A luta antimanicomial, o mais importante movimento pela reforma psiquiátrica
no brasil, teve início durante o regime militar e ainda enfrenta
desafios
Sempre que algum aluno me pergunta o que deve ler para
começar a compreender a questão da luta antimanicomial
e da reforma psiquiátrica, indico sem pestanejar "O
alienista", de Machado de Assis,
conto publicado sob forma de folhetim entre 1881 e 1882. Machado foi,
sem sombra de dúvida, o pioneiro na crítica ao saber e
às instituições psiquiátricas no Brasil
(e talvez no mundo - "Enfermaria no 6",
de Anton Tchekhov, é de 1892). Nesse conto clássico,
Machado antecipou todas as críticas ao paradigma psiquiátrico
que anos depois seriam aprofundadas por autores como Michel Foucault,
Franco Basaglia, Erving Goffman, Ronald Laing, David Cooper, entre outros.
É realmente impressionante a sagacidade do autor,
a forma como ele apreende o processo de constituição da
psiquiatria e como identifica e destaca seus pontos mais frágeis
e seus dispositivos de poder. Primeiro quando se refere à necessidade
de criação do hospício como uma demanda externa,
artificial, vinda de um cientista recém-chegado da Europa: "A
vereança de Itaguaí, entre outros pecados de que é
argüida pelos cronistas, tinha o de não fazer caso dos dementes",
diz Simão Bacamarte, protagonista
da história. Depois quando evoca o princípio universal
de internar todos os loucos em um único espaço, pois só
aí seria possível pesquisar e identificar todos os tipos
de loucura. Sem falar na idéia segundo a qual a loucura seria
a ausência da razão: "Suponho o espírito humano
uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair
a pérola, que é a razão; por outros termos, demarquemos
definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão
é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí
insânia, insânia e só insânia".
Em "O alienista" tudo nos aproxima da história
real de Philippe Pinel e de seu trabalho na construção
do alienismo no final do século XVIII. Suspeito, aliás,
que Machado de Assis tenha acompanhado bem de perto a trajetória
de João Carlos Teixeira Brandão, conhecido como o "Pinel
Brasileiro". Fundador da psiquiatria brasileira, Brandão
fez severas críticas ao primeiro hospício no país,
o D. Pedro II, no Rio de Janeiro, do qual foi nomeado diretor médico
em 1890. Nesse mesmo ano, assumiu também a direção
da Assistência Médico-Legal aos Alienados, o primeiro órgão
nacional de normatização e coordenação da
assistência psiquiátrica.
Com Machado de Assis podemos questionar: por que um
saber tão frágil e inconsistente acumula tanto poder?
Essa foi a pergunta de Foucault, muito tempo depois de Simão
Bacamarte já havê-la respondido. Aliás, se Machado
tivesse escrito "O alienista" um século depois, poderíamos
concluir que Foucault, Basaglia e todos os outros aos quais me referi
acima estavam entre suas leituras.
Ou poderíamos suspeitar que foram eles que leram
o Bruxo do Cosme Velho, mas não o citaram em suas obras. Por
intermédio de Simão Bacamarte, Machado questiona a idéia
de ciência como produtora de verdade e sua pretensão de
se apresentar como um saber neutro e desinteressado; denuncia a função
da psiquiatria na construção do ideal de normalidade e
de sociedade, bem como a relação entre a psiquiatria e
ordem pública.
Inicialmente é importante observar que a psiquiatria
como atualmente a conhecemos nasceu com o nome de alienismo. Essa foi
a denominação dada por Pinel à ciência dedicada
ao estudo da alienação mental. Reconhecido como o pai
da psiquiatria, uma enorme quantidade de hospitais psiquiátricos
em todo o mundo leva seu nome; nome esse que também virou sinônimo
popular e pejorativo de "louco" em muitos países. A
expressão "alienado" tem a mesma origem etimológica
de alienígena, alien, estrangeiro, de fora do mundo e da realidade.
