Espiritualidade e Sociedade



Alamar Régis Carvalho

>    Relacionamento entre os espíritas

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Alamar Régis Carvalho
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De: Alamar Régis Carvalho
Carta aberta ao Jorge Rizzini.

Prezado Rizzini:

Quando eu era garoto em Vitória da Conquista, com apenas 15 anos, tocava trompete na banda de música da cidade e participava também de uma pequena orquestra que, aos finais de anos, abrilhantava as festividades do Centro Espírita Fé Esperança e Caridade, travando os primeiros contatos com o Espiritismo, ouvindo as palestras que ali eram proferidas.

Naquela ocasião, lembro-me bem, já ouvia falar em nomes como Herculano Pires, Deolindo Amorim, Carlos Imbassahy e Jorge Rizzini, todos considerados como nomes ilustres e notáveis no Espiritismo. Mas era apenas um garoto, coroinha da igreja católica, participando como músico em um local bastante agradável, sem capacidade, ainda, de perceber o que seria esse tal Espiritismo.

Mais tarde, já como adulto, em Belém do Pará, quando entrei pra valer no movimento espírita, já atuando como trabalhador, de alguma forma, porque emprestava as minhas experiências técnicas ao colocar sistema de som nos locais onde eram realizados grandes eventos espíritas, mais precisamente na União Espírita Paraense, quando ouvia o nome Jorge Rizzini sempre citado em palestras bem como em quase todos os jornaizinhos espíritas que eu recebia. Ainda bem jovem ajudei o Nazareno Tourinho, outro nome por mim respeitável, a fundar a “Casa do Nazareno” e ouvi diversas vezes ele citar o seu nome com grande respeito.

O nome Jorge Rizzini então, passou a ser para mim um dos símbolos do Espiritismo no Brasil e muita alegria eu tive quando, já como iniciante da tarefa de divulgador espírita, nas diversas viagens que fazia a São Paulo, pude lhe conhecer pessoalmente na redação do “Jornal Espírita” e do “Semeador”, na Federação Espírita do Estado de São Paulo, nas visitas que sempre fazia aos amigos Altamirando Carneiro e João Gianine Pascale, o que me deu bastante alegria, sobretudo quando você, considerado por mim uma “celebridade espírita”, incentivou-me bastante a continuar com o meu trabalho na televisão.

Em outras visitas passamos a sair pelo Centro de São Paulo para tomarmos aquele cafezinho de fim de tarde e bater aqueles papos, eu, você, o Altamirando e o Pascale.

Era uma época em que eu vivia muito empolgado com o movimento espírita, achando que ele tinha alguma compatibilidade com o Espiritismo, que fazia na prática o que a Doutrina nos ensina e o que pregamos nas tribunas dos centros.

A minha empolgação e cegueira eram tão grandes, quanto isto, que eu fechava os olhos e ouvidos para o experiente Jacinto Brito, em Belém, quando me alertava: “Cuidado com o movimento espírita!” e também para a orientação do José Raul Teixeira quando, em determinado momento em que eu lhe pedia uma entrevista, mas voltada para o público “não espírita”, ele me disse o seguinte:

- “Por que somente para o público não espírita? Eu acho que quem mais precisa da mensagem é exatamente o público espírita.”

E eu, ingenuamente, dizia ao mestre:

- “O que é isto, Raul, o público espírita já está esclarecido, ela já tem as informações...”

Quando ele redargüiu:

- “Baixe o facho, meu filho, você ainda não viu nada. Vá devagar para evitar que as desilusões apaguem a luz desse seu entusiasmo.”

Sinceramente, eu achava que o Jacinto Brito era revoltado com alguma coisa e passei a achar também que o Raul não estava bem, posto que eu não poderia conceber que o movimento espírita pudesse proporcionar coisas tão ruins aos seus próprios trabalhadores, a ponto de duas pessoas tão nobres, honradas e decentes como o Jacinto e o Raul me alertarem com tantas preocupações.

