Vitor Ronaldo Costa

>    "Abertura dos Chacras" : análise à luz dos conhecimentos espíritas

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Vitor Ronaldo Costa
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“–– Irmã Clara - informou o Ministro, igualmente enlevado - já atingiu o total equilíbrio dos centros de força que irradiam ondulações luminosas e distintas.”
André Luiz / F.C.Xavier, Entre a Terra e o Céu, cap. XXIII - FEB

 

Antes de relatarmos um fato seria oportuno relembrar a importância da obra Kardequiana e acessória, riquíssimas de informações a respeito do intercâmbio com os espíritos e as conseqüências morais advindas deste relacionamento, de forma a atender aos anseios da razão e dos sentimentos.

A Doutrina Espírita, na qualidade de revelação consoladora, preenche as lacunas do intelecto ávido de cultura, amplia os horizontes da razão amadurecida e contribui definitivamente para o desenvolvimento da fé raciocinada, livre de dogmas e temores infundados. A principal característica do Espiritismo implica no fato de ter sido codificado por Allan Kardec com o concurso direto dos bons espíritos, aí residindo o diferencial com as demais doutrinas e religiões conhecidas.

O testemunho autêntico daqueles que nos antecederam na grande viagem, sem dúvida, é o grande trunfo do Espiritismo, já que as informações mediúnicas continuam acontecendo e motivando-nos ao exercício das responsabilidades assumidas no sentido de concretizar os ideais evolutivos. Pois bem, vamos ao fato. Certa feita, durante o intervalo de interessante seminário espírita, conversávamos animadamente sobre os temas ali desenvolvidos, quando um dos interlocutores, aproveitando uma deixa, revelou-se conhecedor do hinduísmo e dos preceitos védicos. Citou inúmeras pérolas do acervo religioso oriental e defendeu ardentemente o desenvolvimento dos chacras, mormente o "genésico", por meio de práticas externas, como necessidade de se atingir a plenitude espiritual ainda no transcurso da existência terrena.

Lembrei-me no decorrer da conversa que, vez por outra, encontramos na imprensa, propagandas de cursos e vivências voltados para a "abertura dos chacras" por meio de práticas exaustivas e complexas, pelo menos, para o modelo de vida ocidental. No que pese a desenvoltura demonstrada pelo companheiro afinizado com a cultura oriental, notamos da parte dele um certo desinteresse pelo cultivo do aprendizado espírita no seu todo, especialmente, o relacionado com as informações educativas contidas no "Evangelho Segundo o Espiritismo".

Tal detalhe, em princípio, não nos impressionou, pois já estamos acostumados a lidar com os cultores do intelectualismo científico e, que de antemão, consideram a doutrina ultrapassada, desvalorizando os seus aspectos filosóficos e religiosos. Habitualmente definem posturas insensatas a favor do laicismo, ou seja, de um Espiritismo sem o Cristo. Ao nosso ver, essa opção radical é completamente equivocada, pois rompe as ligações entre os pilares de sustentação do Espiritismo, atrofiando o seu conceito amplo de modo a torná-lo enfraquecido pela ausência do estímulo auto-transformador. Aliás, a questão da reforma íntima tem sido refutada por tais indivíduos, pelo fato de constituir-se um objetivo bem mais difícil de ser alcançado, vez que implica no esforço de crescimento vertical do ser, resolução nem sempre fácil de ser efetivada. É sabidamente mais cômodo para os que se julgam acima dos postulados codificadores, dar asas ao intelectualismo vazio e sem objetivo dignificante.

A esperança de evoluir espiritualmente por meio de práticas exteriores, a exemplo do uso de determinados cristais, exercícios de "abertura" dos chacras e repetição de palavras cabalísticas, a bem da verdade, não resultam em progresso moral para o ser, haja vista, o alerta do Mestre Nazareno, ressaltando a necessidade inadiável de nos submetermos aos preceitos evangélicos do amor incondicional e do perdão aos semelhantes.

Reconhecemos, no entanto, que praticar a solidariedade, o respeito ao próximo, a compreensão entre familiares e a simplicidade de atitudes são detalhes por demais elaborados para as nossas almas ainda pouco afinadas com o bem. O esforço pessoal no sentido de melhorar procedimentos comportamentais, para uns, torna-se uma iniciativa bem mais desafiadora do que recitar mecanicamente versículos em sânscrito, praticar rituais purificadores, bem como, forçar por antecipação a "abertura" dos vórtices energéticos.

As práticas orientalistas servem aos anseios evolutivos daqueles que se encontram reencarnados no Oriente, pois admitimos que tudo esteja subordinado ao Poder Maior e, que, portanto, obedeça a determinada gradação de valores e de experiências a serem colhidas no decorrer das vidas sucessivas.

A civilização ocidental, em princípio, é oriunda do velho Oriente, logo trás na sua memória espiritual a cultura mística adquirida em vivências pretéritas. É preciso que se entenda existir motivos espirituais suficientes para que estejamos situados, no momento, em um país ocidental, da mesma maneira que se deve compreender a sutil atração que sentimos pelos preceitos da boa-nova, como conseqüência natural de nossa iniciação religiosa anterior.

O acervo orientalista adquirido outrora teve importância inquestionável num determinado instante da nossa romagem evolutiva, pois nos permitiu definir posições espiritualistas, tornando-nos mais receptivos, por exemplo, à aceitação das verdades espíritas no momento presente. No passado, lá no Oriente, desenvolvemos qualidades mentais e certas percepções extrasensoriais; porém, nos dias de hoje, aqui no Ocidente, carecemos melhor trabalhar as possibilidades latentes da mediunidade-tarefa e de nos afinizarmos com a prática do bem, de modo a permitir que o circuito evolutivo se complete e defina o esforço da reforma íntima.

Relembrar os avatares que abrilhantaram a existência terrena com ensinamentos eternos, tem um sentido especial para as nossas almas, pois reflete a gratidão pelo muito que aprendemos com eles no passado. Em verdade, foram aquisições básicas para o contato posterior com a moral evangélica exposta de modo claro na codificação espírita.

Agora, enfrentamos a época da separação do joio e do trigo e nos colocamos diante de desafios bem mais expressivos, a exemplo daqueles voltados para o desabrochar das qualidades morais. Só através da vivência amorável concretizaremos na crosta a paz tão sonhada por todos.

Por isso, antes de cogitar do desenvolvimento aleatório dos "centros de força", que o discípulo se decida pelo urgente desabrochar dos sentimentos afetivos, pois a auto-iluminação verdadeira brota na intimidade do ser, ou seja, mobiliza-se de dentro para fora à medida que ele se desvencilha do egoísmo, da vaidade e da inveja.

A melhor maneira de se desenvolver espontaneamente os chacras é buscar com todas as forças da alma o amadurecimento do senso de moralidade pela vivência do bem, caso contrário, a tentativa apressada poderá resultar em decepção e desequilíbrio energético, por conta da ausência do suporte moral.

 

 

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