Alamar Régis Carvalho

>    O trabalho da grande imprensa e a intolerância de alguns espíritas

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Alamar Régis Carvalho
>    O trabalho da grande imprensa e a intolerância de alguns espíritas

 

Já foi alertado no passado que se os homens dificultassem a comunicação dos espíritos ao mundo, eles falariam nem que fosse através das pedras.

Os espíritos fazem um esforço enorme para nos trazer novos ensinamentos, todos os dias em nossos centros, quando imploram para que, nós espíritas, levemos o conhecimento espírita ao grande público. Se fingimos que não escutamos estes apelos e não temos competência para realizar esta divulgação, é óbvio que eles tentarão por outros meios, como de fato estão fazendo.

Eu fico impressionado com a quantidade de E-mails que chegam de espíritas protestando, alguns até profundamente indignados (não sei porque), por causa de uma frase que a jornalista colocou na grande matéria sobre Espiritismo publicada na revista Veja, na Istoé, na Época ou em outra de grande circulação.

Ficam com raiva porque a forma como a Globo abordou a questão da reencarnação na novela “Alma Gêmea” não foi exatamente aquela como vê a orientação do centro espírita onde freqüentam. Se aborrecem porque a coisa não foi abordada conforme as suas conveniências, na novela “A Viagem”, um dos maiores fenômenos de audiência da Rede Globo, exportada e vista por centenas de países que nunca tiveram contato com qualquer orientação espírita, e que hoje estão começando a pensar sobre o assunto.

Protestaram veementemente contra o filme “Ghost, o outro lado da vida”, pelo fato daquela médium não se comportar necessariamente como uma médium espírita. Pra nós aqui, tem tanto médium em centros espíritas fazendo muito mais bobagens que fez aquela do filme.

É impressionante o nível de intolerância de determinadas pessoas no movimento espírita.

Não resta a menor dúvida de que devemos escrever para os grandes veículos de comunicação de massa, fazer observações, demonstrar colocações equivocadas feitas por eles e passar-lhes as informações corretas todas as vezes que cometerem algum equívoco. Mas isto não quer dizer que eles tenham que ser necessariamente conhecedores da doutrina, como os mais estudiosos dos nossos confrades, a ponto de retratarem os assuntos numa revista leiga e de abrangência geral, com todas as colocações impecáveis.

Falar nisso, será que esses mesmos confrades, que tanto cobram, conseguem essa perfeição tão exigida dentro do próprio movimento espírita?

Se em nosso próprio meio há tanta divergência, gente que ama e gente que não suporta Divaldo, Herculano, Bezerra, Cairbar, Emmanuel, Joanna de Angelis, Raul, Simonetti... etc. como é que vai querer perfeição doutrinária dos órgãos de comunicação de massa? Não temos a menor unidade entre nós, vamos querer nos outros?

Há espíritas que gritam contra Emmanuel, sob a argumentação de ter ele, como Padre Manoel da Nóbrega, implantado catolicismo no Espiritismo brasileiro. E por tabela baixam o sarrafo no Chico Xavier.

Há outros que têm verdadeiro repúdio ao Dr. Bezerra, sob a argumentação de ter ele implantado o tal roustanguismo no Espiritismo no Brasil.

Há quem xingue Joanna de Ângelis, por ela tratar tanto do aspecto Psicológico do homem, por tabela atingindo também o Divaldo com a argumentação de que eles não ensinam Espiritismo. Eu sempre vi Divaldo, a vida inteira, ensinamento Espiritismo.

Os exemplos contam-se às dezenas e tenho inúmeros, mas com esta mania de E-mails grandes que tenho (alguns reclamam), prefiro ficar por aqui.

A grande realidade, gente, é que nós espíritas não temos competência para divulgar o Espiritismo.

Não que seja difícil e muito menos além das nossas possibilidades a realização de um grande projeto de divulgação de massa, mas sim porque somos omissos em relação à divulgação, somos egoístas em relação a isto, somos indiferentes em relação ao nosso dever de dar este remédio maravilhoso que se chama Espiritismo ao grande público, em que pese a nossa incoerência em vivermos tanto falando em Caridade.

Só pra você ter uma idéia, amigo leitor que é espírita, vive mais na condição de freqüentador de centro e até mesmo estudioso, mas sem se envolver e procurar entender bem como funciona a estrutura administrativa do movimento espírita do Brasil:

Existe no movimento espírita brasileiro uma instituição chamada ABRADE – Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo, que é o órgão de abrangência nacional, que tem as suas representações em cada Estado, chamadas ADEs, que significa Associação dos Divulgadores do Espiritismo de São Paulo, do Ceará, da Bahia, de Pernambuco, do Rio Grande do Sul, etc... que não têm prestígio nenhum, ninguém dá bola para elas, principalmente as próprias Federações Espíritas, que as vêem com uma fria e até mal educada indiferença.