Só depois que me tornei, também, uma pessoa conhecida no Brasil inteiro, posso até dizer uma pessoa famosa, sem medo de errar, por conta da televisão via satélite que fiz ao longo de dez anos, além das iniciativas pioneiras que tive, como a revista Visão Espírita, os programas da TV, etc... que vim perceber esta amarga realidade, onde verificamos, inclusive, a aplicação de procedimentos os mais sórdidos e vergonhosos possíveis, quando não se “vai com a cara” de alguém em nosso movimento espírita. 

É sobre isto que quero questionar contigo, meu caro Jorge Rizzini.

A carta que você anda difundindo pela Internet

Recebi no início deste mês, através de uma pessoa da minha lista que faz parte do seu “fã clube”, a retransmissão de uma carta que você está divulgando pela Internet e a li atentamente, reli, analisei profundamente o seu conteúdo, procurei aplicar os parcos conhecimentos de psicologia que venho desenvolvendo, com frieza e bastante cautela, a fim de, apenas depois de 15 dias, redigir este documento a você, que preferi adotar o sistema de carta aberta, para que o maior número possível de pessoas do movimento espírita brasileiro, e também internacional, acompanhe os fatos e saiba o que de fato acontece em nosso “fraterno” movimento espírita, da forma mais clara e transparente possível.

Quanto ao exercício do direito de expressão eu nada tenho a falar, porque sou um ferrenho defensor dele, o exercito intensamente, adoto posturas enérgicas sem titubear, porque acho que a livre manifestação deve ser respeitada sempre, desde que praticada com responsabilidade, coerência, honestidade e dignidade.

Lembro-me de Abrahann Lincoln, quando dizia: “Os que negam a liberdade aos outros não merecem a liberdade”, e é por isto que respeito o seu direito de opinião do mesmo jeito que gosto de ver respeitado o meu.

Concordo que, enquanto espíritas, devemos sim defender a nossa doutrina contra qualquer ataque desferido contra ela e procurar esclarecer às pessoas quanto algumas práticas que são apresentadas como espíritas, mas que, na realidade, não são.

Todavia, amigo, eu gostaria de questionar alguns pontos e aspectos da sua carta e levar a apreciação deste público enorme para quem sempre estou escrevendo, (estou mandando apenas para o segmento espírita da minha agenda), a fim de que ele avalie.

Você faz circular uma carta que, segundo diz, fora escrita pelo Chico Xavier no ano de 1962, dirigida ao senhor Joaquim Alves, onde o consagrado médium mineiro se dispões a escrever oito páginas, datilografadas, para manifestar-se profundamente magoado e aborrecido com o outro também famoso Divaldo Pereira Franco.

Quero manifestar sobre essa sua carta, Rizzini, mas quero também deixar bem claro que não está aqui um Alamar parcial, já que sou declaradamente amigo pessoal do Divaldo Franco, amizade esta que tem reciprocidade, que poderia estar utilizando o meu estilo peculiar de defender os amigos, uma vez que não sou do tipo espírita sem vergonha que vive em cima do muro, dando tapinhas nas costas de pessoas quando as encontra, até mesmo as desafetas, e não medem esforços em destilar venenos contra essas mesmas pessoas quando por trás.

Quero defender o Divaldo, sim, da mesma forma que defenderei você, a Doutrina Espírita, o Chico, o Allan Kardec ou qualquer outro respeitável nome da história do Espiritismo, mas contra os ataques dos Quevedos da vida, dos mercenários pastores protestantes e de padres descarados como o Jonas Abib, estes sim, os verdadeiros detratores do Espiritismo, que irresponsável e maldosamente caluniam a nossa doutrina, dizendo dela o que ela não é.

Eu acho impressionante porque os espíritas que usam de tanta energia contra outros espíritas, não utilizam estas mesmas energias contra os verdadeiros inimigos do Espiritismo.

Vamos aos questionamentos, Rizzini.


Primeira pergunta:


Por que há tanto ódio no movimento espírita, em relação aos próprios espíritas, prezado amigo?

Quando eu questiono isto, é muito comum receber aconselhamentos de alguns amigos muito queridos que me escrevem coisas, mais ou menos assim:

- “Alamar, pare de se preocupar com isto, você está perdendo tempo. Você precisa entender que os espíritas são criaturas normais como quaisquer outras, com todas as suas falhas, não são santos, estão também em processos de evolução e precisam ser compreendidos. Tenhamos caridade para com eles”.

