Espiritualidade e Sociedade



Renato Costa

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PARTE 1

INTRODUÇÃO

Liberdade, liberdade! Sofrida invocação que, ao longo dos milênios, saiu da boca de tantos perseguidos, escravizados e dominados por forças que lhes eram estranhas ou por aquelas que deles mesmos provinham em decorrência de sua insânia ou insensatez. Invocada que foi por pobres e ricos, fracos e poderosos, seres de raças claras ou escuras, pronunciada pela boca do homem, da mulher e da criança, ainda assim, tão poucas vezes foi-lhe captada a verdadeira expressão.

O que é essa liberdade tão decantada em prosa e verso, estandarte das mais diversas lutas e inesgotável combustível de paixões que se cristalizam por vidas sem fim no coração dos homens?

A Liberdade é Lei Divina que se expressa em cada estágio de nossa evolução sob um aspecto diferente.

As condições a que o Espírito é submetido ao encarnar e ao longo de uma vida, seja a saúde física, seja a família e a sociedade onde nasce, seja sua cor, sua raça ou seu sexo, são todas decorrentes do sábio critério da Justiça Divina que lhe oferece sempre as condições mais adequadas à sua evolução espiritual e ao resgate das dívidas por ele contraídas com a harmonia cósmica. Cada uma dessas condições se irá expressar, desde o nascimento, como um maior ou menor grau de limitação à liberdade do indivíduo.

O Capítulo X da Parte 3a de O Livro dos Espíritos contém, nas questões 825 a 872, as diversas indagações que o espírito humano se tem colocado ao longo do tempo com respeito à Lei da Liberdade, as respostas que os nobres Espíritos da falange do Espírito da Verdade, nosso Mestre Jesus, deram a essas questões e os comentários inspirados que dedicou a esse tema o Codificador.

Por enfoque didático, achamos por bem abordar os aspectos da Lei da Liberdade, classificando-os de acordo com aquele componente do Espírito encarnado com que ele mais se identifica no estágio de evolução no qual se encontra. Assim sendo, passaremos a comentar, em seqüência, a Liberdade Física, a Liberdade Mental e a Liberdade Espiritual.

PARTE 2

A LIBERDADE FÍSICA

A Liberdade de Movimento

A mais primitiva de todas as formas de liberdade é a liberdade de movimento físico. A Liberdade de Movimento a que pode o ser humano aspirar é aquela que lhe permite a constituição física e os meios de locomoção dos quais se possa utilizar.

Ao ser humano primitivo era dada a liberdade de se deslocar no plano em todas as direções e de elevar-se ou aprofundar-se em relação ao solo, desde que tivesse um solo firme sob seus pés. Observando a natureza, logrou cedo expandir sua liberdade de movimento, aprendendo a nadar. Desde então, encantado com a liberdade que lhe acenava o vôo das aves, sonhou por vários milênios em poder deslocar-se pelos ares, passando pelos mais diversos inventos que lhe possibilitaram experimentar em crescente intensidade a sensação máxima de liberdade de movimento a que um ser vivo pode almejar nas dimensões físicas do chamado mundo “objetivo”.

No entanto, sempre que galgado a um grau maior de liberdade de movimento, jamais se apercebeu da preciosa jóia que se lhe havia sido depositada nas mãos. Pelo contrário, como ocorre com tudo mais que a natureza dá, sem cobrar seu preço, o ser humano somente se dava conta da liberdade em seu poder quando, por uma ou outra razão, a mesma lhe era constrangida.

Estão submetidos ao constrangimento da liberdade física aqueles que infringiram as regras de convívio social, aqueles que ofenderam com atos ou idéias às leis ou aos fortes de uma sociedade ou, ainda, aqueles que a doença ou os defeitos congênitos privaram de locomoção.

Há que se considerar, finalmente, o constrangimento parcial da Liberdade de Movimento a que o ser humano possa estar submetido em função da classe social à qual pertence e ao poder aquisitivo que possui, fatores que lhe limitarão o acesso a determinados locais de lazer ou instrução e o uso de tal ou qual meio de transporte capaz de levá-lo aonde seus próprios meios de locomoção não conseguem transportar.

