Marcus Vinícius de Azevedo Braga

>   Sexualidade e responsabilidade

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Marcus Vinícius de Azevedo Braga
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“Sexualidade e responsabilidade andam de mãos dadas”

O autor do livro “Alegria de Servir” fala sobre sexualidade e diz
que a questão do sexo e suas implicações devem
ser objeto de reflexão, estudo e diálogo


Marcus Vinicius de Azevedo Braga (foto) é pedagogo, Mestre em Educação e articulista em diversos veículos da imprensa espírita e colaborador da revista “O Consolador”. Orador espírita, atua na evangelização da Juventude do Grêmio Espírita Atualpa Barbosa Lima, de Brasília-DF, sendo autor do Livro “Alegria de Servir”, publicado pela Editora da FEB.


Como lidar com a força dos impulsos sexuais que afloram na fase juvenil?

Bem, de tudo que se discutiu até hoje sobre o assunto, a história da humanidade nos mostrou que a repressão pura, a negação, não é o caminho ideal. Essa postura leva a situações ligadas a mentiras, a problemas psicológicos e ainda, em alguns casos, ao crime e à perversão. Tudo deriva da maneira com que enxergamos as energias sexuais. Essas são energias criativas, ligadas à afetividade e não coisas sujas ou temidas. Como toda energia, causa medo e demanda educação, respeito ao próximo e a si mesmo.

Na fase juvenil, além da questão hormonal e da maior liberdade e autonomia, somos bombardeados por impulsos externos dos meios de comunicação e dos grupos de amigos, que exercem grande influência, em especial na questão da conduta afetiva. Nesse caldo de forças, o jovem deve buscar no diálogo com pessoas que ele considere maduras, e na leitura de obras sérias, construir a sua opinião sobre essas questões, sabendo dosar teoria e prática. Nesse ponto, a atividade da juventude espírita é fundamental. Lembro-me dos meus tempos de mocidade, em que esse tema era recorrente e de forma palpitante chamava a atenção dos jovens.


Por que o sexo sem compromisso tem tanto destaque, principalmente nas épocas festivas como o carnaval?

O sexo é ligado à ideia de prazer, algo muito valorizado atualmente, e funciona como apelativo para se vender programas, produtos, eventos. Não é só uma questão do carnaval, mas a sexualidade está na questão maior do turismo sexual, da prostituição infantil, dos produtos para crianças focados nos adultos, na visão do ser humano como objeto etc. Além disso, vivemos uma época de valorização da liberdade, do direito de escolher o que fazer e o que consumir, em que as aventuras sexuais despertam o sonho de jovens e adultos, em ideias de quantidade ao invés de qualidade e, ainda, de qualidade ligada estritamente a formas e fama.

Nesse contexto de catalisador de consumo, vendido como uma corrida frenética de adquirir “alvos”, crescemos e vivemos, homens e mulheres, às vezes sem perceber esse processo, a sua transitoriedade e tudo de bom que o sexo realmente pode trazer a nossas vidas. Como disse anteriormente, a questão do conservadorismo extremo e da liberdade sem noção, ambas as posturas vêm da nossa visão das forças sexuais e de fugas da nossa dificuldade de construir relações com sentimento e maduras, o que creio ser o maior desafio posto nos dias atuais.


Quando seria o momento correto para o jovem ter relações sexuais? Deveria ser apenas após o casamento?

Essa é aquela pergunta em que, se o entrevistado responder: antes do casamento, o jovem a guardará em casa em uma moldura, dizendo à mãe: “Ó, fulano, que é espírita, me deu aval! Uh uh!”. E se disser: só depois, a menina que engravidar na juventude será queimada na fogueira sob a leitura da entrevista. Penso que o momento do início da vida sexual é uma questão íntima. Mais importante do que o quando, é o “com quem” e o porquê. Penso também que se deve refletir se quer iniciar a vida sexual para dizer aos amigos e não ser mais vítima de anedotas, ou, ainda, para segurar o namorado, ou se é fruto do amadurecimento de uma relação. Por fim, uma das consequências da vida sexual ativa é a possibilidade da gravidez, o que envolve questões financeiras e profissionais dos pais em relação ao novo Espírito. Não pensar nisso é irresponsabilidade “in natura”. Acho que aí cada jovem já tem seus elementos para pensar e começar a decidir coisas na vida, em um natural processo de crescimento, em que podemos ajudá-los e não substituí-los.