Colônias de Alienados
Em A ordem psiquiátrica: a idade de
ouro do alienismo, Robert Castel
analisa as estratégias adotadas na construção do
que ele denomina de síntese alienista. E destaca, em primeiro
lugar, o conceito de alienação mental como distúrbio
da razão, que torna o alienado alguém incapaz de exercer
a cidadania, historicamente resgatada como princípio da democracia
e da república instalada na França revolucionária
de Pinel. É importante lembrar
que o médico francês foi deputado federal constituinte,
um político atuante que participou da elaboração
da primeira carta constitucional - que deu origem à Declaração
Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão. Um segundo aspecto
discutido por Castel é o princípio do isolamento, recurso
necessário para retirar o alienado do meio confuso e desordenado
e incluí-lo em uma instituição disciplinar regida
por regulamentos, normas, rotinas, mecanismos vários de gestão
da vida cotidiana que, em tese, reordenariam o mundo interno do alienado
e o resgatariam para a razão. Essa perspectiva já delineia
o terceiro aspecto da síntese alienista, que caracteriza a estratégia
denominada tratamento moral, um conjunto de medidas que submeteriam
o alienado ao jugo da ordem e da norma.
Uma das mais importantes aplicações do tratamento moral
estava no trabalho. Daí a origem de inúmeras instituições
psiquiátricas, denominadas "colônias
de alienados", espalhadas por todo o mundo, particularmente
no Brasil, onde foram responsáveis por parte considerável
de nossos quase 100 mil leitos psiquiátricos no final da década
de 1980. A idéia era levar os alienados para os hospitais-colônia,
onde pudessem trabalhar, principalmente na lavoura, pois o trabalho
os recuperaria. A expressão "colônia" é
muito curiosa e provém da noção de um aglomerado
de pessoas de uma mesma origem que se estabelecem em terra estranha,
voltadas para um mesmo objetivo. Com essa concepção foram
criadas, em 1890, meses após a proclamação da República,
as primeiras colônias de alienados do Brasil, na Ilha do Governador,
estado do Rio de Janeiro. Lá trabalhou o pai do escritor Lima
Barreto que, assim como o filho, foi mais tarde internado num hospício.
Isso resultou, pelas mãos do filho, em algumas das mais importantes
obras da literatura brasileira, todas elas muito críticas ao
modelo e às instituições psiquiátricas:
o Diário do hospício, O cemitério dos vivos e Como
o homem chegou. Não considero equivocado incluir, no aspecto
da crítica à ciência e ao positivismo de Estado,
o Triste fim de Policarpo Quaresma - outra obra-prima.
Considerando a extensão
do Brasil, assistimos a uma proliferação de macrocolônias
de alienados por todos os cantos do território nacional,
quase todas criadas pelos psiquiatras Juliano Moreira e Adauto Botelho,
diretores nacionais de assistência psiquiátrica entre 1910
e 1930, e 1930 e 1940, respectivamente. Em quase todos os estados existem
ou existiram manicômios com o nome de um ou de outro, quando não
de ambos. A colônia do Juqueri, em São Paulo, foi a maior
de todas, chegando a abrigar 16 mil internos.
No início dos anos 40 havia 24 mil leitos psiquiátricos
no Brasil, dos quais 21 mil eram públicos e 3 mil privados. Depois
do golpe militar de 64, o setor saúde viveu o mais radical processo
de privatização do mundo. A psiquiatria foi a área
mais explorada e preferida pelas empresas privadas, na medida em que
a falta de direitos dos usuários, somada à baixa exigência
de qualidade no setor, facilitava a construção ou transformação
de velhos galpões em "enfermarias". A "indústria
da loucura", como ficou conhecida, fez o número de leitos
saltar de 3 mil para quase 56 mil, ao mesmo tempo que os investimentos
no setor público começavam a diminuir. Responsável
por essa política de privatização desmesurada,
Leonel Miranda, então ministro da Saúde, tornou-se proprietário
do maior manicômio privado do mundo, a Casa de Saúde Dr.
Eiras, em Paracambi, estado do Rio, que até 2002 tinha quase
2 mil leitos totalmente financiados com recursos do Sistema Único
de Saúde. Hoje a instituição funciona sob intervenção
federal, ainda com cerca de 600 leitos.