O ser humano pode ser privado plena ou parcialmente de sua liberdade física em qualquer estágio de sua evolução. O estágio em que ele se achar, no entanto, irá determinar os efeitos físicos e morais que tal provação lhe irá acarretar.

Ninguém é capaz de menosprezar o horror que deve ser estar anos a fio enjaulado em sórdida, escura e úmida prisão, acorrentado a uma parede ou preso pela imobilidade biológica em uma cama ou cadeira. No entanto, se há quem saia de tal confinamento encharcado de ódio e desejo de vingança, há, também, os que dali saem aniquilados, verdadeiros trapos humanos, com a vontade destruída e desprovidos da vontade de viver. Outros, finalmente, em estágio mais avançado de evolução, produzem exemplos admiráveis, transformando-se em ícones de coragem, dignidade e força de vontade.

Para mostrarmos que a perda da liberdade física pouco afeta o Espírito evoluído que a ela é submetido, traremos apenas dois testemunhos deste século, vivos e ativos: Nelson Mandela, o respeitado presidente da África do Sul, a provar que os muitos anos em que esteve preso não incutiram nele qualquer desejo de vingança ou revanche contra aqueles que o prenderam ou motivaram sua prisão. E o genial Stephen Hawking, um dos mais brilhantes físicos teóricos do século XX, que, apesar de acometido da mais cruel doença degenerativa, que poderia tê-lo levado cedo ao desencanto e à rejeição à vida, logrou tornar-se um cientista brilhante, respeitado por toda a comunidade científica e um pensador de calibre, profundamente espiritualizado, como se vê pela sua maneira de enfrentar a doença e de se relacionar com as pessoas, apesar de assumir uma postura agnóstica declarada.

A Liberdade de Ação

Satisfeita sua condição primária de liberdade ao nível físico, enseja o homem vê-la atendida no nível imediatamente superior, qual seja, o da Liberdade de Ação.

Dado que o ser humano possa se movimentar, é esperado que ele passe a agir em relação ao ambiente que o rodeia. Suas ações, em cada instante, serão testemunho inequívoco do bom ou do mau uso que fizer do livre arbítrio ainda incipiente que possui, comprometendo-lhe o Espírito com a inevitável colheita do que houver plantado.

A Liberdade de Ação é aquela pela qual o ser humano mais se debate, é aquela que ele mais discute. No entanto, dentre todas, é ela a mais tolhida.

São três os tolhimentos da liberdade de ação a que pode estar submetido o ser humano. Dois são explícitos, evidentes: a escravidão e a submissão de um povo por um outro. O maior de todos, entretanto, e o único, a um tempo universal e que sempre existirá, é aquele que existe como decorrência natural do convívio social.

A Escravidão:

Os Espíritos foram bem enfáticos, nas respostas às questões 829 a 832, quanto à escravidão, afirmando ser “contrária à lei de Deus toda sujeição absoluta de um homem a outro homem”. A escravidão é aberração contrária às leis naturais e não tem atenuante que a justifique.

Perguntados os Espíritos, na questão 832 do L.E., quanto aos homens que tratam bem os seus escravos, disseram os sábios instrutores de Kardec:

“Digo que esses compreendem melhor os seus interesses. Igual cuidado dispensam aos seus bois e cavalos, para que obtenham bom preço no mercado. Não são tão culpados como os que maltratam os escravos, mas, nem por isso deixam de dispor deles como uma mercadoria, privando-os do direito de se pertencerem a si mesmos”.

Como disseram os Espíritos na resposta à questão 829, a escravidão “desaparece com o progresso, como gradativamente desaparecerão todos os abusos”. É triste, no entanto, constatarmos a sobrevivência de tantos focos de escravidão, apesar de hoje restritos ao trabalho forçado em troca de comida e moradia, como ocorre na agricultura, na indústria e na exploração sexual.

