compreende­rem a verdade do Espiritismo, dando-lhes uma visão mais bela e mais am­pla da vida universal, como afirma Herculano Pires.

Finalizamos com as palavras do codificador da Doutrina Espí­rita, Allan Kardec, considerado por muitos estudiosos dos fenômenos paranormais, como um dos mais eminentes parapsicólogos:

"Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humani­dade."

 


BIBLIOGRAFIA

1) O Livro dos Médiuns - Allan Kardec

2) Parapsicologia Experimental - Hernani Guimarães Andrade

3) Médium, Quem é e quem não é - Demétrio Pável

4) Diversidade dos Carismas - Hermínio Miranda

5) Parapsicologia Hoje e Amanhã - J. Herculano Pires

6) Enfoques Científicos na Doutrina Espírita - Jorge Andréa


Fonte:
Instituto de Difusão Espírita de Juiz de Fora-MG

http://www.cvdee.org.br/em/em24.doc




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