Esta é uma pergunta que já fiz muitas vezes para as pessoas
que estavam presentes às palestras que proferi sobre os medos
que sentimos. Alguns poucos se arriscam a dizer que não têm
medo de nada. Em geral as pessoas admitem que possuem lá os seus
medos. Lembro-me de uma senhora que levantou a mão e disse com
muita convicção que não tinha medo de nada. Depois,
na hora do intervalo para o cafezinho veio me procurar e comentou: “Sabe,
como disse, eu não tenho medo de nada, a única coisa que
me deixa um pouco preocupada é a morte!”
No entanto já me deparei com algumas pessoas, um tanto audaciosas,
que afirmaram não ter medo de nada. A respeito dessa ousadia,
vamos tratar no item sobre as atitudes que demonstramos ao sentir medos.
Quero convidar você, meu amigo
leitor da Delfos, para estudar este assunto em alguns capítulos.
Trata-se de conteúdo extenso e difícil para ser abordado
de forma breve. Não podemos ser superficiais e não devemos
deixar de fora os tópicos mais importantes.
Voltando à senhora que se dizia
“apenas” preocupada com a morte, podemos dizer que nem sempre
temos uma consciência muito precisa dos nossos medos. Outras vezes,
não nos damos conta de que eles existem dentro de nós.
Em geral não sabemos o quanto podemos conhecer de nós
mesmos e a auto consciência que obtemos ao viver experiências
proporcionadas pelo contato com os nossos medos. Frente aos limites
impostos pelos sentimentos de medo, mergulhamos na nossa própria
realidade de maneira mais aguda e profunda.
O que vai nos conduzir nestas reflexões
sobre os medos, não é o fato de alguém dizer que
não sente medo, mas sim o de poder analisar os medos como um
fenômeno inerente aos seres humanos. É perfeitamente normal
sentir medo. Alexander Lowen inicia o quarto capítulo do seu
livro “Medo da Vida” fazendo esta pergunta: “Se a
vida se resume em ser, porque temos tanto medo disso? Por que nos é
tão difícil nos entregarmos e simplesmente sermos?”.
Do que é que o ser humano
tem medo?
Vejamos o que diz Aristóteles no livro II da Retórica
sobre o medo. “É uma dor ou uma agitação
produzida pela perspectiva de um mal futuro que seja capaz de produzir
morte ou dor”. Aristóteles observa ainda que não
se temem todos os males, mas só os que podem trazer grandes dores
e destruições e mesmo estes, só no caso de não
serem demasiado longínquos, mas por parecerem próximos
e iminentes. O medo diminui ou elimina-se em condições
que tornam os males menos temíveis ou os fazem parecer inexistentes.
[1]
O dicionário Aurélio define
o medo como o que sentimos frente a noção real ou imaginária
de algo que nos ameaça. André Luiz, através da
psicografia de Francisco Cândido Xavier, em “Nosso Lar”[2]
no capítulo 42, classifica “o medo como dos piores inimigos
da criatura, por alojar-se na cidadela da alma, atacando as forças
mais profundas”. Podemos admitir facilmente que o medo atinge
a nossa alma. E quando as coisas acontecem envolvendo a nossa alma,
ficam muito mais complicadas, não é mesmo?
A doutora Susan Jeffers, em seu livro
“Como Superar o Medo”[3] diz que o grande problema frente
ao medo é que sentimos não poder enfrentá-lo. “
(...) no fundo de cada um de seus medos há simplesmente o medo
de não poder enfrentar qualquer coisa que a vida possa lhe apresentar”
assim como pensar que não consigo enfrentar uma doença,
meus erros, a perda do meu emprego ou dos meus bens, a velhice, a solidão,
a perda de um amor e assim por diante. A verdade é que se tivéssemos
certeza de que poder enfrentar qualquer coisa, não teríamos
medo de nada.