A Submissão de um Povo:

De forma semelhante ao escravo, o ser humano pertencente a um povo que se encontra sob o domínio de outro também se acha desprovido da plena liberdade de ação de que julgaria gozar se seu povo fosse “livre”. Geralmente, são-lhe barrados o acesso a locais de lazer reservados aos dominadores e aos caminhos de ascensão social. Mesmo não sendo a regra, como no caso do escravo, o dominado pode ainda ser forçado a trabalhar para o proveito do dominador.

Toda forma de dominação entre povos ou raças é insensata e injustificada. Mais cruel, no entanto, parece ser aquela que sujeita a raça mais evoluída a outra que lhe sucede o passo, como vemos, com profundo pesar, ocorrendo com a milenar e espiritualizada cultura Tibetana.

O Convívio Social:

Existe, finalmente, o tolhimento da liberdade de ação que decorre de forma natural do convívio social, conforme vemos na pergunta 826 do L.E.:

“Em que condições poderia o homem gozar de absoluta liberdade?”

Respondem os Espíritos:

“Nas do eremita no deserto. Desde que juntos dois homens, há entre eles direitos recíprocos que lhes cumpre respeitar; não mais, portanto, qualquer deles goza de liberdade absoluta”.

Em conformidade com as regras de cada sociedade, o indivíduo fruirá de maior ou menor liberdade de ação conforme a posição que ocupa na escala social. Aos poderosos tudo lhes parecerá possível, ao passo que os mais fracos se acharão restritos a um maior ou menor leque de opções, conforme maior ou menor seja o avanço moral da organização social à qual pertencem.

Ao longo dos séculos, as diferenças de oportunidades no meio social foram um dos grandes motores das emigrações dos centros de poder para as periferias, beneficiando o desenvolvimento global do planeta, em diferentes tempos, com a latinização da Europa no apogeu do Império Romano e, nos séculos mais próximos, com a colonização européia das Américas.

Ainda com respeito às diferenças de oportunidades existentes no meio social, não há como deixarmos de comentar que elas jamais foram entrave aos Espíritos dotados de força de vontade e determinação. Tanto dentre aqueles voltados para o bem quanto entre aqueles voltados para o mal, a história está repleta de exemplos de seres nascidos em lares humildes que, com sua liberdade de ação aparentemente tolhida, lograram deixar seu nome inscrito com destaque na memória dos povos pelas grandes transformações políticas ou morais que lograram engendrar.

A inexorável marcha para frente que executa a Humanidade nos faz prever com segurança uma sociedade do futuro, moralmente evoluída, onde as poucas diferenças de poder serão aquelas conseqüentes do adiantamento moral e intelectual de cada um. Da mesma forma, os constrangimentos sociais passarão a ser mínimos, pautados unicamente pela regra de respeito mútuo que a milenar sabedoria espiritual preconiza: “Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti”.

PARTE 3

A LIBERDADE MENTAL

A Liberdade de Pensar

Ao contrário do que ocorre com a liberdade física, não há quem possa tolher a outrem a liberdade de pensar. Reportemo-nos à questão 833 de O Livro dos Espíritos:

“Haverá no homem alguma coisa que escape a todo constrangimento e pela qual goze de absoluta liberdade?”

“No pensamento goza o homem de ilimitada liberdade, pois não há como pôr-lhe peias. Pode-se-lhe deter o vôo, porém, não aniquilá-lo”.

A ilimitada liberdade de pensamento de que goza o Espírito é uma formidável ferramenta com que ele forjará a qualidade de sua vida tanto no mundo material quanto de volta à pátria espiritual.

Longe de ser para todos, no entanto, bálsamo seguro a lhes minorar os sofrimentos e conduzir à inalterável harmonia, essa ilimitada liberdade de pensamento constitui para muitos, ainda atrasados no caminho evolutivo, força terrível a lhes causar as maiores atribulações.