Concordo que tenhamos que compreender as falhas normais de criaturas humanas, independentemente de rotulação religiosa, que tenhamos que exercer a Caridade em relação a todas as criaturas, já que ninguém é santo. Todavia, por causa dessa argumentação, será que devemos ter a mesma compreensão em relação às criaturas altamente sem vergonhas, descaradas, cínicas e de mau caráter explícito, como alguns que praticam as mais sórdidas coisas, conscientemente, procurando atingir friamente os outros?

E quando essa perversidade é praticada por espíritas que não são simples iniciantes freqüentadores de centros, mas criaturas que fazem parte das lideranças espíritas, pessoas com décadas de militância espírita e que no dia-a-dia vivem nas tribunas de centros falando exatamente sobre compreensão, tolerância, fraternidade, perdão, indulgência, não julgueis, não aponteis travas nos olhos alheios e essas coisas ensinadas pela autêntica moral?

Goethe cita a seguinte frase: “O comportamento é um espelho onde cada um mostra a sua imagem”, e é por isto que não podemos deixar de qualificar líderes espíritas, que se comportam incompativelmente com a doutrina, como hipócritas.

Recentemente escrevi uma matéria com o título “como podem cegos pretenderem guiar cegos?” exatamente pra mexer com essa gente sem vergonha.

Não dá, Rizzini, pra entender esse ódio, essa má vontade, essa indisposição e até perversidade praticada no movimento espírita desde os tempos de Kardec, contra os próprios espíritas, sobretudo contra aqueles que mais se dispõem a fazer alguma coisa além do comum.


Segunda pergunta:

O que leva você a levantar uma questão dessa, ocorrida há 45 anos atrás, que, acima de tudo tem alguns outros aspectos que justificam a minha indagação:

- Ainda que tenha de fato acontecido, como você quer fazer entender ao público, caracteriza-se o “delito” como um fato altamente irrelevante, uma coisa boba, uma falha leve e nada parecido como um crime, um assassinato, um ato terrorista ou algo que tenha proporcionado algum mal a alguém.

Como você justifica tamanha tempestade em copo d’água, companheiro?

Se considerarmos que o brasileiro João Acácio Pereira da Costa, famoso no Brasil com a alcunha de Bandido da Luz Vermellha, preso, julgado e condenado na mesma época pela falível “JU$TI$$A” brasileira a 30 anos de prisão, por ter de fato assassinado pessoas, roubado e praticado atos verdadeiramente terroristas, foi considerado livre na década de noventa, quite com a sociedade por ter pago pelo seu crime, assim como todos os outros assassinos e verdadeiros criminosos da época já foram absolvidos...

Como pode o movimento espírita, que não tem nem o direito de ser imperfeito, corruptível, viciado e parcial como a citada “JU$TI$$A”, ser tão cruel, perverso, sádico e desumano em continuar condenando um outro cidadão brasileiro que não matou ninguém, não roubou, não praticou qualquer ato terrorista, mas tem como acusação, que é absolutamente questionável, o fato de ter copiado trechos de alguma mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier?

Que diabo de coerência espírita é essa, Rizzini?

É aí que eu chamo a atenção dos amigos leitores deste meu manifesto que, certamente, será retransmitido para várias outras pessoas do movimento espírita, inclusive para meus desafetos, para raciocinarem em cima de um fato:

Se o réu cometeu o “crime” de copiar, ele copiou quem? Adolf Hitler, Mussolini, Osama Bin Laden, Nero, algum modelo do tráfico de drogas, Thomas de Torquemada e os seus modelos de torturas e maldades da inquisição?

Não gente, esse réu teria “copiado” simplesmente Francisco Cândido Xavier.

Mas vamos mais longe, para que detectemos bem a profundidade da incoerência dessa condenação:

Ainda que tivesse feito a cópia das tais frases de alguns textos, teria feito com que objetivos?

De ensinar as pessoas a serem más, serem vingativas, praticarem violências ou a promoverem algum ensinamento imoral e criminoso?