Na condição em que vivemos
neste mundo, sujeitos a ameaças e perigos de todos os tamanhos
e intensidades, na iminência de não suportar uma ameaça,
concluímos que, no final das contas, tememos a morte. O nosso
maior temor, verdadeiramente, é o medo de não suportar,
de sucumbir em alguma experiência. Não suportando, desaparecemos.
Não somos e não existimos mais. É a perda da consciência,
isto é, morrer.
O que é o medo?
A resposta é, aparentemente, simples. O medo é um impulso.
Algo nos mobiliza instantaneamente acionando as nossas defesas e então
sabemos que estamos sentindo medo. No dia-a-dia usamos expressões
que falam sobre os impulsos que sentimos. “Tive um impulso e fiz
isso ou aquilo”. “Não resisti e comprei tal coisa”.
“O meu desejo foi o de dar um tapa na cara dele”. Assim
falamos muitas vezes de situações em que temos consciência
dos nossos impulsos. O medo é, pois, mais um desses impulsos
tão comuns.
O que são impulsos de
medo?
O “Vocabulário da Psicanálise” de J.Laplanche
e J.-B.Pontalis, explica o termo pulsão utilizado por Freud desta
maneira: “Processo dinâmico que consiste numa pressão
ou força (carga energética, fato de motricidade) que faz
tender o organismo para um alvo. Segundo Freud, uma pulsão tem
origem numa excitação corporal (estado de tensão).
O objetivo dessa ação é aliviar o estado de tensão
surgido em algum momento de perigo ou ameaça. Podemos traduzir
como uma carga energética que nos leva a ação.
Como se trata de uma ação instantânea, uma resposta
do nosso organismo que nem sempre espera uma reflexão da nossa
mente, podemos definí-la como ação impensada, não
refletida, pronta e imediata, em reação a algo que nos
acontece.
Por tratar-se de uma ação
impensada, os impulsos geralmente são desqualificados como comportamentos
inadequados, gerando interferências repentinas na nossa maneira
de conviver com os outros e também de levar a gente a fazer certas
coisas. Isso fica parecendo negativo ou prejudicial, por isso é
comum atribuir-se aos medos qualidades ou tendências indesejadas,
moralmente julgados como sentimentos inferiores de fraqueza ou incompetência.
A pessoa impulsiva passa a ser apenas alguém incapaz de possuir
auto controle.
Se os medos enquanto impulsos, são
coisas boas ou más, o leitor deverá julgar e concluir
na sua experiência e em cada caso. A verdade é que se manifestamos
impulsos de medo, temos algo a melhorar em nós, na grande e permanente
tarefa do nosso auto desenvolvimento e aperfeiçoamento ao longo
da eternidade da vida.
André Luiz, em “Obreiros
da Vida Eterna” no capítulo VIII relata: “A princípio,
impulsos de reação afloraram-me no espírito surpreso.”
Para logo mais ser chamado à atenção pelo assistente.
Em atendimento ao apelo, muda a sua atitude: “Reajustei o campo
emotivo, rogando a Jesus me conferisse forças para olvidar o
“homem velho” que gritava dentro de mim.” Não
devemos pois, condenar os nossos impulsos, antes valorizá-los
como fonte de informações sobre atos mais conscientes
e de transformações a serem realizadas dentro de nós.
Dizemos que temos medos. Mas,
como os medos se aproximam e passam a nos possuir?
Podemos utilizar um esquema simplificado. A consciência do medo
passa por três momentos: percepção: é todo
o nosso ser que percebe, não só os nossos órgãos
dos sentidos; julgamento: é a capacidade de analisar e criticar
as ameaças que sentimos. expondo-nos a uma sensação
de perigo iminente; ação: é a nossa reação
propriamente dita, o momento em que decidimos se vamos lutar ou fugir
frente ao perigo ou ameaça. Como escreveu Swedenborg –
1688-1772, “a consciência é a presença de
Deus no homem”. Primeiramente tomamos consciência do perigo
ou da ameaça.
Podemos dizer que as ameaças
ou perigos que nos causam medo, possuem certas características
que podemos resumir da seguinte maneira.