Há “privacidade” na realização do ato sexual, em relação à presença de Espíritos desencarnados?

Bem, também nos perguntamos se existem Espíritos quando vamos ao sanitário, quando fazemos provas escolares, quando cortamos a unha. Penso que os Espíritos mais amadurecidos se ligam a questões de maior relevância e, no caso do ato sexual, creio que essa se dá em relação a questões da reencarnação de novos Espíritos. Obviamente, que se existe um Espírito com uma ligação de ódio muito grande entre os amantes, ele pode estar ali perto, esbravejar e até interferir. Mas, em minha opinião, isso não se prende ao ato ser sexual e sim às pessoas envolvidas. Lembremos: tudo reside na nossa visão das forças sexuais!


O que você tem a dizer com a relação à gravidez precoce, quando ela compromete a concretização dos planos de vida de ambos os envolvidos? Mesmo nesses casos, a gravidez é sempre uma dádiva?

Quem disse que a gravidez compromete a concretização dos planos de vida de ambos os envolvidos? Vai tornar mais difícil, mas comprometer? Não, a vida é repleta de desafios e a gravidez precoce (ou não planejada) é um deles, que nos traz grandes alegrias, na dádiva que é ter um filho(a). Logicamente, força um amadurecimento dos envolvidos, mas até hoje não soube de ninguém que desencarnou dessa causa. Aqueles que se veem diante de uma gravidez precoce e a enfrentam com maturidade e, dependendo da idade, contando com seguro apoio da família, são heróis e dignos de aplauso e não de reprimenda. Vivemos situações curiosas no mundo: a mãe solteira ou o jovem casal da gravidez precoce são massacrados pela comunidade e o casal que aborta silenciosamente vive no paraíso da inconsciência entre as pessoas. Devemos enxergar essa questão para mais além, percebendo a maturidade dos desafios. Como dito, sexualidade e responsabilidade andam de mãos dadas, literalmente...


Por que o ato sexual foi, e ainda é, por várias pessoas, entendido como sinônimo de pecado e promiscuidade?

Porque arrastamos dos anos de dominação católica no país uma visão muito estreita dessa questão e, apesar do dito pelos Espíritos em obras como “Vida e Sexo” (Emmanuel/Chico Xavier) ou em textos de autores encarnados como Jorge Andréa (Forças sexuais da alma), não mudamos a nossa forma de ver a vida e continuamos a enxergar a sexualidade como algo negativo, quase um mal necessário. Com a AIDS ainda profusa na África, vemos ainda a Igreja proibir o uso do preservativo. Desse reino do proibido, surge essa gama de hipocrisias que o Espiritismo se dispôs a combater. Acrescentando: na casa espírita ainda vemos a jovem expulsa de nossas fileiras pela gravidez precoce, a mulher reprovada por ter se separado e iniciado nova relação e, ainda, negamos o tema nas nossas discussões na doce ilusão de que, se não falarmos nada, nada acontecerá, é só ficar quietinhos... Essa mentalidade do mundo bonitinho e dos problemas varridos para debaixo do tapete, a história nos provou que é inócua.

A questão do sexo e suas discussões correlatas deve ser objeto de reflexão, de estudo, de diálogo e, ainda, de fortalecimento de corações e mentes, pois a juventude espírita deve preparar aquele Espírito para os desafios do mundo, e isso inclui o campo afetivo! Às vezes discutimos temas de menor relevância no currículo da juventude espírita e passamos ausentes dessa temática, nos dez anos que o jovem passa pela escola de evangelização, seja pelo medo, seja pela falta de pessoas interessadas.

Para concluir, gostaria de indicar três artigos que tratam de alguma forma dos temas aqui expostos e que publiquei na revista eletrônica “O Consolador”, e são eles:

Namoro Espírita -
http://www.oconsolador.com.br/ano4/193/marcus_braga.html

O aborto, o abandono e a roda dos séculos:
http://www.oconsolador.com.br/ano6/263/marcus_braga.html

Reflexões sobre a vida a dois
http://www.oconsolador.com.br/ano4/202/marcus_braga.html

 

 

Fonte: http://www.oconsolador.com.br/ano7/319/entrevista.html

 


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