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Qual a finalidade da encarnação dos Espíritos? LE, 132.

Qual a finalidade da reencarnação? LE, 167.

As palavras encarnação e reencarnação estão empregadas praticamente no mesmo sentido, pois o que interessa é examinar a finalidade da vida do Espírito na fase transitória, como encarnado.

Genericamente, pode-se dizer que "a encarnação é necessária ao duplo progresso, moral e intelectual, do Espírito: ao progresso intelectual pela atividade obrigatória do trabalho, ao progresso moral pela necessidade recíproca dos homens entre si". (O Céu e o Inferno, cap. III n.° 8.)

Na erraticidade o Espírito examina o que fez, reconhece seus erros ou acertos, traça planos e toma resoluções para nova existência, onde se submete à prova (LE, 230). Esta nova existência, a reencarnação, portanto, não é uma punição para o Espírito, mas uma condição inerente à sua inferioridade.

As reencarnações para os Espíritos, neste ou em outros mundos, mais ou menos adiantados, têm finalidades diversas e especificas para cada um, conforme seja o plano ou meta a cumprir.

As finalidades da encarnação ou reencarnação podem ser:

1) Expiação - Expiar significa remir, resgatar, pagar. Neste sentido, é que se lê no ESE, cap. Ill n.° 13: "Deus os colocou num mundo ingrato, para expiarem suas faltas, através de um trabalho penoso e das misérias da vida, até que se façam merecedores de passar para um mundo mais feliz."

A expiação, em sentido estrito, consiste em o homem sofrer aquilo que fez os outros sofrerem, abrangendo sofri. mentos físicos e morais, seja na vida corporal, seja na vida espiritual.

As expiações do passado apagam as faltas e purificam os Espíritos, quando bem suportadas.

2) Prova - Em sentido amplo, cada nova existência corporal é uma prova para o Espírito (LE, 166 e 166a). Ele aperfeiçoa-se, enveredando pelo caminho da evolução.

Esclarece o ESE, cap. VI n.° 5: "Crede e orai! Porque a morte é a ressurreição e a vida é a prova escolhida, durante a qual vossas virtudes cultivadas devem crescer e desenvolver-se como o cedro."

A prova, às vezes, confunde-se com a expiação, mas nem todo sofrimento é indicio de uma determinada falta. Trata-se freqüentemente, de simples provas escolhidas pelo Espírito, para acabar a sua purificação e acelerar o seu adiantamento. Assim, a expiação serve sempre de provas, mas a prova nem sempre é uma expiação. (ESE, cap. V n.° 9.)

Ainda, deve-se observar que “a prova não tem por fim esclarecer a Deus sobre o mérito do homem, porque Deus sabe perfeitamente o que ele vale, mas deixa ao homem toda a responsabilidade da sua ação, uma vez que ele tem a liberdade de fazer ou não fazer." (LE, 871) Podem-se observar outros exemplos no "O Livro dos Espíritos", de Kardec, n.° 210, 230,

3) Missão - A missão é uma tarefa a ser cumprida pelo Espírito encarnado. Lê-se no LE, 573, que cada um tem a sua missão neste mundo, porque cada um pode ser útil em algum sentido e que as missões são mais ou menos gerais e importantes. Aquele que cultiva a terra cumpre uma missão, como aquele que governa ou aquele que instrui. "A importância das missões está em relação com a capacidade e a elevação do Espírito." (LE, 571)

Em sentido particular, cada Espírito desempenha tarefas especiais numa ou noutra encarnação, neste ou naquele mundo.

Têm-se, assim, a missão dos pais (LE, 582 e ESE, cap. XIV n.° 9); a missão dos conquistadores (LE, 584), dos homens de ciência, dos homens que desempenham na Terra missões de paz e amor, dos homens que lutam pelas reformas sociais.

Outros exemplos são propiciados pelo LE, 175, 178, 208, 577 e 622.

