Eveline Stella de Araujo
MÉDICOS, MÉDIUNS E MEDIAÇÕES:
UM ESTUDO ETNOGRÁFICO SOBRE MÉDICOS-ESPÍRITAS
Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós
Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal
do Paraná para obtenção de título de mestre
em Antropologia Social.
Orientadora: Profª. Drª. Sandra Jaqueline Stoll.
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Resumo
A hipótese que norteou esta pesquisa é
a de um campo relacional entre ciência e religião, pensado
a partir da verificação de espaços nos quais se
constata a atuação de médicos espíritas.
Conforme Turner, a dialética do ciclo de desenvolvimento é
um processo relacionado às categorias liminares, como a dos médicos-espíritas.
A opção por observar três locais dessas atuações
– um centro espírita, um hospital espírita e uma
associação médico-espírita – permitiu
a compreender as relações desses profissionais com o sistema
ritual espírita composto segundo Cavalcanti pela caridade, pela
mediunidade e pelo estudo.
A terapêutica espírita, entendida como ritual, permite
a elaboração de novos conhecimentos nos termos de Geertz
(1973), ao tornar inteligível pela experiência uma teoria
do espírito. Esse conhecimento permite uma reinterpretação
de conceitos médicos, tais como o de saúde e doença,
incluindo a dimensão espiritual tanto na causalidade das doenças
como na escolha do tratamento.
A mediação entre ciência e religião é
realizada nestes termos pelas características do sistema ritual,
e a eficácia desta mediação na hipótese
desta pesquisa está relacionada ao domínio dos dois códigos
– o médico e o espírita – por parte do profissional
médico espírita. A organização em associações
e a constituição de um movimento médico-espírita
permite a essa categoria um diálogo com seus pares e a sociedade
mais ampla, conseguindo legitimar gradativamente através de pesquisas
e inserções no campo científico, os fundamentos
que norteiam a sua prática.
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