Pensamentos levianos e viciosos geram doenças psíquicas de maior ou menor gravidade, podendo, até mesmo, apresentar graves reflexos no organismo físico. Entre as doenças puramente psíquicas, arrolam-se as mais diversas formas de loucura e alienação mental, contando geralmente com o concurso catalisador de entidades infelizes em busca de vingança. Entre aquelas que se constituem reflexos psíquicos sobre o organismo físico, temos as úlceras, as cardiopatias, os acidentes vasculares cerebrais e as diversas formas de tumores malignos que tanto atormentam a Humanidade.

Além dos males que o livre pensamento possa causar ao próprio indivíduo inconseqüente, há, ainda, todos aqueles que ele poderá fazer a outrem. As projeções mentais que o indivíduo atira contra seus semelhantes, tanto as que se limitam à emanação energética negativa como aquelas que se traduzem em ações físicas subseqüentes, são arma temível a distribuir sofrimentos e a construir ligações cármicas negativas que só os séculos lograrão anular.

Ilimitada em seu campo de ação, a mente é qual cavalo bravio a disparar pensamentos em qualquer direção e, como tal, deve ser conduzida com maestria pelo Espírito, para que engendre, tão somente, pensamentos salutares. Controlados dessa forma os pensamentos, serão eles os responsáveis pela evolução do Espírito e não pelo seu maior endividamento com a Lei.

A Liberdade de Expressão da Consciência

A consciência do ser humano é o conjunto de princípios éticos que acumulou ao longo de suas vidas, sendo particularmente enfatizados aqueles decorrentes de sua formação na vida em curso. Influem, portanto, na formação da consciência, os fatores família, escola, sociedade e meios de comunicação, que irão alterar, em maior ou menor grau, para melhor ou para pior, os princípios que o Espírito houver trazido de suas vidas pregressas.

Todas as ações que o ser humano desempenha ou deseja fazê-lo em uma vida são, portanto, aquelas que sua consciência lhe permite fazer. É a consciência que dirige o livre-arbítrio. Enquanto este lhe aponta o que ele pode fazer, aquela lhe indica o que lhe convém.

Se, como já vimos, impossível é tolher a liberdade do pensamento, o mesmo não se dá com a liberdade de expressão da consciência.

Ao longo da evolução do Planeta, tem a Humanidade testemunhado as mais diversas formas de tolhimento da liberdade de expressão da consciência.

No contexto cultural, é negada a palavra à mulher e o direito de voto ao humilde ou de raça outra que a dominante. No contexto religioso, os que pensam de forma diversa daquela como pensa a hierarquia religiosa encastelada no poder são perseguidos e torturados, a não ser que abjurem suas idéias. No campo político, ideológico, tantos são perseguidos, torturados e mortos por não compartilharem das idéias das classes dirigentes.

Os constrangimentos à liberdade de expressão da consciência acima relatados não estão todos, infelizmente, enterrados na História como seria de esperar, sobrevivendo em algumas sociedades em pleno limiar do século XXI, quer como produto de interpretações equivocadas de sagradas escrituras quanto como conseqüência de instituições políticas arcaicas e totalitárias que permanecem em países socialmente atrasados como resultado de uma geopolítica global nefasta exercida pelos governantes das nações poderosas do planeta.

Acompanhando o decorrer dos séculos, foi o tolhimento à liberdade de expressão da consciência, junto com o tolhimento à liberdade de ação, os dois grandes responsáveis pelas correntes migratórias que em tempos idos expandiram a latinidade e que, mais tarde, colonizaram a América, fazendo dos Estados Unidos, em particular, a grande superpotência que hoje é.

Quando falamos em liberdade de expressão da consciência, não dá para ignorarmos nossos irmãos do norte. Em uma nação a cujo povo tantos defeitos e virtudes se costuma atribuir, uma virtude sobressai, altaneira e bela: é um povo que ama a liberdade de expressão, ao ponto de ter entre seus símbolos máximos a estátua que lhe leva o nome, a Estátua da Liberdade.

Com o advento da Internet e, mais particularmente, da Internet grátis, pode-se dizer, sem medo de errar, que a Liberdade de Expressão da Consciência veio alcançar patamar nunca imaginado nesse limiar do século XXI.