Não, gente, nada disto. Se é que este homem tenha de fato copiado os tais trechos, o fez com objetivos de transmitir ao grande público para quem vem falando e escrevendo há mais de 60 anos, apenas mensagens de Paz e de Harmonia, em proposta de vida conforme os postulados do Evangelho e os postulados espíritas.

Me explique, então, meu caro Jorge Rizzini, como pode você continuar a condenar por mais de 45 anos e, certamente promover a condenação eterna, porque pelo que tudo indica você vai desencarnar alimentando este seu ódio contra o Divaldo, por um motivo deste?

Em nome da defesa da pureza da doutrina espírita? Seria isto?

Relembremos Thomas Jefferson quando diz que “a malícia sempre descobre péssimos motivos para boas ações”, não seria isto?

Eu imagino, prezado amigo, que dentro dessa sua visão, você deve ter um ódio danado dos evangelistas Lucas, Mateus e João, porque é fato que eles copiaram Marcos. E não copiaram apenas uma ou duas frasezinhas não, copiaram textos inteiros. Já que não importam os objetivos e as razões deles, que eram as de divulgar os mesmos ensinamentos de Jesus, o importante é o fato de ter copiado, então vamos nos ater a condená-los e a manter o ódio por mais de dois mil anos, assim como você mantém de Divaldo, por quase meio século.

Gente, será que o Alamar está errado, nestes questionamentos, ou agindo como um simples tiete do Divaldo Franco?

Mas ainda temos mais perguntas.


Terceira pergunta:

Por que esta carta apareceu somente depois da desencarnação do Chico Xavier?

Por que não quando ele estava entre nós para que repórteres, jornalistas e pesquisadores pudessem ir a ele questioná-lo e inclusive perguntar se o documento era autêntico e de fato da sua autoria?

Eu poderia muito bem pegar um papel, escrever com o estilo do jornalista Carlos Lacerda, em uma máquina de escrever “remington” da época, treinar a assinatura dele, à prova de qualquer perícia grafotécnica, assinar com uma caneta Park 51, em tinta de tinteiro, e ainda passar pelo mata borrão, promover o envelhecimento do papel, que é a coisa mais fácil do mundo, e difundir hoje para a imprensa com uma declaração do tipo:

- “Fui eu quem matou Getúlio Vargas, pessoalmente. Entrei no Palácio do Catete, mandei que os meus capangas o segurassem, e fiz questão de, eu mesmo, disparar o tiro em seu coração...”

As pessoas racionais teriam que acreditar na autenticidade desse documento?

O Lacerda já morreu, não teria como ninguém perguntar a ele mesmo sobre o documento.

Eu, particularmente, Alamar, tenho minhas dúvidas se a causa mortis de Getúlio foi mesmo suicídio, mas por causa desta dúvida eu teria que estar sensível a admitir todo documento que surgisse como autêntico e verdadeiro só para provar aos outros que estou com razão em achar uma coisa totalmente diferente da versão que fora colocada na história do Brasil?

Talvez você conteste:

- “O Alamar está falando como amigo do Divaldo, ele quer dizer, por dizer, que a carta não foi escrita pelo Chico...”

Então avancemos nos nossos questionamentos, com raciocínio:

Chico Xavier viveu uma vida inteira de sofrimentos, desde a sua infância, sem reclamar. Consta que lambeu até ferida da perna de uma pessoa, por ordem da sua insensata madrasta, apanhou e sofreu todas as agressões da parte dela, porém nunca alimentou qualquer rancor e muito menos ódio contra ela.

David Nasser e outros jornalistas fizeram o diabo contra ele, tudo para “desmascará-lo”, todas as calúnias foram feitas, processos de difamação terríveis foram espalhados por este país, a revista “O Cruzeiro” foi implacável, inclusive aquela terrível reportagem sobre o caso da vela, que os mais antigos e os pesquisadores conhecem, que é algo extremamente humilhante a qualquer homem, porém ele nunca alimentou qualquer rancor e muito menos ódio contra o David Nasser e nem contra qualquer jornalista.