Miséria e solidão
Ainda estudante de medicina, trabalhei como estagiário em um
hospital-colônia de uma cidade na Grande Vitória, Espírito
Santo. Lá fui marcado definitivamente pela trágica experiência:
centenas de pessoas nuas, imundas, fétidas. Imagem e odor do
abandono, do descaso, da miséria e da solidão. Para um
jovem estudante que sonhava aliviar o sofrimento psíquico das
pessoas, aquele certamente era um mau começo.
Saí do Espírito Santo acreditando que
aquelas condições absolutamente precárias deviam-se
ao fato de eu estar em um hospital público de uma cidade pobre,
em um estado esquecido pelo desenvolvimento. Parti para o Rio de Janeiro,
mas, para minha decepção, encontrei uma situação
muito semelhante e, por que não dizer, ainda pior. Além
da exclusão de pessoas em sofrimento mental, encontrei presos
políticos nos hospitais psiquiátricos, que em nada se
diferenciavam dos campos de concentração.
Em 1978, eu e mais dois colegas plantonistas do Centro
Psiquiátrico Pedro II, no Engenho de Dentro, decidimos denunciar
uma série de violações aos direitos humanos das
pessoas lá internadas. Como se tratou de uma denúncia
escrita, registrada em documento oficial, a resposta foi imediata e
violenta, como era comum naqueles tempos. Além de nós
três, foram demitidos mais 263 profissionais que ousaram nos defender
ou que confirmaram nossas denúncias. Nasceu aí o movimento
de trabalhadores da saúde mental que, dez anos mais tarde, transformou-se
no movimento de luta antimanicomial, ainda hoje o mais importante movimento
social pela reforma psiquiátrica e pela extinção
dos manicômios.
Não denunciamos apenas os maus-tratos aos "pacientes
psiquiátricos", mas também a presos políticos
que, a exemplo dos gulags da Rússia stalinista, eram internados
e torturados nessas instituições. Descobri que a situação
do Rio de Janeiro era a mesma do Espírito Santo e, para minha
tristeza, constatei mais tarde, que o modelo era quase universal, predominantemente
asilar e manicomial, com milhares de pessoas abandonadas em macroinstituições
financiadas pelo poder público, fossem elas públicas ou
privadas. Na época os leitos privados já eram mais de
70 mil, todos pagos pelo setor público.
O ano de 1978 foi importante também pela chegada
ao Brasil de Franco Basaglia, o psiquiatra italiano que fundou o Movimento
da Psiquiatria Democrática e liderou as mais importantes experiências
de superação do modelo asilar-manicomial em Gorizia e
Trieste. Ele foi o primeiro a colocar em prática a extinção
dos manicômios, criando uma nova rede de serviços e estratégias
para lidar com as pessoas em sofrimento mental e cuidar delas. O caráter
revolucionário dessa nova forma de cuidado estava expresso não
apenas pelos novos serviços que substituíam os manicômios,
mas pelos mais variados dispositivos de caráter social e cultural,
que incluíam cooperativas de trabalho, ateliês de arte,
centros de cultura e lazer, oficinas de geração de renda,
residências assistidas, entre outros.
A experiência de Basaglia serviu de inspiração para
a lei 180, aprovada na Itália em 13 de maio de 1978, que determinou
a extinção dos manicômios e a substituição
do modelo psiquiátrico por outras modalidades de cuidado e assistência.
A Lei Basaglia, como ficou conhecida, é, ainda hoje, a única
no gênero em todo o mundo.
Para nós a vinda de Basaglia ao Brasil naquele
ano de 1978 foi considerada a "sorte grande". E ele retornou
ao país no ano seguinte, quando fez uma visita ao Hospital Colônia
de Barbacena, Minas Gerais, um dos mais cruéis manicômios
brasileiros. Suas visitas seguidas acabaram produzindo uma forte e decisiva
influência na trajetória de nossa reforma psiquiátrica.