Qualquer cidadão pode colocar suas idéias diante de um público universal, a um custo irrisório, sem qualquer espécie de censura. Se, por um lado, tal Liberdade de Expressão da Consciência permitiu a divulgação de pornografia, de idéias racistas e de muita banalidade, por outro, é inegável o quanto tem ajudado na difusão da cultura, da ciência e da espiritualidade.

Efeito da Mente Sobre o Corpo

Há de se observar neste instante que se, por um lado, o constrangimento à liberdade física, por si só, não logra afetar a liberdade mental, o recíproco não é verdadeiro.

O tolhimento à liberdade mental, seja por motivo de saúde, seja por motivo de censura à livre expressão da consciência, tem efeito imediato na liberdade física, uma vez que, sendo a mente quem determina as ações do corpo, também lhe determina os movimentos.

A Liberdade de Pensamento na Dimensão Espiritual

Os amigos espirituais têm trazido até nós o testemunho da existência das mais diversas formas de criações mentais na dimensão espiritual, indo desde as mais belas construções que jamais pôde conceber o espírito humano até os mais deprimentes e sórdidos guetos e campos de tortura que se possa imaginar. Nas dimensões espirituais, não havendo matéria, não tem o Espírito a necessidade de usar mãos nem ferramentas, bastando projetar seu pensamento, consciente ou inconscientemente, para que a forma comece a ser percebida por ele e por aqueles que lhe compartilham a faixa vibratória com as características plásticas que lhe imprime. É dessa forma, aliás, que os Espíritos mais desenvolvidos, conhecedores das propriedades plásticas esperadas das construções mentais das faixas vibratórias inferiores, conseguem construir “perigosas” armas para manter afastados Espíritos perturbadores, sempre que necessário. E é dessa forma que cada Espírito ao desencarnar constrói para si o céu ou o inferno de acordo com a faixa vibracional do pensamento que emite.

PARTE 4

A LIBERDADE ESPIRITUAL

O Livre Arbítrio

Após passar pelos diversos estágios na longa caminhada que empreende para chegar de átomo a arcanjo, a criatura chega ao reino hominal, dotada de consciência e armada com a poderosa ferramenta do livre arbítrio. Essa ferramenta poderosa, que lhe é dada, permitir-lhe-á interferir em sua caminhada, tornando o percurso mais rápido e seguro ou mais tortuoso e demorado, em conformidade com as ações que empreender, sempre sujeitas à lei da causalidade.

O livre arbítrio de que goza o ser humano, portanto, não é total. Se, por um lado, ele pode escolher a cada tempo qual ação irá fazer, por outro, não lhe é permitido escolher qual a conseqüência que a ação empreendida irá ter em sua caminhada.

Ao contrário do que ocorre com os demais graus de liberdade, portanto, não são apenas fatores externos que tolhem a liberdade espiritual do ser humano, senão também seu próprio grau de evolução.

O Constrangimento Espiritual

É farta a boa literatura espírita sobre o constrangimento espiritual, mais conhecido sob o nome de Obsessão.

Esta forma de constrangimento espiritual é das mais sérias, sobretudo tendo em vista o estágio ainda predominantemente materialista das ciências médicas.

Devemos ter em mente que, da mesma forma que o constrangimento mental pode levar ao constrangimento físico, o constrangimento espiritual pode levar não só ao mental como, também, ao físico.

O evangelista Mateus relata como Jesus restitui a saúde física a dois endemoninhados.

“Logo que se foram, apresentaram-lhe um mudo, possuído do demônio. O demônio foi expulso, o mudo falou e a multidão exclamava com admiração: ‘Jamais se viu algo semelhante em Israel.’” (Mt 9: 32-33)

“Apresentaram-lhe, depois, um possesso cego e mudo. Jesus o curou de tal modo que este falava e via.” (Mt. 12:22)

Como Atingir a Liberdade Espiritual

Como atingiremos, pois, a Liberdade Espiritual, aquela que nos irá permitir a evolução do livre arbítrio?

