Espiritualidade e Sociedade



Vera Meira Bestene

>   Eu e a ideia de Deus

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Vera Meira Bestene
>   Eu e a ideia de Deus


"Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim.”
Eclesiastes 3:11


Eu... Quem sou eu? Sou o que penso, o que aprendo, o que sinto. Sou a consciência ininterrupta da individualidade que cada um tem. Eu existo, vivo, vivencio toda realidade concreta. Tenho potencial de conhecimento latente, não utilizado no presente; tenho também o potencial de conhecimento do que está sendo construído, alcançado. Tenho, portanto, um conjunto de conhecimentos que devem ser levados em conta para superar os problemas do cotidiano.

E o que eu penso de Deus? Sei que Deus é imutável, pois que as leis do universo têm estabilidade; é imaterial, sua natureza difere de tudo que chamamos matéria; é único, se houvesse vários deuses não haveria unidade de poder no ordenamento do universo; é onipotente, porque sendo único tem somente ele o soberano poder; é soberanamente bom e justo, porque a sabedoria das leis divinas se revela nas pequenas e nas grandes coisas e, essa sabedoria não nos permite duvidar nem de sua justiça, nem de sua bondade e também é infinito em todas as suas perfeições.

Assim me ensinaram a ver Deus. Mas eu queria descobrir Deus por mim mesma...

Um dia, quando buscava a prova da existência de Deus, lembrei-me que toda causa gera efeitos e que não há efeitos sem causa. Procurei saber a causa primeira de todas as coisas, do que existia na natureza, da minha própria existência. Procurei saber quem seria a inteligência suprema que foi capaz de criar coisas tão perfeitas como o mecanismo, a engrenagem, do ser humano; como o desabrochar de uma rosa; como o nascer do sol e a existência de todas as estrelas no firmamento. Aí encontrei Deus.

Mas continuei minha busca e mais uma vez a razão me mostrou que tudo o que não era obra do homem, era obra de Deus. Assim vejo em cada obra da criação, em cada ser da natureza, uma prova da existência de Deus, sua natureza infinita.

Segui meu caminho de interrogações. Ainda não estava convencida, embora já tivesse chegado a ponto de ver nitidamente a grandeza da criação.

Verifiquei que Deus é o princípio inteligente que rege a matéria, o ser humano, o pensamento, a razão... Ele não está limitado à humanidade, ao planeta Terra ou mesmo à Via Láctea. Deus abrange todas as coisas, todos os seres vivos, inteligentes ou não.

Encontrei em Deus a verdadeira expressão de amor e caridade.

Na criação encontrei, além do amor e da caridade, o objetivo final de todo ser que nada mais é senão a perfeição, que tem como resultado o gozo da felicidade suprema.

Passei a ver que Deus é a própria expressão da vida, é a dinâmica da vida que se revela todos os dias em nós mesmos. É nossa capacidade de amar e de fazer coisas boas.

A visão histórica mostra que Deus está ligado aos mais variados conceitos, conforme a capacidade de compreensão dos povos, conforme o período em que viviam, e estes conceitos foram variando, mudando, na medida em que iam escapando às expectativas das pessoas, dos grupos sociais.

Aos poucos, Deus foi deixando de ser Deus entre outros deuses; Deus de um só povo, o que comandava os exércitos e esmagava seus inimigos. Deixou de ser o Deus que castiga, que provoca medo e controla a vida das pessoas.

Comecei, então, a perceber que Deus não se relaciona com o mágico ou o místico. Vi que se Ele não era matéria, nem tinha forma definida e tampouco estava restrito a uma pessoa, e também não se confunde com coisas ou pessoas, mas é a essência de todos, percebi que Deus é amor e perdão.

Assim compreendi, finalmente, que Deus não aceita ser comprado por promessas vãs, que não aceita oferendas ou sacrifícios. Não concede favores ou protege alguém em especial. Deus abrange todas as coisas e pessoas, sem punir, sem castigar ou mesmo executar sentenças.

A compreensão que o ser vai tendo de Deus é construída gradativamente, e assim passamos a ter a perfeita relação do eu com a idéia que fazemos de Deus que, na visão simples, pode-se perceber que Deus é essencialmente vida, amor, paz e compreensão; é inteligência, justiça, caridade suprema, onipotência, onipresença, onisciência, verdade universal. É, portanto, a unidade que se revela todos os dias quando procuramos o mais profundo de nós mesmos, nossos melhores sentimentos, nossas alegrias e manifestações de amor.

 


Fonte: http://www.geae.inf.br

 


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