No universo ABRADE existem homens da mais alta competência, tanto do ponto de vista doutrinário como do moral, dispostos a se doarem integralmente pela causa, como Gezler do Recife, Signates de Goiás, Wilson do Paraná, Marcelo da Paraíba... enfim um monte de gente competente, mas são vozes que clamam no deserto. Tem alguns idiotas pelo meio também, mas são desprezíveis e não afetam nos objetivos gerais que são nobres.

Tiveram a maior dificuldade para conseguirem um tal “assento” no Conselho Federativo Nacional, que é uma reunião feita anualmente na FEB, em Brasília, porque muitos dirigentes de federações não quiseram que ela fizesse parte daquele conclave. O espírito de panelinha ainda existe no meio espírita, por incrível que pareça.

Nas reuniões, quando a ABRADE fala, nada do que ela propõe é considerado relevante e poucos são os que prestam atenção quando o seu representante está utilizando a palavra. Eu sei disto, porque participei de três reuniões destas, a convite da Federação Espírita da Bahia, e observei bem o detalhe, com dois olhos e dois ouvidos bem atentos.

Não tem dinheiro, vive dura o tempo todo, não tem fonte de recursos, não tem editora própria, não tem livros editados próprios, ninguém ajuda, não aparece um empresário espírita sequer, em nenhum Estado, para estender-lhe às mãos, portanto não realiza coisa alguma em termos de programas de rádio, televisão, jornal ou revista em abrangência nacional. O máximo que usa é a Internet, com seus grupos de discussão, mesmo assim porque é de graça.

Os eventos que consegue realizar são todos inexpressivos e raro é aquele que consegue reunir mais de cem pessoas. Estou falando em eventos de abrangência nacional da própria ABRADE e não eventozinho de uma ADE estadual.

É triste e lamentável a omissão do movimento espírita em relação a essa tão importante instituição chamada ABRADE.

Vamos esperar por quem, para divulgar o Espiritismo?

Aparece um maluco, a partir de Belém do Pará, na década de noventa, tomando para si esta tarefa, arcando com todos os ônus, expondo-se de todas as formas na frente de batalha, conseguindo de fato assustar o movimento espírita por levar a doutrina via satélite, na marra, a chegar na casa de milhões de brasileiros pela televisão, de forma como nunca fora feito antes, e qual foi a reação?

Cacete nele! Ta é querendo aparecer, isto é auto-promoção, está com interesses políticos, está desvirtuando a doutrina, tá mercantilizando a doutrina!!!... e todos esses impropérios muito comuns partidos de mentes perturbadas daquelas que, por não terem competência para fazer igual, expressam-se as suas manifestações doentias de invejas e recalques tão claramente explicados pela Psicologia.

Pronto. Não se faz e não se deixa ninguém fazer.

Hoje, o que vemos são apenas duas poderozíssimas instituições espíritas, as duas de maior abundância financeira do País, fazerem alguma coisa, mesmo assim conforme as suas conveniências: As Casas André Luiz, a mais rica instituição espírita do Estado de São Paulo, que acharam por bem orquestrar, sutilmente e muito “fraternalmente”, um “cala a boca” no Alamar, e o Lar Fabiano de Cristo, do Rio de Janeiro, sustentado pela Capemi que há muitos anos é considerada o Caixa do movimento espírita. Estas duas ninguém pode boicotar, por causa da independência financeira que têm.

Surge aí a FEB, com um projeto muito bonito, começando com um programazinha de meia hora por semana, bem feitinho, mas insuficiente para o tamanho da instituição e a sua abrangência.

O CEI, Conselho Espírita Internacional, optou por fazer televisão via Internet que, pra nós aqui, apesar de altamente útil e importante num momento em que não tem nada, que eu aplaudo muito, é um meiozinho fraco e bastante limitado.

Resta a quem, gente, levar esta doutrina ao grande público, a fim de orientar a população brasileira contra as terríveis ameaças de legalização do aborto, contra as tresloucadas idéias de suicídio e todas essas maluquices que as pessoas fazem por desconhecerem as idéias espíritas?

Resta à grande imprensa!!!!!!!!!!!!!!

É o que ela está fazendo.

Observamos a Rede Globo, hoje, colocar espíritos desencarnados se comunicando em TODAS as suas novelas.

A novela que antecedeu Alma Gêmea, no horário das seis, teve espírito desencarnado se comunicando, a Alma Gêmea foi inteira tratando de reencarnação e inclusive mostrando reuniões mediúnicas repetidas vezes, com Evangelho Segundo o Espiritismo e Livro dos Espíritos em cima da mesa, sendo focados em close o tempo todo.

Reprisa-se A Viagem, pela terceira vez, o que nunca aconteceu com nenhuma outra novela no “Vale a pena ver de novo”, conseguindo esta terceira reprise um recorde de audiência impossível de prever numa novela reprisada três vezes.

Vem a atual nova novela das sete, a chatinha “Cobras e Lagartos”. Não deu outra a coisa, e a trama se conduz toda com o Omar Pasquim (personagem do Cuoco) se comunicando o tempo todo com o maluco do Foguinho (personagem do Lázaro).