O que é amedrontador, sempre
é algo que pode nos fazer mal. No dizer de Aristóteles
“o que é próximo e iminente”. Se algo não
nos puder fazer mal, se não estiver muito próximo e não
nos ameaçar, então não haverá temor.
O que eu temo pode me alcançar.
Este é o resultado da precisão do nosso julgamento sobre
a percepção que tivemos. O nosso julgamento “sabe”
o quanto eu vou ser atingido e o quanto posso vir a sofrer.
Quando nos sentimos ameaçados,
é porque temos conhecimento do que vem e de onde vem.Neste caso
contamos com as nossas experiências emocionais passadas às
quais já nos proporcionaram dados suficientes para antever o
desconforto, sofrimento e dor que a ameaça pode nos causar.
Tememos algo porque temos consciência
de quanto falta para nos alcançar. O nosso julgamento passa por
todos os nossos sentidos dando-nos a precisão da medida de tempo
e espaço. Saber lidar com este tempo cronológico e também
emocional, é parte do amadurecimento para enfrentar situações
ameaçadoras.
O desconhecimento e a falta de informações,
em geral, aparecem nas situações ameaçadoras. Na
dúvida, precisamos de esclarecimento, pois pode nos faltar a
precisão da medida, da extensão e da intensidade do que
nos causa medo. Como tendemos a nos afastar da dor ou do desconforto,
as dúvidas surgem para fazer despertar a nossa necessidade de
investigação das causas do medo.
Pelo quê ou por quem nós
tememos? Tememos, antes de mais nada, por nós mesmos. Se o meu
filho pode cair e se machucar, primeiramente temo pelo mal estar que
o seu ferimento irá me causar. A dor dele será sempre
dele e eu não posso sentir a dor do seu machucado.
Podemos ainda citar como variações
do medo, os sentimentos tais como timidez, vergonha, acanhamento, receio,
sobressalto, apreensão e inibição.
Falando em medo, o que são
as fobias?
Podemos dizer que as fobias[4], no estudo dos medos, constituem um caso
especial, porque aos olhos de quem não sofre de tais medos, os
comportamentos fóbicos são vistos como absurdos e incompreensíveis.
O objeto da fobia pode ser absurdamente
banal como um gato, um tipo especial de livro ou de cor, ou ainda um
cheiro qualquer. Medos inexplicáveis de pássaros, de insetos
e outros, que levam a pessoa a perder por completo o controle da situação.
É claro que essas pessoas passam boa parte de suas vidas buscando
superar os medos, o que nem sempre conseguem. Certa pessoa que tem medo
de pisar em ralos de banheiros, precisa tomar banho de chinelos. É
um exemplo. Existem ainda, pessoas que sentem medo de adormecer, de
ser anestesiados, de ter febre, de ruídos monótonos como
o tique taque do relógio e outros, desde os aparentemente mais
comuns até os mais bizarros.
A fobia específica, é
também conhecida como fobia simples ou histeria de angústia,
e evidencia-se por medos excessivos, persistentes ou irracionais. Podem
se manifestar na presença ou pela idéia de antecipação
de um objeto ou situação temível. A antecipação
ocorre quando o sujeito teme situações que "poderiam"
lhe causar transtornos ou um estado desagradável.
A exposição ao estímulo
fóbico, que podem estar baseados em significados simbólicos,
leva o sujeito a experimentar desmaios, fadiga, palpitações,
sudorese, náuseas, tremores. O ego fica perturbado pelo mundo
externo, que constitui uma projeção do interno. A fobia
detona um medo incontrolável, diferente do medo comum que, apesar
de ser forte, pode ser controlado polidamente. Quando a exposição
é intensa, ele pode chegar facilmente ao estado de pânico,
o que pode interferir seriamente na rotina diária ou na vida
social. A regressão a um estado infantil é comum na fobia,
onde o indivíduo pode tentar recuperar alguma proteção
ou situação favorável de que dispunha. A pessoa
fóbica permite modificações em si mesmo, ao invés
de modificar o mundo externo através de enfrentamento ou compreensão
do mundo onde existem objetos geradores desses sentimentos fóbicos.
