Marcus Vinícius de Azevedo Braga

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Marcus Vinícius de Azevedo Braga
Os filhos da COMEERJ

 

 

Gostaria de iniciar esse artigo compartilhando uma experiência pessoal... No último carnaval desloquei-me da Capital Federal, percorrendo mais de mil quilômetros (de ônibus), no intento de levar a minha filha adolescente para participar da sua primeira COMEERJ - Confraternização de Mocidades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro, no meu caso, no Polo da cidade de Petrópolis-RJ (Polo II – Belém).

Na sua 33a edição, para os que não a conhecem, a COMEERJ é um encontro de jovens espíritas no feriado do carnaval, que ocorre no Estado do Rio de Janeiro, dividido em polos (hoje são 19), onde cerca de 250 jovens por polo passam esses quatro dias nas dependências de uma escola pública, envoltos em atividades de estudo, permeadas de dinâmicas de grupo e expressões artísticas, em um ambiente de amizade e confraternização. Não se trata de um retiro ou um isolamento do mundo e sim uma oportunidade de estudo e reflexão em conjunto, movida pela mais pura amizade.

Esse evento, promovido atualmente pela área de educação espírita do Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro – CEERJ, foi e continua sendo um momento mágico na vida dos jovens nesses trinta e três anos. Difícil descrever essa experiência com a limitação das palavras. Falo isso, pois fui a várias como confraternista e como membro de equipe e sinto essa carência de meios de narrar o que realmente significa a COMEERJ para um jovem espírita.

Já em meados de junho ficávamos ansiosos para saber qual seria o tema da COMEERJ e, passado o encontro, só se falava dele nas rodinhas da juventude espírita durante algumas semanas. Sem chamarizes ou prêmios, a COMEERJ atrai os jovens pela força do sentimento que transborda naqueles quatro dias, criando um vínculo sólido e profundo com a doutrina espírita, vivenciada e sentida.

O tema da COMEERJ é o seu eixo pedagógico, onde se desenvolvem as atividades de estudo, as peças artísticas e todas as demais ações que, de forma integrada, constroem nos quatros dias a reflexão coletiva e individual sobre aquele tema. Digo isso, pois, apesar de ser uma confraternização no nome, trata-se de fato de um celeiro farto de estudos e reflexões, que talha no coração de vários jovens o vínculo indelével com a doutrina espírita e com o trabalho no bem.

A contribuição da COMEERJ é pluridimensional. Muito se produziu em termos de músicas para o movimento espírita nesse encontro, nas suas variadas edições. Além disso, toda uma geração de evangelizadores de juventude se formou à sombra dessa árvore chamada COMEERJ. Técnicas, abordagens, experiências, visões... Um cabedal de “know-how” de evangelização juvenil floresceu nesses trabalhadores, a se irradiar no cotidiano das casas espíritas do Rio de Janeiro e do Brasil, nos caminhos insondáveis do futuro, em iniciativas imensuráveis por conta dessa influência.

Poucas vezes em minha vida vi um trabalho voluntário dessa envergadura funcionar tão bem! A organização da COMEERJ, com suas diversas equipes, envolve uma preparação prévia, com reuniões, estudos e discussões, por domingos a fio, na busca de oferecer àqueles jovens o carinho no estudo, na alimentação, na estrutura, nos murais etc. Tudo com muita amizade, compromisso e sintonia com a espiritualidade, em um respeitoso clima de trabalho entre os tarefeiros, muitos deles ex-confraternistas, outros com décadas de contribuição na causa espírita.

Ainda em meu depoimento pessoal, na “entrega” de minha filha na recepção da COMEERJ, com atraso devido a problemas mecânicos com o ônibus na ensolarada Avenida Brasil, encontrei antigos companheiros de COMEERJ nas equipes de trabalho, assim como seus filhos como jovens confraternistas, estampando no rosto a mesma alegria que experimentei outrora naquelas canções e momentos. O mundo mudou, com suas maravilhas tecnológicas, mas vejo cada jovem daqueles seduzido pela magia de encontrar o outro e, juntos, encontrarem o Cristo.

Observamos gerações se sucedendo no espírito da COMEERJ, filhos virando pais de filhos que vivenciam agora a grandeza dessa comunhão de Espíritos encarnados e desencarnados. Sim, a COMEERJ também é um grande trabalho no plano espiritual, no atendimento de Espíritos sofredores, na imersão da vibração daquele encontro.

Entretanto, o grande trabalho da COMEERJ, em minha opinião, é na vida daqueles jovens, na sua capacidade de despertar neles a espiritualidade, de mexer com seus sentimentos, com a sua visão da vida e com a sua relação com a doutrina espírita. A COMEERJ surge como uma “carga coletiva” na bateria das juventudes espíritas fluminenses, um momento de comunhão e de sinergia, onde um mais um é sempre mais que dois. Em momentos difíceis da vida, lembramo-nos daquelas músicas, dos momentos singelos, que nos avisam que outro mundo é possível.

Em uma produção incessante, a COMEERJ continua espalhando seus filhos pelo mundo. Olhar para o passado, olhar para frente, olhar para o lado... Em todas essas ocasiões enxergamos os filhos desse movimento de mocidades espíritas, deixando a marca da COMEERJ em textos, trabalhos assistenciais, palestras, sites, eventos, músicas e peças de teatro espalhados pelo movimento espírita.

A COMEERJ produz e se reproduz, não como um padrão de evento, mas como o espírito de construção de atividades customizadas para o jovem, em uma linguagem própria, em um acolhimento peculiar, preparando não só as futuras gerações do movimento espírita, mas sim construindo em cada um daqueles corações idealistas o homem de bem que Jesus espera de nós, em um momento de tantas bifurcações e conflitos como é a juventude.

A jovem lá de casa adorou o encontro, os amigos, as músicas, as atividades, os estudos... Povoou suas redes sociais de amigos da COMEERJ. Na minha chegada, na quarta-feira de cinzas, fui recebido com um solene “- Como faço para me inscrever para o ano que vem?”. O mesmo sentimento de meus tempos de COMEERJ, como jovem. Um sentimento herdado e ao mesmo tempo construído pelos anônimos e incansáveis trabalhadores dessa seara, do lado de lá e de cá.

 

Fonte:  http://www.oconsolador.com.br/ano6/259/marcus_braga.html

 

 


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