Investigando o desconhecido: filosofia da ciência e investigação
de fenômenos “anômalos” na psiquiatria
Silvio Seno Chibeni
- Professor livre-docente do Departamento de Filosofia do Instituto
de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp)
Alexander Moreira-Almeida
- Professor-adjunto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade
Federal de Juiz de Fora (UFJF) e diretor do Núcleo de Pesquisas
em Espiritualidade e Saúde (Nupes) da UFJF
Resumo
Contexto: A investigação de áreas controversas,
como a das relações entre espiritualidade e saúde,
levanta uma série de questões sobre a prática científica
que, se ignoradas, podem comprometer o desenvolvimento adequado das
pesquisas.
Objetivos: Apresentar brevemente alguns temas de filosofia
da ciência que podem contribuir na investigação
de aspectos pouco explorados da realidade.
Métodos: Com base na descrição
simplificada dos conceitos de paradigma, ciência normal e revolução
científica, descritos por Thomas Kuhn, são propostos alguns
critérios de avaliação de hipóteses científicas
e algumas diretrizes epistemológicas para a exploração
científica de novas áreas.
Resultados: A investigação científica
deve se basear em hipóteses falseáveis, abrangentes, simples,
com adequação empírica, predições
experimentais precisas, integração e hierarquização
teórica, bem como capacidade de predição de fenômenos
de tipos novos. Nessa exploração, deve-se manter uma abertura
para a investigação de fenômenos anômalos,
busca de um referencial teórico que oriente as pesquisas, cuidado
com a rejeição dogmática ou a aceitação
precipitada de hipóteses e, no julgamento de uma hipótese,
não conferir valor excessivo ao contexto que a gerou ou à
autoridade das pessoas que a professam ou rejeitam.
Conclusões: Para que possa produzir avanços
significativos, a investigação de áreas controversas
e/ou pouco exploradas cientificamente requer habilidades e conhecimentos
específicos sobre a natureza da atividade científica,
especialmente quanto ao que Kuhn chamou de “ciência extraordinária”
(em contraste com a “ciência normal”).
Chibeni, S.S.; Moreira-Almeida, A. / Rev.
Psiq. Clín. 34, supl 1; 8-16, 2007
Palavras-chave: Epistemologia, Thomas
Kuhn, espiritualidade, psiquiatria, método científico.
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Fonte:
http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/