Quem sofre de fobia passa mal até
que o objeto fóbico seja retirado da cena e do alcance dos seus
olhos. Esta é, portanto, uma doença de cunho psicológico
que pode ser tratada, e que tem suas raízes na vida inconsciente.
Os tipos de fobias são muitas. Numa relação bastante
completa podemos ter perto de trinta tipos diferentes.
Para que servem os medos? Será
útil ter medo de algo?
Os medos têm funções importantes nas nossas vidas.
Constituem fatores necessários ao nosso desenvolvimento emocional
e nos colocam frente a situações que devemos enfrentar
de qualquer jeito. Isso contribui para uma consciência mais aguçada
de quem somos e como somos. Do que somos capazes e dos nossos limites.
De quanto ainda nos falta em conhecimento, amadurecimento e competência
perante situações ameaçadoras.
O medo é o sentimento que prepara
o ser humano para reagir. Nas palavras de Paulo Gaudêncio, “o
corpo sofre uma verdadeira revolução metabólica
que visa prepará-lo para a luta ou para a fuga.(...) São
estimulantes, é o sal da vida.” É a idéia
de um certo tempero para a nossa consciência.
Os medos são pedagógicos,
podem nos ensinar.
É precioso encarar os medos como uma coisa até benéfica
na nossa vida. Pelo menos, útil. O medo nos faz ver que ainda
não somos seres iluminados. Você não acha que seria
muito estranho um espírito iluminado com medos a serem superados?
O medo pode ser comparado ao nosso lado sombrio e como espíritos
em busca da iluminação, precisamos iluminar as nossas
sombras interiores. O medo é a escuridão. Somos espíritos
que aos poucos vamos nos iluminando através da evolução.
Assim construiremos um halo de claridade para invadir as sombras do
desconhecido, portanto, dos medos.
Superar os medos significa aprendizagem.
Os atos inconseqüentes e a falta de objetivos poderão nos
assaltar facilmente se não houver o medo como algo a ser compreendido
e superado.
Os medos podem ser experiências
ruins quando usados como instrumento de coerção, controle
e exercício do poder e da autoridade sobre os outros. É
quando professores e pais usam os medos e ameaças para limitarem
seus alunos e filhos. Contos e histórias infantis que podem ser
usados como armas para amedrontar e controlar as crianças, estão
ajudando a realizar a tarefa da antipedagogia. É o antiensino.
É a deseducação.
Quais atitudes podemos ou devemos
ter quando sentimos medo?
Quando estamos de frente para um perigo que podemos dominar, ou diante
de obstáculos mais ou menos conhecidos, vamos saber reagir de
maneira adequada e proporcional. A isto nós podemos classificar
como coragem ou a nossa capacidade de enfrentamento.
O bombeiro que salva a vítima
de um incêndio é um indivíduo corajoso. Porém
o seu ato de salvamento não se confunde com o heroísmo,
uma vez que ele foi devidamente preparado e treinado para situações
de risco inerentes ao seu trabalho. Ele deve possuir características
especiais de capacidade de enfrentamento de situações
de risco, mas o faz com equipamentos e habilidades garantidas por treinamento,
ferramentas e condições pré-concebidas de acerto
em relação aos riscos vividos na situação.
A covardia é difícil ser
julgada numa pessoa porque será sempre a covardia do outro. Quem
de nós, em sã consciência, poderá apontar
o dedo para alguém acusando-o de covarde, se somos impossibilitados
de conhecer-lhe o íntimo, sentir o que lhe vai na alma para dizer
se foi covarde ou apenas prudente quando julgou o perigo grande demais
para enfrentar?