No horário das oito, na novela “Senhora do Destino”, o personagem desencarnado do Tarcísio Meira aparecia para a vilã Nazaré; em “América”, o Brasil inteiro viu o personagem do Flávio Migliaccio, conhecido por todos como “o espírita”, que fazia também reuniões mediúnicas, junto com o Tião (personagem do Murilo Benício) com Evangelho e Livro dos Espíritos sendo enfocados em close o tempo inteiro, trazendo o seu pai, em espírito, a comunicar-se com ele quase a novela inteira; na atual novela “Páginas da Vida”, o Brasil se encanta ao ver a menina Nanda, desencarnada, se comunicando com o Pai.

Gente, o que é que o movimento espírita quer mais, pelo amor de Deus?

Se ele é incompetente, deixe quem tem competência fazer em paz.

Os programas “Linha Direta” que registraram os maiores números de audiência no IBOPE, foram exatamente, pela ordem, o que retratou o incêndio do Edifício Joelma, o que mostrou a história do Zé Arigó e o recente que mostrou o caso de uma carta mediúnica que foi utilizada no julgamento de um crime. O “Globo Repórter” que aborda temas espíritas sempre explode também em audiência.

Em vez de sairmos por aí baixando o sarrafo na grande imprensa, preocupando-nos com detalhezinhos bobos, unamo-nos no sentido de apoiá-la e incentivá-la a continuar mantendo este assunto em moda, para alívio de milhões de brasileiros.

Os que tanto criticam a Veja, a Época e a Istoé parece que não estão observando o quanto as grandes reportagens envolvendo temas espíritas evoluíram de algum tempo pra cá.

Há alguns anos atrás, toda vez que abordavam estes temas, sempre apareciam alguns parágrafos desagradáveis nas matérias, onde envolviam o espiritismo com feitiçaria, bruxaria, cartomancia, matanças de animais e invariavelmente sempre convidavam a praga do padre Quevedo para dar alguma opinião, o que só desgraçava a imagem do Espiritismo. As matérias eram todas um verdadeiro desastre para nós.

Hoje não fazem mais isto, gente!

Que quiser que reveja as revistas que provavelmente devem ter guardadas em casa e releiam as matérias. Nunca mais uma reportagem dessas referiu-se ao Espiritismo como sendo macumba, bruxaria e feitiçaria. Nunca mais inseriram padre Quevedo.

Hoje a coisa é muito mais respeitosa e muito mais digna.

Vamos querer perfeição? Como? Não estamos querendo demais?

Enviei um E-mail coletivo para todos os jornalistas, da grande imprensa, há algum tempo atrás, e tive retornos simpaticíssimos por parte de muitos deles, inclusive agradecendo pelas informações, quando vários prometeram até que alguns equívocos não cometeriam mais.

A tendência é a gente ver matérias mais certinhas, sem as tais citações do tipo “sucessores de Chico Xavier”, “kardecismo”, “mesa branca” e essas coisas. Não vai demorar muito.

Se a Globo e as grandes revistas cometerem algum deslize em alguma informação, pelo menos estão despertando na população o interesse pelo assunto. Cumpre a nós recebermos essas pessoas, que com certeza virão, com muito carinho e diplomacia (coisa que infelizmente os centros espíritas não sabem fazer bem), e direcioná-las ao estudo criterioso das obras básicas, como deve ser, porque aí todo mundo vai entender o espiritismo como ele realmente é.

Só que tem um detalhezinho que seria fundamental e indispensável para mostrarmos a esse gigantesco público novo que está chegando:

O Exemplo.

Falo sobre o exemplo de convivência entre nós, sem os famigerados melindres, ódios gratuitos, ciumeiras, disputas por cargos nos centros, boicotes a trabalhadores, fofocas, intrigas e intolerâncias.

Nos diz Robert Browning: “Quando a luta de um homem começa dentro de si, esse homem vale alguma coisa”. Aí é que eu sugiro que nós, que nos constituímos como o movimento espírita, comecemos agora a lutar dentro de nós mesmos, para apararmos as nossas próprias arestas, a fim de que o povo perceba que o Espiritismo vale de fato alguma coisa.

Que tal se, em vez de nos preocuparmos com a forma como a Globo está mostrando os assuntos, começarmos a nos preocupar com a infra-estrutura que devemos montar para receber os milhões de brasileiros que ela mandará certamente para os nossos centros?

Não falo só para os brasileiros que estão no Brasil não, falo também para os meus inúmeros leitores que moram no exterior, já que as novelas da Globo hoje são exportadas e também fazem sucesso em mais de cem países.

Acordemos, movimento espírita! Quem fica esperando por juízo final é protestante, e não espírita. Vamos à luta. Procure conhecer aí na sua cidade a existência da ADE do Estado e estenda as mãos para eles.

Deixemos, portanto, a Globo, a Veja, a Época a Isto É e a grande imprensa fazerem a parte delas e procuremos, com equilíbrio, lucidez e absoluta coerência espíritas fazermos a nossa.

Carinhosamente.

Alamar Régis Carvalho


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