Em determinada ocasião, estando nosso Mestre Jesus a ensinar no templo e, após muitos ali presentes terem crido Nele, Ele ensinou:

“Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus verdadeiros discípulos; conhecereis a verdade, e a verdade vos livrará” (ô:8-31-32).

E quem é discípulo de um Mestre senão aquele que se esforça por fazer tudo o que seu Mestre lhe ensinou com suas palavras e seu exemplo?

Para entendermos o que significa ser um discípulo de Jesus, socorramo-nos da sabedoria de Emmanuel, na psicografia abençoada de Chico Xavier em “Palavras de Vida Eterna”:

“Glorificarás o Senhor Supremo e serás discípulo do Grande Mestre...
Contudo, não apenas porque te mostres entendido nas Divinas Escrituras...
Não somente por guardares de cor as tradições dos antepassados...
Não somente por te sustentares assíduo no culto externo...
Não apenas pelo reconforto recebido de mensageiros da Vida Superior...
Não somente por escreveres páginas brilhantes...
Não apenas porque possuas dons espirituais...
Não somente porque demonstres alevantadas aspirações...
A palavra do Evangelho é insofismável.
Glorifiquemos a Deus e converter-nos-emos em discípulos do Cristo, produzindo frutos de paz e aperfeiçoamento, regeneração e progresso, luz e misericórdia.
A semente infecunda, por mais nobre, é esperança cadaverizada no seio da terra
Assim também, por mais ardente, a fé que não se exprime em obras de educação e de amor, redenção e bondade, é talento morto.
Se te fazes seguidor de Jesus, segue-lhe os passos.
Ajuda, ampara, consola, instrui, edifica e serve sempre”.

Livre, Afinal

Elevando-se à condição de discípulo do Cristo, o ser humano não mais se deixa dominar pelas paixões inferiores, não mais se apega ao transitório, não mais magoa a vida, nem desrespeita as leis da natureza. Tendo galgado à perfeição máxima possível em nosso orbe planetário, não mais precisará encarnar na Terra, fazendo-o somente na condição de mensageiro do Divino Mestre.

Ao contrário do que até então lhe acontecia, não mais é submetido à lei da causalidade, podendo utilizar todo mérito que acumular pelas suas ações sempre positivas em benefício de seus semelhantes. Constitui tal feito a evolução do livre arbítrio, não mais limitado às ações, mas aplicável, também, às suas conseqüências.

 
PARTE 5

CONCLUSÃO

Enquanto o ser humano permanecer apegado às sensações físicas e preso à matéria procurará ele, inutilmente, encontrar a Liberdade no seu exterior: na indulgência do juiz, na tolerância do poderoso que a sua temeridade fez desafiar, na expressão do pensamento que lhe outorga a democracia, na igualdade de direitos prometida pelo socialismo, na cura da doença que o oprime.

No entanto, somente quando despertar para a Verdade, tornando-se discípulo de Jesus, logrará ele obter a verdadeira liberdade, a Liberdade Espiritual. E uma vez alcançada, essa Liberdade ninguém, jamais, dele conseguirá retirar.

(Estudo originalmente apresentado no Centro Espírita Titino Pires, Leopoldina, MG, em 8/9/2000)

Bibliografia

A Grande Síntese, psicografia de Pietro Ubaldi. Instituto Pietro Ubaldi, 20a. ed., Campos dos Goitacazes, 1999.

Bíblia Sagrada, tradução dos originais mediante a versão dos Monges de Maredsous (Bélgica). Editora Ave-Maria, Ltda., 12a. ed., São Paulo, 1997.

O Livro dos Espíritos, Allan Kardec. FEB, 77 ed., Rio de Janeiro, 1997

Painéis da Obsessão, Manoel P. de Miranda (Espírito), psicografia de Divaldo Pereira Franco, LEAL, 5a. ed., Salvador, 1994.

Palavras de Vida Eterna, Emmanuel (Espírito), psicografia de Francisco Cândido Xavier. CEC, 26a. ed., Uberaba, 1999.

Fonte: http://www.ieja.org/portugues/Estudos/Artigos/p_liberdade.doc

 


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