Outra atitude frente aos medos
pode ser a nossa irresponsabilidade. Trata-se de um erro de
percepção ou da nossa capacidade de julgamento. Sem medir
as conseqüências do seu ato, seja qual for a razão,
a pessoa enfrenta a ameaça e o perigo. É inconseqüente
nos seus atos, não avalia a imprudência que comete. Exemplos
comuns de imprudência, são as atitudes impulsivas ou exibicionistas
praticadas por pessoas que parecem não pensar em riscos ou cuidados.
A morte e a vida lhe são indiferentes.
Outra atitude chama-se prudência.
Ao contrário da imprudência, quando o perigo traz
em si uma ameaça de tamanho, urgência intensidade que podemos
enfrentar adequadamente e com equilíbrio. A ponderação
e a espera paciente serão melhores atitudes. O tempo concorrerá
a favor. Pode ser o momento de recuar ou estrategicamente, aguardar
uma hora mais propícia para agir. Quer seja por precaução,
ou porque conhecemos bem as nossas reações futuras, ou
porque já possuímos certa maturidade. Antes importa saber
agir com serenidade e perseverança sem imediatismos e precipitações,
como a paciência do ancião conquistada nos anos vividos
da sua vida.
Comportamentos irracionais, incompatíveis
com a ameaça percebida, dá às pessoas a impulsividade,
que faz surgir o heroísmo. O famoso herói da literatura
espanhola, Dom Quixote de La Mancha é um exemplo de heroísmo
sem consciência clara da ameaça. A poeira levantada na
estrada pelo rebanho de cordeiros que percorria a região lhe
pareceu exército de cruzados fortemente armados que vinham ao
seu encontro para guerrear. Ele também lutou contra moinhos de
vento como se fossem máquinas infernais de guerra. Tais exemplos
confirmam existir certo grau de loucura no heroísmo.
O mito do herói pressupõe
a imortalidade, característica absolutamente inexistente no ser
humano. A condição de ser finito faz com que o homem jamais
possa se auto atribuir a condição do herói. É
uma figura mítica. El Cid inspira o seu exército a travar
a batalha decisiva. Sai cavalgando a frente dos seus homens. Porém,
tinha nas costas uma estaca para que seu corpo pudesse ficar sentado
sobre o cavalo. Como homem jazia morto, tendo seu corpo sustentado por
um pedaço de pau, sobre a cela do cavalo. Como herói estava
vivo a frente dos seus comandados para derrotar o inimigo.
Algumas dicas para superar os
medos.
Primeiramente é preciso aceitar seus próprios
medos. Consiste em admitir que temos medos. Admitir também
que todos têm medos. É o primeiro e decisivo passo para
iniciar o caminho que o levará a superar os medos.
Não podemos e não devemos
duvidar dos medos que as pessoas sentem. Os medos, enquanto sentimentos,
são sempre reais. Mesmo os medos fóbicos que são
chamados de irracionais ou inexplicáveis, provocam sentimentos
verdadeiros.
É importante ajudar os outros
a reconhecerem os seus medos. Ajudar os outros neste sentido vai ser
de grande valia para todos. Se você compreende, compartilha, acredita
nos medos do outro, já estará ajudando muito.
Entre em contato com os seus medos.
Examine-os e procure entrar em contato com o que lhe causa medo. Um
exemplo muito simples é o medo de ficar sozinho em casa. Como
você ensina uma criança a perder esse medo? Aos poucos,
ganhando confiança e segurança.
Aprenda a identificar e prestar atenção
aos órgãos do seu corpo que são mais sensíveis
às situações de medo que você enfrenta. São
os chamados órgãos de choque. Esses dados são importantes
para o seu massagista, acupunturista, médico homeopata, professor
de meditação ou de ioga, e assim por diante. O nosso corpo
fala e ele tem uma linguagem própria a ser decodificada e compreendida.
Você é um espírito que habita um corpo, e essa consciência
corporal poderá ajudá-lo. Exercícios de auto hipnose,
ou de visualização podem promover essa consciência
corporal.