4) Cooperação na Obra do Criador - "A ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do Universo, comenta Kardec, LE, 132.

Através do trabalho, os homens colaboram com os demais Espíritos na obra da criação. "Pelo trabalho inteligente que o Espírito opera sobre a matéria, em sua própria vantagem, ele auxilia a transformação e o progresso material do globo no qual habita; é assim que, progredindo, ele auxilia a obra do Criador, de quem é um agente inconsciente." (Gênese, cap. XI n.° 24.)

5) Ajudar a Desenvolver a Inteligência - Já se viu que a encarnação, pela atividade obrigatória do trabalho que exige do Espírito, permite o seu progresso intelectual.

"Na infância da Humanidade, o homem só aplica sua inteligência na procura de alimentos, dos meios de preservar-se das intempéries e de se defender dos inimigos." O desejo constante de melhorar... o impele à pesquisa dos meios de melhorar sua situação, levando-o às descobertas, às invenções, ao aperfeiçoamento da ciência. Graças às suas pesquisas, sua inteligência se desenvolve, sua moral se depura. "É assim que o homem passa da selvageria à civilização." (ESE, cap. XXV n.° 2)

A encarnação ou reencarnação tem outras finalidades específicas para este ou aquele Espírito, como por exemplo:

Restabelecimento do Equilíbrio Mental - Pelo esquecimento do passado, decorrente de bloqueio mental provocado pela matéria, permite-se ao Espírito restabelecer a harmonia vibratória com outros, em nova vida. São os reencontros com um inimigo no seio da família consangüínea . Expiação ou prova para uns e restabelecimento do equilíbrio mental para outros.

Refazimento do Corpo Espiritual - Muitos são os exemplos de encarnações para refazimento do corpo espiritual, especialmente entre os suicidas reencarnantes. André Luiz nos fala dos ovóides, que com a reencarnação "plasmam-se-lhe novo veiculo especifico e que persistirá depois do túmulo" (Evolução em Dois Mundos Cap. XII)

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A Alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, pode acabar de depurar-se sofrendo a prova de uma nova existência (reencarnando). Depurando-se, a alma indubitavelmente experimenta uma transformação, mas para isso necessária lhe é a prova da vida corporal. Todos contamos muitas existências. Os que dizem o contrário pretendem manter-vos na ignorância em que eles próprios se encontram. Esse o desejo deles.
O LIVRO DOS ESPÍRITOS – 76a. ed. - Kardec. - (Paris, 18-4-1857)

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...relacionando reencarnação com evolução e considerando a lentidão inerente ao processo evolutivo, parece haver grande coerência em considerar a reencarnação como conseqüência lógica da crença na existência da alma além morte e do evolucionismo, pois do contrário seria inimaginável, ou pelo menos ilógico, considerar que os espíritos, ainda que menos evoluídos, de nossos antepassados mais remotos se encontrem em paraísos, em torturas ou vagando pelo universo.

Mesmo se ainda considerarmos que a alma é propriedade exclusiva da espécie humana, existiria ainda a questão, aparentemente sem resposta, de quando, em que momento no processo evolutivo, passamos a tê-la. E qual seria então a razão para considerar que nós, seres humanos, passamos a condição de seres espiritualizados em alguma época específica de nossa evolução?

Parece haver maior misticismo se negarmos, portanto, o processo de reencarnação.

Marcio Andrade
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Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição.

  • Para uns, é expiação;
  • para outros, missão.

    O fim da encarnação é o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta. A ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do Universo. Deus, porém, na Sua sabedoria, quis que nessa mesma ação eles encontrassem um meio de progredir e de se aproximar Dele. Deste modo, por uma admirável lei da Providência, tudo se encadeia, tudo é solidário na Natureza.

 

O LIVRO DOS ESPÍRITOS – 76a. ed. - Kardec. - (Paris, 18-4-1857)

Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/artigos




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