MARCUS VINICIUS DE AZEVEDO BRAGA
Nossa relação com a mediunidade...
Não anda
muito boa, como desde sempre... Continuamos idolatrando médiuns,
principalmente os chamados médiuns de cura. Ainda buscamos respostas
para o nosso problema pessoal X e a nossa dúvida Y na via mediúnica,
o que um pouco de reflexão e a leitura edificante poderiam resolver.
Mistificamos salas, mesas, objetos, reuniões, como se não
houvesse Espíritos por toda a parte e todo lugar não fosse
criação do Pai celestial.
Nós valorizamos ainda o livro
psicografado, mesmo que nele esteja um sem-número de inconsistências;
mas relegamos a segundo plano obras de encarnados fruto de longas reflexões.
Confundimos as orientações mediúnicas com a vida
administrativa da casa espírita; gostamos da foto daquele mentor,
ilustrando as dependências da casa espírita e, ainda, fazemos
filas para assistir ao maravilhoso fenômeno, como curiosos da
era vitoriana.
Os Espíritos são os homens
desencarnados, amigos e inimigos de ontem que se alternam conosco nas
lutas da matéria. Isso Kardec já asseverava com propriedade...
A mediunidade é via bendita de trabalho, na reunião mediúnica
de atendimento a Espíritos sofredores, no consolo a mães
aflitas, nas mensagens de esclarecimento e reflexão, como bem
exemplificou na conduta mediúnica Francisco Cândido Xavier,
que, apesar de suas faculdades, se mantinha a par de personalismos,
na valorosa mediunidade com Jesus.
A mediunidade não é um
superpoder de um herói de filme e nem uma tenda de milagres.
É uma possibilidade que, se não for bem conduzida, pode
enveredar para caminhos perigosos. Entretanto, o médium é
ser humano, falível, com necessidades e anseios. Os Espíritos,
também, homens de outras eras, estão conosco nesta caminhada
evolutiva no orbe terrestre.
Por isso, insta analisarmos a nossa
relação com a mediunidade, a nossa e a dos outros. O que
queremos dela? O que pensamos disso? Precisamos estudar, não
só os aspectos práticos e científicos da questão
mediúnica, mas o seu aspecto filosófico, para não
nos tornarmos vítimas de armadilhas e de ilusões.
Somente assim poderemos enxergar a mediunidade
com a naturalidade que lhe é própria, ainda que requeira
cuidados e preparo, como qualquer potencialidade do ser humano.
Fonte: http://www.oconsolador.com.br/ano5/209/marcus_braga.html