Procure conhecer mais sobre
os seus medos. Como? Através de terapias, conversas,
leituras, troca de experiências, arriscando-se a sentir alguns
medos. Pratique a ousadia de arriscar-se a sentir alguns medos até
que você os supere. Assista filmes que possam esclarecê-lo
e informá-lo a respeito. Teste-se nas ameaças que o impressionam.
Procure tratamentos alternativos como homeopatia, florais, cromoterapia,
meditação, relaxamento, auto sugestão, e outras
técnicas e medicinas já disponíveis. Vencer os
medos só depende de você. Ninguém poderá
isso no seu lugar.
Aprenda a praticar o auto controle.
Atualmente muitas técnicas foram desenvolvidas e, efetivamente
tem funcionado apresentando resultados benéficos. Este aprendizado
irá habilitá-lo a praticar o auto- controle e o ajudará
no seu auto desenvolvimento.
Fique atento quando a sua “zona
de conforto” for invadida ou situações limites de
“stress” estiverem acontecendo. Serão necessários
cuidados especiais para não aumentar as ansiedades ou não
provocar novas. O “stress” costuma mandar avisos. A ansiedade
que vai tomando conta de você enviará alertas úteis
prevenindo futuras situações de desequilíbrio.
Procure relaxar antes de dormir e pela
manhã antes de levantar-se ou durante o banho. Lembre-se do seguinte
aviso. Se você gastar dez minutos diários num relaxamento,
ainda tem a seu dispor vinte e três horas e cinqüenta minutos
do seu dia para viver a sua vida.
Procure abrir ilhas de auto controle
para relaxar. Se for preciso, fuja para o banheiro ou para uma sala
onde ninguém o encontre por alguns minutos. Lembre-se que a sua
atenção começa a falhar depois de uma hora e meia
ou duas de atenção concentrada. Lembre-se que os músculos
do seu corpo estão sofrendo por estarem há muito tempo
numa mesma posição. Lembre-se que o seu corpo precisa
de um copo de água fresca, na verdade, de vários copos
por dia. Lembre-se que uma volta no quarteirão, no corredor da
fábrica ou no andar de baixo do prédio do seu escritório,
podem revigorar-lhe as forças, a atenção e os reflexos
e podem fazer o seu corpo recuperar-se da fadiga.
Tenha cuidados com a alimentação.
Não é verdade que somos obrigados a experimentar e comer
de tudo. O nosso organismo tem afinidades e também incompatibilidades
com os alimentos que ingerimos. Cada organismo é uma edição
única de manifestação da vida. Os gostos são
diferentes, um precisa do salgado e outro do doce, de alimentos ácidos
e outros de substâncias alcalinas. Aprenda a observar o que faz
bem e o que faz mal na sua alimentação. Com isso você
estará promovendo o equilíbrio orgânico, e ouvindo
o que seu corpo fala. Tornar-se-á mais equilibrado(a) e seu Eu,
mais consciente.
Encerrando esse papo sobre os
medos, qual a saída? Existem saídas?
A primeira saída é deixar de controlar a situação.
Uma pessoa amiga usa uma boa imagem para representar tal atitude. Ela
diz que o medo é semelhante ao enforcador do cachorro. Quanto
mais você fizer força para escapar dele, mais estará
se enforcando. Se o cão percebesse isso sofreria menos.
O que fazemos com o medo, muitas vezes,
é o esforço extremo para escapar dele ou vencê-lo.
Transformamos os medos em algemas numa insana e infrutífera tentativa
de controle da situação. É o momento de dizer para
si mesmo: pare de querer controlar. Não somos onipotentes. Podemos
ir somente até onde uma potência maior começa a
cuidar de nós e do nosso medo. Há um momento em que temos
de abrir mão. Quando isso acontece, encontramos a primeira saída.