O bispo de Uberaba fez também o diabo contra ele, até mesmo coisas impublicáveis, mas ele sempre o tratou com dignidade, sem alimentar qualquer sentimento menor.

Quem já leu a história do nosso maior médium sabe muito bem o que ele passou, pelo que fizeram com ele e verifica em todas as obras que ele nunca alimentou esse rancor e ódio contra ninguém.

É aí que eu pergunto:

Cabe na cabeça de quem a idéia de que o Chico Xavier teria alimentado todo esse ódio exatamente contra Divaldo Pereira Franco, um homem que durante toda a sua vida só se referiu a ele com carinho, respeito, admiração, afeto, ternura e gratidão?

Existem milhares de fitas de gravadores de som, vídeos VHS e até DVDs espalhados pelos lares de inúmeras pessoas, inclusive nos lares dos meus leitores e eu pergunto a todos:

O Alamar está mentindo ou exagerando? Alguém já ouviu Divaldo Franco dirigir-se ao Chico, que não fosse desta forma conforme relatei? Quem tiver dúvidas, que reveja as fitas.

Não quero aqui fazer como fazem muitos espíritas que vêem o Chico como São Chico Xavier, já que sei que ele foi humano, sentava-se em vasos sanitários também como qualquer um de nós, com certeza se aborreceu muitas vezes (afinal de contas, como poderia ele não se aborrecer tendo aquele “filho” que ele teve, que nunca foi filho dele?) e inclusive, assim que chegou em Uberaba, pegou pelo colarinho e deu uma enérgica esculhambação no chato, nojento e incoerente dirigente da Aliança Municipal Espírita de Uberaba, só faltando dá-lhe uma porrada no meio da cara, por querer este mantê-lo sob seu “controle remoto”, inclusive dar ordens na sua casa espírita e determinar quando ele deveria e não deveria viajar para outras cidades além de outras ostentações de uma “autoridade” que o presunçoso “dono” do movimento espírita uberabense achava que tinha.

Diante de tudo isto, gente, dá pra admitir que este diabo desta carta tem alguma coisa a ver com o estilo do Chico?


Quarta pergunta:


Por que usar a Rede Globo de Televisão para denunciar uma coisa dessa, Rizzini?

Que tipo de intenção há numa atitude de um grupo “espírita” que promove uma coisa desta, que não seja a de destruir a imagem do companheiro, calando-lhe definitivamente, através do tiro de misericórdia que esse grupo acreditava estar dando, utilizando o devastador poder da Globo?

Quem é o espírita que consegue ser tão besta para acreditar que aquela foi uma iniciativa movida por muita fraternidade? Que fraternidade é essa?

Entre vários detalhes desta sua carta, aqui da Internet, eu anotei este aqui:

- “Repercutiu fundo no movimento espírita nacional a denúncia feita em 29 de fevereiro de 2OO4 pela TV Globo de que Divaldo Pereira Franco plagiara mensagens psicografadas por Chico Xavier. A reportagem colocara diante dos olhos do público trechos de uma carta com oito páginas datilografadas assinada por Chico Xavier relatando o lamentável episódio.”

Embora saibamos que as notícias ruins sobre alguém são muito mais recebidas e admitidas como verdade pelo movimento espírita que as notícias boas, pergunto a você:

Que repercussão funda no movimento espírita nacional é essa que você disse que teve, em relação a Divaldo?

Eu não vi e tenho certeza de que milhares de espíritas não viram, pois, ele continua a colocar milhares de pessoas nos auditórios e ginásios de esportes onde fala, inclusive vendo pessoas sentadas ao chão, devido a lotação, continua sendo aplaudido de pé, a tiragem dos seus livros não teve qualquer queda, muito pelo contrário, teve um considerável aumento nos últimos anos.

Sei que isto não agrada aos que gostariam de vê-lo no ostracismo, calado até pela Rede Globo, mas é uma realidade.

Ele disse a mim, como a outros amigos seus, que a partir deste ano iria dar uma parada nas suas viagens porque, ao chegar aos 80 anos, já se considerava cansado, apesar do invejável preparo físico que tem, raríssimo para homens da sua idade, sem considerar a impecável lucidez e o bom humor. Só que os apelos não somente do Brasil, mas de pessoas de vários países, têm sido tão grandes para que ele não pare, que ele não sabe o que fazer.

