Espiritualidade e Sociedade



Pedro Camilo

>     Festas Juninas e venda de bebidas alcoólicas pelas Casas Espíritas

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Pedro Camilo
>    Festas Juninas e venda de bebidas alcoólicas pelas Casas Espíritas

 

Tenho conversado com confrades de toda parte sobre a realização de festas juninas e semelhantes pelas Casas Espíritas, com venda de bebida alcoólica. Perguntam-me o que penso de uma e de outra, como vejo a questão.

Inicialmente, as festas juninas. Realizadas com o fim de integrar os trabalhadores e angariar fundos para construções, têm se multiplicado, tornando-se tradicionais em alguns grupos. Tal como elas, jantares italianos, feijoadas, cafés da manhã e semelhantes.

Particularmente, nada contra. Penso que, como todo movimento filosófico e religioso, o Movimento Espírita também sofre influência dos elementos culturais de cada região. É natural que as referências pessoais e coletivas determinem a assimilação de costumes e sua incorporação saudável aos hábitos de certos grupos espíritas.

Assim, jantares comemorativos, almoços confraternativos, eventos para angariar recursos, haja vista que as Casas Espíritas têm contas a pagar, são naturais e devem ser mantidos dentro dos padrões de bom comportamento, boa organização e bom senso, para não estimular a sensualidade, a glutonaria e os excessos de todo tipo.

Entretanto, é preciso boa reflexão sobre a venda de bebidas alcoólicas nessas ocasiões. Temos assistido ao grande estrago que o vício do álcool tem ocasionado a pessoas e famílias. A própria legislação de trânsito, atenta a isto, tem intensificado o rigor no combate ao uso de álcool na direção de veículos automotores.

Pessoas, cada vez mais dependentes, utilizam-se do álcool como fuga da realidade, mergulham nas drogas mais pesadas estimuladas pelo seu uso, adoecem física e espiritualmente e comprometem a própria existência em sua razão.

As reuniões mediúnicas, laboratório de almas que são, assistem à manifestação de alcoolistas desencarnados que acusam o grande estrago que o vício causou em suas existências, concitando-nos à temperança, à vigilância.

Será certo que nós, como espíritas, estimulemos o seu consumo, a ponto de vender bebidas alcoólicas em nossas comemorações? Será que os fins – arrecadação de fundos – justificam os meios – estímulo à viciação? Estaremos, de fato, atendendo aos desígnios superiores que o Espiritismo encerra?

Que cada um tem o direito de querer beber, e na quantidade que quiser, isso não se nega. O livre-arbítrio está aí e não devemos ser sensores do comportamento alheio. Contudo, não devemos ocupar o papel espúrio daqueles que exploram as misérias alheias, locupletando-nos com os vícios que alimentam. Se nos convier fazê-lo, também o foi para os católicos que, na Idade Média, venderam um pedaço do Céu, como ainda o é para certos grupos, que vendem a felicidade em seus arraias religiosos, sob diversas formas.

A proposta espírita é consolar e esclarecer, nunca estimular o erro ou perpetrá-lo. Cuidemos de nossos grupamentos espíritas e de suas realizações, frente às graves responsabilidades que assumimos perante a nossa própria consciência.

Não nos transformemos em vendilhões do templo, pois correremos o risco de ser recebidos, pelo Cristo, não de braços abertos, mas de chicote em punho, na qualidade de hipócritas.

Conhecemos uma verdade que escapa à grande maioria das pessoas – a imortalidade da alma – e devemos libertá-las, como propõe Jesus, quando recomenda o conhecimento da verdade como instrumento de libertação. Ou deveremos aprisioná-las, explorando seus vícios e limitações sob o discurso de que é preciso “fazer dinheiro”, a todo custo, para promover o Bem?

 

 

Fonte: http://espiritismo-piracicaba.blogspot.pt/2012/06/festas-juninas-e-venda-de-bebidas.html

 



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