José Marcelo Gonçalves Coelho

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O Dicionário Aurélio, da Língua Portuguesa, define paixão como sendo “um sentimento levado a um alto grau de intensidade que se sobrepõe à lucidez e à razão”.

Poderíamos, diante de tal definição, depreender, equivocadamente, que seria a paixão um sentimento indesejável, justamente por se sobrepor à lucidez e à razão, e, portanto, ao bom senso.

Entretanto, a questão 908, de O Livro dos Espíritos, nos afirma que as paixões, em si mesmas, não são más, porque estão na natureza e são verdadeiras alavancas que nos impulsionam na consecução dos objetivos da Providência, e, por conseqüência, de nossa evolução espiritual.

Mas as paixões também podem se tornar fatores nocivos ao nosso crescimento espiritual, no momento em que deixamos de governá-las, perdendo o controle sobre elas, conforme nos assevera aquela mesma questão.

E as paixões desgovernadas têm sido a fonte de muitos males que afligem a humanidade, notadamente neste planeta de provas e expiações. Certamente são muitas as vezes em que temos ouvido falar nos chamados crimes passionais, cometidos por aqueles que diziam amar profundamente seus compares, os quais, por algum motivo, transformaram-se em suas vítimas. A justificativa que normalmente se dá é que “mataram por amor”. Ora, mata-se por uma infinidade de razões; jamais por amor, pois esse é o sentimento mais sublime que nos é possível conquistar em nossas trajetórias terrestres.

Pesquisas científicas hodiernas têm nos prestado grandes contribuições para a compreensão de determinados sentimentos que se confundem diariamente em meio ao relacionamento humano, como a paixão e o amor.

Os médicos Donald F. Klein e Michael Lebowitz, pesquisadores do Instituto Psiquiátrico Estadual de Nova Iorque, ao estudarem os cérebros de algumas pessoas apaixonadas, deduziram que eles continham grandes quantidades de feniletilamina, que responderiam, em grande parte, pelas sensações e modificações fisiológicas que experimentamos quando estamos apaixonados.

À semelhante conclusão chegou a Dra. Cindy Hazan, pesquisadora e professora da Universidade Cornell de Nova Iorque.

Após entrevistar e testar 5.000 pessoas de 37 culturas diferentes, descobriu que a paixão possui um certo "tempo de vida", que varia de 18 a 30 meses, ou seja, de 1 ano e meio a 2 anos e meio. Verificou, ainda, que, nos estados de paixão, o cérebro apresenta significativos níveis de dopamina, norepinefrina, feniletilamina, além da ocitocina, que são elementos desencadeantes da inconstância, da insônia, da perda de apetite, da euforia e da exaltação, reações constantemente observadas no comportamento dos apaixonados.

Concluiu que, com o tempo, o organismo vai se tornando resistente aos efeitos daquelas substâncias, fazendo com que os sintomas arrebatadores das paixões se desvaneçam gradativamente. Verificou, ainda, que as relações baseadas unicamente na empolgação, no entusiasmo, não conseguiam resistir às dificuldades mais comuns, inerentes a uma vida a dois. Nesse momento, então, o casal vê-se diante de um conflito: separam-se ou se habituam às manifestações mais brandas do amor, como o companheirismo, o afeto, a cumplicidade e a tolerância, permanecendo juntos em busca da construção de um sentimento mais sólido, principalmente quando há filhos envolvidos.

Tais pesquisas nos oferecem interessantes subsídios que nos permitem diferenciar sentimentos transitórios, e meramente físicos, dos sentimentos mais profundos que temos vivenciado em menor escala, estando, destarte, em plena consonância com o que versa a Doutrina Espírita sob o tema.

É o que se observa claramente no ensinamento proferido pelos espíritos à questão 939, ora transcrito:

 

Duas espécies há de afeição: a do corpo e a da alma, acontecendo muito freqüentemente tomar-se uma pela outra. Quando pura e simpática, a afeição da alma é duradoura; efêmera a do corpo. Daí vem que, muitas vezes, os que julgavam amar-se com eterno amor passam a odiar-se, desde que a ilusão se desfaça.”

Maravilhosamente atuais, portanto, são as orientações dos espíritos, justamente por nos fazerem compreender que as paixões são elementos de grande importância em nossas vidas, quando canalizadas para nosso crescimento espiritual e respaldadas por uma certa dose de ponderação.

Chegamos, finalmente, à conclusão de que, a finalidade de nossas constantes presenças nos círculos carnais, é, sem dúvida alguma, sublimar todas as nossas paixões, transformando-as, lenta e gradualmente, em atos do mais verdadeiro, puro e incondicional amor, o que se traduz, em última análise, por reforma íntima.





Fonte: O Mensageiro
http://www.omensageiro.com.br/artigos/artigo-187.htm

 

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