Em Barbacena, Basaglia comparou a colônia de alienados a um campo
de concentração, reforçando nossas denúncias
de maus-tratos e violência. Sua presença aqui recebeu tratamento
e atenção especiais da imprensa, além de dar origem
ao clássico documentário de Helvécio Ratton, Em
nome da razão, de 1980, um marco da luta antimanicomial brasileira,
ao lado de uma premiada série de reportagens de Hiran Firmino,
publicadas inicialmente no jornal Estado de Minas e posteriormente pela
Editora Codecri sob o título Nos porões da loucura, de
1982.
A principal conseqüência da relação
com Franco Basaglia, entretanto, ocorreu em 1989, em Santos. Após
uma série de mortes em uma clínica psiquiátrica
particular conveniada ao extinto Inamps, a prefeitura decidiu intervir
e desapropriá-la, iniciando um trabalho revolucionário
semelhante àquele de Franco Basaglia na Itália. Em seu
lugar foram implantadas novas maneiras de lidar com pessoas em sofrimento
psíquico, como os núcleos de atenção psicossocial
(Naps) abertos 24 horas, sete dias por semana. Foram criadas oficinas
de trabalho para geração de renda dos ex-internos, além
de cooperativas de trabalho e de diversos projetos culturais de inserção
social, entre os quais merece destaque o Rádio e TV Tam Tam.
Ainda em 1989, o deputado federal Paulo Delgado apresentou
o projeto de lei de sua autoria (3657/89), cuja justificativa fazia
menção explícita à lei italiana 180. Tudo
levava a crer que o projeto seria aprovado num piscar de olhos, mas
não foi. As associações dos proprietários
de hospitais perceberam o risco que a lei representava para seus negócios
milionários e organizaram lobbies em Brasília. Além
disso, alarmaram os parentes dos internos (em geral tão carentes
e desassistidos quanto a maioria da população), fazendo-os
crer que os pacientes seriam devolvidos - da noite para dia - caso o
projeto de lei fosse aprovado. O tiro, no entanto, saiu pela culatra.
O debate acabou repercutindo positivamente na opinião pública.
A mais antiga associação de parentes e usuários,
a Sosintra, do Rio de Janeiro, tomou a frente na defesa da reforma psiquiátrica
e fortaleceu a posição contra os manicômios. Leis
do mesmo tipo foram aprovadas em diversos estados. Experiências
de desmontagem de estruturas manicomiais passaram a ser implantadas
pelos quatro cantos do país. A transformação do
modelo virou prática política e social antes mesmo de
virar lei, a despeito do fato de muitas das experiências não
vingarem no Brasil. A da reforma psiquiátrica veio a reboque
das práticas inovadoras que a anteciparam.
A Lei Paulo Delgado acabou sendo rejeitada, mas, em
compensação, foi aprovado um substitutivo que aperfeiçoou
muitos aspectos do modelo assistencial psiquiátrico brasileiro.
Atualmente o país conta com quase mil serviços de saúde
mental abertos, regionalizados, com equipes multidisciplinares, envolvendo
vários setores sociais e não apenas o setor da saúde.
Um grande avanço, sem dúvida.
Reforma em risco
Contudo, a política nacional de saúde mental corre muitos
riscos, entre os quais reduzir o processo de reforma psiquiátrica
a uma mera mudança de modelo assistencial. Trata-se de um processo
social complexo, no qual é necessária uma reflexão
sobre o modelo científico da psiquiatria, que não consegue
ver saúde nas pessoas, apenas doenças. A dimensão
sociocultural também é muito importante, pois trabalhamos
para transformar a relação da sociedade com as pessoas
em sofrimento mental. Afinal fomos nós, alienistas/psiquiatras,
que, desde Pinel, ensinamos a todos que pessoas com algum tipo de problema
mental são perigosas, incapazes, insensatas... Quando uma sociedade
defende que uma parte dos seus membros não pode conviver com
os demais, cumpre a nós compreendermos os motivos e intervir.
Por que não podem viver como nós, conosco, em nosso meio?
Por que são negros? Por que são índios? Por que
são loucos?