Mas que homem ruim este, que dá saudades em tanta gente, hem?

Tem mais pergunta:

Quinta pergunta:

Você insiste em dizer, inclusive na sua carta, que Divaldo não é médium. Mas não é só você quem diz isto em São Paulo não, o Nelson Moraes também disse para mim, em sua casa no Aricanduva, que ele tem certeza de que Divaldo não é médium. Ele é, mas Divaldo não. Quer dizer então que todos os seus mais de 170 livros representam fraudes?

Qual é o “mediúmetro” ou “mediunímetro” que você e o Nelson Moraes utilizam?

Molière dizia: “As coisas só valem o que nós queremos que valham” e com ele eu pergunto: Será que só tem valor o que vocês querem que tenham?


Eu, particularmente, assim que conheci o Divaldo foi por conta das suas palestras e comecei a admirá-lo por elas, já que os seus ensinamentos falados nas conferências e gravados por mim, no começo apenas em fitas cassetes, serviram-me muito, quando despertei-me para divulgar a sua palavra junto com a divulgação do Espiritismo que me propunha.

Mas como não sou espírita besta, resolvi também conhecer a Mansão do Caminho, o seu trabalho de perto e, sobretudo, a sua mediunidade.

Tenho uma característica diferente do que querem alguns espíritas, quando participam de reuniões mediúnicas, do tipo: silêncio, fale baixo, feche os olhos e se concentre.

Ora, vá caçar o que fazer. Não fecho os olhos coisa nenhuma, não falo baixo, falo normalmente, não fico em silêncio, a não ser por educação e respeito quando alguém está falando e nem me concentro. Primeiro porque eu não sou médium, não vou dar passagem a espírito nenhum pra me concentrar e quero ficar com os zóios bem abertos, bem arregalados, para prestar bem atenção a tudo o que acontece ali, para ter competência e capacidade pra discernir o que é comunicação de espírito, o que é animismo e o que é recadinho sem vergonha que alguns médiuns se aproveitam para dar a alguém, sobretudo quando querem dar autenticidade a determinadas vontades da direção da casa. Eu gosto de comprovar a autenticidade da mediunidade de forma bem lúcida, bem acordado, bem atento e bem alerta para poder enfrentar os padres Quevedos da vida, como já enfrentei em Belém, com segurança e falando com firmeza e não como fanático religioso.

Foi exatamente isto que fiz todas as vezes que fui à Mansão do Caminho, inclusive nos diversos momentos em que fui convidado pelo próprio Divaldo a compor a mesa do plenário ao lado dele: Olhos bem abertos. Não me contaram sobre Divaldo não, Rizzini, eu vi Divaldo de perto, várias vezes.

Da mesma forma que assim faço, companheiro, vários outros espíritas fazem por este mundão a fora.

Será que nós todos somos imbecis, prezado amigo?

Será que milhares de espíritas por este Brasil e pelo exterior, inúmeros deles que também tem décadas de Espiritismo, como você tem, tem cabelos brancos como você tem, estudamos intensamente as obras básicas e outras obras clássicas do Espiritismo, para conhecer a doutrina com solidez e não apenas nos deixando levar pela “romançomania” somos todos incompetentes, não sabemos nada sobre doutrina espírita, já que, conforme a sua ótica, apenas um ou outro companheiro se acham conhecedores exclusivos da obra que fora didaticamente organizada por Allan Kardec?