Quando decidimos não controlar
mais, entregamos a Deus como se diz. Não é à toa
nem por acaso, aí está a segunda saída, que só
pode ser oferecida através da fé. Quando pensamos na fé,
somos tomados pela confiança de um caminho que transcende. É
o momento de deixar o nosso Ser, finalmente descansar no seu modo de
ser mais espontâneo, verdadeiro e humilde. É quando fazemos
a entrega, seja da nossa vida, seja das circunstâncias que se
apresentam. É a compreensão maior da nossa finitude. É
quando nos tornamos, mágica, forçosa ou repentinamente,
seres finitos. Percebemos que toda a nossa vida foi vivida para compreendermos
esta finitude. Por fim, é a possibilidade de transcender como
espíritos imortais que somos. Encontramo-nos então, predispostos
a viver a eternidade em permanente evolução para a luz.
Sundartará, a Ignorante[5], uma
bailarina indiana, disse que “somos espíritos imortais
e divinos. Fortes e inalteráveis. Sempre tendentes a melhorar,
a aperfeiçoar, a apurar as nossas qualidades. A nossa missão,
uma só: evoluir”.
Referências Bibliográficas
Abbagnano, Nicola “Dicionário de Filosofia”, Edit.
Mestre Jou, São Paulo.
Alexander Lowen, “Medo da Vida”, Summus Editorial, São
Paulo.
Bíblia Sagrada, tradução de João Ferreira
de Almeida, Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro.
Xavier, Francisco C., pelo Espírito André Luiz, “Nosso
Lar”, 46ª edição, FEB.
___________, pelo Espírito André Luiz, “Obreiros
da Vida Eterna”, 22ª edição, Federação
Espírita Brasileira.
Gaudêncio, Paulo, “Minhas Razões Tuas Razões”,
Edit. Gente, São Paulo.
___________, “Men at Work”, Edit. Memnon, São Paulo,
1995.
Goleman, Daniel – Ph.D, “Inteligência Emocional”,
Edit. Objetiva, RJ., 1995.
Granja, Pedro, “Afinal, quem somos?”, Coleção
Filosófica Edicel, 8ª edição, sem citação
de ano de publicação.
J. Herculano Pires, “O Mistério do Ser ante a Dor e a Morte”,
Edit. Paidéia, São Paulo, 1981.
___________, “Educação para a Morte”, Edit.
Correio Fraterno do ABC, 1984, São Paulo.
J. Laplanche - J.-B.Pontalis, “Vocabulário da Psicanálise”
Moraes Editores, Lisboa, Portugal.
Jeffers, Susan, Ph.D., “Como Superar o Medo”, Edit. Cultrix,
São Paulo
Penteado, J. R. Whitaker, “A Técnica da Comunicação
Humana”, Liv. Pioneira Editora, São Paulo, 1977.
Revista “Caros Amigos”, Ano 1, nº 12, Março
de 1998, Edit. Casa Amarela, São Paulo.
Rilke, Rainer Maria, “Cartas a um Jovem Poeta”, Edit. Globo,
Porto Alegre, 1980.
Rónai, Paulo, “Dicionário Universal de Citações”,
Círculo do Livro, Edit. Nova Fronteira, São Paulo, 1985.
------------------------------
[1] Dicionário de Filosofia, de Nicola Abbagnano, citado no vocábulo
Emoção, Edit. Mestre Jou, São Paulo, 1970.
[2] “Nosso Lar”, livro ditado pelo Espírito André
Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, Capítulo
42, pág. 231, 46ª edição, FEB, Rio de Janeiro
[3] “Como Superar o Medo”, de Susan Jeffers, Ph.D., pág.
17 e seguintes, Edit. Cultrix, 1995, São Paulo.
[4] Este texto sobre as Fobias contou com informações
extraídas do texto “Medos, Temores e Fobias” de Oscar
Quiroga, Psicólogo e de Márcia L. Z. Bidel em texto disponível
na Internet.
[5] Citado por Monteiro Lobato ao prefaciar o livro de Pedro Granja
“Afinal, quem somos?” – Coleção Filosófica
Edicel, 8ª Edição, sem citação do ano
de publicação.
Fonte: Revista Literária Espírita
DELFOS
http://www.terraespiritual.locaweb.com.br
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