Desde 1986, quando participamos do III Encontro Latino-Americano
de Alternativas à Psiquiatria, em Buenos Aires, adotamos o lema
"Por uma sociedade sem manicômios". O Movimento Nacional
de Luta Antimanicomial nasceu aí. E tem alcançado êxitos
fantásticos, que vão da criação de novas
leis, práticas e políticas até a sensibilização
da cultura nacional por meio de várias estratégias, como
a produção de vários filmes, entre eles Bicho de
7 cabeças, de Laís Bodansky (2000), baseado no livro autobiográfico
de Austregésilo Carrano; Estamira, de Marcos Prado (2004), ou
ainda Estrela de 8 Pontas, de Marcos Magalhães (1996). Sem falar
do Grupo Teatral Pirei na Cena, da TV Pinel, da Rádio Cala a
Boca Já Morreu, da Rádio Antena Virada, do Grupo Teatral
Ueinz! e do Coral Cênico de São Paulo entre outras iniciativas.
O grande mérito do processo brasileiro de reforma psiquiátrica
está no fato de, em vez de tratar de doenças, tratar de
sujeitos concretos, pessoas reais. Lida, portanto, com questões
de cidadania, de inclusão social, de solidariedade e, por isso,
não é um processo do qual participam apenas profissionais
da saúde, mas também muitos outros atores sociais.
O hospício, ou manicômio,
caminha inevitavelmente para o fim devido a seu caráter arcaico
de instituição fundada há mais de 300 anos para
responder a outras demandas sociais. Sua persistência está
muito mais relacionada ao fator econômico do que ao valor terapêutico
ou social. Os hospícios, como já nos ensinou Simão
Bacamarte, devem ser fechados. Esse deve ser o destino de todas as Casas
Verdes, mesmo das que se escondem atrás de discursos progressistas.
Quem nos garante que o alienado não é o alienista? A frase
de Caetano Veloso "de perto ninguém é normal"
tem sido pretexto para questionarmos o conceito de normalidade, tão
caro no campo da saúde mental. Curiosamente, a mesma frase foi
utilizada em um congresso de psiquiatria em São Paulo para demonstrar
como toda a sociedade é, no fundo, carente de algum tipo de terapêutica
(leia-se de medicamentos, cujo fabricante financiava o evento).
Tenho observado que os órgãos de representação
da categoria médica e dos psiquiatras começam a resistir
à idéia da reforma psiquiátrica. Isso me parece
totalmente equivocado. Os profissionais comprometidos com a boa prática
médica não podem esquecer que, certa vez, se aliaram aos
proprietários de hospitais e se tornaram subempregados, funcionários
desqualificados, mal pagos e desrespeitados. Não podem esquecer
também que se aliaram, outra vez, aos empresários de seguro-saúde,
e deles se tornaram escravos, sem autonomia profissional e sem controle
sobre as possibilidades terapêuticas. Em que pesem todos os problemas
e limitações, é no SUS que ainda podemos, não
apenas médicos, mas todos os profissionais do setor, realizar
as possibilidades reais da saúde em nosso país. Seja porque
o SUS é o maior e mais promissor mercado de trabalho nessa área
(e não se iludam quanto a isso), seja porque é o mais
democrático e inclusivo sistema de saúde público
do mundo. Aceito cartas com argumentações que provem o
contrário ou que me provoquem a pensar de forma distinta.
o autor
PAULO AMARANTE é psiquiatra, doutor
em saúde pública, pesquisador da Fundação
Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professor da Escola Nacional de Saúde
Pública (ENSP), ambas no Rio de Janeiro. É autor de Loucos
pela vida - A reforma psiquiátrica no Brasil (Editora Fiocruz,
2005), membro da diretoria do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde
(Cebes) e editor da revista Saúde em Debate.
Para conhecer mais
Escritos selecionados em saúde mental e reforma psiquiá-trica.
Franco Basaglia. Garamond, 2005.
A reforma psiquiátrica. Manuel Desviat. Editora
Fiocruz, 2006.
Esperança equilibrista: cartografias de sujeitos
em sofrimento psíquico. Maria Bernardete Dalmolin. Editora Fiocruz,
2006.
Manicômios, prisões e conventos. Erving
Goffman. Perspectiva, 1961
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