A Bahia, por exemplo, aquela mesma Bahia que alguns espíritas paulistanos insistem em afirmar que não tem Espiritismo, que ninguém entende de Espiritismo e chegam até a irresponsabilidade de dizerem que na Federação Espírita Baiana pratica-se a queima de pólvoras, banhos de sal grosso, defumações e outras práticas da Umbanda, o que é uma mentira, conforme eu pessoalmente ouvi um palestrante dizer na Federação Espírita do Estado de São Paulo, existem espíritas notáveis, pessoas de elevado nível de escolaridade como:

André Luiz Peixinho, Psicólogo, Filósofo, Mestre e Doutor em Medicina, uma cultura e um conhecimento prático doutrinário extraordinário, trabalhador militante ativo; Adenauer Marcos Ferraz Novaes, também Engenheiro Civil, Psicólogo, Filósofo e Analista de Sistemas, fundador e criador de uma grande casa espírita, onde vivencia durante décadas um Espiritismo praticado e profundamente estudado... além de inúmeros outros doutores e pesquisadores, como Luiz Barreto, Marcel Mariano, Ildefonso do Espírito Santo, Djalma Argollo, Ruth Brasil Mesquita e muitos outros...

Será que na sua concepção são todos esses homens imbecis, meu caro Rizzini?

Homens que conseguem ser mestres e doutores, estudando durante anos e anos em volumosos livros de mais de um curso superior, não conseguiriam conhecer a doutrina espírita composta apenas por 7 livros com uma média de apenas 400 páginas cada um?

Estes homens todos conhecem e convivem com Divaldo Franco, há décadas. Seriam todos ingênuos pra se deixarem enganar por tanto tempo por essa suposta mediunidade fraudulenta?

Conversando com um outro companheiro, respeitável também, médico psiquiatra do Rio de Janeiro, escritor espírita e que também não gosta do Divaldo, ele chegou a afirmar que a obra da Joanna de Ângelis foge dos conceitos científicos da psicanálise, estão ultrapassados, dando um entendimento até de que seria um desserviço à Psicanálise.

Eu não poderia ser leviano para contestar uma afirmativa daquela, no momento do diálogo, por uma questão de coerência que gosto sempre de usar, já que eu não tenho por hábito discutir o que eu não entendo, sobretudo com pessoas especializadas na área, como ele. Mas já que gosto de checar tudo, em busca das verdades verdadeiras das coisas, comprovei que a afirmativa do companheiro não era uma verdade e sim uma opinião pessoal dele, já que inúmeros outros Psicólogos e Psiquiatras, dentre os quais possuidores de doutorados e mestrados, pensam totalmente ao contrário dele e muitos chegam a dizer:

- “Com a Joanna de Ângelis eu aprendi coisas que nunca aprendi na faculdade, na graduação, na pós-graduação nem nos congressos diversos que participei da minha especialidade. Aplico os seus ensinamentos em meu consultório com excelentes resultados.”

É aí que o Alamar questiona:

Será que esse pessoal não sabe nada sobre Psicanálise e somente o nobre companheiro é conhecedor exclusivo do assunto?

O grande Frederico da Prússia dizia o seguinte: “o ridículo mata mais que todos os argumentos deste mundo”.

Concluindo

São essas exclusividades de conhecimentos que eu questiono, Rizzini. Como alguém poderia acreditar que, num universo de mais de 20 milhões de espíritas no País, somente uma meia dúzia conhece a Doutrina? Tem sentido isto?

Contesto, nobre companheiro, veementemente esse ódio absurdo e interminável que existe no movimento, de espíritas em relação a espíritas, que representa uma vergonha, uma contradição, um perturbação e uma lamentável incoerência.

Vou contestar isto a vida inteira, enquanto encarnado, e quando tiver desencarnado vou continuar insistindo até ver se esse pessoal toma vergonha na cara.

Já é hora de paz verdadeira no movimento espírita, companheiro, porque essa “Paz” da boca pra fora, que muitos espíritas desejam uns pra os outros, no ritualístico “muita Paz” que costumamos dizer, é uma hipocrisia muito cínica que precisa ser abolida.

Desculpe, mas se nós espíritas não temos competência para perdoar confrades nossos, alimentando ódios intermináveis, creio que perdemos toda a moral para subirmos em qualquer tribuna de centro ou redigirmos qualquer artigo para jornal ou revista espírita falando em postulados espíritas, já que a Doutrina nos ensina que o maior modelo e guia que devemos seguir é Jesus, e o comportamento é totalmente incompatível com o Mestre.
 
Por uma nova era no movimento espírita, a era da coerência, pelo bem do futuro do Espiritismo no mundo.

Alamar Régis Carvalho

 


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