José Reis Chaves

>  É o Espírito Santo dogmático que causa polêmica, não o bíblico

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José Reis Chaves
>  É o Espírito Santo dogmático que causa polêmica, não o bíblico

 

Um esclarecimento: Escrevo esta coluna de acordo com os comentários sobre ela, principalmente dos novos leitores de OTEMPO que não param de surgir.

Tertuliano, o grande gênio da teologia do cristianismo primitivo, Doutor da Igreja, desencarnou em 220, antes, pois, do Concílio de Niceia (325), que criou o dogma da divinização de Jesus, abrindo, assim, as portas para a criação de outro, o do Espírito Santo e, consequentemente, para o da Santíssima Trindade.

Montano, um ex-sacerdote frígio da deusa romana Cibele, converteu-se ao cristianismo. Mas em 170, defendeu a doutrina da atuação perpétua do Espírito Santo ou o Paráclito. A Igreja condenou essa doutrina. É que ela ainda não tinha uma ideia decisiva sobre o Espírito Santo e a Santíssima Trindade. E Tertuliano acabou tornando-se herege, por ter aderido a essa doutrina de Montano.

Nessa época, pois, já se falava no Espírito Santo (“penuma hagion”) do Velho Testamento e do Novo, mas não com o sentido do dogma da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que respeitamos, mas que é um assunto polêmico, exatamente porque não está de acordo com o sentido originário do Espírito Santo bíblico.

Os tradutores da Bíblia procuraram adaptar o Espírito Santo ao do dogma trinitário. E um dos recursos mais usados para isso foi trocar o artigo indefinido “um” pelo artigo definido “o” (“ho”). Assim, onde na Bíblia está “um espírito santo”, foi traduzido para “o Espírito Santo”.

No original é “um” espírito santo, porque cada alma ou espírito, que está animando o corpo de cada um de nós, é “um” espírito santo e não “o” Espírito Santo trinitário. São Jerônimo, na Vulgata Latina, até preferiu usar, no lugar de um espírito santo, “um espírito bom” (“spiritus bonus”). Também alguns tradutores colocam o artigo definido “o”, mas entre parênteses, exatamente porque ele não está no original grego. (Para quem quiser ver mais detalhes sobre esse assunto, há vários livros, inclusive o meu: “A Face Oculta das Religiões”, que está sendo lançado também em inglês, nos Estados Unidos).

O Espírito Santo bíblico é a alma ou o espírito de cada um de nós. Por isso, dizemos que ele é como se fosse um substantivo coletivo, pois designa todos os espíritos humanos, inclusive o de Jesus. Muitos teólogos até dizem que o chamado Batismo no Espírito Santo é, na verdade, em Jesus. Sim, porque Jesus é um Espírito Santo verdadeiro. É o Espírito Santo humano por excelência, pois abaixo do Espírito Santo de Deus, Ele é o maior, pelo menos de nosso mundo terreno, do qual Ele é o Criador e Chefe. “Nele, com Ele e por Ele”, todas as coisas foram feitas.

E eis três exemplos bíblicos de que o Espírito Santo é realmente cada um de nossos espíritos, ou conjunto de todos os espíritos humanos, criaturas imortais criadas por Deus:

“Nosso corpo é santuário do (de um) Espírito Santo” (1 Coríntios 6: 19);

“Então o povo se lembrou dos dias antigos do tempo de Moisés, e disse: Onde está aquele que fez subir do mar o pastor do seu rebanho? Onde está o que pôs nele o seu Espírito Santo?” (Isaias 63: 11); e

“Envias o teu Espírito, eles são criados, e assim renovas a face da terra.” (Salmo 104: 30)

Observe-se que, no último exemplo, o espírito enviado é mesmo o espírito santo do indivíduo, e não o Espírito Santo de Deus, que é o que envia!



Fonte: http://www.noticiasespiritas.com.br/2015/JANEIRO/13-01-2015.htm




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